COSTA, JOAO RESENDE

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Nome: COSTA, João Resende
Nome Completo: COSTA, JOAO RESENDE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
COSTA, JOÃO RESENDE

COSTA, João Resende

*religioso; arceb. Belo Horizonte 1967-1986.

 

João Resende Costa nasceu em Borda da Mata (MG) no dia 19 de outubro de 1910, filho de Francisco Marques da Costa Júnior e de Mariana Resende Costa.

Iniciou os estudos primários em sua cidade natal e concluiu-os em Cruzeiro (SP). Cursou o secundário em Lorena (SP), ingressando em seguida na Congregação Salesiana, onde fez votos em 1927. Em 1928 estudou filosofia e pedagogia no Colégio São Manuel, em Lavrinhas (SP), e em 1932 matriculou-se na Universidade Gregoriana, em Roma, da qual sairia doutor em teologia dogmática em 1937 com a tese L’influsso di De Dominis nella dolltrina di Martin Di Barcos. Enquanto estudava foi ordenado padre na basílica de Santo Inácio, em Roma, no dia 28 de julho de 1935.

De volta ao Brasil, exerceu as funções de diretor de estudos do Instituto Teológico Pio XI de 1937 a 1940 e de 1944 a 1948; nesse meio tempo, de 1941 a 1943, dirigiu o Liceu Salesiano Coração de Jesus, em São Paulo. Provincial salesiano do Sul do Brasil, incluindo os estados de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, de 1948 a 1952, fundou nesse último ano a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena e o Colégio Salesiano de Piracicaba, ambos em São Paulo. Ainda em 1952, participou do XVII Capítulo Geral da Congregação Salesiana em Turim, na Itália, e foi eleito seu conselheiro-geral. No exercício dessa função, viajou à Amazônia em 1953, lá recebendo a notícia de que fora eleito bispo da diocese de Ilhéus (BA). Sua sagração se deu no dia 24 de maio daquele ano, na matriz do Liceu Coração de Jesus, em São Paulo, sendo seu sagrante o cardeal dom Carlos de Vasconcelos Mota. Um mês depois, tomou posse na diocese baiana, onde permaneceu quatro anos, ocupando-se com o desenvolvimento das vocações sacerdotais, a ampliação do seminário, o incremento da construção da catedral, a realização de um congresso eucarístico e a celebração do quarto centenário da paróquia.

Em face da doença do arcebispo de Belo Horizonte, dom Antônio dos Santos Cabral, foi transferido para Minas Gerais em novembro de 1957, na condição de arcebispo coadjutor de Belo Horizonte, com direito à sucessão. Nessa cidade, criou 40 paróquias, promoveu a criação da diocese de Divinópolis (MG) em dezembro de 1958 e obteve no mesmo ano o reconhecimento jurídico da Universidade Católica de Minas Gerais, da qual se tornou grão-chanceler. Em abril de 1959, benzeu e celebrou a primeira missa da igreja da Pampulha, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e decorada com painéis de Cândido Portinari, construída por ordem de Juscelino Kubitschek, então prefeito da capital mineira. Reestruturou a arquidiocese dentro das diretrizes do Concílio Ecumênico Vaticano II, realizado em Roma de 1962 a 1965, do qual participou integrando quatro sessões. Em 1964 tornou-se secretário nacional para o Apostolado dos Religiosos e secretário regional da Região Leste II da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mantendo-se no primeiro cargo durante quatro anos. Nesse mesmo ano participou do XXXVIII Congresso Eucarístico Internacional, em Bombaim, na Índia.

Com a morte de dom Antônio dos Santos Cabral, em 15 de novembro de 1967 tornou-se arcebispo metropolitano de Belo Horizonte. No ano seguinte participou do XXXIX Congresso em Bogotá e da II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em Medellín, na Colômbia. Em 1969 promoveu a construção do edifício sede da Universidade Católica de Minas Gerais, recebendo em Roma, em abril do mesmo ano, o Palio Arquiepiscopal.

Com a reforma dos estatutos da CNBB, foi eleito em 1972 presidente da Comissão Episcopal Leste II, recebendo nesse mesmo ano o título de “cidadão honorário” de Belo Horizonte. Em setembro de 1975 foi recebido pelo Papa Paulo VI, em Roma, apresentando um amplo relatório da arquidiocese. Em dezembro do mesmo ano, sagrou o novo bispo auxiliar dom Arnaldo Ribeiro. Em agosto do ano seguinte chefiou a delegação mineira ao XLI Congresso Eucarístico Internacional de Filadélfia, nos Estados Unidos, e em 1977, eleito delegado do Episcopado brasileiro, participou do Sínodo dos Bispos ocorrido em Roma.

Ao completar o 25º ano de sua sagração episcopal, em 5 de junho de 1978, referiu-se ao Vaticano II como o evento mundial que havia tirado a Igreja “da rotina tranquila”, inserindo-a “no clima de ebulições e de reformas que tanto marcou a década de 1960, num mundo mais complexo, no qual a evangelização se torna uma tarefa árdua, porém valiosa”. Acrescentou que a missão dos sacerdotes era “criar condições para que a mensagem do Evangelho penetre no coração do homem e nas estruturas sociais, econômicas e políticas do país”.

Em 5 de fevereiro de 1986 deixou o arcebispado, tornado-se arcebispo emérito de Belo Horizonte. Seu lugar foi ocupado por dom Serafim Fernandes de Araújo. Em 1998 recebeu o título de doutor honoris causa da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Faleceu em Belo Horizonte, aos 96 anos, no dia 21 de julho de 2007.

Publicou a obra L’influsso di De Dominis nella dottrina di Martin Di Barcos, cartas pastorais e opúsculos, estes na coleção Leituras Católicas. Traduziu do francês para o português a obra Dom Bosco.

 

 

FONTES: BARBOSA, D. D. L. Falece; CONFERÊNCIA NAC. BISPOS DO BRASIL; COUTINHO, A. Brasil; CURRIC. BIOG.; GARDEL, L. Armoiries; Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (4/3 e 5/6/78).

 

 

 

                                                                                                 Bruno Marques

atualização

 

 

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