CARNEIRO, RUI

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Nome: CARNEIRO, Rui
Nome Completo: CARNEIRO, RUI

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CARNEIRO, RUI

CARNEIRO, Rui

*rev. 1930; dep. fed. PB 1935-1937; interv. PB 1940-1945; sen. PB 1951-1977.

 

Rui Carneiro nasceu em Pombal (PB) no dia 20 de agosto de 1906, filho de João Vieira Carneiro, advogado e pequeno proprietário de terras, e de Maria Carvalho Carneiro. Seu tio Daniel Vieira Carneiro foi deputado federal pelo Ceará de 1921 a 1923 e pela Paraíba de 1927 a 1929; seu irmão José Janduí Carneiro foi deputado federal pela Paraíba de 1946 a 1975, e seu primo, Aleides Vieira Carneiro, deputado federal pela Paraíba de 1951 a 1955 e ministro do Superior Tribunal Militar de 1966 a 1976.

Após fazer os estudos primários nas cidades paraibanas de Pombal, Cajazeiras e Campina Grande, ingressou no Liceu Paraibano, hoje Instituto de Educação, na capital do estado, aí concluindo o curso secundário em 1920. Ainda estudante, iniciou-se no jornalismo como repórter do Correio da Manhã, jornal paraibano de propriedade de seu cunhado, Rafael Correia de Oliveira, e que anteriormente havia pertencido a seu pai.

Bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Recife em 1927 e, retomando a seu estado, no ano seguinte assumiu o cargo de diretor do Correio da Manhã. Ligou-se nessa época ao grupo de intelectuais paraibanos liderado pelo advogado João da Mata Correia.

Através do Correio da Manhã, Rui Carneiro fez a campanha da Aliança Liberal, defendendo as candidaturas de Getúlio Vargas e de João Pessoa, então presidente da Paraíba, à presidência e à vice-presidência da República nas eleições de março de 1930. Apoiou igualmente João Pessoa no episódio da Revolta de Princesa, movimento de oposição ao governo estadual deflagrado em fevereiro de 1930 em Princesa, atual Princesa Isabel (PB), sob a liderança de José Pereira, que contava com o apoio do governo federal.

Com a derrota da chapa aliancista nas eleições e com o assassinato de João Pessoa em 26 de julho de 1930, intensificaram-se as articulações para um movimento armado destinado a afastar o presidente Washington Luís do poder. Sob a orientação de José Américo de Almeida, então secretário de Segurança da Paraíba, Rui Carneiro engajou-se no movimento revolucionário, tornando-se ajudante-de-ordens do capitão Juarez Távora — chefe militar das forças revolucionárias do Nordeste — e mais tarde do tenente Juraci Magalhães. Sob o comando deste último, na madrugada de 4 de outubro de 1930 participou do levante do 22º Batalhão de Caçadores, sediado na capital paraibana. Estando a situação controlada, marchou com Juraci Magalhães em direção ao Sul, chegando até a Bahia, onde a resistência era maior. Após a deposição de Washington Luís em 24 de outubro, regressou à Paraíba.

Reassumindo a direção do Correio da Manhã, Rui Carneiro permaneceu no jornal até o ano seguinte, quando foi nomeado oficial-de-gabinete de José Américo de Almeida, por sua vez designado ministro da Viação e Obras Públicas. Transferiu-se então para o Rio de Janeiro, na época Distrito Federal. Manteve o cargo no ministério mesmo após a exoneração de José Américo em 25 de julho de 1934, e sua substituição por João Marques dos Reis.

Nas eleições de 14 de outubro de 1934 para a Câmara Federal, Rui Carneiro elegeu-se primeiro suplente pela Paraíba na legenda do Partido Progressista, fundado no ano anterior sob a orientação de José Américo. Com a renúncia do deputado Isidoro Gomes, assumiu uma cadeira na Câmara em 3 de maio de 1935, afastando-se do Ministério da Viação e Obras Públicas. Seu mandato foi encerrado em 10 de novembro de 1937, com o golpe do Estado Novo.

Com a nomeação de João Marques dos Reis para a presidência do Banco do Brasil ainda em 1937, Rui Carneiro aceitou o convite deste para ser seu secretário. Nomeado advogado do banco algum tempo depois, dele se afastou provisoriamente em 16 de agosto de 1940, quando, por sua estreita ligação com Getúlio Vargas, foi nomeado interventor na Paraíba. Seu antecessor, Argemiro de Figueiredo, fora demitido do cargo em decorrência da forte oposição desencadeada por Epitácio Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, filho de João Pessoa e figura de grande prestígio junto ao poder central.

Durante a administração de Rui Carneiro, foi inaugurada a estrada de rodagem ligando a cidade de João Pessoa ao porto de Cabedelo, através da qual seriam escoados os produtos do interior. Entre outras realizações, o interventor construiu o Manicômio Judiciário Heitor Coutinho, a Maternidade Cândida Vargas, a Penitenciária-Modelo de Mangabeira e o Centro de Reabilitação Social da Mulher.

Em 15 de setembro de 1945, já no final do Estado Novo, Rui Carneiro exonerou-se e foi substituído pelo até então secretário do Interior e de Segurança Pública do estado, Samuel Vital Duarte. Assumiu nesse momento a presidência da seção paraibana do Partido Social Democrático (PSD), que ajudara a organizar naquele ano, e retornou às suas atividades no Banco do Brasil.

Em 1946, Rui Carneiro solicitou nova licença ao banco a fim de concorrer às eleições de janeiro de 1947 para a Assembléia Legislativa. Após ter sido diplomado, renunciou ao mandato para assumir o cargo de superintendente da Organização Henrique Laje, a qual, após a morte de seu fundador, fora transferida para o governo federal. A organização era proprietária da Companhia de Navegação Costeira, que abrangia, entre outras empresas, o Lóide Nacional e o estaleiro da ilha do Viana (RJ). Rui Carneiro permaneceu na organização até 1948, quando assumiu a diretoria do Banco Lar Brasileiro. Em 1950, deixou o banco para concorrer ao Senado pela Paraíba nas eleições de outubro, contando com o apoio de uma coligação formada pelo PSD, o Partido Libertador (PL) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Conseguindo eleger-se, Rui Carneiro iniciou em fevereiro de 1951 um mandato que se encerraria em janeiro de 1959. Participou no Senado das comissões de Constituição e Justiça, de Serviço Público Civil, de Legislação Social, de Consolidação das Leis do Trabalho e de Estudo da Lei do Inquilinato. Integrou ainda as comissões especiais de Estudo dos Problemas das Secas do Nordeste e de Estudo dos Projetos de Reforma Constitucional.

Nas eleições de outubro de 1958, reelegeu-se senador na legenda do PSD para um mandato que se estenderia de fevereiro de 1959 a janeiro de 1967. Em 1961, como membro da Comissão do Polígono das Secas, integrou a delegação que a convite do governo norte-americano visitou o oeste dos Estados Unidos. Em setembro desse mesmo ano, integrou a delegação brasileira à XVI Assembléia Geral das Nações Unidas. Fez parte ainda das comissões permanentes de Legislação Social, de Educação e Cultura, de Segurança Nacional e Relações Exteriores, e de várias comissões especiais de Estudo dos Projetos de Emenda à Constituição. Em 1964, foi eleito presidente da Comissão do Polígono das Secas, posto para o qual seria sucessivamente reeleito até o ano de 1970.

Em 3 de outubro de 1965, Rui Carneiro concorreu às eleições para o governo da Paraíba apoiado pelo PSD, PSB e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Foi derrotado por João Agripino, candidato da coligação formada pelo Partido Democrata Cristão (PDC) e a União Democrática Nacional (UDN).

Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, Rui Carneiro filiou-se ao partido de oposição, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), após consultar o ex-líder do PSD Filinto Müller. Ainda em 1965, foi eleito presidente da seção paraibana do MDB, posto que ocuparia até 1973.

Nas eleições de novembro de 1966, Rui Carneiro foi pela terceira vez eleito senador pela Paraíba na legenda de seu novo partido. Iniciando o mandato em fevereiro de 1967, ainda nesse ano tornou-se membro da Comissão de Legislação Social. No ano seguinte, integrou as comissões de Estudos para Alienação e Concessão de Terras Públicas e Povoamento, e do Serviço Público Civil. Em 1971, foi eleito segundo vice-presidente do Senado, posto que ocuparia até fins de 1974. Foi membro ainda da Comissão de Assuntos Regionais, da Comissão de Finanças e da Comissão do Distrito Federal, da qual foi eleito vice-presidente em 1973.

Reeleito senador pela quarta vez em novembro de 1974, Rui Carneiro iniciou o que seria seu último mandato em fevereiro de 1975 como suplente do primeiro-secretário do Senado. Ainda nesse ano, foi eleito titular da Comissão de Finanças e suplente da Comissão de Legislação Social e Saúde.

Durante sua permanência no Senado, Rui Carneiro caracterizou-se como getulista, tendo pronunciado discursos anuais em memória do ex-presidente.

Faleceu em Brasília em 20 de julho de 1977, sendo sua vaga no Senado preenchida por Evandro de Cunha Lima.

Foi casado com Alice de Almeida Carneiro, que durante longo tempo presidiu a seção paraibana da Legião Brasileira de Assistência (LBA).

Sílvia Pantoja

 

 

FONTES: ARQ. CLUBE 3 DE OUTUBRO; Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; CARNEIRO, G. História; CISNEIROS, A. Parlamentares; CORTÉS, C. Homens; COUTINHO, A. Brasil; Diário do Congresso Nacional; Encic. Mirador; ENTREV. BIOG.; Grande encic. Delta; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; INST. NAC. LIVRO. Índice; Jornal do Brasil (16/10/66 e 21/7/77); NÉRI, S. 16; Perfil; PINTO, L. Fundamentos; POPPINO, R. Federal; Rui; SENADO. Dados; SENADO. Dados biográficos; SENADO. Endereços; SENADO. Relação; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Súmulas; VIANA FILHO, L. Governo.

 

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