BRASIL NETO, TOMAS POMPEU DE SOUSA

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Nome: BRASIL NETO, Tomás Pompeu de Sousa
Nome Completo: BRASIL NETO, TOMAS POMPEU DE SOUSA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BRASIL NETO, TOMÁS POMPEU DE SOUSA

BRASIL NETO, Tomás Pompeu de Sousa

*pres. CNI 1967-1977.

 

Tomás Pompeu de Sousa Brasil Neto nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 1º de janeiro de 1908, filho do médico Tomás Pompeu de Sousa Brasil Filho e de Noêmia Coelho Pompeu. Seu avô, Tomás Pompeu de Sousa Brasil, foi professor, industrial e político no Ceará, tendo fundado a Faculdade de Direito e a Associação Comercial do estado, além da Fábrica de Tecidos Progresso S.A. Em sua família, destacou-se também o padre, advogado e jornalista Tomás Pompeu de Sousa Brasil (1818-1877), senador do Império, mais conhecido como Senador Pompeu.

Estudou no Colégio São José, no Rio de Janeiro, e no Colégio Militar do Ceará, ingressando depois na Escola Politécnica do Rio, pela qual se formou em 1933.

De volta ao Ceará, dedicou-se ao comércio e à indústria, dirigindo a fábrica fundada pelo avô e a firma de beneficiamento de algodão Pompeu, Campos & Cia. Ltda., em  Maranguape.

Em meados da década de 1930, iniciou sua participação na vida sindical. A criação do Ministério do Trabalho e a instituição (1931) da Lei de Sindicalização, tanto das classes operárias quanto das patronais, determinaram a transformação das entidades civis existentes no plano estadual em federações, de acordo com a nova lei. Desse modo, ao serem criados, no Ceará, a Federação das Indústrias e o Centro Industrial, Brasil Neto assumiu a presidência das duas entidades durante 15 anos. Fundou ainda em Fortaleza o Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem, cuja presidência ocupou também durante 15 anos.

Em 1950, transferiu-se para o Rio, tornando-se representante do Ceará no conselho de representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Diretor da Associação Comercial do Ceará entre 1954 o 1956, em 1961 passou a integrar o conselho consultivo do Banco do Nordeste.

Eleito em 1962 diretor-tesoureiro da CNI, sob a presidência de Domício Veloso da Silveira, iniciou uma progressiva ascensão nos quadros da entidade. Deixando o Banco do Nordeste em 1964, em 1966 elegeu-se primeiro-vice-presidente da CNI, vindo a assumir no ano seguinte a presidência do órgão devido à renúncia de Edmundo Macedo Soares, nomeado ministro da Indústria e Comércio. Confirmado no cargo por eleição ainda em 1967, nele se manteve até 1977. Na qualidade de presidente da CNI, ocupava automaticamente a presidência do conselho nacional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o cargo de diretor nacional do Serviço Social da Indústria (Sesi).

Durante o exercício da presidência da CNI, integrou a comissão diretora da III Conferência Nacional das Classes Produtoras (III Conclap), realizada no Rio de Janeiro em março de 1972. Em julho de 1975, Expedito Amorim, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), acusou Brasil Neto de irregularidades na alocação de recursos do Sesi e solicitou ao conselho nacional do órgão a formação de uma comissão para apurar sua situação financeira, agravada por vultosos débitos. Brasil Neto era criticado principalmente por dar prioridade às atividades de lazer, e sua defesa não foi aceita pela comissão. O representante do Ministério do Trabalho recomendou ao conselho nacional do Sesi que não aceitasse as contas do diretor do órgão.

Embora as denúncias de malversação de verbas não tivessem sido comprovadas, Brasil Neto passou a intervir diretamente nas eleições de algumas federações estaduais, especialmente no Rio Grande do Norte, de cujo presidente partira a acusação, e em Pernambuco, a cuja federação pertencia um dos membros da comissão de investigação formada no Sesi.

Após participar, em junho de 1976, da LXI Conferência Internacional de Trabalho, em Genebra, Suíça, e da reunião do Comitê Anglo-Brasileiro de Cooperação Econômica, em Londres, Brasil Neto desistiu de concorrer à reeleição na CNI em julho de 1977. O pleito, realizado em setembro, foi vencido pela chapa única de oposição encabeçada por Domício Veloso.

Segundo a revista Veja, a renovação da CNI foi apoiada por setores do governo que defendiam a mudança das lideranças sindicais patronais, de modo a restaurar a representatividade das entidades que, pouco a pouco, vinham sendo suplantadas por associações setoriais, como as de bens de capital, siderurgia e indústria automobilística, perdendo a autoridade política e privilegiando as atividades assistenciais e recreativas.

A partir de 1977, Brasil Neto voltou a dedicar-se às atividades empresariais, na direção da Fábrica de Tecidos Progresso. Foi ainda presidente da Schindler Adler S.A., concessionária da General Motors no Rio de Janeiro. Membro do conselho deliberativo do Centro Brasileiro de Arbitragem Comercial, do conselho da Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho, e do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, participou de inúmeros conclaves no Brasil e no exterior, além de missões econômicas enviadas a países estrangeiros.

Faleceu em Fortaleza no dia 11 de setembro de 1985.

Era casado com Santina Alves de Araújo Pompeu, com quem teve seis filhos.

Além de artigos e conferências, publicou a coletânea Brasil e iniciativa privada.

Sônia Dias

 

FONTES: CONF. NAC. IND.; CONFERÊNCIA NAC. CLASSES PRODUTORAS. Cartas; CONSULT. MAGALHÃES, B.; COUTINHO, A. Brasil; FICHÁRIO PESQ. M. AMORIM; Jornal do Brasil (10/6 e 10/8/76, 6/7/77); Veja (13/7/77); Who’s who in Brazil (1974).

 

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