CASTRO, MARIA MORAIS WERNECK DE

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: CASTRO, Maria Morais Werneck de
Nome Completo: CASTRO, MARIA MORAIS WERNECK DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CASTRO, MARIA MORAIS WERNECK DE

CASTRO, Maria Morais Werneck de

*rev. 1935.

 

Maria Morais Werneck de Castro nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 8 de outubro de 1909, filha do advogado Justo Mendes de Morais e de Hermínia Cresta Mendes de Morais. Seu pai foi deputado federal por São Paulo entre 1935 e 1937.

Após ingressar na Faculdade de Direito iniciou sua atividade política, militando desde 1930 em organizações como a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e a União Universitária Feminina. Durante o curso, casou-se com Luís Werneck de Castro, jornalista, professor e advogado, um dos fundadores da Confederação do Professorado Brasileiro, no dia 25 de julho de 1929. Logo em seguida concluiu o curso, vindo a ingressar no quadro jurídico da Caixa Econômica Federal.

Ainda no início da década de 1930, enquanto ocorria na Europa a ascensão do fascismo, e em contrapartida no Brasil as campanhas contra a guerra e o integralismo, doutrina inspirada nos regimes de direita europeus, começavam a ganhar amplitude, filiou-se à Liga Antifascista, tendo participado do congresso promovido por essa agremiação, em agosto de 1934, no Teatro João Caetano, no Rio.

Após a criação da Aliança Nacional Libertadora (ANL) em março de 1935, configurando uma frente oposicionista de âmbito nacional cujo programa propunha a luta contra o fascismo, o imperialismo, o latifúndio e a exploração, assinou em abril seguinte o manifesto de fundação da Liga de Defesa da Cultura Popular, publicado no jornal carioca A Pátria. Desse movimento, que era ligado à ANL, participaram também, entre outros, Rubem Braga, Brasil Gérson, Genolino Amado, Benjamim Soares Cabello, Carlos Lacerda e Aníbal Machado.

Em maio do mesmo ano, considerando que os movimentos feministas a que pertencia eram restritivos, na medida em que privilegiavam a conquista do voto feminino em detrimento de outras questões fundamentais da mulher, como a pobreza e o salário, fundou, com Armanda Álvaro Alberto, Eugênia Álvaro Moreira e um grupo de mulheres, a União Feminina do Brasil (UFB), movimento igualmente ligado à ANL. Eleita secretária jurídica dessa agremiação, que propunha uma luta mais ampla pelos direitos políticos, sociais e trabalhistas da mulher, foi indicada para representá-la junto ao diretório da ANL. No dia 12 de julho, um dia após o fechamento da ANL pelo governo federal, representou, ao lado do major Carlos Costa Leite, o diretório dessa organização numa reunião com os líderes da oposição no Congresso, a saber, João Neves da Fontoura, José Augusto Bezerra de Medeiros, João Mangabeira e Domingos Velasco, a fim de discutir as punições impostas aos militares integrantes da ANL e a estratégia a adotar diante dos atos repressivos do governo. Em agosto seguinte, filiou-se à Aliança Popular por Pão, Terra e Liberdade, criada nessa época para dar continuidade à ação da ANL, que se mantinha na clandestinidade.

Esmagada a Revolta Comunista promovida pela ANL, foi presa no dia 19 de dezembro de 1935, processada como uma das cabeças do movimento, e em janeiro de 1936 é demitida da Caixa. Segundo declarações que prestou ao jornal Voz da Unidade em 1981, em março de 1936, quando se encontrava na cela nº 4 do pavilhão dos primários no presídio da rua Frei Caneca, ao lado de Nise da Silveira, Beatriz Bandeira, Eneida de Morais e outras, assistiu à chegada àquele estabelecimento da alemã Olga Benário Prestes, mulher de Luís Carlos Prestes, grávida de sete meses. Alguns dias depois, “quando Olga estava sentindo muitas dores e como praticamente não existia atendimento adequado, fizemos um barulhão para que ela fosse atendida”. Escolhida pelos presos para acompanhá-la em sua transferência para um hospital, obteve permissão para fazê-lo juntamente com o médico Manuel Campos da Paz, também detido. Ao chegar à saída do presídio, já não encontrou Campos da Paz e foi impedida de seguir junto com Olga Benário, que pouco tempo depois foi expulsa do país e entregue ao governo da Alemanha, onde mais tarde viria a ser assassinada em um campo de concentração.

Em julho de 1937, Maria foi julgada pelo Tribunal de Segurança Nacional e, embora tenha recusado a se defender por considerar o tribunal ilegal e arbitrário, foi absolvida e solta. Nessa ocasião, seu marido, que também se encontrava detido como militante e membro do corpo jurídico da ANL, foi libertado no episódio que ficou conhecido como a “macedada” — soltura de alguns presos, detidos inclusive sem denúncia, a mando do ministro da Justiça, José Carlos Macedo Soares, após sua visita aos presídios. Em seguida, Luís e Maria Werneck passam a trabalhar no auxílio de presos políticos e de seus familiares.

Às vésperas da decretação do Estado Novo, ocorrida em novembro seguinte, e diante da iminência de nova prisão, devido às suas ações em defesa dos presos, o casal fugiu para São Paulo e em seguida para a Argentina, aí permanecendo durante cerca de um ano.

Após a decretação da anistia em abril de 1945, Maria Werneck de Castro foi readmitida na Caixa Econômica e filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), legalizado em novembro daquele ano. Militou junto aos comitês criados pelo PCB nos bairros e nas favelas do Rio, participando ainda do Movimento Unitário dos Trabalhadores e Intelectuais (MUTI) durante os dois anos seguintes, considerados por ela “um grande gole de liberdade, que apenas aguçou mais a nossa sede”.

Com a decretação da ilegalidade do PCB em 1947, Maria Werneck sofreu um processo administrativo na Caixa Econômica. Ao longo da década de 1950, na condição de militantes do proscrito PCB, Maria e Luís Werneck apoiaram os candidatos de posições políticas mais à esquerda e nacionalistas, abrigados nas legendas do Partido Social Democrático (PSD) e do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Dentro dessa mesma perspectiva, apoiaram as candidaturas à presidência da República de Juscelino Kubitschek (1955) e Henrique Lott (1960). No plano pessoal, em 1958, organizaram, no Rio de Janeiro, o Curso Bandeirantes, participando da direção e dando aulas até 1960.

Após o movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart, o casal Werneck, por precaução, afastou-se da atividade política. Com a morte de Luís Werneck de Castro em 1979, Maria Werneck passou a residir em Goiânia na companhia de um dos seus quatro filhos, Luís Werneck.

Retornando ao Rio no início da década de 1980, voltou a participar ativamente dos movimentos sociais do período e a apoiar os partidários do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Em 1988, lançou o livro Sala 4: primeira prisão política feminina, no qual descreve sua vida e de suas companheiras de cela no presídio da Frei Caneca.

Maria Morais Werneck de Castro faleceu no Rio de Janeiro no dia 6 de abril de 1994.

 

FONTES: Encontros com a Civilização Brasileira (19); Jornal do Brasil (22/8/79); PACHECO, E. Partido; PORTO, E. Insurreição; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1937; SODRÉ, N. Intentona; TAVARES, J. Radicalização; VIANA, F. Prestes; Voz da Unidade (30/1/81); WERNECK, M. Sala 4.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados