CARLOS TINOCO RIBEIRO GOMES

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Nome: TINOCO, Carlos
Nome Completo: CARLOS TINOCO RIBEIRO GOMES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
TINOCO, CARLOS

TINOCO, Carlos

*militar; min. Exérc. 1990-1992.

 

Carlos Tinoco Ribeiro Gomes nasceu em Campos (RJ) no dia 23 de janeiro de 1928, filho de Thierry Homero Ribeiro Gomes e de Maria de Lurdes Ribeiro Gomes.

Em abril de 1946 ingressou na Escola Militar do Realengo (RJ), sendo declarado aspirante-a-oficial em março de 1949. Promovido a segundo-tenente em junho de 1949 e a primeiro-tenente em julho de 1951, chegou a capitão em dezembro de 1953. Entre março e dezembro de 1958 fez o curso de infantaria da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), sendo designado no mês seguinte para o 1º Batalhão de Fronteira, em Foz do Iguaçu (PR), no comando da 2ª Companhia de Fuzileiros. Em janeiro de 1961 matriculou-se no curso de comando e estado-maior da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), concluindo-o em dezembro de 1963.

Partidário do movimento político-militar que depôs o presidente João Goulart em 31 de março de 1964, em setembro de 1966 foi nomeado adjunto da missão militar brasileira de instrução no Paraguai. Em dezembro de 1966 recebeu a patente de tenente-coronel. Entre fevereiro e dezembro de 1970 fez o curso de estado-maior e comando das forças armadas da Escola Superior de Guerra (ESG).

Em fevereiro de 1971 tornou-se oficial-de-gabinete do ministro do Exército, general Orlando Geisel, desempenhando essas funções até março de 1974. No mês seguinte, assumiu o comando do 3º Regimento de Infantaria, deixando-o em janeiro de 1975, quando tornou-se comandante do 3º Batalhão de Infantaria. Chefe do Estado-Maior do I Exército da 2ª Brigada de Infantaria de maio de 1976 a janeiro de 1978, em seguida assumiu a chefia do Estado-Maior do 10º Regimento, em Fortaleza. Em maio matriculou-se no curso de atualização dos diplomados pela ECEME. Em abril de 1979 passou a servir no gabinete do ministro do Exército, onde permaneceu até abril de 1980. Comandante da 2ª Brigada de Infantaria nesse mesmo mês, ainda em abril foi promovido ao posto de general-de-brigada. Em setembro de 1981 assumiu a chefia do estado-maior do II Exército, dela se afastando em março de 1984, quando foi nomeado comandante da 4ª Brigada de Infantaria. Em abril de 1985, tornou-se comandante da 4ª Divisão do Exército, sediada em Belo Horizonte. Nesse mesmo mês recebeu a patente de general-de-divisão.

De março de 1987 a agosto de 1989 chefiou o Departamento Geral de Pessoal do EME. Nesse período, em julho de 1989, foi promovido a general-de-exército. Em dezembro daquele ano assumiu a chefia do Comando Militar do Sudeste, aí permanecendo somente até fevereiro de 1990, por ter sido indicado para assumir o Ministério do Exército no governo de Fernando Collor de Melo (1990-1992), eleito presidente da República em dezembro do ano anterior. Sucedendo ao general Leônidas Pires Gonçalves, Tinoco foi empossado no cargo em março de 1990.

Ministro do Exército

Já em seu primeiro dia de governo, Fernando Collor anunciou um ambicioso programa de estabilização econômica visando controlar a inflação e modernizar a economia do país. Além de promover um congelamento de preços e salários, o plano previa, entre outras medidas, a privatização de estatais e um rigoroso controle das contas públicas. Não obstante sua lealdade ao governo, Tinoco criticou, em várias oportunidades, as perdas salariais nas forças armadas e a falta de verbas para o setor. Em agosto de 1991, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, alertou para o “enfraquecimento” do poder militar decorrente do atraso tecnológico e do desaparelhamento da corporação. Embora reconhecendo as dificuldades enfrentadas pelo país, afirmou que a tropa encontrava-se com a moral abalada pelos baixos salários. Como alternativa, defendeu a elevação da verba destinada aos militares no orçamento e pregou a isonomia salarial entre os três poderes, uma bandeira que levaria até o fim de sua gestão.

Em julho de 1992, o Ministério do Exército divulgou nota à imprensa defendendo o movimento de 1964 das críticas dos “revisionistas de plantão”. Com o título “A história que não foi contada”, o documento sustentava a participação do Exército na derrubada de Goulart, argumentando que a ação fora um “ato de legítima defesa de um Estado e de seu povo” contra “os descaminhos impostos por uma minoria radical”. Segundo os jornais, a nota — supostamente lançada por determinação de Tinoco — era uma reação do Exército à minissérie Anos rebeldes da Rede Globo de Televisão, que contava a história da luta armada no país durante os anos de regime militar (1964-1985).

No mesmo período em que fora lançada a nota do Exército, o Brasil passava por uma grave crise político-institucional. Principal personagem de um escândalo envolvendo alguns de seus auxiliares diretos em denúncias de corrupção, Collor tentava evitar, a todo custo, sua condenação por crime de responsabilidade e a conseqüente instalação de um processo de impeachment no Congresso Nacional. Desde o início do episódio, Tinoco adotou uma postura cautelosa e criticou a “condenação sumária” dos envolvidos. Nas comemorações de 7 de setembro, juntamente com os outros ministros militares, liderou a desarticulação dos protestos que estavam sendo planejados pela organização clandestina Floriano Peixoto. Com influência entre alguns militares da reserva, o grupo pretendia lançar um manifesto — a ser assinado por cerca de 1.800 oficiais — em apoio ao afastamento de Collor. No entanto, auxiliados pelos serviços de informação do Exército, os chefes militares conseguiram descobrir a operação e evitaram que o movimento se difundisse entre os setores mais jovens da corporação, justamente os mais insatisfeitos com os baixos soldos e a carência de equipamentos.

Depois da aprovação em agosto de 1992 do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso que investigou as denúncias contra o presidente, iniciou-se na Câmara a tramitação do pedido para a instalação do processo de impeachment. Neste período, as ações de Tinoco e dos ministros da Aeronáutica e da Marinha estiveram voltadas para a garantia da estabilidade institucional do país. Signatários do “manifesto da governabilidade”, os chefes militares conseguiram evitar, no início de setembro, a saída dos chamados “ministros notáveis”, aqueles que, como Marcílio Marques Moreira (Economia) e Célio Borja (Justiça), não estavam envolvidos nas denúncias que assolaram o alto escalão do Executivo. Apesar de todo o esforço de seus aliados no Congresso, Collor não resistiu às pressões e, em 29 de setembro de 1992, a Câmara o afastou da presidência e autorizou a instalação do processo de impeachment no Senado Federal. Seu substituto no cargo foi o vice Itamar Franco, empossado no dia 2 de outubro.

Com a posse de Itamar, Carlos Tinoco deixou o cargo de ministro alguns dias depois. Na ocasião, especulou-se que seu afastamento deveu-se a supostas articulações que fizera para tentar impedir o afastamento de Collor. Seu sucessor no comando do Exército foi o general Zenildo Lucena.

No dia 29 de dezembro de 1992, exatos três meses após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato, momentos antes ter sua cassação aprovada pelo Senado e de ficar inelegível por oito anos. Com isso, Itamar Franco foi efetivado na presidência do país.

Após deixar o governo, já com 12 anos de generalato, Carlos Tinoco passou para a reserva remunerada e retirou-se da vida pública, não vindo a exercer mais nenhuma atividade profissional.

Casou-se com Rosemira Manhães Barreto, com quem teve dois filhos.

Miriam Aragão/Luís Otávio de Sousa

FONTES: ARQ. MIN. EX.; Estado de S. Paulo (21/6/91, 21/8 e 8/9/92); Folha de S. Paulo (11 e 30/9 e 3/10/92); Globo (16/3, 18 e 22/8/91, 1 e 18/7, 26/8, 5/9 e 10/10/92); INF. Rosemira Manhães Barreto; Jornal do Brasil (26/8/91, 18/7 e 25/8/92).

 

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