Demitrio Carta

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Nome: CARTA, Mino
Nome Completo: Demitrio Carta

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CARTA, Mino

*jornalista.

Demitrio Carta, conhecido como Mino Carta, nasceu em Gênova, na Itália, no dia 6 de setembro de 1933, filho de Giovanni Carta e de Clara Becherucci Carta. Chegou ao Brasil com 12 anos, em 1946, quando o pai, que era jornalista, aceitou o convite do empresário Francisco Matarazzo para dirigir a redação do jornal Folha de S. Paulo. Matarazzo acreditava ter o controle acionário do periódico, o que depois de dois meses verificou não ser verdade. O empresário indenizou Giovanni, que se recusou a voltar à Itália e foi por ele empregado na Editora Ipê, de sua propriedade. Dando continuidade à carreira de jornalista no Brasil, Giovanni foi por alguns anos secretário do jornal O Estado de S. Paulo.

Mino fez o ginásio e clássico no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Teve sua primeira experiência profissional no jornalismo em 1950, no Rio de Janeiro, como repórter esportivo, cobrindo a Copa do Mundo de Futebol para o jornal Il Messaggero, de Roma. Em 1951 entrou para a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, e tornou-se colaborador da revista Anhembi, fundada e dirigida por Paulo Duarte com o objetivo de difundir a cultura brasileira, publicando artigos nas áreas de literatura, antropologia, sociologia e história. Ao deixar a Anhembi, em 1954, tornou-se redator da agência Ansa, em São Paulo, por dois anos. Em 1956, apresentado por Sérgio Milliet, expôs suas pinturas em uma coletiva de paisagens brasileiras da qual participaram 20 artistas, entre eles Portinari, Pancetti, Tarsila do Amaral, Gomide, Rebolo e Di Cavalcanti. Ainda em 1956, após deixar o curso da Faculdade de Direito no quarto ano, foi para a Itália e trabalhou como redator nos jornais Gazzeta del Popolo, em Turim, e Il Messaggero. No período em que morou fora do Brasil, foi correspondente do jornal carioca Diário de Notícias e da revista Mundo Ilustrado. Em 1957 realizou em Milão sua primeira exposição individual.

Em 1959, foi procurado na Itália por Victor Civita, proprietário no Brasil da Editora Abril, e convidado a organizar uma revista sobre veículos e turismo. Sem saber dirigir carros, aos 26 anos, em 1960, retornou a São Paulo para fundar e dirigir, por quatro anos, a revista Quatro Rodas, surgida na esteira da implantação da indústria automobilística no país. O prestígio do periódico lhe rendeu alguns prêmios Esso de Jornalismo. Em seguida transferiu-se para o jornal O Estado de S. Paulo, onde fundou e dirigiu a edição de esportes em 1964 e 1965. Posteriormente foi convidado pela família Mesquita a criar o Jornal da Tarde, o que fez de 1966 a 1968. Em 1968, a convite de Victor Civita, retornou à Editora Abril com a tarefa de criar um semanário de informação inspirado nas revistas americanas Time e Newsweek, que de início se chamou Veja e Leia. O primeiro número circulou no dia 8 de setembro de 1968, e tinha na capa uma foice e um martelo e a seguinte manchete: “O grande duelo no mundo comunista.”

Em fevereiro de 1974, passou a integrar a diretoria da Editora Abril, além de continuar dirigindo a revista Veja, onde vivenciou diretamente o processo de intervenção da censura, que, paradoxalmente, tendeu a se acirrar a partir daquele ano, quando, sob o governo Ernesto Geisel (1974-1979), o país começava a viver um processo de abertura política. As pressões da censura o fizeram deixar a revista. Segundo o jornalista, a família Civita queria limitar sua autonomia, prevista em contrato, aproveitando-se das pressões do ministro da Justiça, Armando Falcão, sobre o periódico. Sua saída de Veja teria feito parte de uma negociação entre a direção da Editora Abril e os órgãos de censura, e marcado o fim da censura à revista.

Dando continuidade às suas atividades artísticas, em outubro de 1975 fez uma exposição de suas pinturas no Museu de Arte de São Paulo (MASP), e em junho de 1976 expôs 22 telas na Galeria Grafitti, do Rio de Janeiro.

Em 1976, fundou a revista IstoÉ, com Domingo Alzugaray, Tão Gomes Pinto, Fernando Sandoval e Armando V. Salem, buscando um modelo europeu para o novo periódico. A revista teve inicialmente periodicidade mensal, tornando-se semanal em março de 1977. Em agosto de 1979, com Domingo Alzugaray, seu sócio na Editora Encontro Editorial, criou o Jornal da República, que circulou pelo curto período de cinco meses. Segundo Carta, faltou a esse periódico respaldo financeiro e apoio publicitário. O acúmulo de dívidas os obrigou a vender, além do jornal, a IstoÉ, para Fernando Moreira Sales, filho do banqueiro Walter Moreira Sales. Dirigiu a IstoÉ por mais um ano, deixando a revista em 1981, segundo declarou, por suas relações estreitas com a esquerda e sua dificuldade de relacionamento com os novos donos e o pessoal da redação.

Em abril de 1982, convidado por Domingo Alzugaray, dono também da revista quinzenal Senhor, assumiu a direção de redação e transformou a publicação em semanal. Dando continuidade à carreira de pintor, em 1983 fez a segunda exposição de suas telas no MASP.

Em outubro de 1985, a seção Radar da revista Veja publicou uma nota do boletim interno do Centro de Informações do Exército (CIEx), que classificava cinco jornalistas como “inimigos das Forças Armadas”, por hostilizar sistematicamente os militares: Carlos Chagas, Sílvia Caetano e Evandro Paranaguá, do jornal O Estado de S. Paulo, Ricardo Noblat, do Jornal do Brasil, e Mino Carta, da revista Senhor. Em julho de 1988, Senhor foi fundida à IstoÉ por Domingo Alzugaray, e Carta tornou-se diretor de redação da nova IstoÉ/Senhor, que mais tarde passaria a ser apenas IstoÉ. Ocupou esse cargo por cinco anos. Em agosto de 1993, deixou a IstoÉ, por divergências com Alzugaray acerca da orientação política e conceitual da revista. Ao longo desse ano fez mais de 20 exposições individuais de suas pinturas, uma delas em Londres.

Fundou, em agosto de 1994, a revista Carta Capital, cujas temáticas se centraram nas áreas de negócios, economia, política e comportamento. Publicado pela Carta Editorial, de sua propriedade, o periódico, que começou mensal, pouco mais de um ano depois tornou-se quinzenal. Também em 1994, fez uma retrospectiva de seus 40 anos de pintura, expondo 90 obras no MASP com a curadoria de Jacob Klintowitz. No ano seguinte fez uma exposição em Antuérpia, na Bélgica.

Em 2002, como diretor de redação da Carta Capital, apoiou a quarta e vitoriosa candidatura de Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), à presidência da República, gesto que repetiria na reeleição de Lula em 2006. Defendeu a legitimidade do apoio explícito de Carta Capital à candidatura Lula reafirmando sua amizade pessoal com o líder petista, anterior à existência da revista, o que, inclusive, segundo ele, não o impediria de fazer críticas a seu governo. No início de 2009, o caso do ex-militante italiano Cesare Battisti, preso em janeiro daquele ano, expôs suas diferenças com o governo Lula. Battisti fugira da França para o Brasil para evitar sua extradição para a Itália, onde fora condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando militava no grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Argumentando ser Battisti um criminoso comum, Carta criticou a decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro, de conceder asilo político ao italiano. Segundo ele, a decisão afrontava a Itália, Estado democrático e amigo do Brasil.

Casou-se pela primeira vez com Dayse Catoeira Mesquita, com quem teve dois filhos, ambos jornalistas. Voltou a casar-se com Maria Angélica Pressoto.

Publicou Memórias da Mooca (com a bênção de San Gennaro) (1983), O restaurante Fasano e a cozinha de Luciano Boseggia (1996), O Castelo de âmbar (2000), romance autobiográfico no qual personagens e fatos reais da história recente do país ganharam nomes fictícios e que teve sequência com A sombra do silêncio (2003).

Entre os prêmios que recebeu destacam-se o de Personalidade da Comunicação da Mega Brasil (2003), o de Jornalista Brasileiro de Maior Destaque no Ano, da Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE), em novembro de 2006, e o de Melhor Executivo de Veículo de Comunicação, parte do Prêmio Comunique-se, de Jornalismo e Comunicação Empresarial, em outubro de 2009.

Beatriz Kushnir

 

 

FONTES: ABREU, A. Anjos; MARCONI, P. Censura; MELO, J. & SILVA, C. Perfis;

A imprensa sob os holofotes da imprensa. ABRACOM – Associação Brasileira das Agências de Comunicação,11/9/2003: http://www.abracom.org.br/descricao.asp?id=1146. Acessado em 17/11/2009; Prêmio Personalidade da Comunicação. Agência Mega Brasil: http://www.megabrasil.com/premiopersonalidade.asp. Acessado em 17/11/2009;

Tonetti, Márcio; Mino Carta: “Não tenho o rabo preso”. Observatório da Imprensa, 29/03/2005: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=322DAC002. Acessado em 17/11/2009; Dossier Dantas. Carta Capital, 31/07/2008: http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=1643. Acessado em 16/11/2009; Costa, Priscyla; Diogo Mainardi é condenado a indenizar Mino Carta, Consultor Jurídico (OAB-SP),14/11/2006: http://www.conjur.com.br/2006-nov 14/diogo_mainardi_condenado_indenizar_mino_carta. Acessado em 17/11/2009; CMI Brasil – Centro de Mídia Independente, Diogo Mainardi deve indenizar Mino Carta em R$35.000 por danos morais, 16/11/2006: http://www.midiaindependente.org/pt/red/2006/11/365783.shtml. Acessado em 17/11/2009.

Jornalista do Ano: Mino Carta recebe prêmio de Associação de Correspondentes Estrangeiros. Carta Capital, 04/12/2006: http://portalimprensa.com.br/portal/ultimas_noticias/2006/12/04/imprensa8658.shtml. Acessado em 17/11/2009.

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