CARLI, GILENO DE

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Nome: CARLI, Gileno De
Nome Completo: CARLI, GILENO DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CARLI, GILENO DE

CARLI, Gileno De

*dep. fed. PE 1959-1963.

 

Gileno De Carli nasceu em Recife no dia 22 de maio de 1908, filho de Carlos De Carli e de Eugênia Ribeiro De Carli.

Fez os estudos primários em sua cidade natal, aí cursando o secundário no Colégio Nóbrega. Formou-se no ano de 1929 em agronomia pela Escola Superior de Agricultura, localizada em Tapera, no município pernambucano de São Lourenço da Mata, onde foi aluno de Apolônio Sales, que viria a ser ministro da Agricultura de 1942 a 1945, durante o Estado Novo.

Dedicando-se ao cultivo da cana-de-açúcar no município de Carpina (PE), então Floresta dos Leões, de 1930 a 1932 foi um dos fornecedores desse produto à usina de Petribu, de propriedade de João Cavalcanti de Petribu, que se tornaria seu sogro. Retornando a Recife ainda em 1932, ingressou na Secretaria de Agricultura de Pernambuco, onde exerceu até o ano seguinte a chefia de gabinete de João Cleofas, secretário da Agricultura do governo de Carlos de Lima Cavalcanti ( 1930-1937).

Com a criação do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) em junho de 1933, marcando a consolidação do intervencionismo estatal na agroindústria canavieira do país, foi nomeado assistente técnico desse órgão em Alagoas e lá permaneceu até 1935, quando se transferiu para a sede da autarquia, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Tornou-se membro do conselho de economia da Confederação Nacional da Indústria (CNI) desde sua fundação em 1938, e desse ano até 1940 exerceu a chefia de gabinete de Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho, presidente do IAA de 1938 a 1946. Inserida numa época de crise gerada pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945), essa gestão seria responsável pelo estabelecimento de um regime de defesa da economia do açúcar e do álcool, que intensificou o controle sobre a produção.

Representante da CNI na Comissão de Acordos Comerciais do Ministério das Relações Exteriores e membro do conselho da Carteira de Exportação e Importação do Banco do Brasil (Cexim), De Carli participou em 1940 da missão econômica enviada aos Estados Unidos sob a liderança de Leonardo Truda, e do Congresso Internacional de Economia realizado em Nova Iorque. De volta ao Brasil, assumiu no IAA a chefia da seção de estudos econômicos, que mais tarde se transformaria na divisão de estudos e planejamento. Integrou também o conselho consultivo da Coordenação de Mobilização Econômica — cujo objetivo era mobilizar a economia do país diante da situação de emergência provocada pela guerra —, desde sua fundação em setembro de 1942 até 1943, quando foi afastado do IAA e intimado a responder o inquérito administrativo. Redator do projeto de criação do Instituto Nacional do Sal, exerceria a vice-presidência desse órgão durante oito anos, ao final dos quais integraria sua comissão executiva na condição de representante do estado de Sergipe.

Entre 1943 e 1945, participou da Câmara de Produção, Consumo e Transporte do Conselho Federal do Comércio Exterior. Ainda em 1945, compareceu à I Conferência Nacional das Classes Produtoras (Conclap), realizada em Teresópolis (RJ) defendendo na ocasião um certo grau de intervenção do Estado na economia. No ano seguinte, foi delegado do Brasil ao Congresso Internacional de Economia, organizado em Rye, no estado de Nova Iorque. Em 1950 viajou pela Europa com o propósito de estudar a recuperação econômica de diversos países devastados pela guerra.

Em dezembro de 1951, oito anos após seu afastamento do IAA, foi nomeado presidente dessa instituição por Getúlio Vargas, eleito chefe do governo em outubro do ano anterior. Designado em 1953 ministro plenipotenciário em Londres, representou o Brasil no Conselho Internacional do Açúcar. Durante sua gestão à frente do IAA, estabeleceu o Plano Nacional da Aguardente, que transformava parte da produção em álcool anidro combustível, criou ambulatórios em zonas canavieiras de maior densidade populacional, adotou medidas unificadoras dos preços do açúcar produzido nas diversas regiões, criou um tipo popular de açúcar para a venda direta ao consumidor e promoveu, no Rio de Janeiro, o I Congresso Aguardenteiro Nacional. No mês seguinte ao suicídio de Getúlio Vargas, ocorrido em agosto de 1954, exonerou-se do IAA. A partir de então, dedicou-se à pecuária em Barra do Piraí (RJ) e à publicação das duas revistas que havia fundado, O Economista e O Mundo Agrário.

Iniciou sua vida parlamentar no pleito de outubro de 1958, quando se elegeu deputado federal por Pernambuco na legenda do Partido Social Democrático (PSD), agremiação a que se filiou a convite de Apolônio Sales e de Etelvino Lins. Assumindo o mandato em fevereiro de 1959, trabalhou na organização da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), afinal criada em dezembro desse ano. Durante essa legislatura, participou também do Seminário para o Desenvolvimento Econômico do Nordeste, promovido pela CNI na cidade de Garanhuns (PE). Nesse evento, apresentou uma tese propondo a limitação do poder de compra de terra pelos usineiros, com o objetivo de evitar o que denominou concentração industrial, e facilitar uma reforma agrária em moldes cooperativistas. Sua proposição combatia a reforma agrária coletivista ou através da divisão de terras, preconizada pelas forças de esquerda. Participando dos trabalhos legislativos junto à Comissão de Economia da Câmara, em novembro de 1961, já no governo de João Goulart (1961-1964), apoiou o reatamento das relações diplomáticas entre o Brasil e a União Soviética, rompidas desde outubro de 1947.

Em entrevista ao Correio Brasiliense publicada em julho de 1962, declarou-se favorável ao intervencionismo estatal, considerando que já havia sido conquistado o monopólio estatal nas áreas em que a atuação do governo se torna mais necessária — petróleo, energia elétrica, transportes marítimos e ferroviários e telecomunicações. Observou, entretanto, que, no interesse da segurança nacional ou no exercício das missões supletiva e corretiva da competência do Estado, essas áreas poderiam ser ampliadas. Encerrou seu mandato na Câmara Federal em janeiro de 1963, e, com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se ao partido governista, a Aliança Renovadora Nacional (Arena). Nas eleições de novembro de 1966, obteve uma suplência de deputado federal nessa legenda, mas não chegou a exercer o mandato.

Em março de 1972, fez parte da comissão de coordenação da III Conclap, realizada no Rio de Janeiro, e em novembro de 1977, durante o governo Ernesto Geisel, em que já se delineava a chamada distensão lenta e gradual do regime, participou da IV Conclap na condição de presidente da Federação de Agricultura do Estado de Pernambuco. Em depoimento que prestou ao Jornal do Brasil na ocasião, declarou-se favorável à reorganização partidária “como conseqüência da volta ao pleno estado de direito”, mantidas, entretanto, as garantias essenciais à salvaguarda do Estado. Enfatizou ainda a necessidade de maior participação dos empresários nos órgãos de decisão do governo. Defendeu o Programa Nacional do Álcool — Proálcool —, desenvolvido para oferecer uma alternativa aos combustíveis derivados do petróleo, solicitando, porém, às autoridades federais uma “orientação mais firme no sentido de dar garantia plena aos que investirem no setor”.

Gileno De Carli foi ainda diretor da Gráfica Econômica Ltda. membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), conselheiro do Instituto de Economia da Associação Comercial do Rio de Janeiro, conselheiro técnico da Companhia Nacional de Álcalis e presidente da Sociedade Auxiliadora da Agricultura do Estado de Pernambuco, cargo que ocupou até a morte.

Faleceu em Recife em 21 de fevereiro de 1997.

Era casado com Teresa de Petribu  De Carli, com quem teve oito filhos. Seu filho João Carlos de Petribu De Carli foi deputado federal por Pernambuco entre 1979 e 1982 e entre 1983 e 1987.

Publicou diversos livros, entre os quais O açúcar na formação econômica do Brasil (1937), Geografia econômica e social da cana-de-açúcar no Brasil (1938), O problema do combustível (1939), Aspectos açucareiros de Pernambuco (1940), História contemporânea do açúcar no Brasil (1940), Estruturas dos custos de produção do açúcar (1941), O drama do açúcar (1941), Fatores dos custos de produção do açúcar (1941), O processo histórico da usina em Pernambuco (1942), Ritmos dos custos de produção do açúcar, safra 1939/40 (1942), Aspectos da economia açucareira (1942), A solução do problema canavieiro fluminense (1942), Ensaio sobre a eficiência da indústria açucareira no Brasil (1943), Gênese e evolução da indústria açucareira de São Paulo (1943), Arbítrio e prepotência (1946), Aspectos econômicos da indústria de rayon e seda (1947), Comércio exterior (1950), A questão açucareira nacional (1954); Reforma agrária na Itália (1961), JQ, Brasília e a grande crise (1961), Anatomia da renúncia (1962), Diagnóstico da crise açucareira (1966), Política de desenvolvimento do Nordeste (1971), Os caminhos da energia (1978), Reforma agrária e desenvolvimento rural (1979), Visão da crise (1980), Desafio energético (1981), O açúcar amargo (1982), Os tempos de Jânio Quadros (1982), A maior seca do século (1983), Atos e fatos da minha vida (1983), Séculos de secas (1984), O empresariado e a economia (1984), História da reforma agrária (1985), História de uma fotografia (1985), Memória biográfica dos meus livros e outras memórias (2 v., 1986), A Igreja Católica e a reforma agrária (1987), Reforma agrária e regadio na Espanha (1990), História de outra fotografia (1992), Vertentes de minha vida (1992) e Sudene: uma memória histórica (1996).

 

FONTES: CÂM. DEP. Anais (1960-1); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados federais. Inventário; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CAMPOS, Q. Fichário; CONFERÊNCIA NAC. CLASSES PRODUTORAS. Carta; Grande encic. portuguesa; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; INF. Ana Maria De Carli Porto; Jornal do Brasil (12/10/66 e 2/11/77); OLIVEIRA, H. Presidentes; VAITSMAN, M. Sangue.

 

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