CARDOSO, DIRCEU

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Nome: CARDOSO, Dirceu
Nome Completo: CARDOSO, DIRCEU

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CARDOSO, Dirceu

* dep. fed. ES 1959-1975; sen. ES 1975-1983.

Dirceu Cardoso nasceu em Miracema (RJ) em 4 de janeiro de 1913, filho de Melquíades Cardoso, jornalista e deputado estadual no Rio de Janeiro, e de Adalgisa Leite Cardoso.

Bacharelou-se em ciências jurídicas pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, especializando-se em direito criminal. Depois de formado transferiu-se para o Espírito Santo e, em 1934, tornou-se diretor do Colégio de Muqui, o maior internato do estado e um dos maiores do país, cargo que exerceria até 1952.

Iniciou a carreira política como prefeito de Muqui. Durante sua gestão foi secretário da Associação Brasileira dos Municípios e recebeu menção honrosa no congresso da entidade realizado no Hotel Quitandinha, em Petrópolis (RJ), no fim da década de 1940, pela política de saúde e habitacional que desenvolveu na prefeitura. O trabalho como educador contribuiu para que, em março de 1947, com a posse de Carlos Lindenberg no governo do estado, fosse designado secretário de Educação e Cultura.

Em outubro de 1950 e de 1954 foi eleito deputado estadual na legenda do Partido Social Democrático (PSD). Durante o período em que permaneceu na Assembleia Legislativa, integrou delegação que representou o estado na fixação de suas fronteiras com Minas Gerais, encerrando disputa territorial entre os governos dos dois estados. Foi também presidente de comissão parlamentar de inquérito que apurou os conflitos entre polícia e os primeiros povoadores do norte do Espírito Santo, nos idos de 1950, apresentando sugestões para o assentamento da população naquela região do estado.

Em outubro de 1958, elegeu-se deputado federal. Assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte, passou a exercer a vice-liderança da maioria na Câmara a partir de janeiro de 1961. Em agosto desse ano, leu na tribuna da Câmara a carta de renúncia de Jânio Quadros à presidência da República. Em outubro de 1962 reelegeu-se deputado federal. Nessa época começou a projetar-se devido às suas divergências com o governo do presidente João Goulart (1961-1964), que assumira a presidência em setembro de 1961, depois da crise resultante da renúncia de Jânio. Ao lado dos pessedistas Auro de Moura Andrade (SP), José Maria Alkmin (MG), Último de Carvalho (MG) e Laerte Vieira (SC), foi um dos que mais se evidenciaram nas manifestações contra João Goulart, apesar de o PSD não ter feito oposição ferrenha ao presidente. Durante todo o ano de 1963 e nos primeiros meses de 1964, seus discursos foram contundentes nas denúncias contra o movimento sindical, os pronunciamentos estudantis e a indisciplina nas forças armadas, que, na sua opinião, eram incentivadas pelo governo como meio de acelerar a comunização do país.

Com a deposição de Goulart pelo movimento político-militar de 31 de março de 1964, tornou-se amigo do novo presidente da República, marechal Castelo Branco (1964-1967), com quem almoçava frequentemente no palácio do Planalto. Essa amizade fez crer, após a dissolução dos partidos pelo Ato Institucional nº 2 (AI-2), de 27 de outubro de 1965, que se aproximaria da agremiação constituída para dar apoio ao governo federal, a Aliança Renovadora Nacional (Arena). Entretanto, ao escolher o governador do Espírito Santo que seria eleito indiretamente em 1966, Castelo Branco optou por Cristiano Dias Lopes, seu inimigo político, o que o fez ingressar no partido de oposição, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Nessa legenda, reelegeu-se deputado federal em novembro de 1966, tornando-se vice-líder da bancada a partir de maio de 1970. Nas eleições desse ano, candidatou-se à reeleição, conseguindo a primeira suplência. Com a morte do deputado Adalberto Nader, em novembro de 1971, assumiu o mandato. Tornou-se suplente da mesa diretora, ocupando a terceira-secretaria em várias ausências do titular. Nessa época, como diretor-proprietário de O Município, jornal semanal de Muri, que mais tarde seria editado em Cachoeiro do Itapemirim (ES), moveu cerrada oposição a seus adversários no estado. Durante sua permanência na Câmara foi membro das comissões de Educação e Cultura e de Minas e Energia, além de suplente da Comissão de Desenvolvimento da Região Centro-Oeste.

Em novembro de 1974, elegeu-se senador. Empossado em fevereiro de 1975, notabilizou-se como um dos parlamentares que combateram veementemente o acordo nuclear que o Brasil celebrou com a República Federal da Alemanha em 1976. Fez parte da comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Senado que examinou as conveniências daquele compromisso, sempre fazendo oposição à sua concretização. Como membro da Comissão de Energia Nuclear, visitou centros de produção na França, Alemanha e Áustria. Em Viena, sede do organismo internacional de regulamentação do uso da energia nuclear, manifestou sua preocupação quanto ao fato de o governo brasileiro estar construindo uma usina atômica à beira-mar (em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro), em terras, segundo ele, aparentemente impróprias para edificações que abrigassem aparelhos de alta sensibilidade e precisão. Essa denúncia acarretou a visita de uma comissão da entidade à usina em construção.

Em março de 1977 foi citado pelo Jornal do Brasil como um dos deputados eleitos em 1962 que haviam recebido verba do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) para a campanha eleitoral. Criado em 1959 para combater a propaganda comunista no Brasil, o IBAD intensificou suas atividades em 1962 através da Ação Democrática Parlamentar (Adep) que, financiada por empresários brasileiros e estrangeiros, interveio nas eleições daquele ano, patrocinando a campanha dos candidatos que faziam oposição ao presidente João Goulart. Desmentiu qualquer tipo de ligação com o IBAD, citando o Correio da Manhã e o próprio Jornal do Brasil, que haviam noticiado, em 1962, sua recusa a quinhentos mil cruzeiros (valor da época) oferecidos pela entidade a título de ajuda para sua campanha eleitoral. Em outubro de 1978, denunciou no Senado entendimentos entre o grupo chaguista e o general João Figueiredo por ocasião da indicação de um senador indireto do MDB.

Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979, e a consequente reformulação partidária, não optou inicialmente por nenhum dos partidos que estavam sendo articulados. Não desejava comprometer-se com o governo, do qual discordava inteiramente, e, ao mesmo tempo, encarava com desconfiança a receptividade que o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) vinha dando às correntes esquerdistas, cujos membros, em sua maioria, haviam sido atingidos pelos atos revolucionários. Só em novembro de 1981 os senadores Teotônio Vilela, de Alagoas, e José Richa, do Paraná, conseguiram atraí-lo para o PMDB, removendo suas apreensões.

Em julho de 1980, teve conhecimento de um relatório do chefe da Divisão de Segurança e Informações do Ministério das Minas e Energia, coronel José Aragão Cavalcanti, afirmando que fora contra o acordo nuclear com a Alemanha porque se achava envolvido com interesses americanos e soviéticos. Ameaçou apresentar queixa contra o coronel na Justiça comum, mas o assunto foi esquecido, especialmente porque a versão corrente era que o autor das acusações seria o coronel Armando Barcelos, que havia antecedido Aragão na Divisão de Segurança e Informações do ministério. Propôs a convocação do coronel Barcelos para depor no Congresso, o que não aconteceu em virtude do surgimento de outro nome no relatório.

Em maio de 1981 começaram a circular boatos relativos à existência de bombas terroristas no plenário do Senado visando a atingir Dirceu Cardoso. Foi criada uma comissão de sindicância para apurar os fatos, mas não se chegou a qualquer conclusão quanto à identificação dos culpados, o que motivou protestos de sua parte.

Em julho, seu apartamento foi assaltado por pessoas que procuravam documentos relacionados com a CPI do Senado sobre o acordo nuclear. Na mesma ocasião, um contínuo daquela casa, Arcelino Ferreira, foi sequestrado por desconhecidos que, segundo suas afirmações, preparavam represálias contra o senador, por ter sido ele o responsável pela convocação de um militar para depor em uma CPI.

Nessa época, destacou-se também pelas frequentes obstruções contra os empréstimos externos contraídos pelos estados e municípios e que, de acordo com a Constituição, dependiam da aprovação do Senado. Sua tática consistia, de acordo com o dispositivo regimental, no pedido de verificação de quorum, que nem sempre coincidia com os resultados emitidos pelo painel eletrônico da casa. Em setembro de 1981, descobriu que o nome do senador Saldanha Derzi, do Partido Democrático Social (PDS) de Mato Grosso do Sul, aparecera no painel votando a favor de um empréstimo de 30 milhões de dólares para seu estado, numa ocasião em que Saldanha estava na Itália, participando de uma conferência internacional de turismo.

Em agosto de 1982, durante sua campanha de reeleição para o Senado, foi vítima de um atentado a tiros quando participava de um comício em Ecoporanga (ES). Levou o fato ao conhecimento do ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel, e posteriormente criticou-o e acusou-o de não ter tomado qualquer providência. Como continuassem as ameaças de morte, voltou a Ecoporanga em 6 de novembro, tendo antes feito um discurso no Senado proibindo qualquer manifestação de pesar caso fosse morto na cidade onde já haviam atentado contra sua vida.

Em novembro de 1982 concorreu a um novo mandato de senador, mas o vencedor foi José Inácio Ferreira, também do PMDB. Durante sua permanência no Senado, foi membro da Comissão de Minas e Energia e suplente das comissões de Finanças e de Redação. Concluiu o mandato em janeiro de 1983.

Em março seguinte assumiu a Secretaria de Segurança do governo Gerson Camata (1983-1986), permanecendo no cargo até julho de 1985, quando se tornou diretor-presidente da Companhia das Docas do Estado do Espírito Santo (Codesa), o maior complexo portuário da América Latina, incluindo os portos de Vitória, Maria Mole e Tubarão. Após seu pedido de demissão da Codesa, em junho de 1990, foi convidado a participar do conselho de administração da Espírito Santo Centrais Elétricas S.A. (Escelsa), cargo que ocupou até a privatização da empresa, em maio de 1995.

Fez o curso da Escola Superior de Guerra e, como estagiário, visitou Espanha, França, Portugal, Alemanha e Itália.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 6 de março de 2003, mas foi enterrado em Muqui, onde iniciara sua carreira política.

Foi casado com Lisete da Silva Cardoso, também já falecida, com quem teve quatro filhas.

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1963-1967, 1967-1971, 1971-1975); CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; Estado de S. Paulo (12/6/80 e 4/10/81); Globo (14/7/80); INF. Liana da Silva Cardoso; Jornal do Brasil (6/7/80; 26/6, 5/7 e 5/11/81 e 3/9/82); NÉRI, S. 16; Perfil (1972 e 1980); Rev. Ciência Pol. (1966); SENADO. Dados biográficos (8); VÍTOR, M. Cinco.

 

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