EPITACIO AFONSO PEREIRA

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Nome: CAFETEIRA, Epitácio
Nome Completo: EPITACIO AFONSO PEREIRA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CAFETEIRA, EPITÁCIO

CAFETEIRA, Epitácio

*dep. fed. MA 1963, 1964, 1965 e 1975-1987; gov. MA 1987-1990; sen. MA 1991-1999, 2006-.

           

            Epitácio Afonso Pereira nasceu na cidade da Paraíba, hoje João Pessoa, no dia 27 de junho de 1924, filho de José Justino Pereira e de Eudóxia Afonso Pereira. Mais tarde, incorporou oficialmente a seu nome o apelido de infância de Epitácio Cafeteira, pelo qual era mais conhecido.

            Técnico em contabilidade, formado pela Escola Técnica de Comércio de Maceió (AL) em 1960, foi funcionário do Banco do Brasil, onde exerceu os cargos de subchefe de seção e de serviço, contador e inspetor, antes de se aposentar.

            Filiado à União Democrática Nacional (UDN), no pleito de outubro de 1962 conquistou uma suplência como deputado federal pelo Maranhão na legenda das Oposições Coligadas, constituída por UDN, Partido Democrata Cristão (PDC), Partido Trabalhista Nacional (PTN) e Partido Republicano (PR). Como suplente, assumiu o mandato três vezes em 1963, em março de 1964 e em fevereiro/março de 1965, chegando a ter aprovado um projeto seu de autonomia das capitais.

            Candidatou-se à prefeitura de São Luís no pleito de outubro de 1965, tendo sido o único prefeito eleito da capital até 1969. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a instauração do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país após a vitória do movimento de 31 de março do ano anterior. Em 1966, a maioria dos vereadores moveu campanha para afastá-lo do cargo, devido à falta de prestação de contas do exercício anterior. Entretanto, passou a residir no próprio prédio da prefeitura, onde resistiu por três meses às pressões, conseguindo se manter no cargo. Esses problemas acabaram provocando o seu rompimento político, no ano seguinte, com o então governador do estado José Sarney.

            Em novembro de 1970 candidatou-se ao Senado pelo MDB maranhense, sendo derrotado pelos arenistas José Sarney e Alexandre Costa. Na oportunidade, confirmado o resultado das urnas, publicou carta aberta ao povo maranhense na qual se dizia descrente da política e anunciava estar deixando a vida pública, devido às supostas fraudes no processo eleitoral que teriam causado sua derrota. Com este resultado, porém, tornou-se a figura mais expressiva da oposição no estado. Diante disso, no pleito de novembro de 1974 foi o único deputado federal eleito pelo Maranhão na legenda do MDB, com 39.589 votos, assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte. Na Câmara, foi suplente da Comissão de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas e integrou as comissões de Finanças, da Amazônia e da Bacia do São Francisco, além de ter sido vice-líder do MDB em 1977.

            Reeleito em novembro de 1978, mais uma vez como o emedebista mais votado no Maranhão, iniciou novo período legislativo em fevereiro do ano seguinte. Foi eleito segundo-secretário da Câmara dos Deputados, cargo que ocuparia até 1981. Em outubro de 1979 apresentou no Congresso um projeto de emenda constitucional restabelecendo a completa autonomia do Poder Legislativo, retirada pelo regime militar, que só não foi aprovada porque faltaram três votos para a obtenção da maioria absoluta. Com o fim do bipartidarismo em novembro de 1979, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sucessor do MDB. Em 1981 assumiu a presidência da Comissão de Serviço Público, na qual permaneceu até 1982.

            Nas eleições de novembro desse ano elegeu-se pela terceira vez consecutiva à Câmara dos Deputados, tomando posse em fevereiro de 1983. Passou a integrar, como titular, as comissões de Redação e de Segurança Nacional e, como suplente, as comissões de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas e de Serviço Público. Em julho tornou-se presidente do diretório regional do PMDB no Maranhão, em substituição ao ex-deputado Renato Archer. Na oportunidade, aceitou se lançar candidato ao governo do estado.

            No final do ano, o deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT) apresentou na Câmara um projeto de emenda constitucional restabelecendo eleições diretas para a presidência da República. Encampado pelas oposições, esse projeto proporcionou o desencadeamento da campanha nacional pelas diretas. Na sessão da Câmara dos Deputados do dia 25 de abril de 1984, Cafeteira votou a favor da emenda, que por falta de 22 votos não alcançou o quorum necessário à sua aprovação e que permitiria seu envio para apreciação do Senado.

            Com esse resultado, ficou definido que a sucessão do então presidente João Figueiredo (1979-1985) seria mesmo decidida via eleição indireta. Para concorrer com os candidatos governistas Paulo Maluf e Flávio Marcílio, os partidos de oposição — exceto o Partido dos Trabalhadores (PT) — liderados pelo PMDB e a Frente Liberal, dissidência do Partido Democrático Social (PDS), formaram a Aliança Democrática e lançaram a candidatura do então governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, sendo vice o então senador pelo Maranhão José Sarney. No dia da convenção nacional do PMDB, em agosto de 1984, para definir a chapa Tancredo-Sarney, Cafeteira tomou conhecimento antecipado de um forte movimento parlamentar dentro do partido destinado a tumultuar a reunião. O movimento era liderado pelos deputados do grupo Só Diretas, que eram contra a ida do PMDB ao Colégio Eleitoral e de qualquer modo não aceitavam uma chapa com a participação de Sarney, por ter sido ele ex-presidente nacional do Partido Democrático Social (PDS), governista. Na ocasião, Cafeteira, mesmo sendo seu desafeto, defendeu a participação de Sarney na chapa, destacando que ali não estavam em jogo “as divergências de ordem política da província, mas sim a derrubada definitiva da ditadura”. Passada a convenção, Sarney disse a Tancredo que gostaria de ter um encontro com Cafeteira, pois até então não se falavam. Cafeteira concordou com o reatamento político, mas na condição de que fosse público e com a presença da imprensa, o que acabou ocorrendo em seu gabinete dois dias após a convenção.

            Na reunião do Colégio Eleitoral no dia 15 de janeiro de 1985, votou em Tancredo Neves, que derrotou o governista Paulo Maluf. No mês seguinte foi eleito terceiro-secretário da Câmara, função que desempenharia por dois anos. Doente, Tancredo foi internado na véspera de sua posse, fazendo com que Sarney assumisse o governo no dia 15 de março, interinamente, e depois da morte de Tancredo de forma definitiva, em 22 de abril.

            Findo o período de governos militares, foram restabelecidas eleições diretas para as capitais e os municípios considerados áreas de segurança nacional. Diante de divergências com o PMDB em torno da escolha do candidato às eleições municipais de novembro de 1985 (o então presidente do Diretório Municipal do PMDB, Carlos Guterres, candidato que tinha o seu apoio, fora derrotado na convenção pelo deputado Haroldo Sabóia, apoiado pelo deputado Cid Carvalho), em julho seguinte deixou o partido e passou a apoiar o médico Jackson Lago. Lago fora seu secretário de Saúde quando prefeito de São Luís e concorria na legenda do Partido Democrático Trabalhista (PDT) à prefeitura da capital maranhense. Nesse mesmo mês filiou-se a essa legenda, levando consigo o seu grupo político.

 

 

Volta ao PMDB

            Passado o pleito, vencido por Gardênia Gonçalves — candidata do Partido Democrático Social (PDS) e mulher de João Castelo, adversário de José Sarney —, iniciaram-se as articulações em torno da candidatura de Cafeteira ao governo do estado. Vários peemedebistas, entre os quais oito deputados estaduais, já se movimentavam no sentido de promover seu retorno ao partido. Para facilitar os entendimentos, o novo diretório regional do PMDB, através de seu presidente Renato Archer, então ministro da Ciência e Tecnologia, mostrou-se disposto a renunciar em bloco. Cafeteira retornou ao PMDB em abril, tendo sua ficha abonada pelo presidente José Sarney. A partir de então, deu-se início à costura de uma coligação que reeditasse a Aliança Democrática no estado. Foi formada a chapa Cafeteira/João Alberto, este do Partido da Frente Liberal (PFL), com o apoio do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), do Partido Comunista Brasileiro (PCB), do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e do PDT, entre outros. Uma coligação por demais heterogênea, mas que reunia todos os partidos contrários ao candidato do PDS, João Castelo.

            De acordo com reportagem publicada pelo Jornal do Brasil em 9 de outubro de 1986, foi Sarney Filho quem convenceu o presidente José Sarney a patrocinar a formação da Aliança Democrática em torno da candidatura de Epitácio Cafeteira. Segundo o jornal, Sarney Filho teria ameaçado trocar o PFL pelo PMDB para ficar ao lado de Cafeteira. Para João Castelo e seus correligionários, este empenho pela candidatura de Cafeteira era atribuído ao interesse de Sarney Filho em governar o estado a partir de 1991. Ainda segundo o Jornal do Brasil, a família do presidente da República participou intensamente da campanha de Cafeteira, utilizando todos os recursos de que dispunha. Na ocasião, Roseana Sarney assessorava o pai no Palácio do Planalto, ao mesmo tempo em que trabalhava em São Luís no comitê eleitoral do candidato a vice-governador, deputado João Alberto, ocasião em que acabou sendo acusada por partidários de João Castelo de usar a máquina federal com objetivos eleitorais.

            O filho mais velho do presidente, Fernando Sarney — que, além de dirigir o jornal O Estado do Maranhão e a recém-implantada TV Mirante, presidia as Centrais Elétricas do Maranhão —, participou ativamente das negociações pela viabilização da aliança em torno do candidato peemedebista, conseguindo reunir lideranças conservadoras como os ex-malufistas Alexandre Costa e Édison Lobão, que iriam disputar as duas vagas no Senado pelo PFL, e o deputado Magno Bacelar, que entraria como suplente de Lobão. Para ajudar a consolidar a candidatura de Cafeteira, que enfrentava resistências de alguns correligionários do presidente que ainda viam no candidato o adversário do passado, o próprio Sarney decidiu entrar sem reservas na campanha, comparecendo a comícios e anunciando medidas do governo em favor do desenvolvimento da região. Durante sua campanha, Cafeteira prometeu dar prioridade à implantação da reforma agrária e às áreas de saúde e educação.

            Nas eleições de novembro de 1986 foi eleito governador do Maranhão, obtendo os 1.040.384 votos que lhe permitiram ostentar o maior índice proporcional (81%) de aceitação do país, contra 212.133 votos (16,5%) de João Castelo, candidato da coligação do PDS com o Partido Liberal (PL) e o Partido Municipalista Brasileiro (PMB). Assumindo sua cadeira no Executivo estadual no dia 15 de março de 1987, recusou-se a receber o cargo do governador Luís Rocha porque a faixa original tinha sumido do palácio dos Leões, sede do governo, e a que receberia seria nova, confeccionada às pressas. A transmissão do cargo só foi feita no fim da tarde, pelo então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ricardo Murad, cunhado de Roseana Sarney, já com a faixa original — encontrada, curiosamente, na rua.

            Durante as discussões sobre temas a serem abordados pela Assembleia Nacional Constituinte, marcou posição, por diversas vezes, em favor do sistema presidencialista de governo, da reforma agrária, da atuação das forças armadas na defesa interna e do mandato de cinco anos para o presidente José Sarney. Sobre este último tema, chegou mesmo a ameaçar deixar o partido caso o PMDB aprovasse na convenção de julho de 1987 os quatro anos de mandato para o presidente. Em setembro de 1988, mais uma vez manifestando-se em defesa do presidencialismo, advertiu que a tentativa da Constituinte de adotar o sistema parlamentarista no país sem o apoio militar poderia representar um risco para a transição democrática, que estava sendo “conduzida com tranquilidade pelo presidente José Sarney”. Para o governador, a saída seria a manutenção do presidencialismo, com fortalecimento dos poderes Legislativo e Judiciário.

            Em fevereiro de 1988, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma matéria na qual apresentava o Maranhão como um dos estados que mais se industrializaram no Norte e Nordeste e como recordista na aquisição de verbas a fundo perdido junto à Secretaria de Planejamento da Presidência da República. Segundo a revista Veja (27/1/1988), Cafeteira, que nunca teve negado um pedido de verba junto ao governo federal, já teria garantido cerca de 16 bilhões de cruzados só para o primeiro semestre daquele ano, tendo como intermediário para liberação desses recursos o deputado federal Sarney Filho. De acordo com o jornal, esses recursos estariam sendo aplicados em projetos em desenvolvimento e no apoio a novos projetos, tais como duplicação das linhas de transmissão da usina hidrelétrica de Tucuruí, implantação de uma refinaria de petróleo e de uma zona de processamento de exportação (ZPE).

            No ano de 1989 se realizariam eleições presidenciais. O PMDB enfrentava grandes dificuldades internas para escolher seu candidato. O nome de Ulisses Guimarães tinha maiores chances de consenso mas era rejeitado pelos governadores e pela ala do partido liderada por Orestes Quércia. Mesmo assim, foi referendado pela convenção partidária realizada em 30 de abril, o que acabou causando algumas baixas no partido, inclusive a de Cafeteira, que em junho filiou-se ao Partido Democrata Cristão (PDC). Cafeteira passou a apoiar a candidatura do ex-governador de Alagoas Fernando Collor de Melo, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN), quando esta começou a crescer vertiginosamente até derrotar no segundo turno, realizado em dezembro, Luís Inácio Lula da Silva, candidato do PT. Cafeteira permaneceu à frente do governo maranhense até abril de 1990, quando se desincompatibilizou do cargo para concorrer a uma vaga no Senado. O governo estadual foi ocupado pelo vice-governador João Alberto de Sousa, por força de decisão judicial, uma vez que sua posse fora questionada em função de ele ter sido eleito prefeito do município de Bacabal, em novembro de 1988, quando já era vice-governador do Maranhão.

            Em outubro de 1990 Cafeteira elegeu-se senador pelo Maranhão em sua nova legenda. Assumiu em fevereiro do ano seguinte e participou das comissões de Educação, de Relações Exteriores e Defesa Nacional e de Fiscalização e Controle. Na sessão de 29 de setembro de 1992 votou a favor da abertura de processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial Paulo César Farias. Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal, sendo efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde o dia 2 de outubro.

Novos partidos

 

            Em abril de 1993, com a fusão do PDC com o PDS, resultando daí o Partido Progressista Reformador (PPR), Cafeteira filiou-se a essa nova agremiação, da qual tornou-se líder no Senado. Em agosto de 1995 foi para o Partido Progressista Brasileiro (PPB), criado em fevereiro com a fusão do PPR com o Partido Progressista (PP). Entre os principais projetos apreciados pelo Senado ao longo desse ano, votou a favor dos que acabavam com os monopólios estatal das telecomunicações, da Petrobras na exploração do petróleo e dos estados na distribuição do gás canalizado; do que estabelecia um novo conceito de empresa nacional, acabando com todas as diferenças legais entre empresas brasileiras e estrangeiras; e do que pôs fim à reserva de mercado para as embarcações nacionais na navegação de cabotagem, permitindo que empresas estrangeiras passassem a operar no transporte de cargas e passageiros entre portos do país. Votou contra o projeto do senador sergipano Antônio Carlos Valadares recriando o chamado imposto do cheque, que perdeu a denominação de Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) e ganhou o novo nome de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

            Em novembro de 1995, Epitácio Cafeteira tornou-se líder do PPB no Senado e, em fevereiro, votou a favor da prorrogação por 18 meses do Fundo Social de Emergência (FSE), rebatizado de Fundo de Estabilização Fiscal (FEF). Permaneceu na Comissão de Fiscalização e Controle e participou também da de Constituição e Justiça. Em junho de 1996 integrou como suplente a Comissão que visava o Desenvolvimento da Amazônia. Cafeteira votou contra dois projetos que foram aprovados: o da emenda constitucional que permitiu aos ocupantes do Poder Executivo concorrer à reeleição; e o de reforma administrativa do governo que, ao ser aprovado no Senado em março de 1998, acabou com a estabilidade do servidor público.

            Em outubro desse ano, voltou a se candidatar ao governo do Maranhão, numa coligação comandada pelo PPB e integrada pelos partidos da Social Democracia Brasileira (PSDB), Democrático Trabalhista (PDT), Socialista Brasileiro (PSB), além de outros menores, concorrendo contra a reeleição da governadora Roseana Sarney, da coligação comandada pelo PFL. Foi derrotado pela candidata pefelista por larga margem de votos: obteve 401.439 votos (26,35% dos votos válidos), contra mais de um milhão de sua adversária (66,01%). No mês seguinte, deixou a liderança do PPB no Senado. Permaneceu na função de senador até o fim do mandato, em janeiro de 1999.

            Pouco tempo depois, rompeu com o PPB e filiou-se novamente ao PDT. Pertencendo a este partido, disputou uma vaga no Senado Federal durante as eleições de 2002. No entanto, os 874.573 votos recebidos não foram suficientes para lhe garantir a vitória.

            Após a derrota nas urnas, e vivenciando possíveis desacordos ideológico-partidários com o PDT, saiu deste partido e manteve-se durante um período sem nenhuma filiação. Neste tempo, chegou a cogitar a possibilidade de disputar em 2006 uma vaga na Câmara dos Deputados e de ajudar a lançar a candidatura de sua filha Janaína Cafeteira a deputada estadual. Esses seus anseios iniciais acabaram sofrendo transformações após sua filiação ao PTB e sua decisão de se aliar à família Sarney. Em agosto de 2006, portanto, dois meses antes das disputas eleitorais, foi divulgada na Assembleia Legislativa a informação de que Janaína Cafeteira havia desistido da candidatura. O motivo alegado seria o atendimento a um pedido feito pela senadora Roseana Sarney (PFL) ao seu pai de não fazer campanha somente para sua filha. Outra modificação em seus planos foi em relação à sua própria candidatura. Ao invés de tentar uma vaga como deputado federal, Epitácio Cafeteira disputou as eleições de outubro como candidato ao Senado Federal. Recebeu mais de um milhão de votos (1.016.240) e foi naquele ano o político mais velho eleito. Em 1º de fevereiro de 2007, assumiu o novo mandato de senador.

            Logo que assumiu, recebeu votação unânime para líder do partido no Senado. Também aproveitou, em um discurso, para ratificar as propostas de governo que o levaram a ganhar as eleições. Dentre elas, estavam: a continuação da defesa do servidor público, por ser a “sustentação da máquina estatal”; a recuperação da credibilidade e da confiança no Congresso Nacional; a busca em contribuir para a ética no cenário político brasileiro; a defesa, em prol da democracia, da convivência harmônica entre os três poderes no país; e o apoio ao presidente do Brasil reeleito (Luiz Inácio Lula da Silva), independente de querelas ideológicas.   

            Ainda no mês de fevereiro, apresentou no Senado um projeto de lei, aprovado pela maioria da bancada do PTB, que acrescentava ao Código Penal um dispositivo que previa a duplicação da pena para os que utilizassem menores na prática de crimes. De acordo com Epitácio Cafeteira, os problemas não seriam resolvidos com o rebaixamento da punibilidade para 16 anos, uma vez que o cerne da questão não estaria na maioridade penal. Lembrou que a lei pune “pela idade mental”. Assim, um homem na faixa etária dos 20 anos, por exemplo, “se provado que não tinha maturidade mental, fica[ria] inimputável”. Por isso, colocou-se contra a diminuição da maioridade penal e propôs este acréscimo ao Código.  

            Em abril, discursou a favor da inclusão social das pessoas portadoras de todos os tipos de deficiência física, ressaltando a variedade de direitos assegurados pela legislação brasileira: um salário mínimo mensal aos comprovadamente carentes; a inclusão e garantia de acesso na rede regular de ensino; a adequação dos veículos de transporte coletivo aos cadeirantes etc. Contudo, lembrou que estes avanços ainda estavam precisando ser cumpridos por algumas pessoas e empresas para realmente haver a “cidadania plena”.

            No mês de junho, foi escolhido relator do processo instaurado contra o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) por quebra de decoro parlamentar. De acordo com as denúncias divulgadas pelo Estadão, Renan teve despesas pessoais – pensão e aluguel da jornalista Mônica Veloso, com quem teve uma filha – pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. Também foi acusado de ser o dono oculto de duas emissoras de rádio em Alagoas e de favorecer a cervejaria Schincariol. A empresa teria pago R$ 27 milhões por uma fábrica de refrigerante que estava quase falida, pertencente ao irmão de Renan Calheiros, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL). Em troca, Renan ajudaria a empresa a lidar com as dívidas que tinha com o governo. Entretanto, em seu relatório inicial, Epitácio Cafeteira chegou à conclusão de que não havia nenhum documento que justificasse a abertura do processo contra Renan Calheiros. Pediu, então, ao Conselho de Ética o seu arquivamento por falta de provas.

             Dias depois, Epitácio Cafeteira, alegando problemas de saúde, pediu afastamento da relatoria do caso Renan Calheiros. No início foi tratar uma gastroenterocolite (infecção no estômago e intestino). Logo em seguida, descobriu um higroma (acúmulo de líquido no cérebro). Por este motivo, ficou internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde passou por um procedimento cirúrgico.

            Recuperado e de volta às suas atividades no Senado, deixou em novembro a liderança do partido e declarou no mês seguinte que votaria a favor da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), já que este tributo ajudava a financiar a saúde pública no Brasil.  

            Em agosto de 2008, uma súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a contratação de parentes (nepotismo) nas três esferas de poder do país. Esta decisão afetou diretamente Epitácio Cafeteira, que havia contratado sua filha e uma cunhada. Além delas, também fora beneficiado o estudante de administração João Fernando Michels Gonçalves Sarney, neto de José Sarney. Este último estava atuando em seu gabinete desde fevereiro de 2007 e recebia um salário mensal de R$ 7.600,00. Em discurso proferido em setembro, Cafeteira afirmou ter demitido todos os parentes por ele nomeados, mas havia mantido os que já estavam ocupando cargos antes de seu mandato como senador. Sobre este assunto, estava esperando a interpretação da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, uma vez que acreditava que a “anterioridade [tinha] que ser respeitada”.

            No mês de abril de 2009, discursou em defesa do Congresso Nacional. Na época, a imprensa estava noticiando uma série de denúncias envolvendo funcionários e parlamentares. Cafeteira, então, ressaltou a importância de valorizar e citar o que foi feito de produtivo no Senado, como por exemplo, a apreciação de 150 matérias em apenas um mês. 

            Em julho de 2009, foi divulgado na Folha de São Paulo que Epitácio Cafeteira teria pago o condomínio do edifício Granville, localizado em São Luís, com a verba indenizatória do Senado. Neste condomínio, o senador possuía um apartamento que fora registrado em sua prestação de contas no campo destinado a gastos com “aluguel de imóveis para escritório político, compreendendo despesas concernentes a eles”. De acordo com a imprensa, o seu escritório estava instalado em um outro edifício da capital maranhense, também pago com a verba do Senado, uma quantia de R$ 15 mil por mês que devia ser utilizada para reembolsar despesas com combustível, divulgação de atividades no Senado e aluguéis de escritórios. Procurado por jornalistas, Cafeteira justificou que seu apartamento também servia como escritório.     

            Iniciou o curso de Direito na Faculdade Cândido Mendes (RJ), mas não o concluiu.

            Possui uma participação financeira na Empresa Afonso Pereira & Cia e na táxi aéreo Boomerang Ltda..

            Casou-se com Maria Isabel Cafeteira Afonso Pereira, com quem teve uma filha.

Moisés Arioza/Alan Carneiro/Patrícia Monnerat

 

FONTES: CÂM. DEP. Anais; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1975-1979); Encic. Barsa; Estado de S. Paulo (12/10/86); Folha de S. Paulo (15/3, 22/5 e 26/8/87, 9/2 e 15/7/98); Gazeta de Alagoas (21/10/08); Globo (9/4 e 9/7/83, 26/4/84, 16/1, 25/7 e 29/7/85, 14/1, 28/1, 15/11 e 23/11/86, 13/7 e 18/12/87, 8/9/88 e 5/12/89, 1/7/09); Grande encic. Delta; Grande encic. portuguesa; Jornal do Brasil (25/10/79, 21/11/80, 24/4, 17/6 e 5/9/86 e 3/9/90); Jornal Pequeno (17/8/06, 27/6/09); O Estado de São Paulo (10/6 e 22/7/09); NÉRI, S. 16; Perfil (1980); SENADO. Senadores; Dados (1995-1999); TRIB. REG. ELEIT. MA. Relação (1998); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (6) e Resultado (1998); www.agenciabrasil.gov.br (Acesso em 14/10/09. Reportagem de 6/6/07); www.al.ma.gov.br (Acesso em 14/10/09); www.direito2.com.br (Acesso em 13/10/09. Reportagem de 12/12/07); www.estadao.com,br (Acesso em 15/10/09. Reportagens de 4/8, 6/8 e 6/12/07); www.folha.uol.com.br (Acesso em 15/10/09. Reportagem de 23/10/08); www.noticias.terra.com.br (Acesso em 14/10/09. Reportagem de 13/6/07); www.politicos.br101.org (Acesso em 15/10/09); www.senado.gov.br (Acesso em 14/10/09); www.tribunaimpressa.com.br (Acesso em 14/10/09); www.tse.gov.br (Acesso em 12/10/09).

 

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