CABELLO, BENJAMIN SOARES

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Nome: CABELLO, Benjamin Soares
Nome Completo: CABELLO, BENJAMIN SOARES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CABELLO, BENJAMIN SOARES

CABELLO, Benjamin Soares

*rev. 1935.

Benjamim Soares Cabello nasceu em Santana do Livramento (RS) no dia 16 de novembro de 1906, filho de Antônio Cabello e de Conceição Soares Cabello.

Fez os estudos no Instituto São José, em Canoas (RS).

Jornalista, foi redator do Diário Carioca, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, de 1928 a 1929, do Diário de Notícias e do Correio do Povo, em Porto Alegre, em 1930, e do Diário de Notícias, também na capital da República, no ano seguinte.

Participou da Revolução Constitucionalista deflagrada em São Paulo no dia 9 de julho de 1932 e, com a derrota do movimento em outubro do mesmo ano, exilou-se em Rivera, no Uruguai, onde dirigiu o jornal Frente Única. Beneficiado pela anistia decretada pelo presidente Getúlio Vargas em 1934, regressou ao Brasil, assumindo o cargo de redator-chefe de A Nação, no Rio de Janeiro, pelo qual responderia até o ano seguinte.

Em outubro de 1934, juntamente com Manuel Venâncio Campos da Paz, Aparício Torelli, Roberto Sisson, Francisco Mangabeira, Carlos Lacerda e Francisco Chicovate, integrou o grupo que começou a estudar a formação da Aliança Nacional Libertadora (ANL). Posteriormente aderiram ao grupo Moésia Rolim, Carlos Amoreti Osório, Nemo Canabarro Lucas, Luís Marques Barreto Viana, Trompovski Taulois, Válter Pompeu, Antônio Rolemberg, André Trifino Correia, Herculino Cascardo e Carlos da Costa Leite. Do programa desse movimento, que recebeu o apoio do Partido Comunista Brasileiro — então Partido Comunista do Brasil (PCB) —, do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e do Partido Social Democrático (PSD), bem como de numerosos sindicatos de trabalhadores, constavam a suspensão definitiva do pagamento das dívidas “imperialistas” do Brasil, a imediata nacionalização de todas as empresas “imperialistas”, a proteção aos pequenos e médios proprietários e lavradores, maiores liberdades populares e a constituição de um governo popular.

Em 23 de março de 1935, juntamente com Herculino Cascardo, Roberto Sisson, Trifino Correia, João Cabanas, Francisco Mangabeira, Henrique Cordeiro Oest e Abguar Bastos, entre outros, Cabello assinou a ata de fundação da ANL, a cujo diretório nacional pertenceu. Para a divulgação de seu programa, percorreu vários estados do Norte em companhia de Roberto Sisson e de outros partidários do movimento. Ainda em 1935 assinou o manifesto de fundação da Liga pela Defesa da Cultura Popular, publicado em 16 de abril desse ano em A Pátria, do Rio de Janeiro. Movimento paralelo ao da ANL, dele participaram Rubem Braga, Brasil Gérson, Genolino Amado, Maria Werneck de Castro, Carlos Lacerda e Aníbal Machado, entre outros. Também em 1935 tornou-se redator de O Imparcial, no qual colaboraria até 1938.

Em 13 de maio de 1935, em comício no Estádio Brasil, no Rio de Janeiro, Cabello leu a carta de adesão de Luís Carlos Prestes à ANL. Nessa carta, o líder comunista declarava que a ANL deveria “sustentar a luta de massas pela instalação de um governo nacional-revolucionário em todo o Brasil”. Em julho seguinte, o presidente Vargas decretou a dissolução da ANL com base na Lei de Segurança Nacional depois de uma nova proclamação de Prestes, ainda mais radical, reivindicando “todo o poder à ANL” e conclamando o povo brasileiro a “preparar-se ativamente para o momento do assalto”.

Em 26 de novembro, na véspera da revolta comunista no Rio de Janeiro, Cabello foi preso sob suspeita de ligação com os levantes ocorridos em Natal e Recife nos dias precedentes, razão pela qual não participou do movimento no Rio de Janeiro. Negou ter colaborado no planejamento do levante de 27 de novembro, justificando sua adesão à ANL por ter visto em seu programa os ideais pelos quais lutava desde 1923.

Em 19 de fevereiro de 1936, de acordo com despacho do ministro Hermenegildo de Barros, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou o habeas-corpus impetrado em favor de Cabello como participante do movimento insurrecional de novembro do ano anterior. No julgamento dos principais acusados no movimento, realizado em 7 de maio seguinte, Cabello foi condenado a seis meses de prisão, pena confirmada em seguida pelo Superior (então Supremo) Tribunal Militar (STM). Juntamente com Sócrates Gonçalves, Benedito Carvalho, Herculino Cascardo e outros, recusou-se a ser sumariado por ocasião da visita do juiz do Tribunal de Segurança Nacional (TSN), criado em setembro de 1936 para processar os elementos envolvidos na Revolta de 1935, à Casa de Correção na qual se encontrava detido. Alegando a inconstitucionalidade do TSN, Cabello, ao ser qualificado, protestou afirmando que comparecera coagido diante do juiz, exigindo que fosse registrada a violência de sua retirada, recém-operado, de um leito de hospital.

Após ser posto em liberdade, voltou a atuar como jornalista, tornando-se em 1938 redator de O Globo, no Rio de Janeiro, onde trabalhou até 1943. Nesse período foi também diretor de O Imparcial, em Santana do Livramento, em 1941, e redator-chefe de O Observador Econômico e Financeiro, no Rio de Janeiro, em 1943.

Economista conceituado, Cabello exerceu diversos cargos públicos durante o Estado Novo (1937-1945), apesar de seu envolvimento político com a extinta ANL. Consultor técnico do Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda de 1939 a 1942, integrou nesse ano a Comissão de Estudos e Negócios Estaduais e, no ano seguinte, a Comissão Brasileiro-Americana, participante da Missão Cooke-João Alberto, que representou a primeira tentativa de diagnóstico global da economia brasileira e de seus problemas, visando a necessidade de coordenar o esforço de guerra empreendido pelo Brasil e de elaborar uma política de industrialização.

Chefiou também o setor de Estudos Econômicos e de Serviço de Controle do Abastecimento Nacional, ambos da Coordenação da Mobilização Econômica, de 1943 a 1944, criada pelo governo para mobilizar a economia do país em função da situação de emergência determinada pela Segunda Guerra Mundial, atuando como diretor do Departamento de Planejamento e Estudos Econômicos da Fundação Brasil Central entre 1944 e 1945.

Foi também vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento e Coordenação dos Transportes do Ministério da Viação e Obras Públicas, membro da Comissão de Desenvolvimento Industrial do Ministério da Fazenda, da Comissão Consultiva do Trigo, do Ministério das Relações Exteriores, da Comissão da Rede Nacional de Armazéns, Silos e Frigoríficos e da Comissão de Irrigação Artificial, ambas do Ministério da Agricultura, entre 1951 e 1953. Diretor da revista O Mês Econômico e Financeiro, presidiu o conselho técnico da Confederação Rural Brasileira e foi membro do conselho técnico da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e do conselho econômico da Confederação Nacional da Indústria (CNI), tendo atuado ainda como presidente da firma Empreendimentos Econômicos Mauá — Escritórios Técnicos de Organização, Planejamento e Administração, através da qual se decidiu à promoção de investimentos estrangeiros no país e ao planejamento e instalação de indústrias em todo o território nacional.

Articulista e conferencista dos mais influentes, caracterizou-se por seus profundos conhecimentos da economia nacional em todos os seus setores e aspectos. Membro da Associação Brasileira de Imprensa, da Associação Brasileira de Municípios, da Associação Brasileira de Planejamento, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais, do Sindicato dos Economistas do Rio de Janeiro e da Associação Comercial, pertenceu também à Câmara de Comércio Francesa do Brasil e à Câmara de Comércio Teuto-Brasileira do Rio de Janeiro.

Casou-se com Ana Miranda Matos Cabello, com quem teve dois filhos.

FONTES: CARNEIRO, G. História; LEVINE, R. Vargas; PORTO, E. Insurreição; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1937; TAVARES, J. Radicalização.

 

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