Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque

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Nome: BUARQUE, Cristovam
Nome Completo: Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

BUARQUE, Cristovam

*gov. DF 1994-1998; min. Educ. 2003-2004; sen. DF 2004-2010; 2011-          

 

Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque nasceu em Recife no dia 20 de fevereiro de 1944, filho de Durval Buarque Lima e de Benedita Cavalcanti Queirós. É filho de um casal de classe média baixa – os pais trabalhavam em uma tecelagem e o adolescente Cristovam ajudava a vender panos e a fazer a contabilidade comercial dos negócios. Quando estudante, trabalhava ministrando aulas particulares de física e matemática, especialidade que o fez optar pelo curso de engenharia mecânica, aproveitando assim o clima desenvolvimentista do país nos anos 50 e 60. Foi o primeiro de sua família a ter nível superior.

Ao ingressar na Escola de Engenharia da Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe), em 1962, iniciou sua militância política como ativista da Ação Popular, organização de esquerda ligada à Igreja Católica. Membro da diretoria e depois presidente do diretório estudantil da Escola de Engenharia, em 1964 participou do seminário para líderes universitários latino-americanos na Harvard University (Summer School), nos Estados Unidos. Foi também militante da Ação Católica Operária, entidade na qual trabalhou com o arcebispo dom Hélder Câmara na periferia de Recife, desenvolvendo ações comunitárias voltadas para a educação, mas foi obrigado a abandonar essas atividades em 1965, depois do movimento político-militar de 31 de março de 1964 que derrubou o presidente João Goulart.

Graduado em engenharia mecânica em 1966, nesse mesmo ano fez o curso de preparação e análise de projetos na Organização dos Estados Americanos (OEA). Entre 1967 e 1970, foi instrutor de diversos cursos para técnicos de nível superior na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), professor-titular da cadeira de economia internacional na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Católica de Pernambuco (Ucpe) e diretor encarregado de projetos industriais da Consplan — Consultoria e Planejamento. Em 1968, concluiu o mestrado em ciências econômicas pelo Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Ufpe, tornando-se professor-assistente nas cadeiras de economia internacional e de macroeconomia da Faculdade de Ciências Econômicas dessa universidade.

Em 1970, depois de criticar publicamente o Ato Institucional nº 5 (AI-5) — medida de exceção tomada pelo regime militar que autorizou o presidente da República, independentemente de qualquer apreciação judicial, a decretar o recesso do Congresso Nacional e de outros órgãos legislativos, a intervir nos estados e municípios sem as limitações previstas na Constituição, a cassar mandatos eletivos e a suspender por dez anos os direitos políticos de qualquer cidadão, a decretar o confisco de “bens de todos quantos tenham enriquecido ilicitamente” e a suspender a garantia de habeas-corpus —, foi ameaçado pelas forças de repressão e saiu do país. Transferiu-se para a França em exílio voluntário, iniciando o doutorado em economia do desenvolvimento na École Practique des Hautes Études, em Paris. Trabalhou como assessor do professor Josué de Castro, intelectual brasileiro cassado pelos militares em 1964 e presidente do Centre International de Développement. Concluiu o doutorado em 1973 e nesse mesmo ano começou a trabalhar no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Tegucigalpa, La Paz e Caracas, como diretor e professor de cursos de preparação e análise de projetos, função que exerceria até 1979.

Ao longo desse período, em 1975 foi conferencista convidado nas universidades nacionais de São Domingos, na República Dominicana, e de Honduras, e em 1975-1976 trabalhou em Santa Fé e em Buenos Aires, na Argentina, respectivamente como professor da cadeira de avaliação social de projetos no Banco Mundial (BIRD), e na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI). Durante o ano de 1978, trabalhou como professor-adjunto da American University em Washington, em cursos promovidos pelo BID, BIRD, ONUDI e OEA.

Em 1979, com o avanço do processo de distensão política iniciado pelo presidente Ernesto Geisel (1974-1979), retornou ao Brasil, radicando-se em Brasília. Professor-colaborador do departamento de economia da Universidade de Brasília (UnB), tornou-se titular das cadeiras de formação econômica do Brasil, história do pensamento econômico, economia brasileira e introdução à economia, no curso de graduação, e de análise de projetos, desenvolvimento e economia brasileira, no curso de mestrado. Reiniciando suas atividades políticas, participou da Associação dos Docentes da UnB, integrou o Centro Brasil Democrático (Cebrade) e militou nos movimentos contra o AI-5 e a favor do movimento pela anistia ampla, geral e irrestrita.

Em 1980, foi professor da cadeira de avaliação econômica de projetos na Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Lisboa e no Centro de Treinamento em Desenvolvimento Econômico (Cendec), e integrou o corpo docente do curso de formação de diplomatas no Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores. Entre os anos de 1981 e 1982, no governo João Figueiredo (1979-1985), colaborou com a assessoria do gabinete do ministro da Indústria e Comércio, João Camilo Pena.

Em 1984, participou da campanha das diretas e pela convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte. No final do ano, foi membro da comissão técnica de assessoria a Tancredo Neves, lançado candidato à presidência da República pela Aliança Democrática, união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Depois da vitória de Tancredo no Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985, continuou trabalhando com o presidente eleito. Contudo, por motivo de doença, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março.

Nomeado chefe de gabinete do Ministério da Justiça em março de 1985, na gestão de Fernando Lira, deixou o cargo em agosto para assumir a reitoria da UnB. Fora escolhido reitor duas vezes pela comunidade universitária, em 1984 e 1985, para afinal ser nomeado pelo presidente José Sarney. Na primeira eleição, em 1984, seu nome fora vetado pelo então presidente João Figueiredo, que indicou Geraldo Ávila para o posto. A nomeação de Ávila, que nem ao menos lançara seu nome nas eleições da comunidade, paralisou a universidade por vários dias no início de 1985 e terminou com sua renúncia. O vice-reitor Luís Otávio Sousa Carmo assumiu interinamente o cargo, e nas eleições que se seguiram Cristovam Buarque ficou em primeiro lugar, superando por ampla margem o segundo colocado. Primeiro reitor eleito pelo voto direto, entre os anos de 1986 e 1987 foi membro da Comissão Presidencial Provisória de Estudos Constitucionais, denominada Comissão Afonso Arinos, encarregada de discutir uma nova constituição para o país após o fim do regime militar.

Durante sua gestão na UnB, procurou colocar em prática a proposta de transformar a universidade num grande fórum de debates dos problemas nacionais, abrindo espaço para a participação dos estudantes em vários ciclos de debates sobre temas como a Constituinte. Completando seu mandato na reitoria em abril de 1989, lançou o livro Na fronteira do futuro, em que relatou sua experiência como reitor. Ainda nesse ano filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) e em 1990 integrou o chamado governo paralelo do presidente nacional do partido, Luís Inácio Lula da Silva, no qual foi o coordenador da área de educação. Em 1993, foi nomeado pelo presidente da República Itamar Franco (1992-1995) membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar, presidido pelo sociólogo Herbert de Sousa, o Betinho. Deixou essas atribuições para se candidatar ao governo do Distrito Federal na legenda do PT nas eleições de outubro de 1994.

 

No governo do Distrito Federal

 

Vitorioso no segundo turno das eleições, em 15 de novembro de 1994, quando derrotou Valmir Campelo, candidato do governador Joaquim Roriz, Cristovam Buarque tornou-se o primeiro governador de oposição do Distrito Federal. Tomou posse em 1º de janeiro de 1995, ao mesmo tempo em que Fernando Henrique Cardoso assumia a presidência da República (1995-2003).

No início de seu governo, lançou o pioneiro programa de bolsas escolares de um salário mínimo para as famílias carentes, denominado Bolsa-Escola, que fora a principal bandeira de sua campanha eleitoral, e que garantia a complementação de renda de famílias pobres que mantivessem todos os filhos na escola. Adotou também o programa denominado Poupança-Escola, no qual o governo manteria cadernetas de poupança em nome de alunos da rede pública que não fossem reprovados. Em decorrência dessas iniciativas, que reduziram significativamente os índices de repetência e evasão escolar no Distrito Federal, seu governo seria agraciado com o Prêmio Criança e Paz, concedido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em 1996.

Entretanto, o início de sua gestão foi também marcado por problemas internos no PT, por desentendimentos com o funcionalismo público distrital em questões relacionadas à política sindical e salarial, e por denúncias de irregularidades cometidas por integrantes de seu governo. Logo após as eleições, revelou-se que as empresas de engenharia e construção Norberto Odebrecht e Via Engenharia, que participavam do consórcio responsável pela construção do metrô de Brasília, haviam doado quatrocentos mil reais à campanha eleitoral do PT, o que fez com que Cristovam Buarque e outros integrantes do partido prometessem a devolução da quantia a essas empresas.

Em março de 1995, o próprio governador foi acusado de ter utilizado a máquina administrativa para apoiar a manifestação de cerca de dez mil pessoas contra as reformas na Constituição, organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pela Central de Movimentos Populares (CMP). O governo do Distrito Federal teria cedido o Pavilhão de Feiras e Exposições do Parque da Cidade para abrigar cerca de cinco mil manifestantes vindos de outros estados, e policiais militares teriam feito e servido café da manhã aos participantes da manifestação, o que custara 1,8 mil reais aos cofres da Polícia Militar. Além disso, fora avalista na compra de 10.500 marmitas do Serviço Social da Indústria (Sesi), no valor de 38 mil reais. Mais uma vez, Cristovam Buarque declarou em nota oficial que, “diante das dúvidas sobre a legalidade do pagamento das despesas, os integrantes de sua equipe comprometem-se a saldá-las a título pessoal, voluntário e solidário, sem qualquer ônus para os cofres públicos”.

Em junho, seu governo esteve envolvido com uma denúncia de utilização da máquina administrativa por particulares: veículos da Companhia Energética de Brasília (CEB) teriam sido utilizados no transporte para uma festa organizada por Chico Vigilante, deputado federal pelo Distrito Federal na legenda do PT. O episódio resultaria na exoneração do engenheiro Hélio José da Silva do cargo de superintendente regional da CEB.

Dando continuidade à sua administração, Cristovam Buarque sancionou em julho a Lei nº 878/95, que permitiu às empresas que desenvolvessem projetos industriais ou agroindustriais com inovações tecnológicas o recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) num prazo de até 24 meses, com o objetivo de atrair investimentos e fazer com que Brasília deixasse de ser uma cidade administrativa. Nesse mesmo período, conseguiu que o governo federal incluísse no projeto de reforma fiscal a criação de um fundo para custear as despesas de segurança, saúde, educação e justiça da capital. Com a criação desse fundo, o governo do Distrito Federal administraria o dinheiro e ganharia uma autonomia maior em relação aos recursos destinados àquelas áreas.

Ainda em julho de 1995, Maria de Lourdes Abadia, secretária de Turismo, pediu demissão do cargo por discordar da cessão gratuita do Pavilhão de Feiras do Parque da Cidade aos sem-terra que vieram a Brasília participar do III Congresso Nacional dos Sem-Terra. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a decisão de Cristovam Buarque de ceder o pavilhão gratuitamente ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), entidade de direito privado, contrariava o Decreto nº 15.395/93, que determinava que somente os órgãos públicos teriam direito à isenção do pagamento. Em setembro, Cristovam Buarque enfrentou uma ameaça de paralisação geral do funcionalismo, que envolveu professores, médicos e servidores da saúde, entre outros setores, liderados pelo Sindicato dos Servidores do Distrito Federal. Participaram do movimento grevista lideranças sindicais que, no ano anterior, haviam atuado em sua campanha para o governo do Distrito Federal.

Ainda no primeiro ano de governo, Cristovam Buarque propôs a privatização do metrô de Brasília, em razão da dificuldade do governo de arcar com as despesas para concluir a obra. A proposta contrariava a orientação do PT e criou mais uma fonte de conflitos com o partido. Outra decisão de sua administração que entrou em choque com o partido foi o anúncio da venda de 46% das ações do Banco de Brasília (BRB) para garantir a capitalização do banco e abrir linhas de crédito para o setor produtivo. Em dezembro, o governo implementou um programa de pequenos empréstimos, denominado BRB-Trabalho, com recursos do BRB e da Secretaria de Trabalho, concedendo empréstimos pessoais de duzentos a cinco mil reais para trabalhadores autônomos. Esse programa, que tinha como principal objetivo estimular a economia formal e informal de pequenos empreendedores, seria usado como modelo pela executiva nacional do PT nas eleições municipais previstas para outubro do ano seguinte.

Em fevereiro de 1996, Cristovam Buarque promoveu uma reforma em seu governo afastando seis secretários, alguns deles ligados ao PT, o que acirrou ainda mais a crise interna do partido no Distrito Federal. No dia 11 de março, sofreu um atentado a bala em seu gabinete no palácio Buriti, sede do governo do Distrito Federal, e o atribuiu ao tráfico de drogas, que prometera combater. Em junho, foi o único governador convidado a assinar o convênio para liberação de verbas para escolas municipais e estaduais pelo Ministério da Educação no palácio do Planalto. Teria recebido essa deferência especial do presidente Fernando Henrique Cardoso devido aos elogios à política educacional adotada por sua administração. No mesmo mês, anunciou a retomada das obras do metrô de Brasília, que haviam sido interrompidas no final da gestão de seu antecessor.

A partir de sua gestão no Distrito Federal, Cristovam Buarque tornou-se um dos mais severos críticos da atuação de seu partido no processo político nacional. Em novembro de 1996, defendeu a afirmação de um PT mais “propositivo e menos reivindicativo”. Em fevereiro do ano seguinte, durante a realização do seminário Globalização, Reforma do Estado e Cidadania, promovido pelo governador do Espírito Santo Vítor Buaiz (PT) em Vitória, e em seguida à aprovação da emenda constitucional que permitiu a reeleição para os cargos do Executivo, criticou o partido por não ter percebido o interesse do povo na estabilidade e no fim da inflação, alcançados pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.

Em junho de 1997, apresentou-se como um dos potenciais candidatos do PT à presidência da República nas eleições previstas para o ano seguinte, defendendo a realização de uma prévia para a escolha do candidato. Ressalvou, contudo, que isso só deveria ser feito caso Luís Inácio Lula da Silva, ex-presidente da agremiação, não viesse a concorrer. Na mesma ocasião, voltou a defender que o PT se tornasse um partido mais propositivo, abandonando a característica de um partido exclusivamente crítico, ligado sobretudo aos sindicatos.

Em outubro de 1998, disputou a reeleição, com o apoio de uma coligação de esquerda que incluía, além do PT, o Partido Democrático Trabalhista (PDT), o Partido Socialista Brasileiro (PSB), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partido Verde (PV), e outras agremiações de menor expressão. Durante a campanha eleitoral, defendeu a ampliação da política de alianças do PT, chegando a sugerir que a frente dos partidos de oposição apoiasse apenas um candidato a governador em cada estado. Na mesma época, acusou a esquerda brasileira de não ter um projeto para o poder e defendeu o entendimento nacional da oposição com o governo, para vencer a crise. Apesar de vencedor no primeiro turno das eleições, no segundo turno foi derrotado pelo ex-governador Joaquim Roriz, do PMDB.

Durante a sua gestão, implementou também um programa de apoio à agroindústria familiar e o Saúde em Casa, inspirado nas experiências cubanas de saúde pública e familiar. Passou o governo ao sucessor em 1º de janeiro de 1999 e criou a Organização Não-Governamental Missão Criança, com o objetivo de desenvolver políticas educacionais voltadas para a infância, entre outras iniciativas.

 

Ministro da Educação e senador


Em outubro de 2002, foi eleito senador pelo Distrito Federal na legenda do PT. No dia 3 de janeiro de 2003, foi nomeado ministro da Educação pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva (2003- ) e afirmou que seu objetivo era erradicar o analfabetismo do país. Licenciou-se do ministério no dia 1º de fevereiro, para ser empossado senador, e no mesmo dia reassumiu suas funções. Em sua vaga no Senado tomou posse a suplente Eurípedes de Camargo.

Em dezembro, votou a favor da expulsão do PT da senadora Heloísa Helena (AL) e dos deputados federais João Fontes (SE), Babá (PA) e Luciana Genro (RS), que haviam votado contra as propostas de reforma da Previdência encaminhadas pelo governo federal.

Os constantes pedidos de aumento de verbas para a pasta da Educação, as queixas públicas das diretrizes do governo e o incentivo para que a população protestasse contra a falta de verbas para a educação provocaram mal-estar no governo e repreensões públicas do presidente Lula à sua atuação. Em 23 de janeiro de 2004 encontrava-se em viagem a Portugal quando, por telefone, foi demitido. No dia seguinte, reassumiu o mandato de senador.

No Senado, apresentou o programa Choque Social para Proteção da População de Baixa Renda, que foi aprovado pelo Congresso e incluído na Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2005, mas foi vetado pelo presidente Lula. Em dezembro de 2004, por ocasião da votação da medida provisória que deu ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o status de ministro, embora tenha votado a favor, afirmou publicamente o que fez com constrangimento.

Em setembro de 2005, suas divergências com o governo e o PT provocaram a sua desfiliação da agremiação. No mesmo mês, ingressou no Partido Democrático Trabalhista (PDT). Em outubro de 2006, candidatou-se por essa legenda à presidência da República, tendo obtido então 2,6% dos votos válidos, que lhe deram o quarto lugar no primeiro turno. Em 2007, votou a favor da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Presidiu ainda as comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Mista de Controle das Atividades de Inteligência, de Direitos Humanos e Legislação Participativa e de Educação, Cultura e Esportes.

Durante esta legislatura, teve várias leis de sua autoria aprovadas e sancionadas, como a Lei nº 11.738, de 16/07/2008 que instituiu o piso salarial nacional para os professores da rede pública da educação básica; e a Lei nº 11.700, de 13/06/2008 (Lei da Vaga na Escola para Crianças a partir dos Quatro Anos), que garante a toda criança vaga na escola pública mais próxima de sua residência, a partir do dia em que completar quatro anos de idade. Esta última lei garantiu o Prêmio de Mérito Legislador-2008 conferido ao senador Cristovam pelo INTERLEGIS/ IDELB, em maio/2009. Merecem também destaque a Lei nº 11.899/2009, de 08/01/2009, que instituiu a semana e o dia nacional da leitura; a Lei nº 12.013, de 06/08/2009, que determina às instituições de ensino a obrigatoriedade de enviar aos pais, conviventes ou não com seus filhos, informações sobre frequência e rendimento dos alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola; a Lei nº 12.061, de 27/10/2009 que assegura a todos os interessados o acesso ao ensino médio público; a Lei nº 12.130 de 17/12/2009 que institui o dia nacional do historiador (19 de agosto); e a Lei nº 12.245, de 24/05/2010 que determina que sejam instaladas salas de aulas em todos os presídios do país, destinadas a cursos do ensino básico e profissionalizante.

No pleito de 2010 – o primeiro que não contou com a participação direta de Lula, desde 1989 –, Cristovam Buarque foi o parlamentar mais votado e o primeiro senador do Distrito Federal a se reeleger. Conseguiu 833.480 votos, um percentual de 37,27% dos votos válidos. Para esta legislatura (2011-2018), definiu como principal prioridade a apresentação de projetos de lei que planejem tornar a educação básica no Brasil responsabilidade União.

Assim como na legislatura anterior, Buarque teve vários projetos de lei de sua autoria aprovados e sancionados, que deram origem às seguintes leis, entre elas: Lei nº 12.433, de 29/06/2011 (Lei da Remição de Parte da Pena pelo Estudo) que altera a Lei de Execução Penal para estabelecer que a cada 12 horas de estudo – atividades de Ensino Fundamental, Médio, Profissionalizante, Superior ou requalificação profissional – o detento reduza um dia de sua pena; a Lei nº 12.533, de 02/12/2011, que institui o Dia Nacional de Conscientização sobre Mudanças Climáticas; a Lei nº 12.602, de 13/054/2012, que institui a semana e o dia nacional da educação infantil; a Lei 12.668, de 19/06/2012 que institui o dia nacional do piso salarial, referente ao salário dos professores; a Lei 12.692, de 24/06/2012 que dá ao trabalhador o poder de fiscalizar o recolhimento pelas empresas e instituições empregadoras de suas contribuições ao INSS; e a Lei 13.006, de 26/06/2014, que acrescenta § 8o ao art. 26 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para obrigar a exibição de filmes de produção nacional nas escolas de educação básica.

Nessa legislatura foi ainda relator da Comissão Temporária destinada a debater e propor soluções para o financiamento da Educação no Brasil, e da Comissão Permanente Senado Futuro. Presidiu ainda a Subcomissão Permanente para tratar dos Temas Estruturais e de Longo Prazo da Economia Brasileira, da Comissão de Assuntos Econômicos do Congresso Nacional.

Ao longo de sua vida profissional, foi também vice-presidente e presidente do Conselho da Universidade para a Paz das Nações Unidas, em Costa Rica, membro do diretório executivo do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, idealizador e fundador da Associação Nacional das Instituições Federais de Ensino Superior do Brasil, coordenador do Núcleo de Estudos do Brasil Contemporâneo, do CEAM/UnB, membro do conselho diretor da Fundação Oswaldo Cruz, presidente do comitê brasileiro do Serviço Universitário Mundial (SUM); vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores; presidente da Subcomissão Especial da Rio+20; e responsável pela criação da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Federalização da Educação.

Casou-se com Gladys Pessoa de Vasconcelos Buarque, com quem teve duas filhas.

Publicou Le financement public des investissements privés et choix technologique (1973), Le rôle de l’université (1973), Elementos para la preparación y la evaluación de proyectos (1979), Methodology for the evaluation of industrial multinational cooperation projects (1980), Avaliação de projetos e distribuição de rendas entre classes e entre gerações (1980), Seleção de tecnologia nos projetos industriais financiados pela Sudene-Npq (1981), A redescoberta da nação (1981), Introdução à economia (1981), Petróleo, dívidas e duas idéias atrevidas (1981), O fetichismo da energia (1982), Cooperação sul-sul (1982), Hacia una política tecnológica para los bancos de desarrollo de América Latina (1982), Tecnología apropiada: una política para la banca de desarrollo (co-autoria, 1982), Avaliação Econômica de Projetos (1984), Antes que naufraguemos (1988), A universidade transgressora (1988), A orquestra repartida (1988), Na fronteira do futuro: o projeto da UnB (1989), A Eleição do Ditador (1988), O Colapso da Modernidade Brasileira – e uma proposta alternativa (1991), A Desordem do Progresso – o fim da era dos economistas e a construção do futuro (1991), A revolução na esquerda e a invenção do Brasil (1992), A desordem do progresso: o fim da era dos economistas e a construção do futuro (1992), O que é apartação: o apartheid social brasileiro (1993), A Revolução nas Prioridades – da modernidade técnica à modernidade ética (1994), A aventura da universidade (1994), Os deuses subterrâneos (1994), Um tesouro na rua: uma aventura pela história econômica do Brasil (1995), Cortina de ouro: os sustos do final do século e um sonho para o próximo (1995), Medir a utopia além dos indicadores econômicos (1995), A atualidade da Ação Popular (1995), Reage Brasil (1995), O tesouro na rua – uma aventura pela história econômica do Brasil (1995), A Ressurreição do General Sanchez (1997), Os tigres assustados – uma viagem pela fronteira dos séculos (1999), A Segunda Abolição - um manifesto-proposta para a erradicação da pobreza no Brasil (1999), Admirável mundo atual – dicionário pessoal dos horrores e esperanças do mundo globalizado (2001), Os Instrangeiros - A aventura da opinião na fronteira dos séculos (2002), Um Livro de Perguntas (2003), Astrícia (2004), Os deuses subterrâneos (2005), O Berço da Desigualdade (2005), La Cortina de Oro: los temores del nuevo milenio y un sueño para realizar (2005), Abolishing Poverty: a proposal for the eradication of poverty in Brazil (2005), A Refundação da Universidade (2005), O insensato (2007), The Gold Curtain: the shocks of the end twentieth century and a dream for the twenty-first (2007), Foto de uma conversa (2007), Da ética à ética (2007), O que é educacionismo (2008), A borboleta azul (2008), Da ética à ética -minhas dúvidas sobre a ciência econômica (2010), Desafios à humanidade- perguntas para a Rio + 20 (2012), As cores da economia (2013), e Uma nota só (2013).

 

Márcia Quarti/Maria Letícia Correia/Elizabeth Dezouzart



FONTES: CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (28/06/1996, 27/11/1996, 28/06/1997); Folha de S. Paulo (15/07/1998, 15/12/2003; 11/12/2004 e  23/09/2005); Globo (24/03/1995, 29/09/1996, 23/02/1997, 18/04/1997, 27/04/1998, 01/05/1998, 13/07/1998, 08/10/1998, 11/08/1998, 12/08/1998,14/08/1998 e 21/08/2006); Jornal do Brasil (17/11/1994, 17/09/1995, 26/08/1996, 22/05/1998 e 11/10/1998); Veja (22/05/1996, 30/10/1996, 08/10/1997, 15/07/1998, 21/10/1998 e  13/12/2007); Portal Globo.com. Disponível em: <http://www.globo.com>; Portal do MEC. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br>; Portal pessoal do senador Cristovam Buarque. Disponível em: <www.cristovam.org.br>. Acesso 17/07/2015. Portal Wikipedia. Disponível em: <https://wikipedia.org/wiki>. Acesso em 15/07/2015.

 

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