CLOVIS BEZERRA CAVALCANTI

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Nome: BEZERRA, Clóvis
Nome Completo: CLOVIS BEZERRA CAVALCANTI

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

BEZERRA, Clóvis

*gov. PB 1982-1983.

Clóvis Bezerra Cavalcanti nasceu no Sítio Mundo Novo, município de Bananeiras (PB), em 9 de julho de 1911, filho de Augusto Bezerra Cavalcanti e de Maria das Mercês Rocha Bezerra Cavalcanti. Seu primo Odon Bezerra Cavalcanti foi revolucionário de 1930, constituinte de 1934, deputado federal pela Paraíba de 1935 a 1937 e interventor federal em seu estado em 1946. Outro primo, Rivando Bezerra Cavalcanti, foi presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba e chegou a ocupar o governo do estado de 14 de maio a 16 de junho de 1986.

Clóvis Bezerra cursou o primário no Instituto Bananeirense, em sua cidade natal, e o ginasial no Colégio Diocesano Pio X e no antigo Liceu Paraibano na Cidade da Paraíba, atual João Pessoa. Transferindo-se para Recife em 1930, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de Pernambuco e formou-se em dezembro de 1935.

No ano seguinte ingressou no serviço público, nomeado médico da Saúde Pública pelo então governador da Paraíba, Argemiro de Figueiredo (1935-1937). Chefiou o posto de higiene de Bananeiras, que atendia a toda a região do brejo paraibano. Em novembro de 1937, dois dias antes da instauração do Estado Novo (10/11/1937), foi designado temporariamente para a chefia do Serviço de Endemias Rurais da Paraíba e participou de várias campanhas sanitárias no interior do estado.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em maio de 1945, e o enfraquecimento do Estado Novo, o Brasil começou a viver um processo de redemocratização. Surgiram novos partidos políticos e Bezerra filiou-se à União Democrática Nacional (UDN). No dia 7 de novembro foi nomeado prefeito de sua cidade natal pelo então interventor da Paraíba, Severino Montenegro (1945-1946), que chegara a essa condição por ser o presidente do Tribunal de Justiça do estado.

Em setembro de 1946 foi promulgada a nova Constituição e Bezerra candidatou-se a uma cadeira na Constituinte estadual, elegendo-se deputado no pleito de 19 de janeiro de 1947. Na Assembléia Legislativa, integrou, como membro efetivo, a Comissão de Educação e Saúde Pública até o ano seguinte, quando assumiu a segunda secretaria da mesa diretora da Assembléia, para a qual foi reconduzido em 1949.

Em outubro de 1950 reelegeu-se deputado estadual. Voltou a se eleger em outubro de 1954 e durante essa legislatura ocupou, em 1956, a primeira secretaria da mesa diretora da Assembléia, tendo sido reconduzido ao cargo no ano seguinte. Conseguiu mais uma reeleição no pleito de outubro de 1958. Mais uma vez foi escolhido primeiro-secretário da mesa diretora para o biênio 1959-1961, quando deixou essa função e passou a integrar a Comissão de Finanças.

Reeleito em outubro de 1962, ainda na legenda da UDN, no início de novo período legislativo, em janeiro do ano seguinte, ocupou a presidência da mesa diretora da Assembléia Legislativa até janeiro de 1965. Foi vice-presidente do diretório regional da UDN, exercendo a presidência em várias oportunidades, e líder do partido.

Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a conseqüente instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar instaurado em abril de 1964, após a deposição do presidente João Goulart (1961-1964). Em seguida, assumiu a presidência da Comissão Executiva estadual do partido e, nessa condição, organizou os diretórios municipais nos 171 municípios do estado.

No pleito de outubro de 1966, obteve sua sétima eleição consecutiva para deputado estadual. Iniciando mais um período legislativo em janeiro do ano seguinte, foi eleito presidente da casa. Nessa condição, assumiu o governo do estado, interinamente, em substituição ao governador João Agripino (1966-1971), de 7 de junho a 5 de julho de 1967. Reconduzido à presidência da Assembléia Legislativa em janeiro de 1969, voltou a exercer o governo do estado de 5 a 24 de fevereiro. Em 1º de outubro desse ano deixou a presidência da comissão executiva estadual da Arena.

Em maio de 1970, foi escolhido pelo então presidente da República Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) para compor, na condição de vice-governador, a chapa da Arena encabeçada pelo ex-deputado e ministro do Superior Tribunal Militar (STM) Ernâni Sátiro. Eleito pela Assembléia Legislativa em 3 de outubro desse ano, encerrou seu mandato de deputado estadual em janeiro do ano seguinte, ao final da legislatura, e em 15 de março assumiu o cargo de vice-governador. Durante todo o período do governo de Ernâni Sátiro (1971-1975) esteve à frente do governo paraibano apenas em uma oportunidade, no dia 17 de fevereiro de 1972, por menos de 24 horas, para inaugurar o Grupo Escolar Capitulina Sátiro, mãe do governador.

Em 1974 foi escolhido, na convenção do seu partido, para compor, como suplente, a chapa para o Senado, encabeçada pelo ex-deputado estadual Aluísio Campos. Na eleição de novembro desse ano foram derrotados pelos candidatos do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Rui Carneiro, eleito senador, tendo Ivandro Moura Cunha Lima como suplente.

Concluindo seu mandato em março de 1975, com a ascensão de Ivan Bichara (1975-1978) ao governo do estado, em substituição a Ernâni Sátiro, Clóvis Bezerra foi nomeado secretário de Saúde e, três dias depois, diretor executivo da Fundação de Saúde do Estado da Paraíba (Fusepe). Permaneceu nos dois cargos até 29 de maio de 1978, quando se desincompatibilizou por ter sido mais uma vez escolhido candidato a vice-governador na chapa da Arena. O convite foi feito pelo então presidente Ernesto Geisel (1974-1979). O candidato a governador era o secretário de Educação da Paraíba, Tarcísio Buriti. Confirmados os dois nomes pela convenção do partido, no dia 1º de setembro foram eleitos indiretamente pelo Colégio Eleitoral formado pela Assembléia Legislativa e delegados do partido.

Bezerra assumiu o mandato em 15 de março de 1979 e exerceu o cargo de vice-governador até maio de 1982, quando, com a renúncia de Tarcísio Buriti para concorrer a uma cadeira de deputado federal, foi efetivado no governo do estado. Procurou dar continuidade a todas as obras iniciadas pelo antecessor e construiu em tempo recorde, na BR-230, a sede da Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba (Saelpa), concessionária de distribuição de energia no estado. Conseguiu uma economia significativa aos cofres estaduais com a devolução de diversos prédios alugados em vários pontos de João Pessoa e prosseguiu os trabalhos de ampliação do Aeroporto Castro Pinto na capital do estado.

Permaneceu à frente do Executivo estadual até 15 de março de 1983, quando assumiu o governador Wilson Braga, eleito no pleito de novembro do ano anterior. Não voltou a concorrer a qualquer cargo eletivo.

Clóvis Bezerra faleceu em João Pessoa, no dia 26 de fevereiro de 2003.

Era casado com Maria de Lurdes Ataíde Bezerra Cavalcanti, com quem teve três filhos, um dos quais, Afrânio Bezerra Cavalcanti, foi deputado estadual na Paraíba de 1979 a 1995.

Alan Carneiro

FONTES: ASSEMB. LEGISL. PB.; CURRIC. BIOG.; INF. FAM. AFRÂNIO BEZERRA; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1, 2, 3, 4, 6, 8 e 11); geraldofreire.uol.com.br/conteudoPrimeirapagina2802.2.htm

 

 

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