CASTELO BRANCO, FRANCISCO GIL

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Nome: CASTELO BRANCO, Francisco Gil
Nome Completo: CASTELO BRANCO, FRANCISCO GIL

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CASTELO BRANCO, FRANCISCO GIL

CASTELO BRANCO, Francisco Gil

*militar; ch. Gab. Mil. Pres. Rep. 1945-1946; min. STM 1949-1956.

 

Francisco Gil Castelo Branco nasceu no Rio de Janeiro, então capital do Império, no dia 18 de setembro de 1886, filho de Francisco Gil Castelo Branco.

Sentou praça em março de 1902, ingressando na Escola Preparatória e de Tática do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Em abril do ano seguinte matriculou-se na Escola Militar da Praia Vermelha, também na capital federal, onde permaneceu até 1904, quando a escola foi fechada em conseqüência do levante dos alunos, que se rebelaram por ocasião da revolta da vacina. Transferido em seguida para a Escola de Guerra de Porto Alegre, concluiu o curso em fevereiro de 1907, sendo declarado aspirante-a-oficial. Logo iniciou o curso da Escola de Artilharia e Engenharia e, promovido a segundo-tenente da arma de infantaria em outubro de 1908, concluiu-o em abril do ano seguinte, sendo nomeado em junho coadjuvante do ensino prático do Colégio Militar do Rio de Janeiro.

Transferido para a arma de cavalaria em outubro de 1909, seguiu para a Europa em março do ano seguinte, a fim de aperfeiçoar seus conhecimentos militares. De volta ao Brasil, passou a servir no 4º Regimento de Cavalaria, reassumindo em fevereiro de 1912 suas funções de coadjuvante do ensino prático do Colégio Militar. Designado em maio ajudante-de-ordens do diretor da Escola Militar e, em junho de 1913, auxiliar de ensino teórico, acumulou aí essas funções com a de instrutor de equitação.

Promovido a primeiro-tenente em fevereiro de 1915, passou em fevereiro do ano seguinte a servir no 8º Regimento de Cavalaria, sendo removido em dezembro de 1916 para o 1º Regimento de Cavalaria. Ajudante-de-ordens do diretor do Material Bélico entre novembro de 1917 a abril de 1919, foi então transferido para o 12º Regimento de Cavalaria. Em setembro de 1919 tornou-se ajudante-de-ordens do ministro da Guerra, general Alfredo Vieira de Melo, e, em março do ano seguinte, foi promovido a capitão, sendo incorporado ao 20º Corpo de Trem. Em março de 1921 matriculou-se na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, concluindo o curso em dezembro do mesmo ano e sendo designado em março de 1922 para o 15º Regimento de Cavalaria Independente.

Em setembro desse ano foi nomeado adido militar junto à embaixada do Brasil no Uruguai, exercendo essa função em Montevidéu até junho de 1926. Durante esse período, além de apoiar os trabalhos da legação brasileira, atuou numa comissão que operava na linha divisória entre Cerro Largo e Trindad.

Em agosto de 1926 seguiu para a França, onde fez o curso da Escola de Cavalaria de Saumur, estagiando no 16º Regimento de Dragões. Promovido a major em julho de 1928, concluiu o curso em agosto desse ano e regressou ao Brasil, passando a servir como subcomandante do 3º Regimento de Cavalaria Independente, sediado em São Luís das Missões (RS). Permaneceu nessa unidade, comandada na ocasião pelo tenente-coronel Pedro Aurélio de Góis Monteiro, até abril de 1930, matriculando-se no mês seguinte na Escola de Estado-Maior do Exército, no Rio de Janeiro.

Ligado à Aliança Liberal, participou do movimento que depôs o presidente Washington Luís em 24 de outubro de 1930 e culminou com a formação de uma junta governativa provisória composta pelos generais Augusto Tasso Fragoso e João de Deus Mena Barreto e pelo almirante José Isaías de Noronha. Essa junta governou o país até 3 de novembro de 1930, quando transmitiu o poder a Getúlio Vargas, líder da vitoriosa Revolução de 1930.

Promovido a tenente-coronel em agosto de 1931, concluiu o curso da Escola de Estado-Maior em dezembro desse ano, tornando-se comandante do 3º Regimento de Cavalaria Divisionária, com sede em Porto Alegre, em junho de 1932. Participou do combate à Revolução Constitucionalista de 1932, irrompida no mês seguinte em São Paulo, participando da pacificação de Bela Vista (MS), então no estado de Mato Grosso, pouco antes da vitória das forças governistas, em outubro do mesmo ano.

Chefe do estado-maior da Circunscrição Militar de Mato Grosso de novembro de 1932 a março do ano seguinte, serviu em seguida no Estado-Maior do Exército (EME) e, de maio a agosto de 1934, chefiou o estado-maior da 2ª Região Militar (2ª RM), em São Paulo. Promovido a coronel em setembro desse ano, retornou ainda nesse mês ao EME, onde exerceu a chefia da 2ª Seção.

Colocado à disposição do Ministério das Relações Exteriores a partir de julho de 1935, embarcou para Buenos Aires como consultor militar da delegação brasileira à Conferência de Paz do Chaco, que pôs fim definitivamente à guerra entre o Paraguai e a Bolívia em disputa por aquela região. Teve participação destacada no conclave, como membro da Comissão Especial de Repartição.

De volta ao Brasil em fevereiro de 1936, reassumiu a chefia da 2ª Seção do EME, onde permaneceu até junho de 1937, voltando a ocupar em seguida a chefia do estado-maior da 2ª RM. Comandante do 5º Regimento de Cavalaria Divisionária, sediado em Castro (PR), de fevereiro de 1938 a janeiro do ano seguinte, chefiou interinamente durante esse período a 5ª RM, com sede em Curitiba. Ainda em janeiro de 1939, foi nomeado chefe do estado-maior da Inspetoria do 1º Grupo de Regiões Militares, no Distrito Federal. Permaneceu no cargo até março de 1941, ocupando a seguir a chefia do estado-maior das Inspetorias do 2º e 3º grupos de Regiões Militares, sediadas respectivamente em São Paulo e no Rio Grande do Sul.

Tendo cursado a Escola de Alto Comando, foi designado em junho de 1941 instrutor de cavalaria dessa escola e promovido, em janeiro do ano seguinte, a general-de-brigada. Em abril de 1942, tendo já o Brasil rompido relações diplomáticas com as potências do Eixo envolvidas na Segunda Guerra Mundial, foi nomeado comandante do Destacamento Misto de Fernando de Noronha, com a missão de organizar a defesa do arquipélago devido à ameaça de ataque ao território brasileiro. Permaneceu nesse posto até fevereiro de 1943, quando o perigo de ataque já era reduzido. Nomeado então comandante da 10ª RM, sediada em Fortaleza, foi encarregado de promover sua organização.

Em meados de 1943, ao ser estruturada a Força Expedicionária Brasileira (FEB), que seria enviada ao exterior para lutar ao lado dos Aliados, recusou — segundo o general Floriano de Lima Brayner — o convite do general Eurico Dutra, ministro da Guerra, para assumir seu comando. Comandada pelo general João Batista Mascarenhas de Morais, a FEB lutou na Itália de 1944 a 1945.

Deixando o comando da 10ª RM em junho de 1945, passou em seguida a comandar a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), no Rio de Janeiro. No exercício desse cargo, participou do movimento que depôs o presidente Getúlio Vargas no dia 29 de outubro de 1945, pondo fim ao regime do Estado Novo. Com a posse de José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), na presidência da República, foi nomeado para substituir o general Firmo Freire do Nascimento como chefe do Gabinete Militar da Presidência da República, exercendo nessa qualidade as funções de secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional, de presidente da Comissão Especial da Faixa de Fronteiras e de presidente da Comissão de Planejamento Econômico. Respondeu por tais atribuições até janeiro do ano seguinte quando tomou posse o novo presidente eleito, Eurico Dutra, ocasião em que foi substituído na chefia do Gabinete Militar pelo general Álcio Souto. Três meses depois reassumiu o comando da ECEME.

Promovido a general-de-divisão em maio de 1946, Gil Castelo Branco foi nomeado comandante da 9ª RM, com sede em Mato Grosso. Exerceu o cargo até fevereiro do ano seguinte, quando assumiu o comando da 7ª RM, sediada em Recife. Permaneceu nesse posto até junho de 1948, sendo designado um mês depois para o comando da 3ª RM, em Porto Alegre. Investido no posto de ministro do Superior Tribunal Militar (STM) em janeiro de 1949, foi promovido a general-de-exército em dezembro de 1951.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 1º de abril de 1956, ainda na ativa, tendo sido promovido post-mortem, em outubro de 1958, ao posto de marechal.

Era casado com Celita Penalva Santos Castelo Branco.

 

 

FONTES: ARQ. MIN. EXÉRC.; BARBOSA, R. História; BRAYNER, F. Verdade; CORRESP. GAB. MIL. PRES. REP.; CORRESP. SUP. TRIB. MILITAR; CORTÉS, C. Homens; Grande encic. Delta; LAGO, L. Generais; MIN. GUERRA. Almanaque (1956); SILVA, H. 1930; SILVA, H. 1942; SILVA, H. 1945.

 

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