CARLOS DE MEIRA MATOS

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Nome: MATOS, Meira
Nome Completo: CARLOS DE MEIRA MATOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MATOS, MEIRA

MATOS, Meira

*militar; rev. 1964; interv. GO 1964-1965.

Carlos de Meira Matos nasceu em São Carlos (SP) no dia 23 de julho de 1913, filho de Liberato de Matos e de Benedita de Meira Matos.

Fez os estudos primários na Escola Modelo, em sua terra natal, e os secundários no Ginásio Nossa Senhora do Carmo, dos irmãos maristas, na capital de São Paulo. Transferindo-se em seguida para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, ingressou, em março de 1933, na Escola Militar do Realengo, sendo declarado aspirante-a-oficial da arma de infantaria em janeiro de 1935. Em setembro seguinte foi promovido a segundo-tenente e em setembro de 1937 a primeiro-tenente. Instrutor da mesma escola de 1940 a 1941, em setembro de 1942 foi promovido a capitão.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), integrou o estado-maior da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que, sob o comando do general-de-divisão João Batista Mascarenhas de Morais, participou em 1944 da campanha aliada contra as potências nazi-fascistas na Itália. Foi o oficial incumbido da ligação das forças brasileiras com o estado-maior do IV Corpo Americano, em operação naquele país, tendo comandado ainda a 2ª Companhia do 1º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria, que tomou parte no ataque a Monte Castelo, em dezembro de 1944. Terminada a guerra em maio de 1945, retornou ao Brasil e integrou a comissão encarregada do repatriamento dos mortos da FEB na Itália. Designado em seguida instrutor-chefe de infantaria da Escola Militar de Resende, em 1946 iniciou o curso da Escola de Estado-Maior do Exército e passou a colaborar com o Correio da Manhã e o Jornal do Brasil. Em 1948 concluiu o curso da Escola de Estado-Maior.

Promovido a major em agosto de 1951, em 1953 tornou-se instrutor da Escola de Estado-Maior, função que desempenhou até 1954, quando foi nomeado adido militar do Brasil na Bolívia. Em 1955 e 1956, respectivamente, deixou de escrever para os dois jornais cariocas. De volta ao Brasil em 1957, em abril desse ano foi promovido a tenente-coronel e em 1958 serviu novamente como instrutor, já da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. A partir de 1959 e por diversos anos, foi também instrutor de geopolítica da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica.

Oficial-de-gabinete do ministro da Guerra, general João de Segadas Viana, no gabinete parlamentar de Tancredo Neves, de 1961 a 1962, nesse último ano foi designado chefe da 2ª subseção da 2ª seção do Estado-Maior do Exército. Em agosto de 1963 recebeu a patente de coronel, sendo nomeado, no início do ano seguinte, comandante do 16º Batalhão de Caçadores, sediado em Cuiabá. Nesse comando, participou do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart, tendo marchado com suas tropas para Brasília.

Em novembro de 1964 o presidente da República, marechal Humberto Castelo Branco, decretou intervenção federal no estado de Goiás, devido às acusações de subversão contra seu governador, Mauro Borges, do Partido Social Democrático (PSD). Com o apoio de tropas de terra e ar, em 26 de novembro Meira Matos assumiu a chefia do governo estadual como interventor federal. Permaneceu no cargo até 23 de janeiro do ano seguinte, quando foi substituído pelo marechal Emílio Ribas, eleito governador pela Assembleia Legislativa goiana. Deixando a interventoria, foi designado subchefe do Gabinete Militar da Presidência da República, chefiado pelo general Ernesto Geisel.

Em maio de 1965, através do subsecretário de Estado norte-americano, o presidente Lyndon Johnson negociou com o Brasil o envio de tropas brasileiras à República Dominicana, integrando um contingente de paz interamericano, criado em 6 de maio pela Organização dos Estados Americanos (OEA). O objetivo da missão era pôr termo à luta armada ali iniciada em abril entre os partidários do presidente deposto, o esquerdista Juan Bosch, e seus adversários conservadores. Com a autorização da Câmara dos Deputados, em 19 de maio criou-se um destacamento brasileiro — conhecido como Faibrás — que integrou a Força Interamericana de Paz (FIP), instrumento militar da OEA, cujo comando coube inicialmente ao general brasileiro Hugo Panasco Alvim. Comandando o destacamento brasileiro, constituído por um batalhão de 1.200 homens e por um grupamento de 250 fuzileiros navais, Meira Matos chegou a São Domingos em fins de maio. No início do mês seguinte entrou em ação pela primeira vez, ocupando o palácio do governo, em poder dos partidários de Juan Bosch. Dias depois, os soldados brasileiros substituíram os fuzileiros norte-americanos nos arredores das trincheiras do líder revolucionário constitucionalista Francisco Caamaño. Em fins de setembro, as tropas brasileiras intervieram novamente, dissolvendo manifestação de mais de mil estudantes que exigiam a desocupação das escolas secundárias pelas forças interamericanas. Terminada a missão na República Dominicana, Meira Matos regressou ao Brasil com o primeiro contingente brasileiro em setembro de 1966, e em outubro assumiu o comando da Polícia do Exército da 11ª Região Militar, sediada em Brasília.

Ainda em outubro, o presidente da República, com base no Ato Institucional nº 2 (27/10/1965), cassou o mandato de seis deputados federais, entre eles Sebastião Pais de Almeida e Armindo Marcílio Doutel de Andrade. O presidente da Câmara dos Deputados, Adauto Lúcio Cardoso, recusou-se a reconhecer o ato presidencial, tendo os cassados permanecido na Câmara, onde apresentavam projetos e criticavam o ato punitivo. No dia 19 de novembro, Meira Matos, no comando de tropas do Exército, cercou o Congresso com a missão de retirar os parlamentares cassados. Mesmo assim, Adauto Lúcio Cardoso não acatou as ordens presidenciais, o que ensejou breve e áspero diálogo entre ele e Meira Matos. Finalmente, os parlamentares punidos se retiraram da Câmara e, no dia 20, com a decretação do Ato Complementar nº 23, o Congresso entrou em recesso por um mês.

Em 1967 Meira Matos fez o curso da Escola Superior de Guerra (ESG) e ocupou, na própria ESG, o cargo de adjunto da Divisão de Assuntos Militares. Nesse mesmo ano, irromperam grandes manifestações de estudantes nas principais cidades do país, contra as condições de ensino. O presidente Artur da Costa e Silva, por decreto de dezembro de 1967, instituiu uma comissão especial no âmbito do Ministério da Educação e Cultura (MEC), para “emitir parecer sobre as reivindicações, teses e sugestões referentes às atividades estudantis; planejar e propor medidas que possibilitassem melhor aplicação das diretrizes governamentais no setor estudantil e supervisionar e coordenar a execução dessas diretrizes mediante delegação do ministro de Estado”. Meira Matos foi designado para presidir essa comissão, que se reuniu de 11 de janeiro a 8 de abril de 1968. Em seu relatório final — conhecido como Relatório Meira Matos — entregue ao ministro da Educação e Cultura Tarso Dutra em maio do mesmo ano, a comissão apontou os principais problemas do ensino, em especial do superior: inadequação estrutural do MEC, crise de autoridade do sistema educacional, insuficiente remuneração aos professores, liberdade de cátedra gerando privilégio jurídico e ausência de uma política de ampliação de vagas, entre outros. Como solução, propôs a redução dos poderes do Conselho Federal de Educação, a nomeação de diretores de faculdades e reitores das universidades federais pelo presidente da República — sem levar em conta as listas tríplices dos órgãos colegiados — e a limitação da autonomia universitária.

Em março de 1968, durante suas atividades na comissão do MEC, Meira Matos foi promovido a general-de-brigada e designado inspetor-geral das polícias militares.

Em março de 1969 foi nomeado comandante da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), cargo que deixou em 1971 para comandar a 7ª Brigada de Infantaria, sediada em Natal. No ano seguinte foi nomeado diretor dos Transportes do Exército. Promovido em novembro de 1973 a general-de-divisão, foi designado em janeiro do ano seguinte vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), sob o comando do general Humberto Sousa Melo. Permaneceu no EMFA até julho de 1975, quando assumiu o cargo de vice-diretor do Inter-American Defense College, em Washington.

De volta ao Brasil, passou para a reserva do Exército em setembro de 1977, dedicando-se em seguida a atividades educacionais e empresariais. Exerceu a partir de janeiro de 1978 as funções de diretor do curso de especialização de estudos brasileiros, em nível de pós-graduação, da Universidade Mackenzie, em São Paulo. Ainda em 1978, tornou-se vice-presidente da empresa holding do grupo brasileiro de engenharia Montreal, na qual permaneceria até 1985. Em 1984, doutorou-se em ciência política pela Mackenzie, com a tese Geopolítica e trópicos, publicada nesse mesmo ano e sob esse título, tendo como orientador o sociólogo Gilberto Freire.

Depoimento prestado pelo biografado ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc), da Fundação Getulio Vargas, em fevereiro e março de 1992, veio a integrar a trilogia organizada pelos pesquisadores Maria Celina D’Araújo, Gláucio Ary Dillon Soares e Celso Castro e lançada em 1994-1995, composta pelos livros Visões do golpe — a memória militar sobre 1964, Os anos de chumbo — a memória militar sobre a repressão e A volta aos quartéis — a memória militar sobre a abertura.

Em janeiro de 1999 deixou a diretoria da Mackenzie. Tornou-se conselheiro da ESG e colaborador da Folha de S. Paulo e do Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro.

Faleceu em São Paulo no dia 26 de janeiro de 2007.

Casado com Maria Aparecida Caetano da Silva de Meira Matos, teve um casal de filhos. Sua esposa era filha de Artur Caetano da Silva, um dos chefes da revolução gaúcha de 1923 e deputado federal pelo Partido Federalista do Rio Grande do Sul de 1924 a 1926.

Além da obra já mencionada, publicou Bandeiras históricas do Brasil (1951), Projeção mundial do Brasil (1960), Doutrina política da revolução de 31 de março de 1964 (1964), A experiência da Faibrás na República Dominicana (1967), Pensamento revolucionário brasileiro (1968), Doutrina política de potência (6º aniversário da revolução) (1970), Operações na guerra revolucionária (1971), Brasil — geopolítica e destino (1975), A geopolítica e as projeções do poder (1977), Uma geopolítica pan-amazônica (1980), Marechal Mascarenhas de Moraes e sua época (1983), Estratégias da guerra nas estrelas (1988), Geopolítica e teoria de fronteiras (1990) e Castelo Branco e a Revolução (1994).

 

FONTES: Autoridades brasileiras; Brasil Século 21 (6/80); BRAYNER, F. Verdade; CACHAPUZ, P. Cronologia; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CURRIC. BIOG.; Dados biográficos; Grande encic. Delta; INF. BIOG.; Jornal do Brasil (4/10/66, 15/1/74, 25/5, 12/8 e 26/11/77 e 1/11/78); MENDONÇA, R. Dic.; Portal Militar.com.br. Disponível em : <http://www.militar.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=170>. Acesso em : 05 fev. 2007; Relações internacionais (1976); Rev. Militar Brasileira; Veja (1/10/69, 16/1/74 e 17/8/77); VIANA FILHO, L. Governo; Visão (11/3/74).

 

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