Divaldo Suruagy

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Nome: SURUAGY, Divaldo
Nome Completo: Divaldo Suruagy

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

SURUAGY, Divaldo

*gov. AL 1975-1978; dep. fed. AL 1979-1983; gov. AL 1983-1986; const. 1987-1988; sen. AL 1987-1994; gov. AL 1995-1997; dep. fed AL 2001-2003.

 

Divaldo Suruagy nasceu em São Luís do Quitunde (AL) no dia 5 de março de 1937, filho de Pedro Marinho Suruagy, oficial da polícia militar alagoana, e Luísa de Oliveira Suruagy.

Em 1953 trabalhava como servente da prefeitura de Maceió e estudava à noite. Dois anos depois tornou-se auxiliar de escritório na prefeitura e em 1956 ingressou no curso de ciências econômicas da Faculdade de Economia e Administração da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Formou-se em 1959 e foi promovido a escriturário na prefeitura de Maceió. No ano seguinte tornou-se chefe de divisão dos impostos predial e territorial e em 1962 passou a ocupar a diretoria e a secretaria geral de Administração da prefeitura. Foi então nomeado secretário estadual da Fazenda e da Produção do governador Luís Cavalcanti (1961-1966).

Em 1963 representou Maceió no Conselho Regional de Trânsito. Ainda nesse ano, foi nomeado para integrar o conselho deliberativo da Comissão de Desenvolvimento Econômico de Alagoas (Codeal), na qual permaneceria até 1966. Em 1964 presidiu a Companhia de Armazéns e Silos de Alagoas (Caseal) e da Central de Abastecimento Sociedade Anônima (CASA). Permaneceu nesses cargos até 1965.

Filiado ao Partido Social Democrático (PSD) foi eleito prefeito da capital alagoana com o apoio do senador Rui Palmeira. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar instalado no país em abril de 1964, tornando-se membro dos diretórios municipal e regional. Fundou o Conselho de Desenvolvimento de Maceió (Codema) em 1967 e o presidiu até 1969. De 1967 a 1972 presidiu a Associação Alagoana de Municípios.

Fez o curso de especialização em administração municipal patrocinado pela United States Agency for International Development (USAID) e em 1968 especializou-se em administração urbana na Alemanha Ocidental, patrocinado pela Fundação Alemã para Países em Vias de Desenvolvimento. Em 1969 concluiu a licenciatura em história da Ufal.

Entre os anos de 1967 e 1970, colaborou como articulista do jornal Gazeta de Alagoas. Foi ainda conselheiro da Associação Brasileira dos Municípios (ABM), função que ocupou até 1970, quando foi escolhido vice-presidente da associação. Ainda em 1970 tornou-se diretor do jornal e também correspondente em Alagoas das revistas Manchete e Fatos e Fotos. Foi nomeado superintendente da Fundação Educacional de Maceió (Femac), tornou-se membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e elegeu-se deputado estadual em novembro.

Em 1971 começou a lecionar estudos de problemas brasileiros na Ufal. Líder da Arena de 1971 a 1973, foi eleito nesse último ano presidente da Assembléia Legislativa de Alagoas. Em 1972 presidiu a delegação de prefeitos e técnicos brasileiros que participaram do Seminário sobre Tarefas de Desenvolvimento da Administração Municipal, realizado na Alemanha Ocidental, sob o patrocínio do governo de Berlim e da Fundação Alemã para Países em Vias de Desenvolvimento. Ainda nesse ano, tornou-se assessor cultural da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG). Também em 1972, assumiu a vice-presidência da Comissão Executiva do Diretório Regional da Arena e a presidência da ABM. Durante essa legislatura, presidiu ainda a Comissão de Finanças, Orçamento e Tomada de Contas.

Articulista do Jornal de Hoje, em 1974, por indicação do presidente Ernesto Geisel (1974-1979), foi eleito por via indireta para o governo de Alagoas, em substituição a Afrânio Lajes (1971-1975). Em 1977 trabalhou como articulista para o Jornal de Alagoas, o Diário de Pernambuco e a Tribuna de Aracaju. Governou Alagoas até agosto de 1978, quando se desincompatibilizou do cargo para concorrer à Câmara Federal. Como o vice-governador Antônio Gomes de Barros havia falecido em 1975, Suruagy foi substituído num primeiro momento por Ernande Lopes, presidente do Tribunal de Justiça, que assumiu o cargo em 14 de agosto de 1978. Um mês depois, o governo alagoano foi passado para o deputado estadual Geraldo Medeiros de Melo, que permaneceria no cargo até 15 de março de 1979.

Em novembro de 1978, Suruagy foi o deputado federal mais votado do estado, tendo obtido mais de 102 mil. No mesmo ano passou a integrar o Conselho Federal de Economia e o Conselho Consultivo da Academia Brasileira de História, em São Paulo, tornando-se também presidente deste último e vice-presidente da Associação dos Economistas de Alagoas.

Assumiu seu mandato na Câmara dos Deputados em fevereiro de 1979. Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se à nova agremiação governista, o Partido Democrático Social (PDS). Na Câmara, foi vice-presidente da Comissão de Economia, Indústria e Comércio e vice-líder do PDS no ano de 1980, tendo integrado ainda nesse ano a Comissão de Minas e Energia e, no ano seguinte, a Comissão de Ciências e Tecnologia. Durante a discussão do projeto de anistia apresentado pelo presidente João Figueiredo, foi favorável a um benefício parcial, por entender que tanto os acusados de terrorismo quanto os torturadores deveriam responder criminalmente por seus atos.

Em 1981 diplomou-se pela Escola Superior de Guerra (ESG) no Rio de Janeiro. Candidato ao governo de Alagoas pelo PDS em novembro de 1982, saiu-se vencedor no pleito. Concluiu seu mandato na Câmara em janeiro de 1983 e em março assumiu pela segunda vez o governo estadual.

Projetou-se nacionalmente em 1984, quando foi indicado pelos governadores nordestinos para compor, como vice, a chapa do candidato a presidente, o ministro do Interior Mário Andreazza. Inviabilizada a candidatura na convenção nacional, que preferiu Paulo Maluf para candidato do partido governista, Suruagy sentiu-se liberado para trocar o PDS pela Frente Liberal, dissidência pedessista que integrou, com o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), a frente oposicionista Aliança Democrática. A chapa oposicionista, composta por Tancredo Neves e José Sarney, sagrou-se vencedora no Colégio Eleitoral reunido em 15 de janeiro de 1985. Contudo, Tancredo, por motivo de doença, não tomou posse no dia 15 de março, vindo a falecer em 21 de abril. Sarney foi então confirmado na presidência da República.

Em março de 1985, Suruagy viajou para Londres a fim de fechar negócio com importadores ingleses de açúcar, numa operação de compra antecipada no valor de 80 milhões de dólares, que afrouxaria um pouco os problemas financeiros do governo alagoano, dependente economicamente da cana-de-açúcar. Em agosto de 1985, declarou-se contrário à extinção do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), afirmando que o órgão funcionava como um regulador do mercado. Segundo Suruagy, se o IAA fosse extinto, São Paulo seria o único produtor de álcool e açúcar do país.

Em janeiro de 1986, por ocasião da reforma ministerial do presidente Sarney, foi contrário à ocupação de todos os cargos disponíveis num determinado ministério pelo partido que indicasse o ministro, preferindo reivindicar um número maior de pastas, ampliando, assim, o peso do PFL no governo. Além disso, indicou o senador Guilherme Palmeira para ocupar uma dessas pastas.

Ainda em 1986, deixou o governo de Alagoas para concorrer a uma vaga de senador constituinte nas eleições de novembro. Em seu lugar assumiu o vice-governador José Tavares. Eleito com o apoio da maior parte dos industriais de açúcar e plantadores de cana do estado, no mês seguinte lançou as candidaturas do ministro das Minas e Energia, Aureliano Chaves, à sucessão do presidente José Sarney e do senador Afonso Arinos à presidência da Assembléia Nacional Constituinte. Argumentou que o PFL tinha que ter um candidato próprio à sucessão presidencial, a fim de não ficar a reboque do PMDB e também manter uma posição de independência frente ao governo Sarney. Quanto a Afonso Arinos, disse que era, a seu ver, “a maior autoridade em direito constitucional do país”.

Durante os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte, inaugurados em 1º de fevereiro de 1987, foi vice-presidente da Subcomissão do Sistema Financeiro, da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças e suplente da Subcomissão dos Estados, da Comissão da Organização do Estado. Votou contra a estabilidade no emprego, a jornada semanal de 40 horas, a pena de morte, a limitação do direito de propriedade privada, a criminalização do aborto, a remuneração 50% superior para o trabalho extra, a nacionalização do subsolo, a estatização do sistema financeiro, a limitação dos juros reais a 12% ao ano, a limitação dos encargos da dívida externa e a desapropriação da propriedade produtiva. Foi a favor do mandado de segurança coletivo, do aviso prévio proporcional, da unicidade sindical, do presidencialismo, do mandato de cinco anos para José Sarney, da anistia aos micro e pequenos empresários e da legalização do jogo do bicho.

Na elaboração da legislação complementar tentou assegurar benefícios orçamentários para o Nordeste, defendeu uma menor presença do Estado na economia e criou obstáculos à regulamentação do direito de greve e à participação popular no processo legislativo. Ainda na Constituinte, defendeu as principais teses de seu partido: o fortalecimento da economia de livre mercado, a desestatização e a consolidação das instituições democráticas.

Em março de 1987, declarou que renunciaria caso ficassem provadas as acusações feitas por seu sucessor no governo alagoano, Fernando Collor de Melo, de que seria um dos beneficiados com polpudos salários pelo Tesouro estadual, os chamados “marajás” de Alagoas. Três meses depois, foi responsabilizado judicialmente, juntamente com José Tavares e dois ex-secretários de Segurança, pela distribuição de 69 carros roubados a policiais civis e cabos eleitorais de políticos alagoanos. Em outubro, foi cogitado para o Ministério da Educação em substituição a Jorge Bornhausen, mas o indicado acabou sendo o piauiense Hugo Napoleão.

Em dezembro de 1988, Suruagy processou Fernando Collor, que o acusara e ao senador Guilherme Palmeira de fazer um “pacto mafioso” com os usineiros de Alagoas, responsáveis pelo débito de 97 bilhões de cruzados com o Banco do Estado de Alagoas (Produban), em virtude do qual a instituição foi liquidada extrajudicialmente.

Em julho de 1991, Suruagy enviou o que chamou de “cartas abertas” a Collor, empossado na presidência em março de 1990, denunciando o enriquecimento ilícito de integrantes de seu governo. Na correspondência, pedia ao presidente que investigasse o patrimônio de seus assessores a fim de apurar as acusações. A essa altura, já circulavam na imprensa denúncias de irregularidades no governo, que atingiram o auge em maio de 1992, quando a revista Veja publicou uma entrevista de Pedro Collor, irmão do presidente da República, denunciando a existência de um esquema de corrupção no governo sob o comando de Paulo César Farias, o PC, ex-tesoureiro de campanha do presidente. No mês seguinte o Congresso criou uma CPI para apurar essa denúncia. As conclusões da comissão levaram ao envolvimento do presidente e foi pedido o seu impeachment. Na votação de 29 de setembro desse ano, a Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade do afastamento do presidente. No dia 2 de outubro, o vice Itamar Franco assumiu a presidência interinamente até o julgamento do processo encaminhado ao Senado. No dia 29 de dezembro, mesmo após tentativa de renúncia apresentada pelo réu e recusada pela mesa, o plenário do Senado, com voto favorável do senador Divaldo Suruagy, aprovou o afastamento definitivo do presidente Fernando Collor, que ainda teve os seus direitos políticos cassados por oito anos. Com esse resultado, Itamar foi efetivado na chefia do Executivo brasileiro.

Em outubro de 1994 Suruagy elegeu-se mais uma vez governador de Alagoas, dessa vez pelo PMDB. Logo no início de seu governo firmou um acordo com os usineiros, no qual ficou acertado que eles pagariam 30% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que não recolhiam há oito anos, devido a dois acordos feitos com Fernando Collor de Melo. A decisão não invalidava os acordos firmados por Collor, mas representava um aumento de 1,5 milhão de reais por mês na receita do estado, que era de 18 milhões de reais. Na verdade, Suruagy somente aceitara ser candidato devido ao apoio prometido — e recebido — de usineiros, entre os quais João Lira, sogro de Pedro Collor de Melo. Empossado, incluiu em seu secretariado duas pessoas ligadas aos usineiros: Jorge Toledo, presidente do Sindicato dos Usineiros, a quem confiou a pasta do Planejamento, e José Pereira, tesoureiro da Cooperativa dos Usineiros, designado para a Secretaria de Fazenda.

Em setembro de 1995, ameaçou orientar os deputados que seguiam sua liderança na Câmara dos Deputados a votar contra o Fundo Social de Emergência (FSE), se o governo federal não fosse mais sensível aos problemas financeiros do estado. Na ocasião, reivindicou que, com a aprovação do FSE, o governo federal ficasse com 20 bilhões de reais e transferisse 1,5 bilhão de reais para os estados.

Ainda nesse mês conseguiu, através de mandado de segurança, suspender temporariamente a sentença da Justiça de Alagoas que bloqueara as contas do governo em julho como forma de pressão pelo pagamento dos salários atrasados dos desembargadores. Para obter a suspensão, o governador argumentou que a medida representaria a possibilidade de “instauração do caos administrativo”, já que o atraso no pagamento fora provocado pela herança de Bulhões.

Em novembro de 1995 declarou que renunciaria caso o governo federal não destinasse 150 milhões de reais para pagar os salários do funcionalismo, atrasados há três meses. Em março de 1996, desembargadores de Alagoas reforçaram no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de intervenção federal, protocolado no fim do ano anterior, como forma de pressionar Suruagy a regularizar o repasse de recursos ao Judiciário, que suspendera suas atividades por falta de dinheiro. Em junho, o Banco Central autorizou Alagoas a contrair um empréstimo externo, no valor de 160 milhões de reais. No entanto, a forma de emprego do dinheiro não agradou o governador, que esperava utilizá-lo para saldar três meses de atraso no funcionalismo.

No final de julho Suruagy foi acusado, juntamente com seu secretário de Fazenda, de desviar trezentos milhões de reais em letras financeiras do Tesouro, que teriam sido destinados a quitar precatórios judiciais (dívidas que a Justiça mandou executar), mas que o governo de Alagoas utilizara para pagar bancos, empreiteiras e prestadores de serviços. Convocados a prestar explicações ao Tribunal de Justiça de Alagoas, o secretário de Fazenda confirmou que o dinheiro não fora utilizado para pagar os precatórios mas prestadores de serviço, em sua maioria empreiteiras que faziam obras para o estado, como a construção e recuperação de estradas e adutoras no sertão alagoano. Com prazo de um mês para regularizar o repasse de verbas ao Poder Judiciário, Suruagy e parlamentares da bancada alagoana na Câmara e no Senado asseguraram que só haveria repasse de recursos para o Judiciário de Alagoas quando o governo federal desse uma solução para as dívidas do estado.

A solução encontrada para evitar a intervenção federal em Alagoas ocorreu no dia 19 de agosto quando o governo alagoano conseguiu um acordo com o governo federal, no qual ficou acertado que o Ministério da Fazenda autorizaria a concessão de empréstimo para que fosse quitada parte dos débitos com o pagamento do funcionalismo. Em troca, a Companhia de Energia de Alagoas (Ceal) seria privatizada passando antes para o controle da União, haveria demissão de servidores públicos e a extinção de fundações e empresas estatais.

O Tribunal de Justiça de Alagoas ameaçou impedir o acordo porque não concordava com a redução dos repasses financeiros ao Judiciário. Depois de demoradas negociações e de novas ameaças de renúncia do governador, o presidente do Tribunal de Justiça alagoano aceitou assinar o acordo, que previa o pagamento dos atrasados no valor de 19 milhões de reais e duodécimos no valor de 4,25 milhões de reais.

Em novembro de 1996, diante da gravidade das acusações sobre as irregularidades na emissão de Letras Financeiras do Tesouro do Estado, a Assembléia Legislativa de Alagoas aprovou a instauração de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar o assunto. Dois meses depois, foi instalada pelo Senado outra CPI, a dos Títulos Públicos (ou dos Precatórios, como veio a ser denominada) destinada a apurar irregularidades relacionadas à autorização, emissão e negociação de títulos públicos, estaduais e municipais para pagamentos de dívidas judiciais (os chamados precatórios). O relatório final dos trabalhos desta CPI, redigido pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), responsabilizou e identificou os governadores, prefeitos e secretários de Fazenda dos estados e municípios investigados, entre os quais, além de Suruagy, os governadores de Santa Catarina Paulo Afonso Vieira (PMDB), de Pernambuco, Miguel Arrais (PSB), e os prefeitos de São Paulo, Paulo Maluf (PPB) e Celso Pitta (PPB). Aprovado por unanimidade em 22 de julho de 1997, o relatório de Requião foi posteriormente homologado sem modificações pela CPI e enviado para o Ministério Público para a abertura de processos judiciais.

Em seu depoimento à CPI da Assembléia Legislativa, em 30 de janeiro de 1997, Suruagy alegou que não conhecia todos os detalhes que envolviam as negociações das letras, mas admitiu que as operações com os títulos não foram usadas para pagar precatórios, como determina a Constituição Federal, e sim para quitação de dívidas com empreiteiras. O relator da CPI, o deputado Cícero Ferro (PSD), adiantou que iria recomendar o afastamento de Suruagy do governo, a fim de que as investigações fossem aprofundadas. No entanto, no dia 21 de março, a Assembléia Legislativa alagoana rejeitou, por 18 votos a sete, o relatório da CPI que recomendava o impeachment de Suruagy e de seu vice-governador, Manuel Gomes de Barros, acusados de crime de responsabilidade. Um dia antes da votação na Assembléia, Suruagy liberou uma verba de 80 mil reais para cada deputado a título de salários atrasados. Apesar do processo na Assembléia ter sido arquivado, Suruagy ainda poderia responder a processos no Ministério Público. Líderes dos partidos enviaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) cópias dos documentos com o resultado das investigações da comissão para análise.

Além da CPI, Suruagy enfrentou a pressão dos servidores estaduais e de líderes sindicais que protestavam, ao longo do mês de maio, contra o atraso, para algumas categorias, de até dez meses no pagamento de seus salários. O movimento exigia a renúncia de Suruagy. No final de maio, em reunião no palácio do Planalto, o presidente Fernando Henrique Cardoso negou-lhe a ajuda federal para resgatar mais de cem milhões de reais de títulos da dívida pública, com vencimento previsto para 1º de junho seguinte. Os títulos a serem vencidos faziam parte da primeira das quatro séries emitidas irregularmente para pagamento de dívidas judiciais (precatórios), sob investigação da CPI do Senado. Uma resolução do Senado proibia o refinanciamento (rolagem) dos títulos emitidos pelos estados para o pagamento de precatórios depois de 1995.

O relator Roberto Requião afirmou que o Senado não admitiria a rolagem da dívida dos estados que cometeram irregularidades com títulos públicos. Na mesma ocasião, Fernando Henrique cobrou de Suruagy o cumprimento do protocolo assinado em agosto do ano anterior para o saneamento financeiro do estado e anunciou a determinação do governo federal de contestar judicialmente os acordos dos usineiros, firmados em 1988 com Fernando Collor de Melo, que estabeleceram tratamento altamente privilegiado no que se refere à tributação de ICMS do setor.

O impasse na relação entre a União e o governo de Alagoas prejudicaria cerca de 20 instituições financeiras que adquiriram ou custodiaram títulos emitidos fraudulentamente pelo estado. O não pagamento poderia também determinar o bloqueio do repasse do Fundo de Participação dos Estados, parcela dos impostos federais transferidas aos estados no dia 20 de cada mês. Atolado em dívidas e sem dinheiro em caixa para honrar o pagamento, o governo de Alagoas decidiu não resgatar os títulos.

Enquanto isso, as principais lideranças políticas alagoanas — os senadores Guilherme Palmeira (PFL), Renan Calheiros (PMDB) e Teotônio Vilela Filho, presidente do PSDB — articularam uma “intervenção branca” no estado, que previa a nomeação, pelo governo federal, do secretário de Fazenda. A proposta foi colocada em prática em junho, com a designação do coronel reformado Roberto Longo. A intervenção branca foi a única alternativa encontrada para garantir o saneamento financeiro do estado, com dívidas estimadas em mais de dois bilhões de reais. Nesse mesmo mês, a crise alagoana ganhou um novo ingrediente com a eclosão da greve das polícias civil e militar, que obrigou o governo federal a enviar tropas do Exército para o estado. O movimento, de âmbito nacional, era determinado pela insatisfação com os baixos salários e com os atrasos de oito meses nos pagamentos.

Em 9 de julho, a Assembléia Legislativa reativou a apreciação de dois pedidos de impeachment de Suruagy. O primeiro foi impetrado pelo Movimento Unificado dos Servidores, com base na Lei nº 1.079 por crime de responsabilidade, porque o governo não atendera as necessidades da população estabelecidas na Constituição, como saúde, segurança e educação. O segundo pedido foi feito pelo promotor de Justiça Luís Barbosa Carnaúba, com base no relatório parcial da CPI dos Precatórios, no Senado, apontando que o governador cometera crime de responsabilidade na emissão de letras do Tesouro estadual.

Foi criada uma comissão especial para analisar esses pedidos. Dos cinco deputados que faziam parte da comissão, três eram da base governista e dois da oposição. A comissão teria até dez dias para apresentar seu parecer, que, para ser aprovado precisava de 14 votos dos 27 deputados da Assembléia. Por sua vez, o relatório final da CPI do Senado, concluído dois dias depois, responsabilizou o governador Suruagy pelas fraudes na emissão de títulos públicos e pela assinatura de listas de precatórios inexistentes. Segundo o relatório, mais de 60% do dinheiro arrecadado em Alagoas foram parar nas contas de bancos credores e empreiteiras.

Os pedidos de impeachment foram à votação em plenário sob forte pressão das entidades representativas dos servidores públicos que realizavam manifestação diante da Assembléia Legislativa, com a participação dos grevistas das polícias militar e civil, para exigir a saída de Suruagy. Houve trocas de tiros com soldados do Exército que protegiam o prédio da Assembléia. O conflito culminou com a tentativa de invasão do palácio do governo por parte de uma multidão, formada na sua maioria por funcionários públicos, escoltada pelas polícias militar e civil.

Cedendo às pressões, em 17 de julho Suruagy enviou um pedido de afastamento do cargo à Assembléia Legislativa, “com o objetivo de evitar traumas à sociedade alagoana”. Aprovado por unanimidade pelos deputados, nesse mesmo dia o vice-governador, Manoel Gomes de Barros (PTB), assumiu o governo. Mesmo assim, a polícia se manteve em greve e o Exército foi mantido nas ruas para garantir a segurança.

No texto que mandou à Assembléia, Suruagy pediu licença do cargo por tempo indeterminado. A oposição, porém, conseguiu garantir afastamento por seis meses. Os oposicionistas queriam um prazo fixo porque temiam que, sendo aprovado o afastamento indeterminado, o governador pudesse retornar ao cargo em um mês. A oposição também conseguiu que a comissão especial que analisava os pedidos de impeachment aceitasse novos documentos, como o relatório final da CPI dos Títulos do Senado. O relator da comissão, deputado Francisco Carvalho (PSDB), disse que, com base nesses documentos, poderia mudar seu parecer e aceitar as denúncias-crime contra o governador.

Licenciado, mas na prática deposto do cargo, admitiu pela primeira vez que não voltaria mais ao governo do Estado.

No pleito de outubro de 1998 candidatou-se a deputado federal pelo PMDB e obteve uma suplência. Foi efetivado no mandato em janeiro de 2001 e participou das comissões permanentes de Economia, Indústria e Comércio, de Finanças e Tributação e de Trabalho, de Administração e Serviço Público. Ainda em 2001, ingressou no Partido Social Trabalhista (PST). Na Câmara foi vice-líder do Bloco PFL/PST entre 2001 e 2002 e vice-líder do PST em 2002. Em outubro de 2002, não disputou a reeleição.

 Ao longo de sua carreira, proferiu inúmeras conferências em todos os estados do país acerca de temas políticos e econômicos brasileiros a convite da Escola Superior de Guerra (ESG), de associações de diplomados da ESG, de diretórios estudantis, de sindicatos de classe, de lojas maçônicas e clubes de serviços.

Casou-se com Luzia Bezerra Suruagy, professora, com quem teve quatro filhas.

Publicou Sua excelência, o governador (romance, 1968), Iniciação — atividades parlamentares (1972), Liderança de bancada — atividades parlamentares (1973), O político (ensaio biográfico, 1973), Presidência da Assembléia — Discursos (1974), O julgamento (ficção/contos, 1976), Política e administração (1976), Política maior — discursos e artigos (1977), Vivência administrativa (1978), Educação e sucesso (1978), Governando Alagoas — discursos (1979), O Nordeste e o desenvolvimento brasileiro — discursos (1980), Universidade brasileira — discursos (1981), Os poderes do Estado (monografia, 1981), Contemporâneos (crônicas, 1981), A passeata (contos, 1982), Ilusões do poder (1999), Raízes de Alagoas (2000), Realidade Alagoana (coletânea de pronunciamentos na Câmara dos Deputados, 2001) e Muito Além...no Tempo (2009).

 

 

 

Alexandra Toste/Susana Delgado

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1979-1983); COELHO, J. & OLIVEIRA, A. Nova; Correio Brasiliense (30/11/86); Estado de S. Paulo (10/8/82, 19/7/91, 2 e 22/10 e 11/12/95 e 5/6/96, 18 e 31/5, 15 e 17/7 e 24/8/97); Folha de S. Paulo (15/11/89, 19/7/91, 31/12/92, 3 e 14/1, 24 e 25/7, 18 e 19/9 e 16/11/95, 4/4, 15, 27 e 28/6, 20 e 28/8/96, 22 e 31/1, 30/5, 4 e 5/6/97); Globo (1/5/77, 30/12/86, 28/3 e 22/10/87, 4/1 e 10/4/95, 6/3, 25/4, 2/7, 8 e 20/8, 5/9 e 22/11/96, 31/1, 17/4, 15/5, 3 e 4/6, 1, 9, 13 e 16/7/97); Jornal do Brasil (17/6/74, 8/10/76, 2/4/79, 3/8/84, 25/8/85, 17/6 e 23/10/87, 4/4/93, 20/7/95, 26/5, 18 e 20/7/96, 5 e 10/6, 14 e 18/7/97); NÉRI, S. 16; Perfil (1975, 1980 e 1983); Realidade (11/74); Rev. Arq. Públ. AL; TRIB. SUP. ELEIT. Relação (1998) Vida (9/2/77).

http://www.camara.gov.br/internet/deputado/DepNovos_Detalhe.asp?id=100867&leg=46 acesso em 15/10/09

 

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