CRISPIM JACQUES BIAS FORTES

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Nome: FORTES, Bias (Crispim)
Nome Completo: CRISPIM JACQUES BIAS FORTES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FORTES, BIAS (CRISPIM)

FORTES, Bias (Crispim)

*dep. fed. MG 1951-1975 e 1979-1983.

Crispim Jacques Bias Fortes nasceu em Barbacena (MG) no dia 26 de março de 1923, filho de José Francisco Bias Fortes e de Francisca Tamm Bias Fortes. Em sua família destacaram-se duas personalidades de grande prestígio na vida política de Minas Gerais e do Brasil. Seu avô, também chamado Crispim Jacques Bias Fortes, foi deputado à Assembléia Provincial mineira de 1882 a 1889, participou da fundação do Partido Republicano Mineiro em 1888, foi senador estadual de 1891 a 1894 e presidente de Minas Gerais de 1894 a 1898. Seu pai foi deputado federal de 1925 a 1926, secretário de Segurança e Assistência Pública de Minas Gerais de 1926 a 1929, revolucionário de 1930, constituinte de 1934, deputado federal de 1935 a 1937, prefeito de Barbacena de 1937 a 1945, constituinte de 1946, deputado federal de 1946 a 1950, ministro da Justiça de 1950 a 1951 e governador de Minas Gerais de 1956 a 1961. Com seu pai, teve início na política mineira, logo após a Revolução de 1930, a acirrada e histórica rivalidade entre as famílias Bias Fortes e Andrada que se manifestou particularmente na disputa pelo poder em Barbacena.

Bias Fortes bacharelou-se em 1944 pela Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Durante o curso universitário integrou o Diretório Acadêmico Afonso Pena e foi presidente da Federação Universitária Mineira dos Estudantes (FUME). Depois de formado, retornou à sua cidade natal para exercer a advocacia e trabalhar na prefeitura como secretário do pai.

Com o fim do Estado Novo (1937-1945) e a reconstitucionalização do país, ingressou em 1945 no Partido Social Democrático (PSD). Nas eleições municipais de novembro de 1947 candidatou-se à prefeitura de Barbacena, na legenda da coligação formada pelo PSD e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), sendo, contudo, derrotado. No pleito de outubro de 1950 elegeu-se deputado federal por Minas Gerais na legenda do PSD, assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte. Reeleito na mesma legenda em outubro de 1954 e de 1958, em abril de 1961 tornou-se vice-líder de seu partido na Câmara. No pleito de outubro de 1962 foi novamente eleito deputado federal por Minas Gerais, sendo mais uma vez escolhido vice-líder do PSD na Câmara.

Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se ao partido do governo, a Aliança Renovadora Nacional (Arena). Em janeiro de 1966 licenciou-se da Câmara para assumir a Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais, durante o governo de Israel Pinheiro (1966-1971), cargo ao qual renunciou em agosto do mesmo ano para retornar à Câmara. Reeleito nos pleitos de novembro de 1966 e 1970, sempre na legenda da Arena, foi, nesta última legislatura, membro efetivo das comissões de Orçamento, de Relações Exteriores e de Comunicações e suplente da Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara. Membro efetivo do diretório regional da Arena de Minas Gerais, foi vice-presidente do diretório nacional de seu partido entre 1972 e 1974, atuando ainda como coordenador da bancada mineira na Câmara.

Ainda em 1974, durante as articulações para a escolha do candidato da Arena à sucessão do governador Rondon Pacheco (1971-1975), seu nome foi indicado pelo grupo de representantes do antigo PSD mineiro que integravam o partido situacionista. Os ex-pessedistas mineiros pleiteavam uma candidatura ligada à sua corrente, alegando a necessidade de um revezamento dos grupos políticos que ocupavam o poder no estado. Todavia, o candidato arenista escolhido foi Aureliano Chaves, apoiado pelo grupo de antigos membros da União Democrática Nacional (UDN), liderado pelo então senador José de Magalhães Pinto.

No pleito de novembro de 1974, Bias Fortes reelegeu-se deputado federal por Minas Gerais na legenda da Arena, obtendo mais de 25% da votação válida de Barbacena. Novamente membro efetivo da Comissão de Relações Exteriores e suplente da Comissão de Agricultura e Política Rural, licenciou-se da Câmara em maio do ano seguinte para assumir o cargo de secretário de Obras de Minas Gerais, para o qual fora nomeado pelo governador Aureliano Chaves (1975-1979), que buscava reunir em sua equipe as facções mais expressivas da Arena mineira. Pretendeu disputar a indicação de seu partido para a sucessão do governo mineiro no início de 1978, mas não obteve êxito.

Em maio de 1978 deixou a Secretaria de Obras de Minas Gerais, desincompatibilizando-se do cargo para concorrer ao pleito de novembro do mesmo ano, no qual se reelegeu deputado federal na legenda da Arena. Nesse pleito perdeu terreno em Barbacena, mas obteve um aumento expressivo de votos em todo o estado tendo sido o quarto deputado mais votado à Câmara dos Deputados, com mais de 70 mil votos. Sua votação lhe proporcionou uma vantagem de 11 mil votos sobre seu principal adversário na política mineira, o deputado Bonifácio José Tamm de Andrada, filho de José Bonifácio de Andrada, líder do governo do presidente Ernesto Geisel (1974-1979) na Câmara Federal.

Iniciada a discussão do processo de reorganização partidária, participou durante o segundo semestre de 1979, juntamente com diversos políticos do antigo PSD — todos integrantes da Arena —, das articulações para manter o grupo unido no caso da criação de novos partidos políticos. Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro desse mesmo ano e a conseqüente reformulação partidária, Bias Fortes, que esteve então a pique de ingressar no Partido Popular (PP), acabou por filiar-se ao partido governista, o Partido Democrático Social (PDS). Vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, em abril de 1980 foi indicado para a presidência do partido no estado, com a renúncia do deputado Pio Canedo. O governador Francelino Pereira (1979-1983), porém, resistiu à escolha de um nome do antigo PSD. Somente com a intervenção do senador José Sarney, presidente nacional do PDS, encontrou-se uma solução para o impasse, sendo Bias Fortes eleito, ainda em abril, presidente do diretório regional provisório do PDS em Minas Gerais.

No final de 1981 passou a figurar como possível candidato do PDS à sucessão do governador Francelino Pereira nas eleições de novembro de 1982. Apontado como um dos políticos mais pessedistas do PDS mineiro, Bias Fortes recebeu todas as atenções quando o vice-presidente da República, Aureliano Chaves, defendeu a tese de que a escolha do candidato do PDS deveria recair sobre um nome do antigo PSD. Sua candidatura, entretanto, provocou forte reação do ex-deputado José Bonifácio de Andrada. A disputa envolvendo mais dez candidatos, acabou polarizando-se em torno dos nomes do senador Murilo Badaró e do ministro dos Transportes Eliseu Resende (1979-1982). Em maio de 1982, Bias Fortes ameaçou renunciar à presidência do PDS mineiro em protesto contra a oficialização do apoio do governador Francelino Pereira à candidatura de Eliseu Resende. Aceitando, porém, sua indicação para vice-governador, Bias Fortes e Resende derrotaram por escassa margem de votos a chapa dissidente formada por Badaró e o deputado Geraldo Freire na convenção do PDS mineiro, realizada em junho do mesmo ano. O pleito de novembro de 1982 em Minas Gerais deu a vitória, contudo, aos candidatos do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Por uma diferença de 243 mil  votos (4,4%), Tancredo Neves e Hélio Garcia foram eleitos, respectivamente, governador e vice-governador do estado.

Após a derrota, foi nomeado pelo presidente da República, general João Batista Figueiredo, para ocupar uma das três diretorias da Companhia de Seguros da Caixa Econômica Federal.

Em 1984, já no governo de Hélio Garcia, tornou-se secretário de Segurança Pública de Minas Gerais, cargo que havia ocupado no período de 1965 e 1966 durante o governo de Israel Pinheiro. À frente da pasta, preocupou-se com a segurança do indivíduo e em solucionar o problema carcerário do estado. Após deixar o cargo em 1986, deixou a vida pública, passando a exercer a advocacia em Barbacena.

Filiado ao Partido da Frente Liberal (PFL), veio a integrar o diretório regional da agremiação.

Casou-se com Cléa Sílvia Bias Fortes, de quem teve duas filhas. Uma delas, Danusa Bias Fortes Carneiro, elegeu-se em outubro de 1996 vereadora em Barbacena, pelo PFL.

Publicou Pareceres jurídicos do Congresso Nacional.

FONTES: ANDRADE, F. Relação; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1967-1971, 1971-1975 e 1975-1979); CÂM. DEP. Relação dos dep.; CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; CISNEIROS, A. Parlamentares; COUTINHO, A. Brasil; Estado de S. Paulo (6/1/82); Globo (13/4/80, 14/5, 13 e 20/6/82); HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; Jornal do Brasil (1/5/75, 11/12/77, 24/4 e 20/5/78, 13/10/79, 31/3/80 e 1 e 21/6/82, 29/7/83, 20/5 e 4/11/84); NÉRI, S. 16; Perfil (1972, 1975 e 1980); Rev. Bras. Est. Pol. (51-1980).

 

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