CARDOSO, DULCIDIO DO ESPIRITO SANTO

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Nome: CARDOSO, Dulcídio do Espírito Santo
Nome Completo: CARDOSO, DULCIDIO DO ESPIRITO SANTO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CARDOSO, DULCÍDIO DO ESPÍRITO SANTO

CARDOSO, Dulcídio do Espírito Santo

*militar; rev. 1924; pref. DF 1952-1954.

 

Dulcídio do Espírito Santo Cardoso nasceu em Lapa (PR) no dia 5 de novembro de 1896, filho de Augusto Inácio do Espírito Santo Cardoso e de Ana Fernandes Cardoso. Seu pai foi ministro da Guerra de junho de 1932 a dezembro de 1933, durante o Governo Provisório presidido por Getúlio Vargas. Seu irmão, Ciro do Espírito Santo Cardoso, foi chefe do Gabinete Militar (1951-1952) e ministro da Guerra (1952-1954) de Vargas, comandante do IV Exército (1957-1959) e chefe do Departamento Geral do Pessoal do Exército (1959).

Com a transferência da família para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, cursou o primário na Escola Gonçalves Dias e o secundário, concluído em 1914, no Colégio Militar.

Em abril de 1915 matriculou-se na Escola Militar do Realengo e em dezembro de 1918 saiu aspirante-a-oficial da arma de cavalaria. Transferido para o Rio Grande do Sul, em dezembro de 1919 passou a segundo-tenente. De volta ao Rio em 1921, serviu no 2º Regimento de Cavalaria (2º RC) e no Serviço Geográfico do Exército. Em maio desse mesmo ano, foi promovido ao posto de primeiro-tenente, sendo destacado para o 4º Regimento de Cavalaria Divisionária, sediado em Três Corações (MG). Em seguida, serviu no 13º RC, em Rio Pardo (RS), retornando posteriormente ao 4º Regimento de Cavalaria Divisionária.

Como primeiro-tenente, tomou parte no movimento revolucionário, promovido por setores do Exército, que eclodiu em julho de 1924, em São Paulo, estendendo-se aos estados de Mato Grosso, Sergipe, Bahia, Rio de Janeiro e Pará. O movimento, liderado pelo general da reserva Isidoro Dias Lopes, tinha como objetivo derrubar o presidente Artur Bernardes. Planejado para eclodir simultaneamente nos vários estados, por dificuldades de organização terminou por acontecer em momentos diferentes nos diversos locais. À exceção de São Paulo, onde as forças rebeldes controlaram a capital estadual durante três semanas aproximadamente, nos demais estados as tropas fiéis ao governo conseguiram sufocar o movimento em pouco tempo.

Depois de haver cumprido pena de 14 meses de prisão por seu envolvimento no movimento de 1924, Dulcídio Cardoso foi designado, em meados de 1925, instrutor do Colégio Militar do Rio de Janeiro. Dois anos mais tarde foi transferido para a Escola Militar do Realengo, onde ocupou inicialmente o cargo de secretário. Em 1928, depois de aprovado em concurso, passou a lecionar história universal naquela mesma instituição militar. Em maio do ano seguinte foi promovido a capitão.

Vitoriosa a Revolução de 1930 que levou Getúlio Vargas ao poder, em novembro daquele ano, passou a servir como oficial-de-gabinete do ministro da Guerra do Governo Provisório, general José Fernandes Leite de Castro. Por essa época ingressou no Clube 3 de Outubro, agremiação tenentista organizada em 1931 que, com o tempo, veio a se constituir no principal centro aglutinador de pressão dos “tenentes” no plano do governo federal.

Nomeado por Vargas quarto delegado auxiliar da polícia da capital federal no ano de 1932, foi, entre os meses de julho e outubro, chefe interino da Polícia do Distrito Federal, em substituição a João Alberto que fora combater em São Paulo a Revolução Constitucionalista.

Em maio de 1933 assumiu a direção do Departamento Geral de Educação, órgão vinculado ao Ministério de Educação e Saúde. No mesmo ano, deixou a Escola Militar do Realengo, passando a lecionar história universal no Colégio Militar do Rio de Janeiro. Nesse período, além de suas atividades no Departamento Nacional de Educação e no Colégio Militar, colaborou como jornalista nos Diários Associados, tendo sido o responsável pela reorganização da revista O Cruzeiro em 1934.

Em maio de 1937 foi promovido a major e em dezembro, após o golpe do Estado Novo (10/11/1937), a convite de Getúlio Vargas, assumiu o cargo de secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, na administração do interventor José Joaquim Cardoso de Melo Neto, no qual permaneceu cerca de um ano. Ainda em 1937 fundou, ao lado de João Alberto, o jornal Folha do Brasil, sendo seu redator-chefe.

Em fevereiro de 1939 passou a tenente-coronel. No mesmo mês foi efetivado no Colégio Militar do Rio, na cátedra de história do Brasil. Em janeiro de 1941 passou a ocupar o cargo de chefe de gabinete do recém-criado Ministério da Aeronáutica. Participou junto ao ministro Joaquim Pedro Salgado Filho da organização administrativa do ministério, tendo permanecido no cargo até o fim dessa gestão, em 1945. Em dezembro de 1944, foi promovido a coronel. Ainda nesse ano voltou a trabalhar nos Diários Associados.

Com o início do movimento de redemocratização do país, em 1945 teve lugar o processo de formação dos novos partidos que deveriam participar da Assembléia Nacional Constituinte e eleger, em dezembro, o sucessor de Getúlio Vargas. Dessa forma surgiram a União Democrática Nacional (UDN), que reunia o grosso da oposição a Vargas, o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), os dois últimos organizados sob inspiração do próprio Vargas. Dulcídio Cardoso se filiou ao PTB, vindo a ser seu vice-presidente nacional.

Apesar do desgaste do Estado Novo, a oposição temia que Vargas empreendesse manobras continuístas e via com preocupação o crescimento do chamado movimento queremista, que reivindicava a convocação de uma constituinte com Vargas no poder e com o apoio do PTB e dos comunistas. O desfecho da crise política veio em 29 de outubro de 1945, com a deposição de Vargas pelos chefes militares.

No dia seguinte à deposição, João Alberto reassumiu a chefatura de polícia do Distrito Federal, convidando Dulcídio Cardoso para ser titular do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Antes de partir para o exílio forçado na Fazenda de Itu (RS), Vargas entregou a Dulcídio uma mensagem, dirigida ao povo brasileiro, na qual se abstinha de analisar os acontecimentos que o “levaram a renunciar ao governo”.

Entre o final de 1945 e o início de 1947 esteve à disposição da Diretoria de Ensino do Exército. Ainda em 1947 voltou a lecionar no Colégio Militar do Rio de Janeiro, função que exerceria até o final de 1952. Nas eleições presidenciais de outubro de 1950, participou da campanha de Vargas, candidato do PTB, tendo fundado o comitê nacional pró-Getúlio Vargas. Eleito, Vargas reassumiu a chefia do governo em janeiro de 1951.

 

Prefeito do Distrito Federal

Secretário do Interior do Distrito Federal durante a administração do engenheiro João Carlos Vital na Prefeitura do Rio (1951-1952), em 12 de dezembro de 1952 Dulcídio Cardoso foi nomeado pelo presidente Getúlio Vargas para assumir a prefeitura da capital do país, substituindo Vital.

Entre as realizações de sua administração destacaram-se a criação dos serviços técnicos especiais das avenidas Perimetral e Radial Oeste, como também da Superintendência das Obras do Santo Antônio (Sost), cujo objetivo era dar maior impulso ao desmonte do morro de Santo Antônio. Deu continuidade à construção da avenida das Bandeiras, concluiu os trabalhos de ajardinamento da praia de Botafogo, ampliou a elevatória da rua Guaiacurus, deu prosseguimento à construção da primeira adutora do rio Guandu, construiu o ginásio do Maracanãzinho e, no setor de saneamento básico, deu continuidade aos trabalhos de construção do emissário de Botafogo. Foi ainda responsável pela criação da Caderneta de Obrigações, instrumento regulador da execução das obras municipais e das obras particulares que deviam ser integradas ao patrimônio público municipal.

Após o suicídio de Vargas (24/8/1954), entregou o cargo a Café Filho, permanecendo sem nada assinar até a nomeação de seu substituto, o engenheiro Alim Pedro, no dia 4 de setembro. Com a morte de Getúlio, abandonou totalmente as atividades políticas e em 1955 mais uma vez retornou ao Colégio Militar como professor. Em agosto de 1958 foi promovido a general-de-brigada, por decisão judicial, uma vez que a última patente para o quadro de professor do Exército era a de coronel.

Quando eclodiu o movimento político-militar de 31 de março de 1964, que resultou na deposição do presidente João Goulart, encontrava-se no cargo de diretor-comandante do Colégio Militar do Rio de Janeiro, estabelecimento que por mais de uma vez comandara interinamente. Reformado em janeiro de 1965 no posto de general-de-brigada, em 1966 passou a lecionar história geral e do Brasil no Colégio Pedro II, chegando a ser diretor do externato da Tijuca.

Além de militar, foi também diretor-presidente da Linha Aérea Transcontinental, diretor da Companhia Industrial Mercantil Administrativa e do Banco Atlântico e presidente da Companhia de Viação Aérea Santos Dumont. Foi membro da Associação Brasileira de Imprensa.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 14 de fevereiro de 1978.

Foi casado com Hortência Barreto Cardoso, com quem teve dois filhos, e em segundas núpcias com Maria Beatriz Shalomon do Espírito Santo Cardoso.

 

 

FONTES: ARAÚJO, A. Chefes; ARQ. CLUBE 3 DE OUTUBRO; CAFÉ FILHO, J. Sindicato; Grande encic. Delta; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; Jornal do Brasil (15/2178); MIN. GUERRA. Almanaque; REIS, J. Prefeitos; REIS, J. Rio; SOUSA, J. Verdade.

 

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