CARDOSO, MAURICIO GRACO

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Nome: CARDOSO, Maurício Graco
Nome Completo: CARDOSO, MAURICIO GRACO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CARDOSO, MAURÍCIO GRACO

CARDOSO, Maurício Graco

*dep. fed. CE 1906-1911; dep. fed. SE 1921-1922; sen. SE 1922; pres. SE 1922-1926; dep. fed. SE 1927-1930; const. 1946; dep. fed. SE 1946-1950.

 

Maurício Graco Cardoso nasceu em Estância (SE) no dia 9 de agosto de 1874, filho de Brício Cardoso, professor e deputado estadual na República Velha, e de Mirena Cardoso. Seu tio, Fausto Cardoso, depôs o presidente de Sergipe em 1906, com o auxílio de civis e da força policial, ocupando o governo em seguida. Por ordem do presidente da República, Francisco de Paula Rodrigues Alves (1902-1906), as forças do Exército sediadas em Aracaju cercaram o palácio para reconduzir o presidente deposto e Fausto Cardoso foi morto ao tentar resistir.

Maurício Graco Cardoso iniciou seus estudos em Aracaju, onde exerceu também o jornalismo, tendo fundado O Republicano, do qual era proprietário. Em 1891 foi redator de O Operário, órgão de uma associação de classe. Nesse ano, mudou-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde matriculou-se na Escola Militar da Praia Vermelha. Em 1892 ingressou na Escola Militar do Ceará, em Fortaleza, estabelecimento criado no fim do Império pelo ministro da Guerra, Tomás Coelho, e que seria extinto em 1897, já no governo do presidente Prudente de Morais (1894-1898). Na capital cearense foi redator de A República e de Fanal, em 1892, e, dois anos depois, em missão militar a bordo do cruzador Niterói, tomou parte no combate que resultou no afundamento do Aquidaban, defendendo o governo do presidente Floriano Peixoto (1891-1894) por ocasião da Revolta da Armada, que durou de 6 de setembro de 1893 a 24 de junho de 1894. Regressando a Fortaleza, foi redator de A Pena, em 1895, juntamente com Marcolino Fagundes e com Matos Guerra. Em 1899 iniciou o curso de direito no Rio de Janeiro, mas o interrompeu em seguida, para retomá-lo em Fortaleza, para onde voltara.

No Ceará, iniciou sua carreira política, ligando-se ao partido do conselheiro Antônio Nogueira Acióli, seu sogro e então presidente do estado, cuja família vinha mantendo o domínio político estadual desde 1896. Segundo Domingos Olímpio, citado por Pedro Nava, Cardoso foi “um piolho lázaro nas virilhas da oligarquia Acióli”.

Em 1904 foi nomeado secretário da Fazenda do Ceará e, no ano seguinte, elegeu-se deputado federal por esse estado, assumindo o mandato em 1906. Em 1907 bacharelou-se pela Faculdade Livre de Direito do Ceará, onde, no mesmo ano, lecionou direito constitucional. Nesse ano, foi ainda eleito sócio-benemérito da Fênix Caixeiral, por serviços prestados a essa classe em Fortaleza. Em 1908 foi reeleito deputado federal e, logo em seguida, elegeu-se vice-presidente do Ceará, na chapa encabeçada por Nogueira Acióli e que governaria até 1912.

Nesse ano, ao se iniciarem as articulações em torno da sucessão estadual, Acióli indicou o desembargador Domingos Carneiro para seu sucessor, mas as oposições, contando com a simpatia do governo federal, apresentaram a candidatura do general Franco Rabelo, na suposição de que uma proposição militar seria de inegável eficácia na derrubada da oligarquia. A campanha foi tumultuada por choques sucessivos entre a força policial, reforçada por jagunços enviados a Fortaleza pelas lideranças oligárquicas do interior, e tropas do Exército, fortalecidas com a adesão de elementos civis partidários de Rabelo. Pressionado pela corrente militar estimulada pelo plano de “salvações” posto em prática pelo presidente da República, marechal Hermes da Fonseca (1910-1914), Nogueira Acióli renunciou no dia 24 de fevereiro, em favor de Graco Cardoso, que, não obstante, governou por pouco tempo, pois Franco Rabelo foi eleito presidente do Ceará no dia 15 de julho e empossado logo em seguida. Nesse período, Graco Cardoso era também redator de A Imprensa, que defendia a posição política da família Acióli. Sentindo que sua vida corria perigo, em virtude do poder repressivo da nova situação política no estado, refugiou-se no Rio de Janeiro, desligando-se definitivamente da política cearense.

A inexperiência administrativa de Franco Rabelo levou seu governo a um nível de deterioração política quase integral. A intranqüilidade e a insatisfação voltaram a amotinar a população e os Acióli, em aliança com Floro Bartolomeu e com o padre Cícero Romão Batista, que formara adeptos e místicos em todo o vale do Cariri, rearmaram jagunços e marcharam sobre Fortaleza sitiando a capital. José Gomes Pinheiro Machado, senador gaúcho, que àquela altura passara a hostilizar Rabelo, induziu o marechal Hermes da Fonseca a decretar intervenção federal no Ceará, o que ocorreu em 10 de março de 1914, com a chegada de tropas do Exército sob o comando do general Fernando Setembrino de Carvalho.

Em agosto de 1915, Graco Cardoso foi nomeado secretário do ministro da Agricultura, José Bezerra, do governo Venceslau Brás (1914-1918). Em seguida, foi consultor do mesmo ministério e superintendente dos patronatos agrícolas, durante a administração de João Gonçalves Pereira Lima (1917-1918). Em 1916 passou a lecionar na Escola de Agricultura e Veterinária do Rio de Janeiro, onde ficou até 1921, quando voltou à política, elegendo-se deputado federal por Sergipe. Exerceu o mandato até março de 1922, quando se elegeu senador pelo mesmo estado, na vaga aberta com a morte do senador Manuel Presciliano de Oliveira Valadão. Em maio desse ano, Graco Cardoso deixou novamente o Congresso e elegeu-se presidente de Sergipe, assumindo o cargo em outubro, para deixá-lo em 1926, quando elegeu-se novamente deputado federal por seu estado, assumindo o mandato em 1927. Em 1928, foi reeleito, mas seu mandato foi interrompido pela Revolução de 1930 que pôs fim à República Velha.

Nesse episódio, Graco Cardoso teve participação em defesa da legalidade pois, solidário com o presidente de Sergipe, Manuel Correia Dantas, integrou-se à campanha da Concentração Conservadora, que sustentava a candidatura de Júlio Prestes à presidência da República. Deflagrado o movimento revolucionário em 3 de outubro, através do qual os partidários da Aliança Liberal (que apoiava Getúlio Vargas) protestaram contra o resultado das urnas, Manuel Dantas colocou-se ao lado do presidente Washington Luís, que, afinal, foi deposto no dia 24 de outubro, com a vitória da revolução. Manuel Dantas foi afastado do governo de Sergipe e substituído pelo tenente-médico do Exército Eronides de Carvalho. Graco Cardoso afastou-se, então, da política pela segunda vez.

Em 1933, candidatou-se a deputado à Assembléia Nacional Constituinte (ANC), na legenda do Partido Republicano Progressista (PRP), mas não se elegeu, obtendo apenas 2.854 votos. Em maio de 1937, na qualidade de representante de seu partido, participou da convenção nacional das correntes situacionistas estaduais (exceto as de São Paulo e do Rio Grande do Sul), que escolheu José Américo de Almeida candidato à presidência da República, para disputar o cargo com Armando Sales de Oliveira, da União Democrática Brasileira (UDB), e com Plínio Salgado, da Ação Integralista Brasileira (AIB). Entretanto, as eleições presidenciais marcadas para 3 de janeiro de 1938 foram suspensas pelo golpe de 10 de novembro de 1937, que implantou o Estado Novo (1937-1945).

Em 1945, com a desagregação do Estado Novo e a reconstitucionalização do país, Graco Cardoso filiou-se ao Partido Social Democrático (PSD) e apoiou a candidatura do general Eurico Gaspar Dutra à presidência da República, elegendo-se, no pleito de dezembro desse mesmo ano, deputado à ANC, na legenda de sua agremiação. Após a promulgação da nova Carta em 18 de setembro de 1946, presidiu a instalação da Câmara e do Senado por ser o parlamentar mais idoso da ANC na sessão do dia 23 de setembro, quando passou a exercer mandato ordinário. Nessa legislatura, foi relator da lei que criou a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF), hoje subsidiária da Eletrobrás.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 3 de maio de 1950, em pleno exercício do mandato de deputado federal.

Publicou Contos fantásticos (1891), A bordo do cruzador Niterói (1894), A camponesa (1895), Carta republicana (1896), Código penal dos Estados Unidos do Brasil (1918), Instrução pública: pequenas considerações.

 

 

FONTES: ABRANCHES, J. Governos; BLAKE, A. Dic.; CÂM. DEP. Relação dos dep.; Diário de Notícias, Rio (26/5/37); Diário do Congresso Nacional; FRANCO, A. Escalada; GUARANÁ, M. Dic.; Ilustração brasileira; LIRA, A. Senado; WYNNE, J. História.

 

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