CARDIM, ELMANO

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: CARDIM, Elmano
Nome Completo: CARDIM, ELMANO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CARDIM, ELMANO

CARDIM, Elmano

*jornalista.

 

Elmano Cardim nasceu em Valença (RJ) no dia 24 de dezembro de 1891, filho de Francisco Eduardo Gomes Cardim e de Adélia Figueira Cardim.

Fez seus estudos primários no Colégio Faceira, em sua cidade natal, e iniciou o curso secundário na Academia de Comércio, em Juiz de Fora (MG). Mudando-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 1906, estudou no Ginásio Nacional, atual Colégio Pedro II, e no Colégio Alfredo Gomes.

Iniciou suas atividades jornalísticas em 1908, trabalhando em diversos órgãos da imprensa da capital federal. Foi repórter do jornal O Século, de Brício Filho, trabalhou como revisor no Diário do Comércio e em A Imprensa, e exerceu também a chefia de revisão do Diário de Notícias, dirigido então por Rui Barbosa. Ingressando em 1909 como revisor no Jornal do Comércio, aí permaneceu por vários anos e estabeleceu as bases de sua carreira profissional. Ao mesmo tempo em que atuava como jornalista, cursou a Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, por onde se formou em 1914.

Ainda nesse ano, tornou-se chefe dos serviços de censura e da Comissão do Projeto de Organização Judiciária do Distrito Federal. Nomeado em 1915 oficial-de-gabinete de Carlos Maximiliano Pereira dos Santos, ministro da Justiça do governo Venceslau Brás (1914-1918), exerceu a mesma função durante as gestões de Urbano dos Santos, Alfredo Pinto, João Luís Alves e Afonso Pena Júnior. Desligou-se do Ministério da Justiça em 1926 e depois disso foi escrivão da 1ª Pretoria Civil, tornando-se posteriormente escrivão da 4ª Vara Cível.

Durante o ano de 1935, presidiu a delegação de jornalistas brasileiros que acompanhou o presidente Getúlio Vargas ao Prata e representou o Jornal do Comércio — desde 1923 dirigido por Félix Pacheco na Conferência do Chaco. Após a morte de Félix Pacheco ocorrida ainda em 1935, foi convidado pelos herdeiros a ocupar a direção do Jornal do Comércio. Assumindo o cargo em abril de 1936, passou a redigir as “várias”, editoriais que expressavam a linha política do jornal. Esses editoriais eram moderados e cautelosos, exprimindo, segundo Alexandre Barbosa Lima Sobrinho, o fato de Elmano Cardim ao longo dos anos não ter resistido “à invasão de tendências conservadoras, cada vez mais acentuadas e vigorosas”.

Com a instauração do Estado Novo em novembro de 1937, o Jornal do Comércio passou a sofrer freqüentes interferências do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do governo, embora suas matérias fossem eminentemente noticiosas. Cardim protestou sem êxito contra essas interferências junto a Filinto Müller, na época chefe de polícia do Distrito Federal, unindo-se então aos diretores dos demais órgãos de imprensa para queixar-se ao presidente Getúlio Vargas dos “vexames e ameaças” a que estavam submetidos. No início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), manifestou-se contrário ao Eixo e favorável ao rompimento das relações diplomáticas entre o Brasil e a Alemanha. Em 1940, integrou a comissão nacional que realizou o recenseamento geral do país, e no ano seguinte tornou-se co-proprietário do Jornal do Comércio.

Continuando a assinar no jornal artigos, críticas literárias, biografias e crônicas de viagens, participou em 1943 da Missão Cultural Brasileira enviada ao Uruguai, pronunciando conferências na Universidade de Montevidéu e no Ministério das Relações Exteriores daquele país. Em 1948, foi delegado plenipotenciário do Brasil à Conferência Interamericana realizada em Bogotá, na Colômbia, e em maio desse ano foi representante brasileiro no Comitê dos Peritos de Informação da Organização das Nações Unidas (ONU), reunido em Lake Success, nos Estados Unidos. Em maio de 1950, foi eleito para a cadeira número 39 da Academia Brasileira de Letras, onde desempenhou as funções de tesoureiro, e ainda nesse ano foi delegado brasileiro à Reunião da União Latina, realizada no Rio de Janeiro. Em 1951 recebeu o Prêmio Cabot de Jornalismo, na Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque.

Em 1957 Elmano Cardim vendeu o Jornal do Comércio a Francisco Clementino de San Tiago Dantas, passando a partir de então a dedicar-se às atividades literárias e acadêmicas.

Foi diretor da Associação Brasileira de Imprensa e da Associação Comercial do Rio de Janeiro. Presidiu o Sindicato dos Proprietários de Jornais e Revistas do Rio de Janeiro, a Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa e a Legião Brasileira de Assistência (LBA). Membro da Sociedade Brasileira de Direito Internacional e da Fundação Mauá, foi ainda sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e vice-presidente do Pen Club do Brasil.

Faleceu no Rio de Janeiro em 19 de fevereiro de 1979.

Era casado com Déia Mendes Cardim, com quem teve dois filhos.

Publicou, além de conferências e artigos, As conferências do professor Garric (1934), José Maria Cantillo; a política americana em face da situação mundial (1938), Na minha seara (1939), Na seara alheia (1955), Jornalistas da Independência; de Hipólito da Costa à dissolução da Constituinte (1958), Rocha Pombo, o escritor e o historiador (1958), Mosaico de valores (1962), Justiniano José da Rocha (1964), Na pauta da história (1967), Vidas gloriosas (1970) e Evocações da vida e da obra de Bocage (1971).

 

 

FONTES: ACAD. BRAS. LETRAS. Anuário; BRINCHES, V. Dic.; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORTÉS, C. Homens; COUTINHO, A. Brasil; Efemérides paulistas; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; Grande encic. portuguesa; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; INST. HIST. GEOG. BRAS. Dic.; IORIO, L. Valença; LEITE, A. História; MENESES, R. Dic.; PEIXOTO, A. Getúlio; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; VIANA FILHO, L. Governo.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados