DONATO, ARTUR JOAO

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Nome: DONATO, Artur João
Nome Completo: DONATO, ARTUR JOAO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
DONATO, ARTUR JOÃO

DONATO, Artur João

*pres. Firjan-CIRJ 1980-1995; pres. CNI 1998.

Artur João Donato nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 16 de agosto de 1922, filho de Humberto Donato, de ascendência italiana, e de Hermínia Durão Donato, de origem portuguesa.

Em 1945, formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da antiga Universidade do Brasil, iniciando a vida profissional como solicitador em um escritório de advocacia. Em 1948 concluiu doutorado em direito público e constituiu banca de advocacia.

A atividade empresarial da família Donato começou no Espírito Santo, onde, por meio da Companhia Industrial de Madeiras Barra de São Mateus, explorava a extração e venda de madeiras nobres. Em 1945, visando a ampliar a participação no mercado carioca, o grupo adquiriu o controle acionário de uma empresa restauradora de navios fundada em 1886, o Estaleiro Caneco, instalada no bairro portuário do Caju. A compra representou o ingresso do grupo na construção naval e, ao mesmo tempo, a obtenção de um ponto estratégico de escoamento da madeira transportada do Espírito Santo para o porto do Rio.

Em 1958 estava em curso o Plano de Metas, estabelecido pelo presidente Juscelino Kubitschek, do qual fazia parte o Grupo Executivo da Indústria da Construção Naval (Geicon), que tinha por objetivo estudar projetos de financiamento para a ampliação da capacidade de produção dos estaleiros brasileiros e de dois estrangeiros que então se instalaram no Brasil. O Geicon contemplou seis — Ishikawajima, Verolme, Caneco, Mauá, Só e Emaq — com financiamentos que os habilitavam a construir navios de médio e grande porte. Além da instalação do Geicon, outra medida de grande importância para o desenvolvimento da indústria naval foi a instituição do Fundo de Marinha Mercante (FMM).

Ainda em 1958, Donato assumiu a direção das Indústrias Reunidas Caneco S.A.. — Estaleiro Caneco a das demais empresas da família (Companhia Industrial de Madeiras Barra de São Mateus e Navegação Artur Donato Ltda.). No ano seguinte, o projeto do Estaleiro Caneco foi aprovado no Geicon, habilitando a empresa a construir embarcações com mais de cinco mil toneladas de porte bruto (TPB). Em abril de 1960, Donato passou a responder pela presidência do estaleiro. Dentro desse processo de ampliação da indústria naval, o Estaleiro Caneco recebeu em 1960 a primeira encomenda de uma embarcação de 3.040 TPB, cuja entrega definitiva ocorreria apenas em 1966, dadas as dificuldades tecnológicas e gerenciais enfrentadas pela empresa, que foram de modo geral comuns às demais empresas do setor no início do programa.

Em 1961, Donato deu início a uma intensa carreira em entidades patronais, ao assumir, até outubro de 1963, a presidência do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval (Sinaval), com sede no Rio de Janeiro. Paralelamente, as Indústrias Reunidas Estaleiro Caneco ampliaram sua capacidade de produção a ponto de ocupar entre 1962 e 1964 o quarto lugar no ranking da indústria naval, segundo o critério de navios entregues com tonelagem acima de mil TPB. Em 1964 Donato tornou-se, na qualidade de representante dos empregadores, membro do Conselho de Administração do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Marítimos (IAPM), cargo que ocuparia até dezembro de 1966. Em novembro de 1965 retornou à presidência do Sinaval, cumprindo mandato até novembro de 1967.

Como parte da política de incentivo à construção naval, teve início em 1968, já durante o regime militar, o Plano Estratégico de Desenvolvimento conduzido pela Superintendência Nacional de Marinha Mercante (Sunamam). Em 1970, inaugurou-se nova fase do programa de incentivo, por meio do I Plano de Construção Naval, que tinha por objetivo construir um milhão de TPB em estaleiros nacionais até 1974. Em consequência do programa, a frota mercante foi reaparelhada, fazendo crescer as empresas de navegação e a indústria de construção naval. A partir de 1968, o Estaleiro Caneco adaptou as instalações para produzir embarcações com tonelagem superior a 7.500 TPB, ao mesmo tempo que investiu em tecnologia e informática.

Em novembro de 1970, Donato assumiu pela terceira vez a presidência do Sinaval, para deixá-la três anos depois. Ao mesmo tempo, promovia o aumento da capacidade instalada do Estaleiro Caneco e ampliava o leque de atividades do grupo, com a abertura da Fermasa Máquinas e Equipamentos S.A., responsável pela produção de componentes mecânicos para navios.

O ano de 1973 foi marcado pela crise internacional do petróleo, cujos efeitos logo foram sentidos na indústria naval. Houve uma drástica redução do comércio mundial, por força da recessão que se seguiu ao choque do petróleo, e as encomendas de navios de grande porte diminuíram muito. No plano nacional, os efeitos da crise ainda demoraram a se fazer sentir sobre a indústria naval, em razão dos planos de desenvolvimento dos governos militares. Assim sendo, o Estaleiro Caneco se equiparou aos quatro primeiros colocados no ranking, tendo sido capaz de entregar encomendas de 52 mil TPB em 1974. No ano seguinte, institucionalizou-se o II Programa de Construção Naval (1975-1982), dentro dos projetos do II Plano Nacional de Desenvolvimento. Por conta da política governamental, durante a década de 1970 a indústria naval foi capaz de empregar diretamente 45 mil pessoas e gerar cerca de duzentos mil empregos indiretos, enquanto o índice de nacionalização de navios chegou à elevada percentagem de 80%.

Integrante do conjunto dos empresários que apoiou a fusão do antigo estado da Guanabara com o estado do Rio de Janeiro, em abril de 1975, Donato — por indicação do almirante Floriano Peixoto Faria Lima, primeiro governador do novo estado do Rio (1975-1980) — passou a integrar o corpo de vogais da Junta Comercial do estado do Rio de Janeiro (Jucerja), sendo um dos três representantes do empresariado. Deixaria a Jucerja quatro anos depois. Em março de 1977, assumiu a presidência da Estaleiros Associados do Brasil (Esabras), entidade associativa criada pela reunião de estaleiros com o objetivo de promover a exportação de navios. Permaneceria à frente da entidade até fevereiro de 1987.

Em 1980, elegeu-se presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e, simultaneamente, do Centro Industrial do Rio de Janeiro (CIRJ), sucedendo ao empresário Mário Leão Ludolf. Nessas entidades buscaria consolidar o processo de fusão do estado do Rio, promovendo o diálogo com o empresariado do interior e, ao mesmo tempo, criando núcleos regionais de representação empresarial. Sua gestão foi marcada por projetos que visavam a recuperar a economia do estado do Rio, por meio da implementação de programas de apoio a pequenas e médias empresas e da atração de projetos para o estado, como o pólo petroquímico de Itaguaí e o porto de Sepetiba. Foi também responsável pela construção do novo edifício-sede da Firjan, na esquina da rua Santa Luzia com avenida Graça Aranha, no Centro do Rio, que abriga igualmente o CIRJ, batizado como Centro Empresarial Artur João Donato.

Em fins de 1983 a indústria de construção naval sofreu nova crise, causada pela decisão do governo Figueiredo de eliminar os subsídios ao setor. De um órgão centralizador da política de marinha mercante, com a atribuição de repassar financiamentos do FMM, a Sunaman tornou-se um órgão regulador e fiscalizador das atividades de navegação. Desse momento em diante, o fundo, constituído com base na taxação sobre fretes entre 20% e 50%, passou a ser administrado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), embora o Tesouro Nacional tivesse que arcar com boa parte do passivo antes da transferência.

Em 1986, a Fermasa foi desativada. Em 1990, Donato deixou a presidência das Indústrias Reunidas Caneco S.A. — Estaleiro Caneco para assumir um lugar no conselho de administração da empresa.

Em agosto de 1992, novamente como presidente do Estaleiro Caneco, fez fortes críticas na imprensa sobre o desvio de recursos do BNDES para o financiamento do setor naval, que, desde 1990, durante a gestão da ministra da Economia, Zélia Cardoso de Melo, no governo Fernando Collor (1990-1992), tinham que fazer “um longo passeio” pelos cofres do Tesouro Nacional, até serem creditados no fundo. A construção naval, afetada desde a década anterior pela política governamental, tornou-se ainda mais frágil no estado do Rio.

Ainda em 1992, Donato assumiu pela última vez a presidência da Firjan/CIRJ. Durante essa gestão, decidiu alterar os estatutos para não permitir mais de uma reeleição e assim promover um rodízio no comando da instituição. Em 1995 foi substituído por Eduardo Eugênio Gouveia Vieira, encerrando seu longo período à frente desses órgãos e passando a dedicar-se exclusivamente ao Grupo Donato, então composto pela empresa holding Artur Donato S.A. Comércio e Participações, Agropecuária Aliança Ltda, Disa — Destilaria Itaúnas S.A., esta no Espírito Santo, Alcooleira Mateense (Almasa), Engenavi — Engenharia Naval e Industrial e Estaleiro Caneco.

Foi vice-presidente da CNI durante a gestão de Fernando Bezerra, vindo a substituí-lo interinamente a partir de abril de 1998. Na mesma época assumiu a vice-presidência da Companhia de Eletricidade de Nova Friburgo. No segundo semestre desse ano, a CNI, sob sua presidência, declarou que concentraria seu lobby junto ao governo em dois grandes temas, a reforma tributária e a modernização das relações de trabalho.

Ao longo de sua trajetória empresarial, participou da fundação da Sociedade Brasileira de Engenharia Naval, tendo atuado também como conselheiro fiscal da entidade. Foi diretor regional do Serviço Social da Indústria (Sesi), presidente do Conselho Regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), do conselho diretor do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Gerencial (IDEG) da Fundação Brasileira de Tecnologia da Soldagem, do Conselho Regional do Instituto Euvaldo Lodi e do Centro Internacional para Educação, Trabalho e Transferência de Tecnologia (CIET). Foi membro do Conselho Empresarial de Assuntos Estratégicos da Associação Comercial do Rio de Janeiro, do Conselho Superior do Parque de Alta Tecnologia do Norte Fluminense e do Conselho do Plano Estratégico da Cidade do Rio de Janeiro. Tomou parte em reuniões anuais da Organização Internacional do Trabalho (OIT), inclusive como chefe da delegação patronal do Brasil. Representou a CNI na Organização Internacional dos Empregadores (OIE).

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 21 de dezembro de 2002.

Casado com Rute Bezerra Donato, teve dois filhos.

Publicou Novos rumos do direito (1945).

Teresa Cristina Marques

FONTES: Conjuntura Econômica (2/79); CURRIC. BIOG.; DONATO, A. Depoimento; Estado de S. Paulo (4/6/95, 29/3, 7 e 16/6/98); ESTALEIRO CANECO. Shipyard’s; FIRJAN-CIRJAN. Relatório (1995); Globo (15/8/92, 22/12/02); Jornal do Brasil (16/9/91, 19/8 e 17/9/92); Senhor (26/10/83); WEISS, J. Origens.

 

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