CORREIA, AFONSO HENRIQUE DE MIRANDA

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Nome: CORREIA, Afonso Henrique de Miranda
Nome Completo: CORREIA, AFONSO HENRIQUE DE MIRANDA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CORREIA, AFONSO HENRIQUE DE MIRANDA

CORREIA, Afonso Henrique de Miranda

*militar; rev. 1930.

 

Afonso Henrique de Miranda Correia nasceu em Candiota (RS) no dia 15 de novembro de 1901, filho de João Carlos Correia e de Cândida de Miranda Correia.

Em maio de 1918, sentou praça como voluntário no Curso de Aperfeiçoamento de Instrução de Infantaria na Vila Militar, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Em fevereiro de 1920 foi designado para a arma de artilharia, passando a compor o efetivo da 1ª Bateria Isolada de Artilharia da Costa (1ª BIAC), no forte Copacabana, na capital federal.

Após concluir o curso fundamental, em março de 1921 matriculou-se no curso especial de artilharia da Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, sendo declarado em janeiro de 1922 aspirante-a-oficial dessa arma e transferido ainda nesse mês para a 4ª Bateria do 2º Regimento de Artilharia Montada (2º RAM), também no Rio. Promovido a segundo-tenente em abril seguinte, em julho desse ano foi desligado do 2º RAM e retornou à 2ª BIAC, onde se apresentou em agosto. Em junho de 1923 passou a primeiro-tenente e, em novembro do ano seguinte, foi elogiado pelo comandante do setor oeste por seu desempenho no combate ao levante do encouraçado São Paulo, deflagrado naquele mês por oficiais da Marinha sob a liderança do tenente Herculino Cascardo. Os rebeldes, que pretendiam unir-se às forças que se haviam insurgido em outubro no Rio Grande do Sul, trocaram tiros com as baterias do forte de Copacabana e em seguida deslocaram-se com a belonave para o Sul, conseguindo aportar em Montevidéu.

Matriculou-se em seguida na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, freqüentando o curso de março a dezembro de 1925. Nesse ínterim foi sorteado, em maio, juiz do 2º Conselho de Justiça Militar. Em março de 1926 matriculou-se na Escola de Estado-Maior do Exército e, em março do ano seguinte, foi removido da 1ª BIAC para o 4º RAM. Em março de 1928 deixou o 4º RAM e transferiu-se para o 7º RAM. Estagiou na arma de aviação, tendo sido designado em agosto chefe da 2ª Seção da Divisão Aérea. Concluiu o curso da Escola de Estado-Maior em janeiro de 1929.

Transferido no mês seguinte para o 5º Grupo de Artilharia de Costa (5º GAC), sediado em Corumbá (MS), então no estado de Mato Grosso, assumiu o posto em abril e, durante o período em que serviu nessa unidade, exerceu por diversas vezes o comando interino do grupo e da fortaleza de Coimbra. Removido em fevereiro de 1930 para a 3ª Região Militar (3ª RM), com sede em Porto Alegre, começou a servir como adjunto dessa unidade em abril do mesmo ano. No mês seguinte foi nomeado para dar instrução aos alunos do Curso de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), passando também a chefiar a 3ª Seção do Estado-Maior. Em julho foi designado para integrar a Comissão de Esportes da 3ª RM.

Com a eclosão da Revolução de 1930, vitoriosa no Rio Grande do Sul nos primeiros dias de outubro, foi convocado pelos revolucionários para servir no Estado-Maior Geral das Forças Nacionais, sendo designado chefe da 3ª Seção. No dia 12 desse mesmo mês embarcou em Porto Alegre, juntamente com o escalão leve do Estado-Maior Geral que acompanhava o coronel Pedro Aurélio de Góis Monteiro, com destino a Ponta Grossa (PR), onde chegou cinco dias depois. No dia 20 seguiu para Curitiba, também em companhia do escalão do Estado-Maior Geral, acompanhando Getúlio Vargas, chefe da revolução. Regressou em seguida a Ponta Grossa, daí rumando para São Paulo e, posteriormente, para o Rio de Janeiro, onde o Estado-Maior Geral ficou aquartelado na Escola de Aviação Militar e, mais tarde, na sede da Diretoria de Aviação Militar, no Andaraí.

De janeiro a março de 1931 esteve no Rio Grande do Sul em missão do Estado-Maior Geral. Com a extinção deste, no mês de abril, foi dispensado de suas funções e transferido em maio para a Diretoria de Aviação Militar como estagiário de estado-maior. Em seguida, ainda como estagiário, foi novamente transferido, dessa vez para a 2ª RM, em São Paulo. Aí assumiu o cargo de adjunto da 3ª Seção do Estado-Maior e, a partir de agosto de 1931, passou a exercer as funções de instrutor do CPOR. Permaneceu na 2ª RM até maio de 1932, quando foi designado adjunto do Estado-Maior da 1ª RM, no Rio de Janeiro, onde serviu junto à 2ª Seção. Durante esse período, pertenceu ao Clube 3 de Outubro, organização criada em maio de 1931, congregando as correntes tenentistas partidárias da manutenção e do aprofundamento das reformas instituídas pela Revolução de 1930.

Participou da repressão à Revolução Constitucionalista de São Paulo, irrompida em julho de 1932, seguindo nesse mesmo mês para o teatro de operações com o quartel-general da 1ª Divisão de Infantaria (1ª DI). Desligado dessa divisão em outubro seguinte, após a derrota do movimento, em novembro foi promovido a capitão e assumiu a chefia da 2ª Seção do Estado-Maior da 1ª RM.

A partir de abril de 1933 ficou à disposição do ministro da Justiça e Negócios Interiores, Francisco Antunes Maciel Júnior, sendo nomeado inspetor de tráfego da Polícia Civil e responsável pelo expediente da Delegacia Especial de Segurança Política e Social. Em maio do mesmo ano tornou-se delegado especial de Segurança Política e Social e, em seguida, membro da comissão encarregada de promoções no quadro de investigadores da polícia. Em 1935 substituiu interinamente o chefe de polícia do Distrito Federal, capitão Filinto Müller, destacando-se na repressão aos revoltosos de novembro daquele ano. Em fevereiro de 1937 foi exonerado a pedido do cargo de delegado especial de Segurança Política e Social da Polícia Civil do Distrito Federal.

Permanecendo à disposição do Ministério das Relações Exteriores, aí atuou como adido até outubro de 1937. Durante esse período visitou a Alemanha a título de “intercâmbio de experiências” na luta anticomunista, tendo aí entrado em contato com o Exército alemão e a polícia política, a Gestapo. Em novembro seguinte voltou ao serviço ativo no Estado-Maior do Exército (EME), onde permaneceu até outubro de 1938. Transferido para o 3º GAC, no forte Copacabana, serviu nessa unidade de dezembro seguinte a janeiro de 1940, quando foi designado para a Escola de Artilharia da Costa (EAC), na fortaleza de São João, no Distrito Federal. Promovido a major em agosto de 1940, permaneceu na EAC até dezembro seguinte, primeiro como instrutor e depois como subdiretor de ensino.

Designado para o 2º Regimento de Artilharia Misto, em São Leopoldo (RS), assumiu em fevereiro de 1931 o comando do grupo, onde permaneceu até janeiro do ano seguinte. De volta ao Distrito Federal, assumiu o comando da EAC, exercendo também a função de diretor de ensino. Promovido a tenente-coronel em março de 1942, deixou a escola no mês seguinte. Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial em agosto desse ano e a organização da Força Expedicionária Brasileira (FEB) em 1943, passou a integrar, a partir de julho de 1944, a Artilharia Divisionária (AD-1) da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE). Designado chefe de polícia do grupamento do general Osvaldo Cordeiro de Farias, que embarcou no navio-transporte norte-americano General Mann com destino ao teatro de operações, chegou a Nápoles em outubro. Ainda nesse mês foi nomeado chefe da 4ª Seção do Estado-Maior da AD-1, tendo servido junto ao posto do comando da unidade.

Em julho de 1945 regressou ao Brasil, permanecendo à disposição do EME a partir de outubro seguinte. Em novembro foi nomeado adido militar junto à embaixada brasileira em Santiago do Chile, assumindo o cargo em março do ano seguinte e nele permanecendo até novembro de 1947.

Em janeiro de 1949, tornou-se membro da comissão encarregada de elaborar o anteprojeto de regulamento da Escola Superior de Guerra (ESG), criada em 22 de outubro de 1948. De outubro de 1949 a julho de 1952 permaneceu na ESG, tendo freqüentado o curso dessa escola e desempenhado a função de adjunto do gabinete da mesma. Passou para a reserva em 1953.

Faleceu no Rio de Janeiro em 1963.

Era casado com Rosina Ferreira de Araújo, com quem teve uma filha.

 

 

FONTES: ARQ. CLUBE 3 DE OUTUBRO; ARQ. OSVALDO ARANHA; INF. FAM.; MIN. GUERRA. Almanaque (1952); SEITENFUS, R. Difícil; SILVA, H. 1937.

 

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