EDWARD JOAQUIM AMADEO SWAELEN

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Nome: AMADEO, Edward
Nome Completo: EDWARD JOAQUIM AMADEO SWAELEN

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
AMADEO, EDWARD

AMADEO, Edward

*min. Trab. 1998.

Edward Joaquim Amadeo Swaelen nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 1º de maio de 1956, filho do cubano Joaquim Jacinto Amadeo y Perez e da belga Elizabete E. L. Swaelen de Amadeo. Seu pai foi fundador da primeira fábrica de bebidas Bacardi no Brasil, localizada em Recife.

Edward Amadeo bacharelou-se em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e em administração pública pela Escola Brasileira de Administração Pública (EBAP) da Fundação Getulio Vargas, em 1979. Quando estudante, montou uma banda de rock com seu amigo Gustavo Franco, que viria mais tarde a ser presidente do Banco Central. Concluiu mestrado em economia no Instituto de Economia Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1981 e obteve, três anos depois, o título de master of arts em economia pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Ainda em 1984, foi instrutor do curso “The development of economics thought”, promovido pela Universidade de Harvard, e no ano seguinte tornou-se consultor externo do World Institute of Development Economics Research, em Helsinque, Finlândia. Doutorou-se em economia pela Universidade de Harvard em 1986.

De volta ao Brasil, ocupou, entre 1986 e 1988, os cargos de secretário executivo adjunto da Associação Nacional de Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec), diretor do Instituto de Economistas do Rio de Janeiro (IERJ) e coordenador do Programa de Graduação do Departamento de Economia da PUC-Rio. Atuou como consultor externo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) entre 1987 e 1989, do United Nations Institute for Social Development (1988) e do Banco Mundial (1988-1989). De janeiro de 1990 a julho de 1991 foi professor visitante do departamento de economia e fellow do Kellogg Institute da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos.

Em novembro de 1990 tornou-se professor associado do Departamento de Economia da PUC. Foi ainda consultor do United Nations Conference on Environment and Development (1990-1991), da Fundação Nacional de Pesquisa Econômica (1991), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (1991-1992), e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (1992-1994).

Na eleição presidencial de outubro de 1994 prestou assessoria para o Partido dos Trabalhadores (PT), ao lado de seu amigo, o professor José Márcio Camargo. Com a vitória de Fernando Henrique Cardoso naquele pleito, tornou-se um crítico do processo de abertura da economia implementado pelo novo governo. Essa postura, no entanto, foi aos poucos sendo atenuada, especialmente com a posse de Paulo Paiva no Ministério do Trabalho. A partir daí, passou a colaborar no projeto de reforma da legislação trabalhista elaborado pelo governo. Com a saída de Paiva do ministério em abril de 1998, assumiu a pasta do Trabalho. Em seu discurso de posse, afirmou que o país não vivia uma crise de emprego, mas apenas uma tendência de queda no número de postos de trabalho. A declaração, feita num momento em que os índices de desemprego do IBGE registravam a maior alta dos últimos 14 anos, foi duramente criticada por economistas e sindicalistas da oposição. Rejeitando as interpretações destes últimos, Amadeo sustentou que o problema não decorria da política econômica do governo, mas dos reflexos da crise asiática no país e do chamado “desemprego estrutural”, ocasionado pela reestruturação produtiva.

Em agosto de 1998, na mesma semana em que o candidato do PT à presidência, Luís Inácio Lula da Silva, divulgou o seu programa de geração de empregos, o governo anunciou um pacote de medidas para combater o desemprego no país. Além da permissão para a contratação de trabalhadores com jornada reduzida de até 25 horas semanais, o pacote também previa a regulamentação do contrato temporário de trabalho. Na ocasião, coube a Amadeo a divulgação das propostas mais polêmicas. Apresentadas como sugestões a serem debatidas com a sociedade, elas formavam o cerne do projeto do governo de reforma da legislação trabalhista. Entre outras medidas, Amadeo propôs a extinção do poder normativo da Justiça do Trabalho e o fim do imposto e da unicidade sindicais, com a valorização das negociações coletivas entre patrões e empregados. Uma das novidades do pacote era a proposta de suspensão temporária do contrato de trabalho em substituição à demissão pura e simples. Pelo novo mecanismo, o trabalhador poderia ter seu contrato suspenso temporariamente por dois a cinco meses e ser, neste período, submetido a cursos de reciclagem e requalificação profissional.

Edward Amadeo deixou o Ministério do Trabalho em 31 de dezembro de 1998, ao final do primeiro mandato presidencial de Fernando Henrique Cardoso, sendo substituído na pasta por Francisco Dornelles. Com a reeleição de Cardoso, Amadeo foi nomeado, em janeiro seguinte, secretário de Planejamento e Avaliação da Presidência da República. Em abril de 1999 assumiu a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Como economista, participou de várias conferências e congressos no Brasil e no exterior. Foi membro do conselho editorial de diversas publicações e consultor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, entre outras instituições.

Casou-se com Eduarda Cunha de La Rocque, com quem teve um filho.

Além de vários trabalhos acadêmicos e de artigos em revistas especializadas e em jornais de grande circulação, publicou os livros Desemprego, salários e preços: um estudo comparativo de Keynes e da macroeconomia da década de 1970 (dissertação de mestrado, 1982), Keynes’ principle of effective demand and its relationship to alternative theories of distribution and accumulation (tese de doutorado, 1989), John Mayard Keynes: cinqüenta anos da teoria geral (org., 1989), Ensaios sobre economia política moderna (org., 1990), Keynes’ third alternative? The neo-Ricardian Keynesians and the post Keynesians (1990), Estabilización y reforma estructural en América Latina (org., 1993), Institutions, inflation and unemployment (1994) e A teoria econômica do desemprego (co-autoria, 1994).

Luís Otávio de Sousa

FONTES: CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (8 e 10/4, 20/6, 27/7, 7/8/98); Folha de S. Paulo (11 e 16/8/98); Globo (7, 8, 9 e 12/4, 1/5, 7 e 14/8/98); Jornal do Brasil (7/4/98).

 

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