CARDOSO, AUGUSTO INACIO DO ESPIRITO SANTO

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Nome: CARDOSO, Augusto Inácio do Espírito Santo
Nome Completo: CARDOSO, AUGUSTO INACIO DO ESPIRITO SANTO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CARDOSO, AUGUSTO INÁCIO DO ESPÍRITO SANTO

CARDOSO, Augusto Inácio do Espírito Santo

*militar; min. Guerra 1932-1933.

 

Augusto Inácio do Espírito Santo Cardoso nasceu em Goiás (GO), então capital da província, no dia 31 de maio de 1867, filho de Felicíssimo Espírito Santo Cardoso e de Emerenciana Azevedo Espírito Santo Cardoso.

Sentou praça em 1884 e matriculou-se no curso de cavalaria da Escola Militar, na cidade do Rio de Janeiro. Saiu alferes em 1890. Atuou, ao lado das forças legais, na Revolução Federalista do Rio Grande do Sul (1893-1895). O movimento, que se estendeu pelos estados de Santa Catarina e Paraná, foi deflagrado pelos partidários de Gaspar da Silveira Martins, contrários à eleição de Júlio de Castilhos para a presidência do estado e à política de Floriano Peixoto, presidente da República.

Em 1894 foi promovido a tenente, em 1906 a capitão, em 1912 a major, em 1917 a tenente-coronel e, em 1919, a coronel. Ao longo desses anos, serviu em guarnições do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, estados em que existiam mais unidades de sua arma.

Pouco depois de ter recebido a patente de coronel, foi nomeado comandante do 4º Regimento de Cavalaria, sediado em Três Corações (MG). Ainda ocupava esse posto quando eclodiu a Revolta de 5 de Julho de 1922.

Seus filhos, os primeiros-tenentes Ciro e Dulcídio do Espírito Santo Cardoso, bem como seu irmão, o general Joaquim Inácio Batista Cardoso, e dois filhos deste, envolveram-se nas conspirações militares que se estenderiam por toda a década de 1920. Apesar de sua posição legalista, o coronel Augusto Inácio foi considerado suspeito pelas autoridades federais. Preterido nas promoções para general, pediu e obteve reforma em 1923. Fixou então residência em Três Corações, onde montou uma indústria de cerâmica, mantendo-se inteiramente alheio às agitações políticas da década.

Em 1930, quando se tramava o movimento armado que eclodiria a 3 de outubro desse ano, colaborou com os revolucionários, homiziando em sua casa o tenente Djalma Dutra, antigo comandante de um dos destacamentos da Coluna Prestes.

 

Atuação no Ministério da Guerra

Em junho de 1932, Getúlio Vargas, chefe do Governo Provisório, exonerou o ministro da Guerra, José Fernandes Leite de Castro, devido ao seu grande desgaste político em diferentes áreas. A saída de Leite de Castro do ministério fora exigida tanto pelos “tenentes”, que compunham com Getúlio e advogavam o aprofundamento da revolução, quanto pelas frentes únicas do Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Estas, em oposição aos “tenentes”, reivindicavam a implantação de um governo constitucional.

Inicialmente cogitou-se substituir Leite de Castro pelo general Francisco Ramos de Andrade Neves, comandante da 3ª Região Militar, sediada em Porto Alegre. Andrade Neves gozava de importante posição política no Rio Grande do Sul e era ligado ao seu governador, José Antônio Flores da Cunha, elemento fundamental das frentes únicas. Mas a oficialidade tenentista impôs a Vargas o nome de Augusto Inácio do Espírito Santo Cardoso. Este, segundo Euclides de Figueiredo, encontrava-se em férias no Rio de Janeiro e foi “surpreendido” com o convite para ocupar o Ministério da Guerra.

Assumiu o cargo no dia 28 de junho de 1932, já como general reformado.

Ao mesmo tempo, civis e militares se articulavam em São Paulo, preparando o que viria a ser a Revolução Constitucionalista de 1932. Nos últimos dias de junho, a Frente Única Gaúcha e a Frente Única Paulista chegaram a um acordo segundo o qual seriam considerados casus belli (causa de guerra) pelas forças constitucionalistas: a deposição ou modificação do governo paulista, o afastamento do general Andrade Neves da 3ª RM ou a demissão do general Bertoldo Klinger do comando da Circunscrição Militar de Mato Grosso.

O governo federal, porém, “não teve topete” para tomar nenhuma dessas medidas, segundo A Gazeta de 12 de julho de 1932, citada por Herculano de Carvalho e Silva. Assim, ainda segundo A Gazeta, o general Klinger “dispôs-se ao sacrifício”, enviando no dia 1º de julho ao general Augusto Inácio um violento ofício em que protestava contra sua nomeação para o Ministério da Guerra, afirmando que não podia “infundir confiança do ponto de vista... da aptidão física”, devido à idade, e tampouco “sob o aspecto moral”, qualificando-o de “militar que de militar apenas tem a lembrança e a pensão”.

O ofício, retido por ordem do general Pantaleão Pessoa, que ainda tentou demover Klinger de seu gesto, só chegou às mãos do ministro no dia 6 de julho. Nesse meio tempo, um dos articuladores militares do movimento paulista, o coronel Euclides de Figueiredo, afirmou ao ministro, em conferência convocada por este, que estava comprometido com a causa paulista. Após receber o ofício de Klinger, o ministro Espírito Santo Cardoso telegrafou em resposta no dia 8 de julho, comunicando ao general sua reforma administrativa, decidida por Getúlio Vargas, e sua destituição do comando que exercia em Mato Grosso.

Configurado o casus belli, no dia 9, apenas 11 dias depois da posse de Espírito Santo Cardoso, rebentou em São Paulo a Revolução Constitucionalista. Seu objetivo, segundo proclamação da junta revolucionária então formada, era o de “reintegrar o país na ordem legal e dar aos brasileiros o gozo dos direitos e franquias” que teriam sido tolhidos pela ditadura de Getúlio Vargas.

Para comandar as tropas rebeldes, foi escolhido o general Bertoldo Klinger. Por sua vez, Getúlio nomeou o comandante da 1ª Região Militar, Pedro Aurélio de Góis Monteiro, para chefiar a principal força do governo, o Destacamento Leste, que cobriria as regiões de São Paulo e Mato Grosso.

Desse modo, na primeira fase da sua gestão no Ministério da Guerra, o general Augusto Inácio ocupou-se da organização da luta contra os revoltosos constitucionalistas.

Após três meses de combate, os paulistas pediram cessação de fogo e os principais chefes do movimento rebelde foram mandados para o exílio.

Espírito Santo Cardoso, contra a expectativa de alguns setores, atuou no ministério de forma moderada, afastando do gabinete os “tenentes” radicais. Ao longo de sua ativa administração, executou medidas como a criação do Correio Aéreo Militar, do Regimento — Escola e da Escola de Educação Física do Exército. Instituiu a Comissão Técnica Militar e organizou o Conselho de Defesa Nacional. Consolidou a organização geral das Escolas de Armas e do Centro de Instrução de Transmissões da Capital Federal.

Ainda durante sua gestão, foram aprovados os regulamentos para a instrução nas Formações Sanitárias Divisionárias, para os exercícios e combates de infantaria, para a organização do quadro de enfermeiros do Exército, do serviço em campanha, do Serviço Telegráfico do Exército, do Serviço Geográfico do Exército, do Conselho Superior, para a Caixa Geral de Economia de Guerra do Serviço Militar das Estradas de Ferro, para a Escola de Aviação Militar, para a Escola de Estado-Maior e para a Diretoria de Aviação. Também receberam aprovação o plano geral de ensino militar e as instruções para o funcionamento das seções de estradas de ferro de campanha. O regulamento da Escola Militar sofreu modificações.

Adotou-se o regime comercial nos estabelecimentos fabris do ministério e elaboraram-se disposições para a instalação e fiscalização das fábricas e do comércio de armas, munições, explosivos, produtos químicos agressivos e matérias-primas correlatas.

Instituiu-se a pensão de aviação e promulgaram-se as Leis de Promoções, do Serviço Militar e dos Quadros Efetivos. Finalmente, autorizou-se a revisão da Organização Judiciária Militar do Código Penal e Regulamentos Disciplinares.

Em abril de 1933, Espírito Santo Cardoso reverteu ao serviço ativo do Exército no posto de general-de-brigada. Em junho do mesmo ano, foi transferido para a reserva. Ainda em 1933, num manifesto dirigido aos quadros do Exército, declarou a “necessidade do alheamento em relação às questões político-partidárias”. No dia 11 de dezembro de 1933, após a instalação da Assembléia Nacional Constituinte, pediu exoneração do cargo de ministro da Guerra.

Fixou residência no Rio de Janeiro e, em 1º de julho de 1938, foi reformado.

Faleceu no Rio de Janeiro em 23 de setembro de 1947.

Foi casado com Ana Fernandes Cardoso. Um de seus filhos, o general Ciro do Espírito Santo Cardoso (1898), foi chefe da Casa Militar (1951-1952) e ministro da Guerra (1952-1954) de Getúlio Vargas. Outro, o general Dulcídio do Espírito Santo Cardoso (1896-1978), foi prefeito do Distrito Federal (1952-1954).

Roberto Pechman

 

 

FONTES: ARQ. OSVALDO ARANHA; CONSULT. MAGALHÃES, B.; FIGUEIREDO, E. Contribuição; GONZAGA, A. Homens; Jornal do Comércio, Rio (25/9/47); LAGO, L. Relação; LOPES, T. Ministros; MIN. GUERRA. Almanaque; MIN. MAR. Almanaque; PEIXOTO, A. Getúlio; SILVA, H. 1932; SILVA, H. Revolução.

 

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