Edmar Lisboa Bacha

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Nome: BACHA, Edmar
Nome Completo: Edmar Lisboa Bacha

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

BACHA, Edmar

*pres. BNDES 1995

 

Edmar Lisboa Bacha nasceu em Lambari (MG), em 14 de fevereiro de 1942, filho de Felício Bacha, comerciante, e de Maria de Jesus Lisboa Bacha, professora primária. Vários parentes seus ocuparam cargos públicos, entre os quais João Lisboa, seu avô materno, que foi deputado estadual e federal por Minas Gerais nas décadas de 1930 e 1940, e Valdir Lisboa, seu tio materno, que exerceu mandatos na Assembleia Legislativa mineira no período 1946-1954.

Fez os estudos primários em sua cidade natal, de 1948 a 1951. No ano seguinte, a família transferiu-se para Belo Horizonte, onde Bacha completou o curso secundário em 1959. Ao ingressar na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1960, tomou contato com o pensamento da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), organismo da Organização das Nações Unidas (ONU), de cujos membros, especialmente Raúl Prebisch, Celso Furtado e Inácio Rangel, sofreu influência marcante. De 1960 a 1963, foi redator de anais e documentos parlamentares da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Formou-se em 1963 e mudou-se no ano seguinte para o Rio de Janeiro, onde fez o curso de aperfeiçoamento de economistas da Fundação Getulio Vargas (FGV). Ainda nesse ano, iniciou o curso de pós-graduação na Universidade de Yale, em New Haven (EUA). Ali absorveu o pensamento neokeynesiano apresentado pelos professores Mário Henrique Simonsen, James Tobin e Carlos F. Díaz-Alejandro. Em 1965 obteve o título de Master of Arts e trabalhou, de junho a julho, como pesquisador-assistente na Organização Internacional do Café, em Londres. Prosseguindo em sua formação universitária, doutorou-se em 1968.

De volta ao Brasil, lecionou de 1970 a 1971 na Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas. Transferiu-se em seguida para a Universidade de Brasília, onde trabalhou de 1973 a 1975. Neste último ano, no mês de agosto, retornou aos Estados Unidos graças a uma bolsa de pós-doutoramento oferecida pelo Conselho Nacional de Pesquisas CNPq, no Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Cambridge, lá permanecendo até julho de 1977. Em 1979 tornou-se consultor do Grupo dos 24 para Assuntos Monetários Internacionais, em Washington, função que exerceria até 1992. Ingressou no corpo docente da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro em 1981. Entre janeiro e julho de 1984, ausentou-se mais uma vez do país, por conta de uma segunda bolsa pós-doutoramento do CNPq, também, nos Estados Unidos, mas dessa vez em Nova Iorque. No período de abril a novembro de 1985, participou da Comissão Nacional para a Reformulação da Educação Superior Brasileira, em Brasília. Durante o governo do presidente Ernesto Geisel (1979-1985), publicou várias obras criticando as medidas tomadas em relação à distribuição de renda e a crescente desnacionalização da indústria brasileira.

No governo do presidente José Sarney (1985-1990), integrou a equipe que formulou o Plano de Estabilização Econômica, batizado de Plano Cruzado. Colocado em prática em 28 de fevereiro de 1986, o plano estabelecia um conjunto de medidas para combater a inflação, que, naquele mês, ultrapassara o índice de 250% ao ano. Consistia basicamente na criação de um novo padrão monetário — cruzado — de valor mil vezes maior que o do cruzeiro, então abolido; na extinção da correção monetária; na estabilização cambial e no congelamento de preços e salários.

Na condição de presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde maio passado e um dos economistas do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Edmar Bacha participou da implementação do plano, bem-sucedido nos primeiros meses, com a redução da inflação e o entusiasmo popular na fiscalização dos preços. Em pouco tempo, porém, o plano começou a apresentar problemas de ajuste. Em 21 de novembro, o governo anunciou medidas de correção do Plano Cruzado, consubstanciadas no “Cruzado II”. Entre as principais inovações estavam a elevação dos preços de diversos produtos e das tarifas públicas e a alteração da metodologia de cálculo do índice de inflação, que passou a considerar apenas o aumento do custo de vida para as famílias com renda até cinco salários mínimos. Contrário às mudanças, Edmar Bacha demitiu-se da presidência do IBGE no mesmo dia em que foram decretadas.

Entre maio de 1985 e novembro de 1986, tempo em que presidiu o Instituto, destacam-se o início de uma reforma administrativa na instituição, a realização dos censos econômicos de 1985 e a incorporação do Projeto RADAMBRASIL ao IBGE. Criado na década anterior no âmbito do Ministério das Minas e Energia, o projeto RADAM tinha como objetivo mapear regiões brasileiras, sobretudo a Amazônia, com avião equipado com radar, visando com isso obter dados geográficos, geológicos e cartográficos.

Em seguida, desenvolveu várias atividades nas áreas universitária e de consultoria, tanto no Brasil quanto no exterior: co-diretor, com Sebastian Edwards, do Seminário Interamericano em Economia, conferência anual patrocinada conjuntamente pelo National Bureau of Economic Research e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1987-1993); consultor da Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (1987-1992); membro do Grupo Consultor para Temas Econômicos Internacionais do World Institute for Development Economics Research (WIDER) da ONU, em Helsinque (1987-1992), e membro do Comitê para o Planejamento do Desenvolvimento do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, em Nova Iorque (1987-1994).

Filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) em 1989, tornou-se no mesmo ano membro do diretório nacional e, em 1992, do diretório regional fluminense. A partir de maio de 1993, atuou como assessor especial para a área monetária de Fernando Henrique Cardoso, ministro da Fazenda do presidente Itamar Franco (1992-1995). Nessa condição, integrou a equipe que, durante o ano, formulou o Plano Real, conjunto de medidas de estabilização monetária posto em prática, de forma gradativa, no último ano do governo de Itamar Franco. Anunciado pelo ministro da Fazenda em 28 de fevereiro de 1994, o plano introduziu a Unidade Referencial de Valor (URV) e, em 1º de julho, a nova moeda brasileira — o real.

Professor-titular de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde setembro de 1993, Edmar Bacha assumiu, em 9 de janeiro de 1995, a presidência do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em substituição a Pérsio Arida, nomeado para dirigir o Banco Central. Na cerimônia de sua posse, prestigiada por toda a equipe responsável pela área econômico-financeira do governo, anunciou que o BNDES teria, no governo de Fernando Henrique Cardoso, um papel análogo ao que exercera durante a presidência de Juscelino Kubitschek (1956-1961), quando foi um dos elementos centrais do processo de industrialização acelerada. Agora, o banco deveria atuar como “veículo das mudanças estruturais” que sustentariam a nova moeda, agente governamental que abriria o caminho para “a conciliação da estabilidade com o crescimento”, além de promover a integração do país com a economia mundial. Para atingir esses objetivos, o banco teria como prioridades a realização do programa de privatização de empresas sob controle do Estado, o investimento no setor de infra-estrutura e a expansão das exportações.

Entretanto, apenas nove meses depois, alegando motivos pessoais, Edmar Bacha pediu demissão da presidência do BNDES, sendo substituído, em 10 de outubro de 1995, por Luís Carlos Mendonça de Barros, empresário do setor financeiro. Na ocasião, Bacha declarou que sua tarefa no banco estava cumprida, uma vez que o país entrara na rota da estabilização econômica. A imprensa, porém, apontou como fator determinante de sua saída divergências com membros do governo quanto ao ritmo das privatizações.

Em fevereiro de 1996 passou a trabalhar como conselheiro sênior do BBA Creditanstalt, primeiro em São Paulo e, de outubro de 1998 a 2000, em Nova Iorque. Ainda em 1996, deixou de integrar o diretório nacional do PSDB. Nesse mesmo ano tornou-se membro do Conselho de Administração da Editel Listas Telefônicas, cargo que exerceu por quase dois anos.

Em janeiro de 1997, foi um dos sócios fundadores do VivaCred, agência de microcrédito associada ao Viva Rio. No decorrer desse ano tornou-se membro do Comitê Assessor do estudo sobre produtividade na economia brasileira, na McKinsey Global Institute. Durante 1997, Bacha encerrou suas atividades docentes na UFRJ.

Em agosto de 1998 tornou-se presidente do BBA Securities Corp. - EUA, atuando por um biênio. Já em maio do ano seguinte, Bacha assumiu como diretor do Brazilian-American Chamber of Commerce, cargo que exerceria até julho de 2000. Ainda em 1999 ingressou no conselho consultivo do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Columbia, nele permanecendo por três anos.

A eleição realizada entre os sócios da Associação Nacional de Bancos de Investimento (ANBID) em setembro de 2000, levaram Edmar Bacha à sua presidência, exercida até junho 2003. Nesse meio tempo, integrar ainda o conselho consultivo da Brazil Foundation e tornou-se conselheiro das Faculdades Integradas Pitágoras, além de ter se tornado membro do conselho de administração da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Com a posse de Aécio Neves, do PSDB, no governo de Minas Gerais em janeiro de 2003, Edmar Bacha tornou-se conselheiro econômico do governador. Em março, passou a integrar o conselho de administração do Banco Itaú-BBA (antigo Banco BBA-Creditanstalt) e continuou atuando como consultor sênior da instituição. Em agosto seguinte, foi um dos fundadores, e diretor, do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças (IEPE/CdG), no Rio de Janeiro. Considerado uma sucursal do Departamento de Economia da PUC, por contar com um grande número de ex-alunos e professores daquela universidade, o IEPE/CdG tinha também como marca de origem uma estreita relação com o PSDB.

Ainda em 2003, no segundo semestre do ano, tornou-se professor-conferencista do curso de mestrado em relações internacionais do Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. Exerceu essa atividade docente até o ano seguinte.

Em dezembro de 2005, em entrevista a O Estado de S. Paulo, Bacha adiantou que se os tucanos ganhassem a eleição presidencial de outubro de 2006, o Brasil passaria por um “choque de capitalismo”. Segundo ele, um eventual governo tucano independente de quem fosse o presidente – José Serra, Geraldo Alckmin, Aécio Neves ou Tasso Jereissati – imprimiria uma nova rodada de reformas em áreas como setor fiscal, Previdência, mercado de trabalho, estrutura tributária, etc., “sem se preocupar em ser chamado de neoliberal”.

No decorrer de 2006 Edmar Bacha ingressou na Comissão para o Crescimento e o Desenvolvimento do Banco Mundial, nela atuando até 2009, ano em que passou a atuar na Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia (CBDD). Em 2010 foi eleito membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), nela ingressando em maio do ano seguinte. No mês de setembro de 2011 passou a integrar o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (CODACE), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV). Em julho de 2015, Edmar Bacha atuava como diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças, no Rio de Janeiro.

Membro Honorário da Latin American and Caribbean Economic Association (LACEA), Edmar Bacha integrou o conselho editorial de diversas publicações periódicas, nacionais e estrangeiras, na área de economia, bem como de associações profissionais e científicas no Brasil e em outros países. Foi professor e pesquisador visitante em universidades norte-americanas. Proferiu conferências, participou de seminários e publicou artigos em revistas de diversos países. Foi também um dos criadores da revista Economia, da Associação Promotora de Estudos da Economia (Apec).

Publicou vários livros de sua autoria, e outros tantos como organizador, destacando-se entre eles: Análise governamental de projetos de investimentos no Brasil com outros autores (1971), Encargos trabalhistas e absorção de mão-de-obra no Brasil com outros autores (1972), Os mitos de uma década: ensaios de economia brasileira (1976), Participação, salário e voto: um projeto de democracia para o Brasil com Roberto Mangabeira Unger (1978), Política econômica e distribuição de renda, (1978), Models of growth and distribution for Brazil com outros autores (1980), Essays on Brazilian Growth, Wages and Poverty (1980), Introdução à macroeconomia: uma perspectiva brasileira (1982), Análise macroeconômica: um texto intermediário (1982), El milagro y la crisis: economia brasileña y latinoamericana (1986). Transição Incompleta: Brasil desde 1945 (1986), org. em colaboração com Herbert Klein; Recessão ou Crescimento: O FMI e o Banco Mundial na América Latina (1987), org. em colaboração com Miguel Rodriguez Mendoza; Savings and Investment for Growth Resumption in Latin America (1993); Economics in a Changing World: Development, Trade and the Environment (1994); Poverty, Prosperity and the World Economy: Essays in Memory of Sidney Dell, com outros autores (1995); Mercado de capitais e crescimento econômico: lições internacionais, desafios brasileiros (2005), org. com Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho; Mercado de capitais e dívida pública: tributação, indexação e alongamento (2006), org. com Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho; Como reagir à crise? Políticas econômicas para o Brasil (2009), org. com Ilan Goldfajn; Novos Dilemas da Política Econômica: Ensaios em Homenagem a Dionisio Dias Carneiro (2011), org. com Monica Baumgarten de Bolle; Brasil: A Nova Agenda Social (2011), org. com Simon Schwartzman; Belíndia 2.0: Fábulas e Ensaios sobre o País dos Contrastes (2012); O Futuro da Indústria no Brasil: A Desindustrialização em Debate (2013), org. com Monica Baumgarten de Bolle.

Foi casado com Eliana A. Cardoso. Divorciado, casou-se com Andreia Gouveia de Lima, com quem teve dois filhos. Separado, casou-se pela terceira vez com Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti. Tem ainda duas enteadas.

 

Renato Lemos/Sergio Lamarão/Luciana Pinheiro

 

 

FONTES: Brasil dia-a-dia/Almanaque Abril; CONS. REG. ECONOMIA; Folha de S. Paulo (13/12/1993); Globo (11/10/1995); Jornal do Brasil (11/10/1995); SKIDMORE, T. Brasil: de Castelo a Tancredo; Portal da Academia Brasileira de Ciências. Disponível em: <http://www.abc.org.br/>. Acesso em 09/07/2015; Portal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística <http://memoria.ibge.gov.br/historia-oral/>. Acesso em 09/07/2015; Portal do Instituto de Estudos de Política Econômica. Disponível em: <http://iepecdg.com.br/>. Acesso em 09/07/2015.


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