CABOT, JOHN MOORS

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Nome: CABOT, John Moors
Nome Completo: CABOT, JOHN MOORS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CABOT, JOHN MOORS

CABOT, John Moors

*diplomata norte-americano; emb. EUA no Brasil 1959-1961.

 

John Moors Cabot nasceu em Cambridge, no estado de Massachusetts, EUA, no dia 11 de dezembro de 1901, filho de Godfrey Lowell Moors Cabot e de Maria Buckminster Moors Cabot.

Membro de uma destacada família de Boston, graduou-se pela Universidade de Harvard em 1923 e prosseguiu seus estudos em Oxford, na Inglaterra, onde se bacharelou em literatura pelo Brasenose College em 1925.

No ano seguinte ingressou na carreira diplomática, sendo nomeado em 1927 vice-cônsul em Callao, no Peru, onde permaneceu durante um ano. Promovido a terceiro-secretário, foi designado em 1929 para São Domingos, na República Dominicana, e em 1931 para a cidade do México. No ano seguinte passou a servir no Rio de Janeiro, recebendo durante sua permanência no Brasil a promoção ao posto de segundo-secretário. Em 1935 foi indicado para Haia, na Holanda, de onde seguiu em 1938, já como primeiro-secretário, para Estocolmo, na Suécia. Aí permaneceu até 1939, quando foi transferido para a Guatemala, onde serviu até 1941. De volta a Washington, no ano seguinte tornou-se assistente-chefe da Divisão das Repúblicas Americanas do Departamento de Estado e em 1944 assumiu a chefia da Divisão de Assuntos das Antilhas e da América Central, no mesmo departamento.

Em 1945 foi designado para o posto de conselheiro de embaixada em Buenos Aires, onde permaneceu até o ano seguinte. Já como ministro de carreira, em 1947 foi transferido para Belgrado, na Iugoslávia, e no ano seguinte foi nomeado cônsul-geral em Xangai, na China. Em 1950 serviu em Helsínqui, na Finlândia, no posto de ministro, e ainda no mesmo ano foi designado embaixador no Paquistão, aí permanecendo até 1952. Em fevereiro do ano seguinte foi nomeado secretário de Estado adjunto para Assuntos Interamericanos pelo presidente norte-americano Dwight Eisenhower, a quem acompanharia em visita ao Brasil ainda em 1953. Também nesse ano chefiou a delegação norte-americana à Conferência Econômica e Social Interamericana realizada em Caracas, na Venezuela, na qual esboçou o que seria no seu entender a política oficial de Eisenhower para o hemisfério: contínua assistência técnica norte-americana, considerável aplicação de fundos federais e privados norte-americanos na América Latina e relações comerciais equilibradas. De volta aos EUA, preveniu que restrições às importações de produtos latino-americanos prejudicavam os ideais do pan-americanismo e só poderiam causar “ressentimento e desespero”, favorecendo a subversão comunista no hemisfério. Argumentou ainda que, para fazer face aos comunistas na América Latina, os EUA deveriam assumir a liderança de reformas sociais, cortando os laços que mantinham com os regimes reacionários do continente. Seus propósitos, contudo, iam de encontro à orientação de George Humphrey, secretário do Tesouro, que era favorável a empréstimos com objetivos realizáveis a curto prazo. Em vista dessa incompatibilidade e também das restrições que o governo norte-americano impôs à importação de certos produtos latino-americanos, Cabot pediu demissão em fevereiro de 1954. Foi então nomeado embaixador na Suécia e, em abril de 1957, assumiu o mesmo posto na Colômbia. Deixou esse país em maio de 1959, quando foi transferido para o Brasil.

Em agosto de 1959, alguns meses depois de apresentar suas credenciais ao presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), a Câmara de Comércio Norte-Americana, a American Society e o Clube Americano ofereceram-lhe um banquete, ocasião em que declarou que “o capital estrangeiro deve ter permissão não só para dar lucros como para exportar lucros”, fazendo também referência à suposta infiltração comunista nas universidades e sindicatos brasileiros. Em 1960, a eleição de John Kennedy para a presidência dos EUA foi considerada o prenúncio de uma sensível mudança nas relações com a América Latina nos termos desejados por Cabot e outros diplomatas. Cabot foi, inclusive, um dos 13 embaixadores norte-americanos instados por Kennedy a permanecer em seus postos devido à sua reconhecida simpatia pela política externa anunciada pelo novo presidente.

Durante a permanência de Cabot no Brasil, entretanto, as relações Brasil-EUA estiveram tensas devido às crescentes manifestações nacionalistas e à crença de que os EUA eram insensíveis às necessidades latino-americanas. Embora se reunisse diversas vezes com grupos de estudantes brasileiros com o intuito de tentar reduzir a hostilidade em relação ao seu país, John Cabot não pôde conter a diretriz do governo Jânio Quadros, iniciado em janeiro de 1961, de adotar uma política externa independente. Assim, em março de 1961 Jânio rejeitou a sugestão feita por Cabot e por Adolf Berle Jr., então conselheiro-chefe do presidente Kennedy para a América Latina, de que o Brasil se juntasse aos EUA na luta contra a Cuba de Fidel Castro. Em julho desse mesmo ano, quando Cabot afirmou que o Brasil não poderia ser considerado “uma nação não-comprometida”, foi acusado por Jânio de interferir nos assuntos internos do país. Devido a essas dificuldades com o novo presidente brasileiro, John Cabot foi removido do posto em agosto de 1961, poucos dias antes da renúncia de Jânio (25/8/1961).

Nesse mesmo ano foi nomeado embaixador na Polônia, posto de especial importância, pois a embaixada em Varsóvia servia como ponto de contato com os representantes da República Popular da China, com a qual os EUA não mantinham relações diplomáticas formais. Em março de 1962, Cabot retomou as conversações secretas entre a China e os EUA, que se haviam iniciado em 1955, logo após a Conferência de Genebra sobre a Indochina. Único contato diplomático oficial entre esses dois países, tais encontros foram periodicamente convocados durante a permanência de Cabot na Polônia para conversações sobre o desarmamento, o apoio norte-americano à China nacionalista e ao Vietnã.

Deixando a Polônia em agosto de 1965, Cabot regressou aos EUA e aí se tornou subcomandante do National War College de 1965 a 1966 e professor conferencista da Fletcher School of Law and Diplomacy, da Tufts University — da qual recebeu o título de doutor honoris causa em leis — entre 1967 e 1968. Sua carreira como professor foi breve, tendo se aposentado pouco depois. Permanecendo porém politicamente ativo, defendeu publicamente o envolvirnento dos EUA no Vietnã até 1972.

Faleceu em Washington no dia 25 de fevereiro de 1981.

Era casado com Elizabeth Lewis, com quem teve quatro filhos.

Publicou The racial conflict in Transylvania (1926) e Toward our common American destiny (1955).

 

 

FONTES: CÂM. DEP. Anais (1960-1); CORRESP. EMB. EUA; MASCARENHAS, A. Roboré; Political; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; VÍTOR, M. Cinco; Who’s who in America; Who’s who in America with.

 

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