BRASIL, JOSE LEITE

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Nome: BRASIL, José Leite
Nome Completo: BRASIL, JOSE LEITE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BRASIL, JOSÉ LEITE

BRASIL, José Leite

*militar; rev. 1935.

 

José Leite Brasil nasceu no dia 27 de abril de 1904.

Sentou praça em novembro de 1919 e era aluno da Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, quando participou da revolta de 5 de julho de 1922, deflagrada em protesto contra a eleição de Artur Bernardes à presidência da República e as punições impostas aos militares pelo presidente Epitácio Pessoa (1919-1922). Esse movimento armado, que iniciou o ciclo de revoltas tenentistas da década de 1920, envolveu, no Rio de Janeiro, o forte de Copacabana, a Escola Militar e os efetivos da Vila Militar e, em Mato Grosso, o contingente local do Exército. Sufocada a rebelião no mesmo dia, Leite Brasil foi punido com a expulsão das forças armadas.

Após a Revolução de 1930, entretanto, foi anistiado e, ainda em novembro, comissionado primeiro-tenente, posto no qual só foi efetivado em março de 1933. Destacado em 1934 para servir junto ao 4º Batalhão de Caçadores (BC), em São Paulo, permaneceu à disposição do interventor federal no estado, Armando de Sales Oliveira.

Em novembro de 1935, ao eclodir a Revolta Comunista promovida pela Aliança Nacional Libertadora (ANL) e pelo Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), ocupava o posto de capitão e comandava a 6ª Companhia de Fuzileiros do 3º Regimento de Infantaria (RI), na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.

O movimento irrompeu nos dias 23 e 24 de novembro, respectivamente em Natal e Recife, sendo aí debelado em pouco tempo. No Rio, sob o comando do capitão Agildo Barata e de Luís Carlos Prestes, líderes do PCB, a insurreição foi deflagrada no dia 27 de novembro no 3º RI. Momentos antes de iniciar-se a ação armada, Leite Brasil procurou Agildo Barata, que cumpria pena disciplinar naquela unidade, para comunicar-lhe sua adesão ao movimento. Em seguida, sublevou sua companhia e rendeu o comandante do 3º RI, o coronel José Fernando Afonso Ferreira. Ao lado de Agildo Barata e do capitão Álvaro Francisco de Sousa, assumiu apenas formalmente o comando daquele regimento, já que, sob intenso bombardeio das forças legalistas, os três só puderam reunir-se para redigir a proposta de rendição na madrugada do dia 28.

Ao depor no inquérito aberto pela polícia do Distrito Federal, Leite Brasil negou haver participado da concepção do movimento, afirmando que só se inteirara da revolta hora e meia antes de sua deflagração, ao se encontrar com Agildo Barata e com o capitão Álvaro Francisco de Sousa. Afirmou também ignorar a presença do líder comunista Luís Carlos Prestes no comando do levante. Segundo o historiador Hélio Silva, o capitão Leite Brasil divergiu de seus companheiros após saber que a tentativa insurrecional tinha caráter comunista.

Em dezembro de 1935, teve sua patente cassada pelo Tribunal de Segurança Nacional (TSN). No processo penal a que respondeu por sua participação na revolta de 1935, Leite Brasil adotou inicialmente atitude idêntica à dos demais presos políticos da época, recusando-se a ser sumariado pelo TSN por considerar inconstitucional aquela câmara de justiça, criada pelo presidente Getúlio Vargas com o objetivo de apurar e punir delitos políticos. Algum tempo depois, entretanto, foi persuadido pelo juiz Benedito Costa Neto, que dele obteve o compromisso de acatar a decisão do TSN. Em maio de 1937 foi condenado por aquele tribunal a cinco anos e nove meses de prisão.

Afastado do Exército, dedicou-se ao ensino da matemática.

Faleceu no dia 18 de março de 1962.

 

 

FONTES: ALBUQUERQUE, J. Cearenses no Rio; Almanaque dos alunos; BARATA, A. Vida; CAMPOS, R. Tribunal; CARNEIRO, G. História; COUTINHO, A. Brasil (1934); Movimento de 5; PORTO, E. Insurreição; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1937.

 

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