CELSO TEIXEIRA BRANT

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: BRANT, Celso
Nome Completo: CELSO TEIXEIRA BRANT

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BRANT, Celso

BRANT, Celso

* dep. fed. MG 1959-1963; cand. pres. Rep. 1989.

 

Celso Teixeira Brant nasceu em Diamantina (MG) no dia 16 de dezembro de 1920, filho do farmacêutico José Ferreira de Andrade Brant Neto e de Maria Amália Teixeira Brant. Seu primo, Augusto M. C. Dias, foi deputado federal e presidente do Banco do Brasil.

Celso Brant iniciou os estudos primários em sua cidade natal, concluindo-os em Belo Horizonte, para onde se transferira, no Grupo Escolar D. Pedro II. A seguir, ingressou no Colégio Arnaldo, onde realizou o curso secundário. De 1940 a 1942, foi funcionário do Departamento de Correios e Telégrafos (DCT). Em 1944, bacharelou-se pela Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais (UMG), atual Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Trabalhou ainda como jornalista, antes de se candidatar, no pleito de outubro de 1954, a uma cadeira na Assembléia Legislativa mineira pela legenda do Partido Republicano (PR).

Não conseguindo se eleger, no ano seguinte tornou-se secretário particular do vice-governador mineiro Clóvis Salgado, alçado à chefia do Executivo em substituição a Juscelino Kubitschek, desincompatibilizado do cargo para concorrer com êxito às eleições presidenciais de outubro de 1955. Ainda neste ano, foi diretor da Rádio Inconfidência de Minas Gerais e, em 1956, quando Clóvis Salgado foi nomeado ministro da Educação, tornou-se seu chefe-de-gabinete, função que exerceria até 1958, tendo respondido interinamente pela pasta entre abril e maio de 1956.

No pleito de outubro de 1958, elegeu-se deputado federal pela legenda do PR mineiro. Assumindo o mandato em fevereiro de 1959, aderiu à Frente Parlamentar Nacionalista, entidade suprapartidária criada em 1957 com o objetivo de combater o capital entidade estrangeiro e a remessa de lucros e de defender uma política de desenvolvimento autônomo da economia nacional. Brant apoiou as greves estudantis ocorridas ao longo de seu mandato na Câmara e participou ativamente na elaboração do projeto de lei de diretrizes e bases da educação nacional, defendendo a escola pública e o ensino leigo. Trabalhou ainda pela candidatura do general Henrique Teixeira Lott à presidência da República, derrotado por Jânio Quadros no pleito de outubro de 1960. No ano seguinte, dirigiu a Rádio Ministério da Educação e Cultura e a revista Acaiaca.

Foi o autor do substitutivo, aprovado pela Câmara, ao projeto do deputado petebista Sérgio Magalhães, que disciplinou a remessa de lucros para o exterior. Em depoimento ao Correio Brasiliense, publicado em julho de 1962, declarou-se favorável à chamada política externa independente adotada nos governos de Jânio Quadros e de João Goulart, à extensão do direito de voto aos analfabetos e ao parlamentarismo. Na mesma ocasião, defendeu a legalização do Partido Comunista Brasileiro (PCB), a reforma agrária radical - com a abolição da propriedade privada -, a nacionalização dos bancos, a estatização dos serviços públicos e a socialização dos bens de produção. Declarou-se também contrário à interferência das forças armadas e do clero na política, considerando que o órgão realmente representativo da opinião pública era o Parlamento. Obtendo apenas uma suplência de deputado federal no pleito de outubro de 1962, deixou a Câmara em janeiro seguinte.

Após o movimento político-militar de março de 1964, teve os direitos políticos cassados no mês de junho por força do Ato Institucional no 1 (AI-1), editado no dia 9 de abril anterior pela junta militar que assumira o governo com a deposição do presidente João Goulart.

Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), legenda pela qual concorreu sem sucesso, no pleito de novembro de 1982, a uma cadeira no Senado pelo estado do Rio de Janeiro.

Em maio de 1985 fundou o Partido da Mobilização Nacional (PMN), tornando-se presidente de seu diretório nacional. Em 1989 foi lançado candidato à presidência da República. Durante toda a campanha, defendeu uma plataforma eleitoral de conteúdo essencialmente nacionalista. Sua votação, contudo, foi inexpressiva: os 109.899 votos (0,13 % do total) obtidos  deram-lhe a 19ª colocação entre os 21 candidatos.

Em outubro do ano seguinte, Brant disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas conseguiu apenas a primeira suplência. Em outubro de 1992, elegeu-se vereador da capital mineira na legenda do PMN. Nas eleições de outubro de 1994, voltou a candidatar-se a deputado federal e mais uma vez só obteve uma suplência. Em dezembro de 1996, encerrou sua passagem pela Câmara de Vereadores de Belo Horizonte. Em janeiro de 1999, tornou-se secretário-adjunto da Secretaria de Trabalho, da Assistência Social, da Criança e do Adolescente na gestão do governador de Minas Gerais, Itamar Franco. Em junho, desligou-se do PMN, filiando-se, em agosto, ao Partido Trabalhista do Brasil (PT do B).

Professor de direito internacional público na Faculdade de Direito da UMG e de direito constitucional na Faculdade de Direito do Sul de Minas, em Pouso Alegre, Celso Brant escreveu  críticas de arte no Estado de Minas e foi um dos fundadores da Cultura Artística de Minas Gerais.

Musicógrafo, poeta e contista, além de jurista, publicou Poesia ameríndia (1939), Fatores genéticos da literatura, A arte e a vida, A arte e a religião, A saudade em outras terras, A música na Inglaterra, Teoria geral do serviço público, Bach, o quinto evangelista (biografia), Canção do trabalho obscuro (poesias), O Estado moderno e o direito internacional, O bicho-de-pé (contos), Espiridião, O conceito da cultura, A Mobilização Nacional (ensaio), Os Índios e a Bíblia (ensaio), Terceiro Mundo, Terceiro Caminho, Terceiro Milênio (ensaio), Teologia da Libertação versus Teologia da Submissão (ensaio), Quem tem medo da moratória? (ensaio) e Projeto Tiradentes (ensaio).

Solteiro, não teve filhos.

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. Jornal do Brasil; ASSEMB. LEGISL. MG. Dicionário biográfico; CÂM. DEP. Anais (1959-27); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CÂM. DEP. Repertório biográfico (1946-1967); CAMPOS, Q. Fichário; Encic. Mirador; Estado de São Paulo (5/9/62, 10/8/82); Grande. Encic. Portuguesa; OLIVEIRA, M. História; Rev. Arq. Públ. Mineiro (12/76); SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (4); VAITSMAN, M. Sangue.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados