DIRCE MARIA DO VALE QUADROS

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Nome: QUADROS, Dirce Tutu
Nome Completo: DIRCE MARIA DO VALE QUADROS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
QUADROS, DIRCE TUTU

QUADROS, Dirce Tutu

*const. 1987-1988; dep. fed. SP 1987-1991.

Dirce Maria do Vale Quadros nasceu na cidade de São Paulo no dia 28 de dezembro de 1943, filha de Jânio da Silva Quadros e de Eloá do Vale Quadros. Seu pai foi prefeito de São Paulo (1953-1954), governador do estado de São Paulo (1955-1959), presidente da República (1961) e novamente prefeito de São Paulo (1986-1989).

Após ter concluído os estudos regulares, entre 1968 e 1972, Tutu formou-se em biologia e doutorou-se em citologia na Universidade do Texas. De 1970 a 1974 trabalhou como pesquisadora da National Aeronautics and Space Administration (NASA), fixando residência nos Estados Unidos por cerca de 14 anos.

De volta ao Brasil, em 1985 tornou-se assessora do Partido Democrático Social (PDS), em Brasília, e no segundo semestre de 1986, contra a vontade do pai, lançou-se candidata a deputada federal constituinte na legenda do Partido da Frente Liberal (PFL). Desde o início da campanha, enfrentou dificuldades. A primeira delas foi o roubo e a destruição de suas fichas de filiação, o que a levou a se filiar ao Partido Social Cristão (PSC) a fim de garantir uma legenda. Além disso, teve impugnada a sua postulação, sob a alegação de que ela não completara um ano de domicílio eleitoral em São Paulo. O Tribunal Regional Eleitoral entretanto lhe deu ganho de causa.

Defendendo amplo programa de privatizações que incluía a Empresa de Correios e Telégrafos e o sistema penitenciário, Tutu conseguiu eleger-se em novembro de 1986. Única candidata vitoriosa do PSC, desligou-se do partido dias antes da posse, filiando-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Nos primeiros meses de 1987, Tutu casou-se com Mário Antônio Mastrobuono, secretário de Planejamento do prefeito Jânio Quadros. Opondo-se ao casamento da filha, Jânio demitiu o genro. Os desentendimentos entre os dois agravaram-se em função das declarações de Tutu divulgadas pela imprensa em maio de 1987, acusando o pai de acobertar irregularidades. Dois dias após a entrevista, foi internada à força numa clínica de repouso — assinaram a autorização os pais e as três filhas do primeiro casamento — e ao obter alta, cinco dias depois, encaminhou pedido de licença de 30 dias ao presidente da Constituinte, Ulisses Guimarães, para submeter-se a tratamento médico no exterior.

Quando reassumiu sua cadeira em 7 de agosto de 1987, Tutu denunciou que estava sofrendo pressões de familiares e do diretor da clínica de repouso onde estivera internada, impetrando por isso um habeas-corpus preventivo.

Em junho de 1988 desligou-se do PTB e ingressou no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Em agosto foi surpreendida com o pedido de cassação do seu mandato, impetrado pelo suplente, Leonel Júlio, em virtude de ela ser americana naturalizada, o que a impedia de atuar no parlamento brasileiro. Leonel Júlio pretendia ser convocado para concluir o restante do mandato. O processo acabou sendo arquivado pelo ministro interino da Justiça, José Fernando Eichenberg, que reconheceu no testemunho expresso do seu trabalho como deputada federal constituinte a clara intenção de manter a cidadania brasileira.

Titular da subcomissão dos Direitos e Garantias Individuais, da Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher, Tutu votou a favor do rompimento de relações diplomáticas com países que praticassem políticas de discriminação racial, do limite dos encargos da dívida externa, do voto facultativo aos 16 anos, do mandado de segurança coletivo, da descriminalização do aborto, da proibição do comércio de sangue, da estatização do sistema financeiro, do limite de 12% ao ano para os juros reais, da estabilidade no emprego, do turno ininterrupto de seis horas, da jornada semanal de 40 horas, da remuneração 50% superior para o trabalho extra, do aviso prévio proporcional, da pluralidade sindical, da criação de um fundo de apoio à reforma agrária, da desapropriação da propriedade produtiva e da legalização do jogo do bicho. E contra a pena de morte, o presidencialismo e o mandato de cinco anos para o então presidente José Sarney.

Após a promulgação da nova Carta Constitucional em 5 de outubro de 1988, como titular da Comissão de Fiscalização e Controle acompanhou o caso dos cinco milhões de “crianças fantasmas” da merenda escolar que, segundo Tutu, fizeram a fortuna do diretor de alimentação da Fundação de Assistência ao Estudante, Paulo Miranda; a falsificação de cupons para a compra de leite destinados à população de baixa renda através do projeto Tudo pelo Social, implementado pelo governo federal; e o escândalo da Bolsa de Valores de São Paulo, causador de grande prejuízo aos cofres públicos.

Tentando a reeleição na legenda do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) em outubro de 1990, não obteve sucesso. Deixou a Câmara ao término da legislatura, em janeiro do ano seguinte, e viajou para os Estados Unidos, de onde retornou esporadicamente, ao longo de 1991, devido ao estado de saúde de seu pai, vítima de um derrame cerebral. Em julho deste ano foi impedida de embarcar num avião com destino a Londres, em companhia de Jânio, por uma interpelação judicial requerida pelas filhas, desconfiadas de que a mãe tencionava se apoderar do dinheiro de uma das contas que o avô possuía no exterior.

Depois da morte de Jânio, ocorrida em 16 de fevereiro de 1992, Tutu transferiu-se definitivamente para os Estados Unidos, fixando residência no estado da Califórnia e tornando-se voluntária da Anistia Internacional.

Casada com o jornalista Alaor José Gomes, teve três filhas. Divorciada, casou-se com o norte-americano Michael Stong Mulcahy, com quem teve mais três filhos. Em 1987, casou-se com Mário Antônio Mastrobuono e, posteriormente, com o psiquiatra Frank Drucker.

Libânia Xavier

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1991-1995); COELHO, J. & OLIVEIRA, A. C. Nova; Época (30/8/99); Estado de S. Paulo (21/8/87, 7/6/88, 29/4 e 20/7/89); Folha de S. Paulo (19/1, 10 e 26/5, 11 e 12/7/87, 23/4/88); Globo (8, 9, 11 e 12/5/87, 7/5/89); INF. Gastone Righi; Jornal do Brasil (13/5/87, 22/4 e 1/7/88).

 

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