CUNHA, RAUL LEITAO DA

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Nome: CUNHA, Raul Leitão da
Nome Completo: CUNHA, RAUL LEITAO DA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CUNHA, RAUL LEITÃO DA

CUNHA, Raul Leitão da

*const. 1934; reitor UB 1937-1945; min. Educ. 1945-1946.

 

Raul Leitão da Cunha nasceu no Rio de Janeiro, então capital do Império, no dia 2 de janeiro de 1881, filho de José Maria Leitão da Cunha e de Maria Georgina Leitão da Cunha. Seu pai pertencia à família de Ambrósio Leitão da Cunha, barão de Mamoré.

Fez os primeiros estudos no Instituto H. Kopke, em Petrópolis (RJ), diplomando-se em 1897. Formou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1903, seguindo então para a Europa, onde se especializou em anatomia patológica.

De 1905 a 1907 foi diretor do Serviço Anatomopatológico do Hospital Nacional de Alienados, tornando-se neste último ano, por concurso, professor substituto da 2ª Seção da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Pouco depois substituiu o professor Chapot Prevost na cátedra de histologia dessa faculdade, assumindo em 1908 a cátedra de bacteriologia. Do ano seguinte até 1913 lecionou microbiologia e, em 1914, passou a lecionar anatomia patológica na mesma faculdade, onde permaneceria pelo resto da vida.

Em 1920 assumiu a direção dos Serviços Sanitários do Rio de Janeiro, assessorando nessa ocasião Carlos Chagas. Em 1924 ingressou no Conselho Penitenciário e, em 1926, representou o Brasil na I Conferência Pan-Americana dos Diretores de Saúde Pública, reunida em Washington, deixando em seguida os Serviços Sanitários do Distrito Federal. De 1926 a 1929 atuou como delegado-geral de exames do curso secundário, compondo também, a convite do governo, as mesas examinadoras de concursos para alienistas do Hospital Nacional de Alienados, para médicos legistas da polícia do Rio de Janeiro e para professor de anatomia e fisiologia artística da Escola Nacional de Belas-Artes, do Rio de Janeiro.

Em 1928 foi eleito vereador pelo Distrito Federal, exercendo o mandato até 1930. Nesse ano representou o Brasil como delegado à VI Conferência Sanitária Pan-Americana, realizada em Montevidéu, integrando em 1931 as comissões de sindicância para a Assistência Nacional de Psicopatas do Rio de Janeiro e para a secretaria do Conselho Municipal. Ainda em 1931 tornou-se diretor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, e desse ano até 1933, integrou o Conselho Consultivo do Rio de Janeiro — cuja presidência exerceu —, o Conselho Nacional de Educação, o Conselho Técnico-Administrativo da Faculdade Nacional de Medicina e a comissão mista de tabelamento de gêneros alimentícios. Nesse ínterim tornou-se membro, em 1932, da Comissão de Reabastecimento do Rio de Janeiro, integrando ainda o conselho administrativo do Fundo Escolar do Rio de Janeiro. Membro do conselho privado da Faculdade Nacional de Medicina, representou essa instituição no Conselho Superior de Ensino e no Conselho Universitário, deixando a direção da mesma em 1934. Foi ainda chefe de serviço dos hospitais de São Francisco de Assis e da Ordem do Carmo.

Em maio de 1933 elegeu-se deputado pelo Distrito Federal à Assembléia Nacional Constituinte na legenda do Partido Democrático. Empossado em novembro do mesmo ano, participou dos trabalhos constituintes, e, após a promulgação da nova Carta (16/7/1934), teve o mandato estendido até maio de 1935.

Durante o Estado Novo (1937-1945) foi reitor da Universidade do Brasil, então criada. Em 1940 tornou-se diretor da Faculdade Nacional de Filosofia dessa universidade, integrando o Conselho Nacional de Educação em 1940, 1943, 1945 e 1946. De 30 de outubro de 1945 a 31 de janeiro do ano seguinte, durante o governo de José Linhares, que se seguiu à deposição de Getúlio Vargas e à desintegração do Estado Novo, foi designado ministro da Educação e Saúde, substituindo Gustavo Capanema. Ainda em janeiro de 1946, com a posse de Eurico Dutra na presidência da República, deixou a pasta da Educação e Saúde, sendo substituído por Ernesto de Sousa Campos. Tornou-se posteriormente consultor técnico do Conselho Nacional de Estatística.

Membro titular da Academia Nacional de Medicina e membro honorário da Academia Paulista de Medicina, pertenceu também ao conselho consultivo da Liga Brasileira contra a Tuberculose.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 4 de março de 1947.

Foi casado com Zilda Vidal Leitão da Cunha, filha de Fernando Vidal Leite Ribeiro, barão de Santa Margarida, e neta de Joaquim Vidal Leite Ribeiro, barão de Itamarandiba, importantes cultivadores de café na província de Minas Gerais durante o Segundo Reinado. Teve duas filhas. Seu sobrinho, Vasco Tristão Leitão da Cunha, foi diplomata, ministro da Justiça de 1941 a 1942, embaixador do Brasil na URSS de 1962 a 1964, ministro das Relações Exteriores de 1964 a 1965 e embaixador nos EUA de 1966 a 1968.

Publicou, entre outras obras, Valor diagnóstico da função lombar (1903), Modernas doutrinas da imunidade (1908), Anatomia patológica da paralisia geral, Citologie du liquide cephalo-rachidien dans les affections nerveuses et mentales (em colaboração com Ulisses Viana, 1910), Lições de microbiologia geral (1911), Ultramicroscopia do sangue (1912), Técnica anátomo-patológica (1918), A sífilis, eleitora máxima (1920), Estudos sobre os blastomas (1921), A instrução no Brasil (1921), Estrutura e operabilidade dos blastomas (1926), Tratamento de anatomia patológica (1928) e A crise atual do ensino no Brasil.

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; CÂM. DEP. Deputados; Encic. Mirador; GODINHO, V. Constituintes; Grande encic. Delta; Jornal do Comércio, Rio (16/3 e 27/4/47); Rev. Bras. Estatística (1a3/47).

 

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