ENEAS EUGENIO PEREIRA FARIA

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Nome: FARIA, Enéas
Nome Completo: ENEAS EUGENIO PEREIRA FARIA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FARIA, ENÉAS

Faria, Enéas

*dep. fed. PR 1983; sen. PR 1983-1987, 1992.

 

Enéas Eugênio Pereira Faria nasceu em Curitiba no dia 16 de novembro de 1940, filho de José Rocha Faria e de Maria da Conceição Gomes Pereira Faria.

Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná. Cursou a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá (PR), não tendo, no entanto completado o curso. Realizou cursos de extensão cultural nas áreas de direito e ciências políticas, bem como cursos técnicos nas áreas de comunicação, propaganda, marketing, rádio, televisão e jornal.

Em 1962, foi nomeado assessor de gabinete da Secretaria do Interior e Justiça do Paraná, no governo de Nei Amintas de Barros Braga (1961-1965).

Em 1966, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964, e em cuja legenda candidatou-se, em novembro daquele ano, à Assembleia Legislativa do Paraná, não sendo, contudo, bem-sucedido. Em novembro de 1968, concorreu a uma cadeira na Câmara Municipal de Curitiba, tendo sido o vereador mais votado do MDB.

Reeleito vereador em novembro de 1972, não chegou a cumprir todo o mandato, assumindo uma cadeira de deputado estadual pelo MDB no início de 1975, vaga para a qual fora eleito no pleito de novembro anterior. Na Assembleia Legislativa paranaense, tornou-se líder de seu partido.

Em novembro de 1978, elegeu-se suplente do senador José Richa. Deixou a assembleia em janeiro de 1979, ao final da legislatura. Após a extinção do bipartidarismo em novembro seguinte e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), legenda que sucedeu o MDB.

Nas eleições de novembro de 1982, elegeu-se deputado federal pelo estado do Paraná na legenda do PMDB, sendo empossado na Câmara em fevereiro do ano seguinte. Entretanto, já em março de 1983, renunciou ao seu mandato, sendo substituído por Valmor Giavarina, e assumiu uma cadeira no Senado em virtude do afastamento do titular José Richa, que naquele mesmo mês assumira o governo paranaense.

No Senado, Enéas destacou-se na defesa intransigente de teses nacionalistas, democráticas e de amparo aos trabalhadores. Eleito primeiro-secretário da Mesamesa, em 1984, foi um dos organizadores do primeiro comício das Diretas-Já na Boca Maldita, na região central de Curitiba, juntamente com outras lideranças peemedebistas paranaenses, tais como o então senador Álvaro Dias e o governador José Richa. O comício das Diretas Já em Curitiba, assim como o realizado em São Paulo poucos dias antes, teve um papel decisivo na eclosão da campanha pelas eleições diretas para a presidência da República, ao evidenciar o amplo apoio popular obtido pela emenda de Dante de Oliveira, que instituía tal medida. Embora derrotada pelo plenário da Câmara dos Deputados em abril de 1984, a campanha pelas Diretas influiu decisivamente nos rumos futuros da redemocratização do país.

Após a derrota da emenda Dante Oliveira no plenário da Câmara dos Deputados, Enéas Faria foi um dos mais destacados articuladores da candidatura do então governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, nas eleições apara a presidência da República, no colégio eleitoral. Em março de 1985, coube a Enéas Faria, ainda na primeira-secretaria do Senado, a responsabilidade de ler o termo de posse do então presidente José Sarney, que havia sido vice na chapa vitoriosa no Colégio Eleitoral com Tancredo Neves , que não pode assumir a presidência em virtude de ter sido foi acometido de uma doença responsável por seu falecimento pouco depois de ter sido eleito. Em agosto, ao se referir ao sexto aniversário da Lei de Anistia, sugeriu que o Congresso votasse um complemento dessa norma a fim de ampliar e estender seus benefícios, favorecendo assim também aos não atingidos por ela anteriormente. Em dezembro, rebateu denúncias de que a reforma administrativa em curso no Senado aumentaria as despesas com a manutenção daquela casa. Segundo ele, a reforma, proposta em dois projetos de resolução, não iria promover a efetivação de servidores nem criar cargos, limitando-se a organizar a força de trabalho já existente.

Nessa legislatura, foi membro das comissões de Constituição e Justiça, de Relações Exteriores e de Municípios, além de suplente das comissões de Agricultura e de Serviço Público.

Nas eleições de novembro de 1986, candidatou-se novamente ao Senado através de coligação formada pelo PMDB e pelo Partido Nacional Democrático (PND), sem, contudo, eleger-se. Retirou-se do Senado em janeiro de 1987, ao término da legislatura. Também, nesse último ano, representou o governo do estado do Mato Grosso do Sul em Brasília.

No pleito de outubro de 1988, chegou a candidatar-se à prefeitura de Curitiba pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), mas acabou desistindo da candidatura em favor de Jaime Lerner, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), que se elegeu prefeito da cidade na famosa campanha dos 12 dias.

No pleito de outubro de 1990, tentou reeleger-se deputado federal, desta feita pelo Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB) paranaense, porém só obteve uma suplência. Em abril de 1992, ocupou a cadeira de senador no lugar de Afonso Camargo — que assumira o Ministério dos Transportes durante o governo Collor (1990-1992) —, permanecendo no cargo até o retorno do titular, em setembro seguinte. Também nesse ano, transferiu-se para o Partido Social-Trabalhista (PST) paranaense, legenda de cujo diretório regional tornou-se presidente.

Em 1996, já afastado da vida pública, voltou a se dedicar às atividades no rádio, jornal e televisão, apresentando programas jornalísticos em que a política era o tema central, atuando na TV Exclusiva e, posteriormente, na TV Independência, função na qual permaneceria até 1998. Após essa data, trabalhou na Helisul Serviços Aéreos.

No fim de 1997, publicou, em coautoria com Sílvio Sebastiani, o livro Governadores do Paraná: a história por quem construiu a história, com o depoimento de 16 ex-governadores do estado.

Em junho de 2004, recebeu o título de vulto emérito da Câmara Municipal de Curitiba, pelos serviços prestados aos paranaenses nos seus anos de vida pública, além de diversas outras homenagens tais como os títulos de sócio-benemérito da União Curitibana dos Estudantes Secundários, sócio-benemérito da União Estadual dos Estudantes (UEE) e de diversas entidades estudantis do Paraná.

Enéas Faria foi também assessor administrativo do Tribunal de Justiça do Paraná, membro fundador da Associação de Vereadores do Paraná, além de ter integrado vários órgãos da administração de Curitiba, representando o Legislativo, tendo participado do Fundo Municipal de Telefones, precursor das Telecomunicações do Paraná S.A. (Telepar).

Faleceu em Curitiba no dia 1° de setembro de 2004.

Casou-se em primeiras núpcias com Meryi Osna Faria, com quem teve um casal de filhos. Divorciado, uniu-se posteriormente a Marcele do Rocio Ristow Faria, com quem teve mais um filho.

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1983-1987); Estado de S. Paulo (30/8 e 4/12/85); Estado do Paraná (2/9/04); INF. Marcele Faria.

 

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