DIAS, LEVI

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Nome: DIAS, Levi
Nome Completo: DIAS, LEVI

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
DIAS, Levi [PRONTO]

DIAS, Levi

* dep. fed. MS 1979-1980; dep. fed MS 1982-1987; const. 1987-1988; dep. fed. MS 1988-1991; sen. MS 1991- 1999.

 

                Levi Dias nasceu em Aquidauana (MS), então Mato Grosso, no dia 30 de maio de 1938, filho de Virgínio Dias e de Zilá Cândida Dias.

Construiu o ginásio de esportes da União Campograndense de Estudantes, da qual foi presidente de 1963 a 1966. Em 1964, era sargento da Força Aérea Brasileira (FAB).

Em 1966, filiou-se à legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. No ano seguinte, tornou-se assessor da Companhia de Desenvolvimento do Mato Grosso, em Cuiabá, onde permaneceu até 1970, mesmo ano em que bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Uberlândia (MG). Nas eleições de novembro daquele ano, foi eleito deputado estadual. Em novembro de 1972, tornou-se prefeito de Campo Grande (MT), atual capital do Mato Grosso do Sul. Deixou a prefeitura em dezembro de 1977. Dois meses antes fora sancionada lei que dividia em dois o estado do Mato Grosso, originando o estado de Mato Grosso do Sul, tendo Campo Grande como capital e um governador nomeado.

                Em novembro de 1978 Levi Dias foi eleito deputado federal pelo Mato Grosso do Sul, assumindo a cadeira na Câmara dos Deputados em março do ano seguinte e participando das comissões de Agricultura e Política Rural e de Relações Exteriores. Em junho rompeu com o senador arenista Pedro Pedrossian, a cujo grupo político era ligado. Logo em seguida, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), agremiação oposicionista.

                Durante a gestão de Harry Amorim Costa (1978-1979), nomeado primeiro governador do Mato Grosso do Sul, assumiu posição de destaque, tendo em mãos o controle político do Departamento de Estradas de Rodagem, de uma empresa de saneamento e da Companhia de Habitação do Mato Grosso do Sul. Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979, e a conseqüente reorganização partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

                Em novembro de 1980, reatou com o grupo político de Pedro Pedrossian, então governador do estado, ingressando na nova agremiação governista, o Partido Democrático Social (PDS). Nomeado prefeito de Campo Grande por Pedrossian, licenciou-se do mandato parlamentar. Sua vaga na Câmara foi ocupada pelo suplente João Câmara.

   Em abril de 1982 foi afastado por Pedrossian e substituído temporariamente pelo então presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Valdir Cardoso, medida que gerou protestos e agravou a crise já existente no PDS do estado. No mesmo mês, Levi Dias anunciou sua disposição de disputar a indicação para o governo de Mato Grosso do Sul na convenção do PDS, a ser realizada em junho. Foi, contudo, derrotado pelo ex-prefeito de Dourados José Elias Moreira, que era apoiado por Pedrossian.

                Em novembro de 1982, reelegeu-se deputado federal pelo Mato Grosso do Sul na legenda do PDS tendo sido o mais votado do estado, com 65 mil votos. Iniciando o segundo mandato na Câmara em fevereiro de 1983, integrou a Comissão de Agricultura e Política Rural e foi suplente da Comissão de Minas e Energia no biênio 1983-1984.

                Em 25 de abril de 1984, esteve ausente da votação da emenda Dante de Oliveira, apresentada na Câmara dos Deputados, que propunha o restabelecimento de eleições diretas para a escolha do presidente da República em novembro daquele ano – a emenda não obteve a votação necessária para ser aprovada pelo plenário da Câmara, faltaram 22 votos para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado Federal.

                No Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985 para escolher o sucessor do presidente da República João Batista Figueiredo, Levi Dias votou em Tancredo Neves, eleito presidente da República pela Aliança Democrática, uma união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal. Contudo, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo, desde 15 de março deste ano.

Ainda em 1985, Levi Dias foi membro da Comissão do Índio na Câmara dos Deputados. No mesmo ano saiu do PDS e ingressou no Partido da Frente Liberal (PFL). Candidatou-se à prefeitura de Campo Grande em novembro, mas foi derrotado por Juvêncio Fonseca, do PMDB.

                No pleito de novembro de 1986, foi eleito deputado federal constituinte pelo Mato Grosso do Sul na legenda do PFL, tendo sido o segundo mais votado. Recebeu 49 mil votos, depois de ter feito uma campanha financiada por empresários e comerciantes de Campo Grande. Iniciou o terceiro mandato na Câmara dos Deputados em 1º de fevereiro de 1987, quando tiveram início os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte.

                Nas principais votações da Constituinte, pronunciou-se contra  o rompimento de relações diplomáticas com países com política de discriminação racial e também foi contra a pena de morte, o mandado de segurança coletivo, a jornada de 40 horas semanais, o turno ininterrupto de seis horas, o aborto, a estatização do sistema financeiro, a limitação do dívida externa, a criação de um fundo de apoio à reforma agrária, a anistia aos micro e pequenos empresários, a legalização do jogo do bicho e a desapropriação da propriedade produtiva.

Votou a favor da proteção ao emprego contra demissão sem justa causa, do voto aos 16 anos, do presidencialismo, da nacionalização do subsolo, da proibição do comércio de sangue e do mandato de cinco anos para o presidente José Sarney. Ausentou-se nas seguintes votações: limitação do direito de propriedade privada, aviso prévio proporcional, pluralidade sindical, unicidade sindical, soberania popular e limite de 12% ao ano para os juros reais.

                Com a promulgação da Constituinte em 5 de outubro de 1988, Levi Dias passou a exercer o mandato ordinário e, entre os anos de 1989 e 1990, foi membro das comissões de Finanças, de Economia e Mista de Orçamento.

                Ainda em 1990 saiu do PFL e ingressou no Partido Progressista Reformador (PPR), sendo eleito senador pelo Mato Grosso do Sul em outubro, tendo Campo Grande como base eleitoral. Empossado em fevereiro de 1991, participou nesse mesmo ano das comissões de Assuntos Econômicos e de Educação. Entre 1991 e 1992 foi membro da Comissão Mista de Orçamento. Nomeado segundo-vice-presidente do Senado Federal em 1993, exerceu o cargo até 1994. No ano seguinte, tornou-se terceiro-secretário do Senado. Em agosto de 1995, com a fusão do PPR com o Partido Progressista (PP), dando origem ao Partido Progressista Brasileiro (PPB), ingressou na nova agremiação.

Durante a votação das emendas constitucionais enviadas ao Congresso Nacional pelo Executivo federal e aprovadas, acompanhou a orientação da base parlamentar governista, votando a favor da abolição do monopólio estatal nas telecomunicações e na exploração do petróleo e do fim do monopólio dos governos estaduais na distribuição do gás canalizado. Também foi favorável ao fim de todas as diferenças jurídicas entre as empresas de capital nacional e aquelas de outros países. Ausentou-se da votação da abertura da navegação de cabotagem às embarcações estrangeiras e da votação de criação do Fundo Social de Emergência (FSE).

No pleito de outubro de 1996, voltou a candidatar-se à prefeitura de Campo Grande pelo PPB e não se elegeu.

Em maio de 1997 votou a favor da emenda que permitiu aos ocupantes de cargos executivos disputarem a reeleição. No ano seguinte pronunciou-se a favor da quebra da estabilidade do servidor público, item da reforma administrativa que permitia a demissão de servidores públicos por mau desempenho e/ou excesso de gastos com a folha de pagamento.

No pleito de outubro de 1998, disputou novamente uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PPB, não conseguindo se reeleger. Deixou o Senado em janeiro de 1999, ao final da legislatura.

Ainda nesta legislatura, integrou as comissões de Assuntos Econômicos, Infra-Estrutura e sobre o Mercado Comum do Sul (Mercosul), mercado de livre circulação de mercadoria, serviços, capital e mão-de-obra entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Ao longo de sua vida profissional, foi chefe do escritório regional de Campo Grande da Companhia de Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso, quando construiu o estádio universitário do município; presidente da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, setor Campo Grande; sócio-fundador do Lions Clube de Campo Grande e membro da Grande Loja Maçônica de Mato Grosso do Sul.

                Casou-se com Neide Espíndola Dias, com quem teve quatro filhos.

               

Márcia Quarti/ Christiane Jalles

 

FONTES: Estado de São Paulo (8 e 15/4/82, 8/5/82, 8 e 9/6/82); Folha de São Paulo (7/4/82, 29/9/98); Globo (14/4/82, 13 e 14/6/82, 25/9/96); INF. BIOG; Jornal do Brasil (4 e 20/11/80, 13/4/82, 13/5/82, 13/6/82, 14/6/82. 6/4/86); Perfil Parlamentar/Isto é; SENADO. Dados Biográficos  (1995); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1998); Veja (23/6/82).

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