CABRAL, ANTONIO DOS SANTOS

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Nome: CABRAL, Antônio dos Santos
Nome Completo: CABRAL, ANTONIO DOS SANTOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CABRAL, ANTÔNIO DOS SANTOS

CABRAL, Antônio dos Santos

*religioso; arceb. Belo Horizonte 1922-1956.

 

Antônio dos Santos Cabral nasceu em Propriá (SE) no dia 8 de outubro de 1884, filho do coronel Antônio dos Santos Cabral e de Amélia Maria da Glória Cabral.

Fez os estudos primários em Natal e iniciou os secundários em Salvador, onde, em fevereiro de 1899, ingressou no Seminário Arquiepiscopal de Santa Teresa, aí concluindo o curso. Em 1904 recebeu a tonsura clerical e, como tonsurado, pregou seu primeiro sermão em novembro desse ano, na festa de Santa Cecília em Propriá. Em 1905 foram-lhe conferidas as ordens menores e, no ano seguinte, as de subdiácono, de diácono e as últimas ordens. Ordenado presbítero em novembro de 1907, na cidade de Salvador, por dom Jerônimo Tomé, regressou em seguida à sua cidade natal, onde rezou sua primeira missa em 24 de novembro de 1907, na mesma igreja em que fora batizado.

Em janeiro do ano seguinte foi nomeado vigário da paróquia de Propriá como coadjutor do cônego Rosa Passos, a quem substituiu como pároco por ocasião do falecimento deste em 17 de março de 1908. Em 4 de agosto de 1912 foi elevado a cônego, assumindo então o lugar de primeiro presbítero no cabido da catedral de Aracaju. Ainda no mesmo ano recebeu as insígnias de monsenhor.

Tendo-lhe sido já conferido o título de camareiro secreto de Sua Santidade o papa Bento XV, em 1º de setembro de 1917 foi nomeado, por breve pontifício, bispo de Natal, como sucessor de dom Joaquim Antônio de Almeida, que havia sido o primeiro bispo daquela diocese. Sagrado bispo na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro em 14 de abril de 1918 pelo cardeal dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, tomou posse do bispado no dia 30 de maio do mesmo ano. Como bispo de Natal, empenhou-se no restabelecimento da estrada de ferro Mossoró e da linha de navegação do Lóide Brasileiro para os pequenos portos do Rio Grande do Norte. Deve-se igualmente à sua influência a fundação de várias instituições, como a Escola de Comércio de Natal e o Instituto de Proteção às Moças Solteiras, ambos em 1919, e o Curso Comercial Feminino e a Sociedade Propagadora do Ensino Popular, no ano seguinte. Entre as instituições religiosas e obras pias que fundou e incentivou contam-se a Congregação Mariana de Moços e o Círculo de Operários Católicos, ambos criados em 1918, o dia da boa imprensa (18 de janeiro de 1919), o Seminário de São Pedro, fundado em 15 de fevereiro de 1919, e o Pão de Santo Antônio, criado no ano seguinte. Dom Antônio Cabral foi também responsável pela criação do órgão oficial da diocese, o Boletim de Natal, lançado em março de 1919, organizando ainda, em junho de 1920, a Comissão Central das Obras da Nova Catedral. Entre 1918 e 1922 criou na diocese oito novas paróquias e 30 escolas paroquiais.

Em 21 de novembro de 1921, o papa Ben-to XV transferiu dom Antônio Cabral para a diocese de Belo Horizonte, recém-criada por efeito do desmembramento da arquidiocese de Mariana. Chegou à capital mineira em 30 de abril de 1922, tomou posse do bispado na igreja de São José e instalou a catedral na igreja da Boa Viagem. No ano seguinte fundou, com 27 alunos, o Seminário do Coração Eucarístico de Jesus, que viria a se tornar o maior da América do Sul. Em 1º de fevereiro de 1924, o papa Pio X elevou Belo Horizonte a arquidiocese, sendo dom Antônio Cabral sagrado seu primeiro arcebispo. No ano seguinte, o novo arcebispo realizou uma viagem à Europa, tendo visitado a Holanda, Portugal, Espanha, França, Bélgica, Itália, Suíça e Alemanha.

Em 1930 foi inaugurado o primeiro edifício do atual Seminário Eucarístico, que já contava então com 176 alunos. Quando, em 1932, completaram-se 25 anos de sacerdócio de dom Antônio Cabral, um dos momentos mais significativos das comemorações foi a realização do Congresso da Imprensa Católica, durante o qual surgiu a idéia da publicação de um diário católico. A partir de 1935, dom Antônio Cabral favoreceu o desenvolvimento da Ação Católica em sua arquidiocese, incentivando a participação dos leigos no apostolado da Igreja. Sua implantação em todo o país pelo cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, dom Sebastião Leme, se deu em resposta às solicitações do papa Pio XI no sentido de que fossem fundadas em todo o mundo associações leigas vinculadas à Igreja, fora de qualquer filiação política, com a “tarefa de evangelizar as nações”, de modo a “estabelecer o reino universal de Jesus Cristo”. Ainda em 1935 teve início a publicação de O Diário, que se tornaria o maior diário católico do Brasil.

Em 1936 realizou-se o II Congresso Eucarístico Nacional em Belo Horizonte e, no ano seguinte, dom Antônio Cabral instituiu a Obra da Adoração Perpétua na catedral da Boa Viagem. Sempre empenhado em organizar a vida paroquial e em estimular o apostolado nos bairros e vilas, o arcebispo de Belo Horizonte criou em 1949 a Ação Social Arquidiocesana, cuja finalidade era estudar, difundir e levar à prática a doutrina social da Igreja na arquidiocese. Em outubro de 1952 esteve presente à sessão de instalação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tendo sido eleito suplente de sua comissão permanente. Essa organização foi criada com o objetivo de “coordenar e subsidiar as atividades de orientação religiosa, de beneficência, de filantropia e assistência social” em todo o território nacional, representando uma tentativa de centralizar o poder da Igreja, que se encontrava fracionado em dezenas de dioceses espalhadas pelo país.

Além das obras e instituições mencionadas, dom Antônio Cabral, ao longo dos 36 anos durante os quais esteve à frente da arquidiocese de Belo Horizonte, criou o Colégio Arquidiocesano (futuro Instituto Arquidiocesano de Educação), o Colégio de Nova Lima, o Sínodo Diocesano, o palácio Cristo Rei, o Congresso das Vocações Sacerdotais, a Casa Cura D’Ars e diversas faculdades que dariam origem à Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais em 1958.

Em junho de 1956, dom Antônio Cabral sofreu um derrame cerebral, ficando impedido de exercer suas atividades pastorais. A direção da arquidiocese passou então ao bispo auxiliar dom Geraldo de Morais Penido, na qualidade de administrador apostólico. Em 30 de novembro de 1957 foi este substituído por dom João Resende Costa, que assumiu a arquidiocese com o título de arcebispo coadjutor com direito à sucessão e administrador apostólico sede plena.

Foi ainda membro titular da Academia de Letras do Ceará e membro honorário do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.

Faleceu em Belo Horizonte no dia 15 de novembro de 1967.

Dentre as diversas cartas pastorais que escreveu, destacam-se a Carta pastoral do bispo de Natal saudando seus diocesanos (1918), a Carta pastoral do primeiro bispo de Belo Horizonte saudando seus diocesanos (1922), a Pastoral sobre a Igreja e o ensino e a Pastoral sobre a ação católica.

 

 

FONTES: CASCUDO, L. História; CONFERÊNCIA NAC. BISPOS DO BRASIL; GARDEL, L. Armoiries; Grande encic. Delta; GUARANÁ, M. Dic.; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; Minas Gerais (17/11/67); VELHO SOBRINHO, J. Dic.

 

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