Carlos Santana

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Nome: SANTANA, Carlos (pres. Petrobras)
Nome Completo: Carlos Santana

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

SANTANA, Carlos

*pres. Petrobras 1989-1990.

 

Carlos Santana nasceu em Belo Horizonte no dia 11 de agosto de 1930, filho de Jorge Firmino de Santana e Maria Romana de Santana. Seu irmão, o escritor Afonso Romano de Santana, foi diretor da Fundação Biblioteca Nacional de 1992 a 1996.

Carlos Santana formou-se em geografia e história pela antiga Faculdade Nacional de Filosofia — atual Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ) — no ano de 1956. Em seguida, lecionou em diversos colégios e na faculdade na qual estudou. Exerceu também as funções de assistente-técnico no Serviço Nacional de Recenseamento e Estatística do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, além de redator-publicista da Sociedade de Cultura Artística do Rio de Janeiro e de redator responsável pela divulgação das atividades do Departamento Nacional de Produção Mineral do Ministério da Agricultura.

Em fevereiro de 1958, ingressou na Petrobras, vindo a ocupar o cargo de secretário da Comissão de Abastecimento de Petróleo, entre 1961 e 1964. Ainda nesse período, de 1962 a 1964, chefiou o Escritório Comercial de Petróleo e Derivados. Na época do movimento político-militar de março de 1964, foi preso devido a seu envolvimento com o Sindicato dos Petroleiros, no início dos anos 1960, e seu nome foi incluído no inquérito policial-militar aberto para investigar a infiltração de comunistas na estatal. Em janeiro do ano seguinte, tornou-se chefe da Assessoria Técnica do Departamento Comercial, onde permaneceu até março de 1968, assumindo no mês subsequente o posto de superintendente-geral daquele departamento. Ainda nessa função, em março de 1972, tornou-se diretor da Petrobras Internacional S.A. (Braspetro), sendo responsável pelas áreas financeira, econômica e comercial. Desligando-se do posto anterior no mês seguinte, permaneceu na direção da Braspetro até janeiro de 1976.

Identificado com o grupo chefiado pelo general Ernesto Geisel dentro da companhia, foi designado em fevereiro de 1976 para a vice-presidência da Petrobras Comércio Internacional S.A. (Interbrás). No ano seguinte, seu nome constou da lista de “comunistas infiltrados em órgãos governamentais”, de autoria do general Sílvio Frota, que foi divulgada pela imprensa em novembro, um mês após a exoneração do militar do Ministério do Exército, pelo presidente Ernesto Geisel.

Em 1979, foi indicado para diretor comercial da estatal, cargo que exerceu até 1982, cumulativamente com a presidência da Interbrás. Neste último ano, assumiu a presidência da Petrobras Distribuidora S.A., na qual ficou até 1986, quando retornou à Interbrás. Acumulou o cargo com o de diretor comercial da empresa até 1989.

Em março de 1989, foi nomeado presidente da Petrobras, em substituição a Orlando Galvão Filho. A escolha de seu nome para a presidência da estatal marcou a volta de um influente grupo de antigos funcionários de carreira. Empossado no dia 20 daquele mês, na ocasião propôs “restaurar o espírito de equipe”, criticou o Proálcool e reivindicou aumento de 40% para os combustíveis, índice considerado necessário para cobrir 35% da diferença entre o preço do consumidor e o custo de produção, e declarou não ser mais possível suportar o déficit mensal de cem milhões de dólares. Discordou do então ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, ao considerar que a privatização de diversas empresas do grupo não seria a solução para seu problema financeiro. Definiu a Petrobras como “mito nacional num país que está perdendo seus mitos”, não sendo “apenas uma companhia de petróleo, mas um instrumento de irradiação de investimentos”.

Em setembro, anunciou que a Petrobras só voltaria a contribuir para o Fundo Nacional da Marinha Mercante quando a dívida da União com a estatal, em torno de um bilhão de dólares, fosse saldada. Em entrevista, reclamou da discriminação das autoridades financeiras em relação à Petrobras, acusando o governo de não ter cumprido o acordo do aumento real de 20% nos combustíveis, no período de seis meses. Nesse mesmo mês, declarou que o controle da inflação vinha sendo feito à custa das estatais atingidas pela defasagem generalizada de preços e tarifas públicas. Numa tentativa de ressarcir o prejuízo causado pela diferença cambial na importação do petróleo, entregou ao ministro das Minas e Energia, Vicente Fialho, minuta de medida provisória que, se fosse aprovada pelo Congresso Nacional, obrigaria o Tesouro Nacional a cobrir o prejuízo.

Próximo às eleições para presidente da República, em outubro de 1989, identificou como candidatos aliados da Petrobras Mário Covas, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB); Aureliano Chaves, do Partido da Frente Liberal (PFL); Paulo Maluf, do Partido Democrático Social (PDS); e Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). Nesse momento, interpretou a privatização da empresa como sua desnacionalização, já que o setor privado nacional não teria capital para absorvê-la. Além disso, discordou da afirmação de Roberto Campos de que o monopólio é fetiche de países subdesenvolvidos, argumentando que o governo dos Estados Unidos exerce controles até mais fortes. Já em fevereiro de 1990, admitiu ser inevitável a discussão pela sociedade da validade do monopólio, cabendo ao Congresso Nacional discutir e decidir sua permanência ou não nas mãos da Petrobras.

Findo o governo do presidente José Sarney, transmitiu o cargo a Luís Otávio da Mota Veiga, em 27 de março de 1990, indicado por Fernando Collor de Melo, eleito presidente da República em dezembro do ano anterior. Durante a solenidade, criticou o fechamento da Interbrás.

Após 32 anos de carreira na Petrobras, desligou-se da empresa e, ingressando na iniciativa privada, tornou-se diretor-presidente da Libra Trade, cargo que ocupou até 1991. Em seguida tornou-se diretor da Atman Consultoria e Representações, onde permaneceu até 1993. No fim do último ano, criou a Orin — Consultoria e Representação Ltda., onde desde então passou a trabalhar e veio a ocupar o cargo de diretor-presidente.

Casou-se com Marina del Negro Santana, com quem teve um filho e uma filha.

 

Verônica Veloso

 

FONTES: CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (8/2, 20 e 21/4, 8/9 e 23/11/89); Folha de S. Paulo (14/9 e 8/10/89); Globo (20/4, 8 e 26/7 e 6/9/89); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (8/12/77 e 28/3/90); Petrobrás – Espaço Conhecer.

 

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