ELIAS MACHADO DE ALMEIDA

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Nome: MACHADO, Elias
Nome Completo: ELIAS MACHADO DE ALMEIDA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MACHADO, ELIAS

MACHADO, Elias

*rev. 1930; rev. 1932.

 

Elias Machado de Almeida nasceu em Botucatu (SP) no dia 26 de novembro de 1894, filho do coronel Eugênio Silvério de Almeida e de Benedita Machado de Almeida.

Formou-se em engenharia pelo Mackenzie College, em São Paulo, em 1919, passando a exercer a profissão em um escritório-técnico de sua propriedade.

Pertenceu ao Partido Democrático (PD) desde a sua formação em 1926, integrando o diretório central e a comissão executiva dessa agremiação, que aglutinava a oposição liberal ao Partido Republicano Paulista (PRP), então dominante na política estadual e nacional. Em 1929, o PD participou da Aliança Liberal, coligação partidária que lançou a candidatura de Getúlio Vargas à presidência da República nas eleições de março de 1930.

Elias Machado integrava a ala mais radical do partido, mantendo contatos com os jovens oficiais — os “tenentes” — que vinham preparando um movimento armado contra o governo federal. Nessa fase, contribuiu para a ligação entre correntes revolucionárias do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais.

Com a derrota de Vargas para o candidato situacionista Júlio Prestes nas eleições de março de 1930, intensificaram-se os preparativos para a revolta. Elias Machado recebeu de Djalma Dutra, ex-participante da Coluna Prestes e um dos articuladores do movimento, a incumbência de ativar, com vistas à ação militar, o esquema montado em São Paulo por Siqueira Campos, líder revolucionário falecido em acidente no mês de maio de 1930. Junto com Joaquim Celidônio Filho, Elias distribuiu então aos companheiros granadas de mão fabricadas por Josias Carneiro Leão.

No dia 16 de agosto, o PD adotou suas últimas diretrizes para a revolta que deveria eclodir dez dias depois, cabendo a Elias Machado e a Joaquim Celidônio Filho o encargo de agir no noroeste de São Paulo assim que a coluna revolucionária de Mato Grosso se aproximasse dessa região.

Entretanto, a revolta foi adiada, eclodindo em 3 de outubro de 1930. Elias Machado reuniu-se imediatamente com Júlio de Mesquita Filho, Paulo Duarte, Carlos de Morais Andrade, Aureliano Leite, Benaton Prado, José Paulino Nogueira, Prudente de Morais Neto, Antônio Soares Lara, Zoroastro Gouveia, Joaquim Sampaio Vidal e Osvaldo Leite Ribeiro para planejarem a conquista do governo de São Paulo. Resolveram atacar o palácio dos Campos Elíseos (sede do governo paulista), e para esse fim formaram um grupo composto por membros do PD — entre os quais Elias Machado — e oficiais do Exército e da Força Pública. O plano foi frustrado com a prisão em 24 de outubro de seus principais articuladores, tais como Aureliano Leite, Paulo Duarte e Carlos de Morais Andrade. Nesse mesmo dia, porém, Washington Luís foi deposto no Rio de Janeiro (então Distrito Federal), selando a vitória da revolução.

Na nova situação criada, o PD esperava que o governo do estado fosse entregue a Francisco Morato, presidente do partido, o que não aconteceu em virtude da oposição das correntes tenentistas lideradas por Miguel Costa e João Alberto Lins de Barros, chefes militares revolucionários de grande prestígio. O conflito pelo poder em São Paulo, resultante da vitória do movimento armado, gerou uma situação de crise que se estenderia até a Revolução Constitucionalista de 1932.

Em 25 de outubro de 1930, o general Hastínfilo de Moura, comandante da 2ª Região Militar e governador militar de São Paulo durante os quatro dias subseqüentes à vitória da revolução, nomeou Vicente Rao, membro do PD, para a chefia da polícia estadual. Como conseqüência, correligionários de Rao foram indicados para importantes postos nessa instituição, cabendo a Elias Machado a chefia de uma delegacia.

No dia 30 de outubro, o governo paulista foi reorganizado pelo próprio Getúlio Vargas, que nomeou João Alberto delegado militar em São Paulo, dotado de plenos poderes para tratar dos negócios da guerra e da polícia política, visando “à consolidação definitiva da obra revolucionária”. Esse fato não impediu que o PD lançasse imediatamente uma nota de apoio ao novo governo, da qual Elias Machado foi um dos signatários.

Em novembro, Elias Machado integrou a Comissão Central de Sindicâncias, destinada a coordenar o trabalho das dez juntas que João Alberto formara para promover investigações sobre o governo anterior. Nesta comissão estavam também Paulo Nogueira Filho, Joaquim Celidônio Filho e os majores Mário Barbosa de Oliveira e Heitor Lobato. No dia 12 desse mês, João Alberto, Miguel Costa e João Mendonça Lima fundaram a Legião Revolucionária, organização independente dos partidos tradicionais destinada a apoiar o poder revolucionário no estado. Elias Machado e outros membros do PD foram chamados para integrar sua direção, mas isso não chegou a se concretizar.

Ainda em novembro, com a ativação do movimento trabalhista, João Alberto formou outra comissão composta por Elias Machado, José Adriano Marrey Júnior, Carlos de Morais Andrade, Berto Condé e Oscar Drumond, para estudar a questão operária. O resultado dos trabalhos desenvolvidos foi o Manifesto ao operariado em geral, lançado no dia 16, onde se sugeria que diversas reivindicações trabalhistas fossem convertidas em lei. Entretanto, após a publicação do manifesto, a comissão foi dissolvida por João Alberto.

Elias Machado foi um dos líderes do PD que se reuniram com João Alberto logo depois da posse deste na interventoria do estado, em 25 de novembro de 1930. Apesar das desconfianças recíprocas, foi firmado um compromisso de colaboração, expresso em nota no dia 8 de dezembro, da qual Elias foi signatário, tendo sido então nomeado prefeito de Santos e diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do estado. Em sua gestão, unificou vários serviços públicos, notadamente os relativos ao problema do leite, empenhando-se também em modernizar o equipamento da administração municipal e reorganizar o Corpo de Bombeiros.

Não foi porém duradoura a colaboração com o interventor, que era apoiado pela Legião Revolucionária chefiada pelo comandante da Força Pública, Miguel Costa. O PD passou a acusar João Alberto de preterir “ilustres paulistas” em favor de elementos da sua confiança, além de promover e estimular perseguições a membros do partido, impedindo sua livre expressão. O conflito levou ao rompimento de relações, formalizado em manifesto publicado pelo PD em 6 de abril de 1931. No dia seguinte o Diário Nacional, órgão do PD, pediu que todos os membros do partido se demitissem dos cargos que ocupavam na administração estadual. Elias Machado foi um dos primeiros a atender ao apelo, deixando o DER e a prefeitura de Santos. Em seguida, juntamente com alguns correligionários, estabeleceu contatos com oficiais da Força Pública a fim de promover um levante visando liquidar a força de Miguel Costa. Deflagrado no dia 28 de abril, o motim foi rapidamente sufocado.

O PD continuou sua luta pela demissão do interventor, tentando inclusive ganhar para a sua causa o apoio do ministro do Trabalho, Lindolfo Collor, homenageado pelo partido com um banquete quando de sua viagem a São Paulo em maio de 1931. No dia 24 de julho, João Alberto foi substituído na interventoria por Laudo Ferreira de Camargo. Apesar dessa vitória do PD, Elias Machado foi um dos que propôs a continuação da luta contra os elementos tenentistas que se agrupavam na Legião Revolucionária, e pela devolução da autonomia ao estado.

O conflito ganhou maiores proporções, envolvendo o próprio governo federal, com o qual o PD chegou ao rompimento formal em 13 de janeiro de 1932, lançando um manifesto em que conclamava a população à luta pela constitucionalização do país e pela devolução aos estados do direito de escolherem seus próprios governantes. A identidade de objetivos com o PRP (que com a Revolução de 1930 havia perdido sua posição dominante na política estadual e nacional) levou os dois partidos à união na Frente Única Paulista (FUP), cujos objetivos foram publicados em novo manifesto, datado de 16 de fevereiro de 1932. Elias Machado foi signatário de ambos os documentos.

Frustradas as tentativas de conciliação entre o governo federal e a FUP, foi deflagrada em 9 de junho a Revolução Constitucionalista. No início das operações, Elias Machado participou da ocupação da estação telefônica. Depois, alistou-se como soldado no Batalhão Piratininga, sendo requisitado pelo comando geral das tropas rebeldes e nomeado delegado técnico de Santos, de onde saiu para lutar no setor de Amparo (SP).

Um depoimento de Aureliano Leite narra a participação direta de Elias Machado nos campos de batalha. Os dois se encontravam no Arraial do Sousa, no posto de comando de Leônidas Vieira, e Elias contou como fora seu batismo de fogo no subsetor do major Musa. Nas palavras de Aureliano: “[Elias] cavava um entrincheiramento. O inimigo quis impedir-lhe, malhando-o com tiros de 75. Os sapadores fugiram. Ele teve que contê-los um a um e fazê-los retornar. Três morreram, dois enlouqueceram, vários se feriram.” Em 2 de outubro de 1932, o movimento foi derrotado.

Elias Machado retornou mais tarde à vida política com os mesmos objetivos pelos quais havia lutado. Foi eleito deputado à Assembléia Constituinte do estado de São Paulo em 14 de outubro de 1934, na legenda do Partido Constitucionalista, resultante da fusão do PD, da Ação Nacional Republicana (dissidência do PRP) e da Federação dos Voluntários.

O golpe de 10 de novembro de 1937 suspendeu a atividade parlamentar e implantou o Estado Novo. Elias Machado continuou a exercer atividades políticas, participando em 23 de maio de 1939 da inauguração da Sociedade de Amigos de Rui Barbosa, que pretendia ser um centro de resistência ao regime. O ato de inauguração transformou-se em manifestações de rua lideradas por estudantes, com assaltos a lojas comerciais e queima de retratos de Vargas. Houve prisões. Elias Machado, Aureliano Leite, Luciano Nogueira Filho, Roberto Vítor Cordeiro, José Luís de Almeida Soares, Miguel Reale e Antônio Pereira Lima foram detidos e permaneceram confinados em uma única cela de 12 metros quadrados durante duas semanas.

Afastado por longos anos da vida pública, Elias Machado faleceu em São Paulo no dia 3 de julho de 1966.

Foi casado com Maria de Lurdes Fagundes Machado de Almeida, com quem teve uma filha.

Jorge Miguel Mayer

 

 

FONTES: Estado de S. Paulo (5/7/66); JARDIM, R. Aventura; LEITE, A. História; LEITE, A. Páginas; NOGUEIRA FILHO, P. Ideais; Personalidades.

 

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