CAMPISTA, ARI

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Nome: CAMPISTA, Ari
Nome Completo: CAMPISTA, ARI

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CAMPISTA, ARI

CAMPISTA, Ari

*mov. integralista; pres. CNTI 1972-.

Ari Campista nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 1912.

Iniciou sua carreira de sindicalista em 1933, dentro do modelo de organização sindical de tipo corporativista introduzido pela Revolução de 1930. Como funcionário do Banco do Comércio e Indústria de Minas Gerais, atuou inicialmente no Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro. Em seguida passou a trabalhar na indústria química, participando da direção do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Produtos Químicos do Rio de Janeiro. Em 1934, liderou um movimento empreendido pelos operários da Companhia Química Merck do Brasil, reivindicando melhores salários.

Após a instauração do Estado Novo, em novembro de 1937, participou — segundo seu próprio depoimento — do movimento integralista, que subsistiu a despeito de a Ação Integralista Brasileira ter sido declarada ilegal no mês de dezembro desse mesmo ano. Em maio de 1938, tomou parte ativa no levante integralista desencadeado no dia 11 contra Getúlio Vargas, com o apoio de oposicionistas liberais. Esmagado o levante em poucas horas, permaneceu algum tempo na prisão.

Com a deposição de Vargas em outubro de 1945 e o início do processo de redemocratização do país, o sindicalismo corporativista expandiu suas bases. Assim, em 19 de julho de 1946 foi criada a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), reconhecida pelo presidente da República em 25 de outubro e presidida por Deocleciano de Holanda Cavalcanti. Campista começou a atuar na CNTI em 1953, introduzido pelo presidente da organização.

De 1955 a 1961: o rompimento com os comunistas

Por outro lado, em maio de 1955 o Partido Comunista Brasileiro, então chamado Partido Comunista do Brasil (PCB), criou um organismo eleitoral denominado Movimento Nacional Popular Trabalhista (MNPT), com vistas às eleições presidenciais marcadas para outubro daquele ano. Campista foi escolhido para a presidência do movimento, que tinha por objetivo mobilizar o apoio dos trabalhadores ao candidato apontado pelo partido. Este, em princípio, não apoiava nem Juscelino Kubitschek, candidato da coalizão formada pelo Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), nem Juarez Távora, candidato da União Democrática Nacional (UDN). No mês de junho, contudo, o PCB passou a apoiar a candidatura de Juscelino Kubitschek, e convocou para julho uma convenção nacional em que esse apoio seria oficializado. Discordando dessa decisão, Campista anunciou seu desligamento do MNPT. Acusou em seguida os comunistas de planejarem uma greve em memória de Getúlio Vargas, que se suicidara em agosto do ano anterior. Essa acusação serviu de pretexto para o governo de João Café Filho prender os líderes comunistas ativos na campanha de Juscelino. Pouco depois das eleições que deram a vitória à chapa Juscelino-João Goulart, o MNPT foi desativado.

Durante o governo de Kubitschek, formaram-se várias organizações sindicais paralelas — ou seja, não reconhecidas pelo Ministério do Trabalho —, entre as quais a Comissão Permanente de Organizações Sindicais (CPOS), no Rio de Janeiro. Ari Campista participou de sua fundação, ao lado dos líderes sindicais comunistas Roberto Morena e Hércules Correia dos Reis, tornando-se seu primeiro presidente. Criada em 1956, em pouco tempo a CPOS congregava 118 entidades sindicais.

Promovendo uma política de unificação das diferentes facções atuantes no movimento sindical, o vice-presidente João Goulart incentivou nesse período a atuação conjunta dos sindicalistas vinculados ao PTB e ao PCB e dos chamados “pelegos” — dirigentes sindicais que, na prática, defendiam as diretrizes do Ministério do Trabalho. Essa política mostrou seus resultados nas comemorações do 1º de maio de 1956, ocasião em que Deocleciano de Holanda Cavalcanti e Ari Campista prepararam um discurso cujo texto foi previamente negociado com os comunistas. As principais reivindicações apresentadas referiam-se ao aumento do salário mínimo, à reforma agrária, à extensão da legislação trabalhista aos trabalhadores rurais e à suspensão das restrições ao direito de greve.

Em outubro de 1956, Campista foi eleito vice-presidente da CNTI, cargo que ocuparia até janeiro de 1960, quando foi eleito primeiro-secretário da confederação.

Em janeiro de 1957, ao ser criado o Conselho de Política Aduaneira, Campista foi convidado a integrá-lo como representante dos trabalhadores. No conselho atuavam também representantes do empresariado vinculado ao comércio, à indústria e à agricultura, incumbidos de fornecer informações para a revisão dos resultados do Plano de Metas do governo Kubitschek.

Na preparação do III Congresso Nacional dos Trabalhadores, realizado em agosto de 1960 no Rio de Janeiro, tornou-se nítida a disputa entre as diferentes facções do movimento sindical. Campista, ao lado de Holanda Cavalcanti e de outros líderes de confederações nacionais, participou em São Paulo de reuniões com líderes trabalhistas locais, procurando obter apoio para suas posições.

Durante o congresso, que contou com a participação de três mil delegados e a presença do vice-presidente Goulart, as propostas apresentadas constituíram a manifestação concreta das divergências entre as lideranças vinculadas aos comunistas e aquelas que a eles se opunham. A luta entre as duas tendências resultou no abandono do congresso por parte dos dirigentes da CNTI, da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (CNTTT), além de 45 delegados contrários ao PCB, entre os quais se incluíam os representantes da Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (CIOSL) e da Organização Regional Interamericana de Trabalho (ORIT). A despeito da tentativa de Goulart de promover um acordo que assegurasse a volta ao congresso da facção dissidente, Campista declarou que não seriam feitas concessões aos comunistas. Seu grupo enviou em seguida um telegrama ao presidente da República anunciando o encerramento da reunião “face às manobras do PCB”. Entretanto, a grande maioria dos delegados permaneceu reunida, dando prosseguimento a seus trabalhos.

Após o encerramento do congresso, Campista renunciou a seu cargo de presidente do CPOS, desligando-se definitivamente dessa organização em protesto contra os líderes comunistas que nela atuavam.

De 1961 a 1964: a oposição na CNTI

Ainda em 1960, Campista recebeu uma mensagem de elogio do presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower, a qual lhe foi transmitida pelo adido do trabalho da embaixada norte-americana, mr. Fishburn.

Nas eleições presidenciais de outubro de 1960, saíram vitoriosos Jânio Quadros, candidato da UDN à presidência da República, e João Goulart, candidato à vice-presidência na chapa liderada pelo general Henrique Lott, lançada pela coalizão PSD-PTB. Com a renúncia de Quadros em 25 de agosto de 1961, teve início uma crise política provocada pelo veto dos ministros militares à posse de Goulart na presidência. A crise foi contornada com a adoção do sistema parlamentarista de governo, e Goulart tomou posse em 7 de setembro de 1961.

Em dezembro desse mesmo ano, foram realizadas eleições para a diretoria da CNTI. Ao lado de Holanda Cavalcanti e de todas as correntes anticomunistas que atuavam no movimento trabalhista, Ari Campista apoiou a chapa liderada por Heraci Fagundes Wagner. A vitória coube contudo à chapa apoiada por Goulart, liderada por Clodesmidt Riani, do PTB, e Dante Pellacani, ambos favoráveis aos comunistas. Além da CNTI, a aliança entre petebistas radicais e comunistas assumiu também a partir desse ano o controle de duas outras confederações de trabalhadores — a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Crédito (Contec) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Marítimos, Fluviais e Aéreos (CNTTMFA).

Em agosto de 1962, no decorrer do IV Congresso Sindical Nacional dos Trabalhadores realizado no Rio de Janeiro, foi criado o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). O núcleo da nova organização paralela de âmbito nacional era constituído pelas lideranças de três confederações nacionais de trabalhadores — a CNTI, a Contec e a CNTTMFA — e de órgãos intersindicais como a CPOS. Pellacani foi escolhido para ocupar a presidência do CGT e Riani, a vice-presidência.

A partir da criação do CGT, as lideranças trabalhistas anticomunistas intensificaram sua oposição ao presidente João Goulart e à influência comunista nas organizações sindicais.

Em janeiro de 1964, realizaram-se eleições para a diretoria da CNTI. A chapa da situação, lançada pelo CGT, era liderada por Pellacani e Riani, e a chapa de oposição, por João Wagner e Ari Campista. Goulart apoiou de início a chapa de oposição, mas pouco antes da eleição passou a apoiar a chapa do CGT, que saiu vitoriosa.

O pós-1964: o poder na CNTI

Em 31 de março do mesmo ano, desencadeou-se o movimento político-militar que depôs Goulart do poder. O novo governo interveio imediatamente em todos os sindicatos, federações e confederações ligados ao CGT, destituindo seus dirigentes e incluindo muitos deles na primeira lista de cassações imposta pelo Ato Institucional nº 1, de 9 de abril. A CNTI sofreu intervenção federal e em 12 de maio uma junta presidida por Francisco Spolidoro Borges assumiu sua direção. No dia 29 de maio foi eleita nova diretoria, assumindo João Wagner o cargo de presidente da CNTI, e Ari Campista o de secretário-geral.

Ainda em 1964, Arnaldo Sussekind, ministro do Trabalho, nomeou Campista ministro do Tribunal Superior do Trabalho, como representante dos trabalhadores.

Nas eleições da CNTI de maio de 1966, Campista foi eleito secretário para assuntos de trabalho e previdência.

Em abril de 1967, realizou-se em Brasília o III Congresso Brasileiro dos Trabalhadores na Indústria, com a presença de 408 delegados de federações e sindicatos de trabalhadores, além do ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho. Nessa ocasião, a direção da CNTI defendeu a elevação dos salários reais médios até os níveis aceitos antes da entrada em vigor da política salarial do governo Castelo Branco, e o aumento do nível de emprego, que vinha sendo seriamente afetado segundo as estatísticas elaboradas nas federações das indústrias. Os sindicatos presentes criticaram a política de contenção salarial, acusando a CNTI de omissão na luta dos trabalhadores por melhores salários.

Nas eleições da CNTI realizadas em maio de 1968, Campista foi eleito secretário para assuntos internacionais e Olavo Previatti foi escolhido o novo presidente da confederação.

Em 25 de outubro de 1969, Campista integrou uma delegação de trabalhadores recebida no Rio pelo general Emílio Garrastazu Médici, tendo sido o primeiro civil a cumprimentar o general por sua ascensão à presidência da República. No mês de dezembro desse ano, contudo, o presidente Médici vetou a recondução de Campista ao cargo de ministro do Tribunal Superior do Trabalho.

Nas eleições da CNTI realizadas em maio de 1971, Campista foi eleito secretário-geral e Rudor Blumm o novo presidente da entidade. Em 9 de fevereiro do ano seguinte, Campista substituiu Blumm na presidência da CNTI, quando este foi nomeado para o Tribunal Superior do Trabalho. A partir de 1971, os mandatos da diretoria da CNTI tornaram-se trienais, sendo realizadas novas eleições em maio de 1974. Nessa ocasião, Campista foi eleito presidente da entidade, encabeçando uma chapa única.

Em 26 de fevereiro de 1975 Campista foi reconduzido pelo presidente da República, Ernesto Geisel, ao cargo de ministro do Tribunal Superior do Trabalho, como representante dos empregados. Em maio de 1977, foi reeleito presidente da CNTI, encabeçando mais uma vez uma chapa única. Terminado seu mandato no Tribunal Superior do Trabalho em 18 de fevereiro de 1978, foi pela terceira vez designado para o cargo de ministro.

Em junho de 1978, realizou-se no Rio de Janeiro o V Congresso Nacional dos Trabalhadores na Indústria. Idealizado por Campista, o encontro contou com a presença do presidente Geisel em sua sessão inaugural e com a participação de seis mil trabalhadores, segundo estimativas oficiais — ou dois mil, segundo um grupo de delegados de oposição à diretoria da CNTI. Durante o encontro travou-se uma luta entre a direção da CNTI e novas lideranças sindicais, que pela primeira vez participavam de um congresso nacional. Entre os novos líderes destacou-se Luís Inácio da Silva, conhecido como Lula, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema (SP). As resoluções finais do congresso foram consubstanciadas na Carta sindical dos industriários brasileiros, que abordava a política salarial, a higiene e a segurança do trabalho, a lei de férias, a previdência social e a organização sindical. O documento foi entregue por Campista ao representante de Arnaldo Prieto, ministro do Trabalho. A oposição liderada pelos metalúrgicos contestou essas conclusões, afirmando que não refletiam a opinião dos trabalhadores e, sim, o pensamento de Ari Campista.

Nas eleições da CNTI de 12 de abril de 1980, Campista foi eleito presidente pela terceira vez consecutiva, encabeçando novamente uma chapa única.

Na qualidade de delegado trabalhista, Ari Campista foi diversas vezes a Genebra, na Suíça, para participar de conferências da Organização Internacional do Trabalho.

Vilma Keller

FONTES: CACHAPUZ, P. Cronologia; CONF. NAC. TRAB. IND.; HARDING, T. Political; IstoÉ (26/7/78); Jornal do Brasil (27/2/75; 5/3/76; 20/11 e 7/12/77; 25, 26, 27 e 30/7/78 e 13/4/80); Veja (17/12/69; 5 e 26/7/78).

 

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