DANTON PINHEIRO JOBIM

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Nome: JOBIM, Danton
Nome Completo: DANTON PINHEIRO JOBIM

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
JOBIM, DANTON

JOBIM, Danton

*jornalista; sen. GB 1971-1975; sen. RJ 1975-1978.

 

Danton Pinheiro Jobim nasceu em Avaré (SP) no dia 8 de março de 1906, filho do juiz de direito Francisco Antenor Jobim e de Joaquina Pinheiro Jobim. Pelo lado materno, descendia de José Gomes Pinheiro Machado, senador pelo Rio Grande do Sul de 1891 a 1915 e figura exponencial da política brasileira nos primeiros anos do século. Seu irmão José Jobim, jornalista e diplomata, chefiou a embaixada do Brasil no Paraguai em 1958 e 1959.

Danton Jobim fez o curso primário no grupo escolar de Itápolis (SP) e o secundário no Instituto Lafayette, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Completou os estudos preparatórios no colégio de Juruena de Matos, onde foi aluno de Austregésilo de Ataíde, que viria a ser presidente da Academia Brasileira de Letras a partir de 1959. Cursou em seguida a Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro pela qual se diplomou.

Iniciou sua carreira jornalística no Rio em 1923, ingressando na redação de O Trabalho, jornal vinculado ao recém-fundado Partido Comunista Brasileiro — então Partido Comunista do Brasil (PCB) — em cujas fileiras foi, segundo Alceu Amoroso Lima, “um dos primeiros alistados”. Esse “jornal-cobaia”, como diria mais tarde o próprio Danton, existiu apenas durante alguns meses. Transferiu-se em seguida para A Noite, jornal fundado em 1911 por Irineu Marinho, onde realizou, segundo suas próprias palavras, um “aprendizado jornalístico, quer na redação, quer nas oficinas”. Nessa época, começou a escrever para outros jornais do Distrito Federal. Publicou um artigo sobre o pintor Cândido Portinari no Correio da Manhã e uma reportagem em O Globo com o título “O inimigo invisível das grandes cidades”, tratando de acidentes provocados pelos gases desprendidos pelos motores de automóveis.

Em A Noite, Danton era responsável pelo noticiário do Foro e por crônicas de livros, redigindo também, eventualmente, uma seção de notícias diversas chamada “Ecos”. Participou ainda do setor de planejamento gráfico, acumulando uma experiência muito importante para sua atividade posterior no matutino carioca A Manhã, fundado em fins de 1925 por Mário Rodrigues. Nesse jornal, Danton introduziu métodos novos de paginação, criando uma apresentação gráfica considerada avançada para os padrões da época.

Entrando para a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) em 1926, tornou-se rapidamente um dos seus conselheiros mais destacados. Sua atividade profissional continuava nessa época ligada à militância política e, segundo Leodegário de Azevedo Filho, Danton chegou a “representar a classe dos jornalistas no PCB”. Em dezembro de 1927 fez uma conferência — depois publicada em A Manhã — na sede da União dos Trabalhadores Gráficos do Rio de Janeiro, como parte de uma programação patrocinada pelo Bloco Operário, organização política vinculada ao PCB.

Em 1929, Mário Rodrigues deixou A Manhã e fundou a Crítica, trazendo consigo para esse novo órgão Danton Jobim. Em junho desse ano, Danton, Leôncio Basbaum e Mário Grazini representaram o PCB na I Conferência Latino-Americana dos Partidos Comunistas, realizada em Buenos Aires. De volta ao Brasil, Danton foi contratado por Francisco de Assis Chateaubriand para secretariar o Diário de São Paulo, matutino recém-criado na capital desse estado, vinculado à cadeia dos Diários Associados e, portanto, comprometido com as idéias da coligação oposicionista Aliança Liberal. Permaneceu nesse cargo durante um ano e, no início da década de 1930, trabalhou em diversos jornais cariocas, como A Batalha (dirigido por Júlio Barata), Diário de Notícias (dirigido por Orlando Dantas) e A Esquerda, simpático ao movimento tenentista e dirigido nessa época por Carlos Sussekind de Mendonça.

Em meados de 1931, Danton foi trabalhar na Agência Meridional de Notícias, vinculada aos Diários Associados. Transferiu-se no ano seguinte para o Diário Carioca, fundado em 1928 por José Eduardo de Macedo Soares e dirigido por Horácio de Carvalho Júnior, os quais exerceriam significativa influência sobre sua carreira. Passando rapidamente de redator político a secretário de redação desse jornal, onde trabalharia durante cerca de 33 anos, a partir de 1934, depois de romper com o PCB, Danton tornou-se responsável pelos editoriais políticos, resistindo, conforme afirmaria mais tarde, a todas as tentações de posicionar-se “à esquerda ou à direita”.

Danton Jobim apoiou a implantação do Estado Novo em novembro de 1937, sendo nomeado no ano seguinte diretor do Departamento de Propaganda e Turismo do estado do Rio de Janeiro, então governado pelo interventor federal Ernâni Amaral Peixoto. Mais tarde, contudo, passou a combater o regime de exceção, que aboliu a liberdade de imprensa e censurou, através do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), muitos editoriais de sua autoria. Engajou-se então na campanha pela redemocratização do país, atuando principalmente no Clube dos Diretores de Jornais, ao lado de José Eduardo de Macedo Soares, Elmano Cardim, Oséias Mota, Mário Magalhães, Georgino Avelino, João Mangabeira, Francisco de San Tiago Dantas e outros.

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial em 1939 Danton tornou-se comentarista do programa A marcha da guerra, transmitido em cadeia nacional de rádio sob o patrocínio do governo norte-americano. Nessa ocasião, trabalhou em conjunto com o tenente-coronel Humberto Castelo Branco, futuro presidente da República, encarregado das análises sobre a evolução da situação militar na Europa.

Com a reorganização partidária ocorrida em 1945, Danton se filiou ao Partido Republicano (PR), liderado pelo ex-presidente Artur Bernardes (1922-1926) e defensor da candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes à presidência da República. Prosseguiu suas atividades no jornalismo depois da redemocratização do país e, em meados de 1948, foi convidado por Macedo Soares para redigir eventualmente o tradicional artigo da primeira página do Diário Carioca, normalmente escrito pelo próprio fundador do jornal. Mais tarde, com o afastamento definitivo de Macedo Soares por motivo de doença, Danton assumiu a responsabilidade por essa importante coluna. Ainda em 1948, tornou-se um dos fundadores do curso de jornalismo da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, que daria origem mais tarde à Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da qual seria vice-diretor até 1970 e professor titular até março de 1976, ao deixar o magistério.

Em 1952, Danton recebeu o prêmio Maria Moors Cabot, conferido anualmente pela Universidade de Colúmbia, dos Estados Unidos, aos jornalistas latino-americanos que mais se destacassem na luta pela liberdade de imprensa. No ano seguinte, foi convidado pela Universidade do Texas para dirigir um seminário sobre jornalismo mundial comparado e, em 1957, realizou uma série de conferências na Sorbonne, no Instituto de Altos Estudos sobre a América Latina e no Instituto de Estudos Políticos, todos sediados em Paris, sobre o tema “Introdução ao jornalismo contemporâneo”. Foi conselheiro de imprensa da Presidência da República durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) e, entre 1958 e 1963, lecionou didática do jornalismo no Centro de Estudos Superiores de Jornalismo da América Latina (Ciespal), entidade sediada em Quito e vinculada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Presidiu em 1963 o Movimento Pró-Beatificação e Canonização do Padre José de Anchieta, tendo sido portador de uma carta sobre o assunto entregue em Roma ao papa Paulo VI e assinada por altas autoridades brasileiras. Ainda esse ano, tornou-se diretor-proprietário do Diário Carioca, mas transferiu suas ações para Horácio de Carvalho Júnior logo após o movimento político-militar que derrubou o governo de João Goulart em 31 de março de 1964. Em janeiro do ano seguinte assumiu o cargo de diretor-presidente da Última Hora, substituindo o fundador do jornal, Samuel Wainer, cujos direitos políticos haviam sido cassados pelo governo militar. Com a extinção dos partidos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior implantação do bipartidarismo, Danton filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de oposição, em cuja legenda concorreu ao Senado pelo estado da Guanabara em 1966, sendo derrotado por Mário Martins, seu companheiro de partido.

Ainda em 1966, foi eleito presidente da ABI, sucedendo a Herbert Moses, que exercera esse cargo entre 1931 e 1965. Reeleito duas vezes, cumpriu três biênios sucessivos à frente da entidade, tendo conseguido durante o governo do marechal Artur da Costa e Silva (1967-1969) a revogação de um ato de exceção que impedia os jornalistas Antônio Calado e Léo Guanabara de exercerem a profissão. Nesse período, representou a ABI no Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, em Brasília. Durante a solenidade que marcou o 60º aniversário da entidade, em abril de 1968, na presença do presidente Costa e Silva e de outras autoridades, pronunciou um veemente discurso intitulado “A missão da ABI” que obteve repercussão nacional. As relações entre a imprensa e o governo estavam tensas devido à repressão contra as manifestações estudantis nas principais capitais do país, e a tônica do pronunciamento do presidente da ABI foi a defesa das prerrogativas dos jornalistas na cobertura dos acontecimentos de interesse público e a necessidade de garantias para o exercício da liberdade de imprensa.

Em 1970, apoiado pelo governador da Guanabara, Antônio de Pádua Chagas Freitas, Danton Jobim foi eleito na legenda do MDB para completar o mandato do senador Mário Martins, cassado em 1968 depois da edição do Ato Institucional nº 5. No mesmo pleito foram eleitos para o Senado mais dois emedebistas da Guanabara, Nélson Carneiro e Benjamim Farah.

Ao ocupar sua cadeira no Senado, em fevereiro de 1971, Danton deixou a direção da Última Hora e a vice-diretoria da Escola de Comunicação da UFRJ, onde continuou a lecionar. Concluindo seu mandato na presidência da ABI no ano seguinte, foi substituído por Prudente de Morais Neto. Ocupou a vice-liderança do MDB no Senado na legislatura 1971-1975, participando nesse período das comissões de Redação (legislativa), Finanças, Relações Exteriores, Transportes, Comunicações e Obras Públicas.

Foi reeleito para o Senado em novembro de 1974 com um milhão e 250 mil votos, dessa vez para um mandato completo de oito anos. Com a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro em 1975, alinhou-se no interior do MDB com a corrente liderada por Chagas Freitas, que disputou, com êxito, a primazia dentro do partido com o grupo liderado pelo senador fluminense Ernâni Amaral Peixoto. Em 10 de janeiro de 1978 foi eleito mais uma vez para a presidência da ABI em substituição a Prudente de Morais Neto, falecido no mês anterior.

Danton Jobim faleceu no Rio de Janeiro em 26 de fevereiro de 1978, em pleno exercício do mandato parlamentar e da presidência da ABI. Foi substituído no Senado pelo suplente Hugo Ramos Filho e na ABI por Fernando Segismundo. Alceu Amoroso Lima caracterizou-o como alguém que, “sem ser temerário, foi sempre um vanguardeiro”.

Foi casado com Nadir Pena Magalhães Fausto, com que teve dois filhos.

Publicou vários livros sobre jornalismo e comunicação: Problemas do nosso tempo (1938); A experiência Roosevelt e a revolução brasileira (1941), publicado também em inglês com o título Two revolutions; Para onde vai a Inglaterra? (1942); O ciclo da doutrina Monroe (1956); Introdução ao jornalismo contemporâneo (1957), também publicado em francês; Espírito do jornalismo (1960); Pedagogia del periodismo (2v., 1961).

Sobre sua atuação, Leodegário Azevedo Filho publicou o opúsculo Danton Jobim, jornalista de democracia e senador de liberdade (1981).

Vera Calicchio

 

 

FONTES: AZEVEDO FILHO, L. Danton; Boletim da ABI (4/78); CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; Correio da Manhã (8/4/68); CORTÉS, C. Homens; CURRIC. BIOG.; Diário do Congresso Nacional; DULLES, J. Anarquistas; Encic. Mirador; Globo (14/9/77 e 27/2/78); Grande encic. Delta; JOBIM, D. Espírito; Jornal do Brasil (16/10/66 e 27/2/78); NÉRI, S. 16; Perfil (1972); Personalidades; SENADO. Anais; SENADO. Dados biográficos; SENADO. Endereços; SENADO. Relação; SENADO. Relação dos líderes; SODRÉ, N. História da Imprensa; Última Hora (27/2/78); Veja (8/3/78).

 

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