COSTA, FERNANDO CORREIA DA

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Nome: COSTA, Fernando Correia da
Nome Completo: COSTA, FERNANDO CORREIA DA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
COSTA, FERNANDO CORREIA DA

COSTA, Fernando Correia da

*gov. MT 1951-1956; sen. MT 1959-1961; gov. MT 1961-1966; sen. MT 1967-1975.

 

Fernando Correia da Costa nasceu em Cuiabá no dia 29 de agosto de 1903, filho de Pedro Celestino Correia da Costa e de Corina Novis Correia da Costa. Seu pai foi governador de Mato Grosso de 1908 a 1911 e de 1922 a 1926 e senador por esse estado de 1918 a 1922 e de 1927 a 1930. Seu sobrinho, José Fragelli, foi deputado federal por Mato Grosso de 1955 a 1959 e governador do estado de 1971 a 1976.

Em 1926, formou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, no Distrito Federal, e mais tarde, em 1947, iniciou sua vida política elegendo-se prefeito de Campo Grande — então um dos mais importantes municípios mato-grossenses e hoje capital de Mato Grosso do Sul — na legenda da União Democrática Nacional (UDN). Em fevereiro de 1950, candidatou-se ao governo do estado, lançado por uma coligação da UDN com o Partido Republicano (PR), que recebeu o apoio da ala dissidente do Partido Social Democrático (PSD). Vitorioso no pleito, derrotou o candidato pessedista Filinto Müller e tomou posse em janeiro de 1951, tendo como vice-governador João Leite de Barros.

Em sua gestão, deu prosseguimento à política de colonização iniciada por seu antecessor, Arnaldo Estêvão de Figueiredo, através da criação e do loteamento de núcleos rurais. Instalou a Secretaria de Educação, Cultura e Saúde e a Faculdade de Direito de Mato Grosso. Em julho de 1951 determinou a criação do Banco do Estado de Mato Grosso, que apenas mais tarde seria concretizada, e em outubro de 1953 instituiu o Tribunal de Contas. Revisou o contrato de exploração das jazidas de minérios de manganês e de ferro da região de Urucum, no município de Corumbá, concedendo-a à Sociedade Brasileira de Mineração Ltda. (Sobramil), por contrato assinado em Cuiabá em dezembro de 1953, que previa a extração mínima anual de 50 mil toneladas para uso industrial. Promoveu a abertura de estradas, construiu as sedes dos colégios estaduais de Corumbá e de Campo Grande, bem como escolas em diversos municípios. Criou a assistência dentária escolar, instalou postos de saúde em várias localidades e ambulatórios de saúde mental em Corumbá e Campo Grande. Construiu uma usina de pasteurização de leite e derivados e a usina hidrelétrica nº 2 de rio da Casca, para o fornecimento de energia a Cuiabá, inaugurada em dezembro de 1954.

Deixando o governo em janeiro de 1956, foi substituído por João Ponce de Arruda. Em outubro de 1958, elegeu-se senador por seu estado na legenda da UDN, iniciando o mandato em fevereiro de 1959. Em outubro de 1960, foi novamente eleito governador do estado, sempre na legenda udenista. Deixou o Senado em janeiro de 1961, quando foi empossado no governo, tendo como vice-governador José Garcia Neto.

Em abril do mesmo ano, participou da segunda reunião de governadores convocada por Jânio Quadros, então presidente da República, que buscava contrabalançar a situação minoritária de seu governo na Câmara e os freqüentes desacordos com o Parlamento. Nos quatro encontros dessa reunião realizada em Cuiabá com a participação dos governadores Mauro Borges, de Goiás, Abelardo de Alvarenga Mafra, de Rondônia, e José Altino Machado, do Acre, foram tomadas várias decisões de interesse imediato para esses estados, sendo prometidas a Mato Grosso a melhoria do transporte fluvial, a criação de uma escola de agronomia em Campo Grande e de uma faculdade de filosofia em Cuiabá, além da construção de refinarias de petróleo naquela capital e do estabelecimento definitivo do banco do estado.

Contam-se entre suas realizações nesse segundo período de governo a criação da Associação de Crédito e Assistência Rural de Mato Grosso (Acarmat), da Companhia Agrícola de Mato Grosso (Camat) e da Companhia de Armazéns e Silos (Casemat), a efetivação do Banco do Estado (Bemat) e a construção da usina central açucareira de Jaciara. No setor cultural, criou a Fundação do Ensino Primário (Fundeprim), constituída pelo Centro do Magistério Primário e pelo Centro de Pesquisas e Pedagogia, e fundou também o Instituto de Previdência de Mato Grosso (Ipmat).

Em 30 de março de 1964, juntamente com o governador Nei Braga, do Paraná, aderiu ao movimento político-militar contra o presidente João Goulart — que então já contava com o apoio de diversos governadores, entre os quais José Magalhães Pinto, de Minas, Carlos Lacerda, da Guanabara, e Ademar de Barros, de São Paulo —, na expectativa de que culminasse na escolha de um presidente da República cujas funções não fossem transitórias, permitindo a continuidade do processo político-administrativo. No dia 31 de março, Goulart foi deposto e uma junta militar assumiu o poder. No dia 11 de abril, o Congresso Nacional elegeu o general Humberto de Alencar Castelo Branco presidente da República, ocasião em que já se haviam efetuado inúmeras cassações de mandatos parlamentares por força do Ato Institucional nº 1 (9/4/1964), decretado pela junta militar.

Correia da Costa foi mantido no governo pelo novo poder instituído e, com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), de orientação governista. Com o término de seu mandato, em janeiro de 1966 passou o governo de Mato Grosso a Pedro Pedrossian, eleito em outubro do ano anterior.

Candidato a senador em uma das sublegendas da Arena de seu estado nas eleições de novembro de 1966, derrotou o outro candidato do partido, Ponce de Arruda, e o candidato do partido oposicionista — Movimento Democrático Brasileiro (MDB) —, Henrique Gomes. Deu início ao segundo mandato como senador em fevereiro de 1967 e em 1970 foi eleito primeiro-secretário da mesa. Em 1971 foi observador do Senado no Congresso Parlamentar Latino-Americano, realizado em Caracas. Nessa legislatura, foi membro das comissões de Valorização da Amazônia, de Relações Exteriores e do Distrito Federal, suplente da Comissão de Agricultura e presidente da Comissão de Saúde do Senado, onde permaneceu até janeiro de 1975, quando afastou-se das atividades políticas, dedicando-se às atividades agropecuárias.

Além de político, exerceu a medicina, foi diretor do Hospital de Campo Grande e professor da Faculdade Mato-Grossense de Odontologia e Farmácia.

Faleceu em Campo Grande no dia 10 de dezembro de 1987.

Foi casado com Maria Elisa Bocaiuva Correia da Costa, com quem teve dois filhos.

 

FONTES: BENEVIDES, M. Governo Kubitschek; CAFÉ FILHO, J. Sindicato; CORREIA FILHO, V. História; CORRESP. GOV. EST. MT; COUTINHO, A. Brasil; Diário do Congresso Nacional; Efemérides paulistas; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; HIPÓLITO, L. Campanha; INF. FAM.; Jornal do Brasil (16/10/72); MENDONÇA, R. Dic.; MENDONÇA, R. História; Perfil (1972); QUADROS, J. História; SENADO. Dados biográficos; SENADO. Endereços; SENADO. Relação; VÍTOR, M. Cinco.

 

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