CARLOS TELES DE ROCHA FARIA

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Nome: FARIA, Rocha
Nome Completo: CARLOS TELES DE ROCHA FARIA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FARIA, ROCHA

FARIA, Rocha

*const. 1934; pres. FIRJ 1935-1936.

 

Carlos Teles de Rocha Faria nasceu no Rio de Janeiro, então capital do Império, no dia 13 de outubro de 1883, filho do professor Benjamim da Rocha Faria, catedrático da Faculdade de Medicina, e de Joaquina da Rocha Faria.

Em 1907, diplomou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, tendo logo começado a clinicar junto com seu pai. Na faculdade onde estudou, foi assistente do professor Miguel Pereira, que assumiu a cátedra de clínica médica em 1910. Após seu casamento, e em virtude do parentesco de sua esposa com o industrial Alfredo Rocha, abandonou a clínica para dedicar-se às atividades industriais. Em 1923, foi nomeado diretor da Companhia de Tecidos América Fabril.

Em agosto de 1929, Rocha Faria e Vicente Galliez, representando o Centro dos Industriais de Fiação e Tecelagem de Algodão (CIFTA), Francisco de Oliveira Passos, pelo Centro Industrial do Brasil (CIB), e a diretoria da Associação Comercial do Rio de Janeiro entregaram ao então presidente Washington Luís uma mensagem de solidariedade das classes conservadoras. Antes da Revolução de 1930, a participação dos industriais na vida política do país se fazia através das entidades de classe ou de manifestações individuais. Depois da revolução, os industriais preocuparam-se em ter uma participação de maior peso, buscando influir mais diretamente sobre o governo. Em fins de 1931, as lideranças empresariais que desejavam uma atuação mais decisiva lançaram a idéia da formação de um partido político que congregasse toda a classe.

A questão foi amplamente debatida por Serafim Valandro e João Daudt d’Oliveira, que assumiram a chefia do movimento. Deste participaram ativamente várias entidades, como o Centro dos Industriais de Fiação e Tecelagem de São Paulo, o CIFTA e a Federação Industrial do Rio de Janeiro (FIRJ), fundada em 1931 para suceder ao Centro Industrial do Brasil. Francisco de Oliveira Passos, seu primeiro presidente, foi quem teve a atuação individual mais destacada nesse período. Rocha Faria, então presidente do CIFTA e primeiro vice-presidente da FIRJ, justificou por essa época a formação do futuro Partido Economista, que seria fundado em 1932. Em sua opinião, participar da direção dos negócios do país era um direito da classe empresarial, já que, por suas atividades agrária, manufatureira e comercial, era ela quem fornecia os recursos para a administração pública. Ainda segundo Rocha Faria, a falta de participação direta dos empresários na política, durante a República Velha, decorrera do caráter vicioso do processo eleitoral de então. Depois da Revolução de 1930, a nova lei eleitoral e a alteração das circunstâncias no país possibilitavam a arregimentação política da classe.

Em 1933, Rocha Faria assumiu também a função de segundo vice-presidente da Confederação Industrial do Brasil, cuja sigla — CIB — não deve ser confundida com a do extinto Centro Industrial do Brasil. Nessa qualidade, ao lado de Vicente Galliez, secretário-geral da CIB e seu companheiro no CIFTA, foi nomeado representante dos industriais na Comissão Revisora da Lei de Férias. A Lei de Férias fora promulgada em 1925, em benefício dos empregados do comércio, e estabelecia um descanso de 15 dias por ano. A extensão dessa lei ao operariado, por ocasião de sua regulamentação, causou grande polêmica. Na oportunidade, a CIB levou ao conhecimento do poder público a situação da indústria nacional, definindo-a como “aflitiva”. Alarmados, os empresários se queixavam do aumento de despesas e da desorganização dos serviços, fatos decorrentes, a seu ver, da “injustificada” extensão das férias à classe operária.

Em maio de 1933, Rocha Faria obteve 267 votos dos empregadores e tornou-se deputado classista à Assembléia Nacional Constituinte. Participou dos trabalhos de elaboração da Constituição de 1934 e ocupou a cadeira até abril de 1935, quando renunciou ao mandato, voltando-se definitivamente para as atividades industriais.

Em 30 de abril de 1935, assumiu a presidência da FIRJ, após a renúncia do titular, Oliveira Passos. Em 1935 foi terceiro vice-presidente da CIB e no ano seguinte primeiro-tesoureiro da entidade.

Rocha Faria também presidiu, durante 20 anos, o Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Rio de Janeiro, do qual se tornaria sócio benemérito. Em sua atividade empresarial, participou ainda das comissões diretoras de vários bancos.

Faleceu no dia 26 de fevereiro de 1959.

Sônia Dias

 

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais (1); CÂM. DEP. Deputados; CERQUEIRA, E. Empresário; CONF. INDUSTRIAL DO BRASIL. Relatório (1933 e 1934); CONF. NAC. IND.; CONSULT. MAGALHÃES, B.; FED. INDUSTRIAL DO RJ. Relatório; FED. INDÚSTRIAS DO EST. RJ. Relatório; GODINHO, V. Constituintes; Jornal (27/2/59); LEME, M. Ideologia.

 

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