CARLI, CARLOS ALBERTO DE'

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Nome: CARLI, Carlos Alberto De'
Nome Completo: CARLI, CARLOS ALBERTO DE'

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CARLI, Carlos Alberto De

*dep. fed. AM 1983-1987; const. 1987-1988; sen. AM 1987-1995.

Carlos Alberto De Carli nasceu em Campinas (SP) no dia 8 de maio de 1941, filho de Carlos De Carli Filho e de Dalva Santos De Carli. Seu tio paterno, Gileno De Carli, foi deputado federal por Pernambuco de 1959 a 1963, e seu primo João Carlos de Petribu De Carli também foi deputado federal por esse estado de 1979 a 1987.

Industrial e administrador de empresas formado em 1961 pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, foi diretor industrial da Sissatex, na mesma cidade, entre 1965 e 1967. Nesse último ano, tornou-se gerente de produção da Manufatura de Brinquedos Estrela, em Guarulhos (SP), onde permaneceu até 1969. Transferiu-se então para Manaus e aí instalou, em sociedade com o irmão Carlos Antônio De Carli, uma fábrica de roupas, a Raymond Comércio e Indústria S.A., da qual seria diretor-superintendente durante dez anos. Em 1972 tornou-se, simultaneamente, diretor-superintendente da Agroindustrial Fazendas Unidas S.A. em Itacoatiara (AM), pertencente à Agropecuária Capemi Indústria e Comércio, na qual permaneceria até 1980. Introdutor de um novo processo de exploração de madeira na selva amazônica em 1973, foi responsável dois anos depois pela implantação da primeira destilaria de álcool e pela primeira plantação extensiva de guaraná no Amazonas, atividades às quais se dedicaria até 1982.

Em 1981, aproximou-se de Gilberto Mestrinho, ex-governador do estado (1959-1963) e novamente candidato ao Executivo estadual. Filiando-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), no pleito de novembro de 1982 foi eleito deputado federal pelo Amazonas com 96 mil votos, a maior votação do estado. Nesse mesmo pleito, Mestrinho foi reconduzido ao governo do Amazonas.

Iniciando seu mandato na Câmara dos Deputados em fevereiro de 1983, passou a integrar a Comissão do Interior. Também comprou a Agroindustrial Fazendas Unidas da Agropecuária Capemi Indústria e Comércio, empresa ligada à Caixa de Pecúlio dos Militares (Capemi), antes que a Justiça decretasse a falência desta. Quando isso ocorreu, em abril, De Carli, autor do pedido e grande credor da empresa, da qual teria que receber (em valores da época) cerca de 151 milhões de cruzeiros pela venda de uma destilaria de álcool, foi nomeado pelo juiz síndico de sua massa falida. A partir de então, teria dois anos para fazer a arrecadação, avaliação e leilão público dos bens da empresa. Embora estivesse legalmente impedido de assumir essa função, por exercer mandato parlamentar, só viria a ser afastado da Capemi pela Justiça após o desaparecimento de cinco tratores e três grupos de geradores pertencentes à empresa e encontrados na Agroindustrial Rio Negro, de sua propriedade.

Ainda no início da legislatura, o deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT) apresentou um projeto de emenda constitucional que propunha o restabelecimento de eleições diretas para a presidência da República já em 1984. Encampado pelas oposições, o projeto proporcionou o desencadeamento de uma mobilização nacional que ficou conhecida como a Campanha das Diretas. Carlos Alberto De Carli não compareceu à sessão da Câmara do dia 25 de abril de 1984, na qual, por 22 votos, e emenda não foi aprovada e não pôde assim ser enviada para a apreciação do Senado. Nesse mesmo ano, tornou-se presidente do diretório estadual do PMDB no Amazonas.

Com a rejeição da emenda Dante de Oliveira, ficou decidido que o próximo presidente da República seria eleito por via indireta. Para concorrer com os candidatos do governo, Paulo Maluf e Flávio Marcílio, os partidos de oposição — com exceção do Partido dos Trabalhadores (PT) —, liderados pelo PMDB, e a Frente Liberal — dissidência da agremiação governista, o Partido Democrático Social (PDS) —, reunidos na Aliança Democrática, lançaram Tancredo Neves (então governador de Minas Gerais) e o senador maranhense José Sarney como candidatos à presidência e à vice-presidência da República. No Colégio Eleitoral reunido em 15 de janeiro de 1985, De Carli votou nos candidatos oposicionistas, que saíram vencedores. Porém, a doença de Tancredo na véspera de sua posse em 15 de março fez com que Sarney assumisse o governo em caráter interino. Com sua morte em 21 de abril, Sarney foi efetivado.     

Em 1986, Carlos Alberto De Carli tornou-se secretário da representação do estado do Amazonas em Brasília. Em abril, deixou a presidência do diretório estadual do PMDB, sendo eleito secretário-geral do partido. No pleito de novembro seguinte, após uma campanha milionária, foi eleito senador constituinte pelo Amazonas, na legenda do PMDB, contando com apoio ostensivo do governador Gilberto Mestrinho (1983-1987). Contudo, o deputado Mário Frota, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), candidato derrotado ao Senado, entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) para conseguir sua impugnação, alegando que De Carli não teria “condição moral para o exercício do cargo” e pedindo anulação de seus votos com base no artigo 151 do Código Eleitoral. Segundo o Jornal do Brasil, Frota reuniu uma série de documentos que comprovavam que De Carli havia sido condenado por estelionato, processado inúmeras vezes por sonegação de impostos, criminalmente processado por desvio desses processos, acusado de incêndios suspeitos em Manaus e Recife, de desviar tratores quando era síndico da massa falida da Capemi e indiciado numa ação cível junto ao Banco do Brasil. Ao tomar conhecimento das acusações do deputado, De Carli ameaçou processá-lo por calúnia e difamação, mas isso acabou não acontecendo.

Publicou, ainda em 1986, O escândalo-rei — o SNI e a trama Capemi-Baumgarten, livro sobre o caso Capemi e a morte do jornalista Alexandre Von Baumgarten, ocorrida em outubro de 1982 no Rio de Janeiro em circunstâncias misteriosas. Baumgarten havia feito uma tentativa fracassada de reeditar a revista O Cruzeiro, para a qual havia recebido recursos públicos através do Serviço Nacional de Informações (SNI). Com isso, o então ministro-chefe do SNI, general Otávio Aguiar de Medeiros, e o então chefe da Agência Central do órgão em Brasília, general Newton de Araújo Oliveira e Cruz, foram envolvidos no episódio como os possíveis mandantes do crime, que foi ainda associado ao processo de falência do conglomerado Capemi, do qual o jornalista também teria recebido socorro financeiro, que acabaria sendo insuficiente para o projeto de reedição da revista.

Concluindo seu mandato na Câmara dos Deputados em janeiro de 1987, em 1º de fevereiro seguinte De Carli assumiu sua cadeira no Senado, no qual se tornou membro titular da Comissão de Fiscalização, Finanças e Tomada de Contas. No mesmo dia foi instalada a Assembleia Nacional Constituinte, na qual foi membro titular da Subcomissão de Orçamento e Fiscalização Financeira, da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças, e suplente da Subcomissão do Poder Executivo, da Comissão da Organização dos Poderes e Sistema de Governo. Ainda em fevereiro, o procurador-geral da República, José Paulo Sepúlveda Pertence, determinou a instalação de inquérito policial para verificar o envolvimento do senador em desvio de bens da massa falida da Capemi, peculato e falsidade ideológica. Segundo a promotoria, De Carli, aproveitando-se de sua condição de síndico da massa falida da Capemi, transferira para si o controle acionário da Capemi Seguradora S.A. (Capesa), operação essa iniciada no dia 31 de dezembro de 1983. O senador negou as acusações.

Durante a elaboração da Constituição, votou a favor da pena de morte, da proteção ao emprego contra a demissão sem justa causa, da estatização do sistema financeiro, do mandato de cinco anos para o presidente José Sarney (1985-1990), da anistia aos micro e pequenos empresários e da legalização do jogo do bicho. Votou contra a desapropriação da propriedade produtiva, a remuneração 50% superior para o trabalho extra, a jornada semanal de 40 horas, o turno ininterrupto de seis horas, a nacionalização do subsolo, a limitação de encargos da dívida externa e a criação de um fundo de apoio à reforma agrária.

Em junho de 1988, foi acusado de sonegar imposto de renda. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, teria omitido rendimentos já em 1981 e 1982. Teria confirmado inclusive que fora autuado 11 vezes pela Receita Federal até 1983, mas que recorrera em todos os processos, ganhando nove vezes em primeira instância. Teria classificado as autuações como “ações políticas” do então secretário da Receita Federal, Francisco Dornelles, contra os políticos de oposição.

Com a promulgação da nova Constituição em 5 de outubro de 1988, passou a exercer o mandato ordinário. No ano seguinte, tornou-se membro titular das comissões do Distrito Federal, de Assuntos Econômicos e de Assuntos Sociais, bem como da Comissão Especial do Código de Defesa do Consumidor. Em fevereiro de 1991, com a eleição da nova mesa diretora do Senado, passou a integrá-la como segundo-vice-presidente, função que exerceria até 1993.

As denúncias de irregularidades no governo do presidente Fernando Collor (1990-1992) veiculadas na imprensa com muita frequência ao longo de 1991 atingiram o clímax em maio de 1992, quando a revista Veja publicou uma matéria com Pedro Collor, irmão do presidente, na qual este denunciava a existência de um esquema de corrupção no governo sob o comando de Paulo César Farias, o PC, ex-tesoureiro da campanha presidencial. Essa denúncia levou o Congresso a instalar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no mês seguinte. As conclusões dessa comissão foram de que teria havido envolvimento do presidente e contra ele foi pedida a abertura do processo de impeachment. No dia 29 de setembro, a Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade de abertura do processo de afastamento do presidente, que foi encaminhado para julgamento no Senado. No início do mês seguinte, Collor deixou o governo, sendo substituído em caráter interino pelo vice Itamar Franco. No dia 29 de dezembro, pouco antes da votação, o presidente afastado apresentou sua renúncia. Pouco depois, com o voto favorável do senador De Carli, o plenário do Senado aprovou o impeachment do chefe do Executivo federal, que em consequência teve os seus direitos políticos suspensos por oito anos. Com esse resultado, Itamar Franco foi efetivado na presidência da República.

Carlos Alberto De Carli exerceu o mandato até o fim de janeiro de 1995, quando se encerrou a legislatura, sem ter disputado as eleições de outubro do ano anterior.

Foi casado com Maria da Graça Carneiro de Albuquerque, com quem teve cinco filhos. Casado em segundas núpcias com Carla Fonseca De Carli, teve mais dois filhos.

Giane Araújo/Alan Carneiro

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1983-1987); COELHO, J.; OLIVEIRA, A. Nova; Estado de S. Paulo (25 e 28/8/85, 24/6/88); Folha de S. Paulo (19/1, 27/2/87); Jornal do Brasil (6/4/86, 2 e 4/1, 26/3, 18/4/87); SENADO. Dados biográficos (1991-1995); Veja (27/4/83 e 22/5/85).

 

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