ERNANI AIROSA DA SILVA

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Nome: AIROSA, Ernâni
Nome Completo: ERNANI AIROSA DA SILVA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
AIROSA, ERNÂNI

AIROSA, Ernâni

*militar; comte. Comdo. Mil. Amazônia 1976-1977; ch. Depto. Ens. Pesq. Ex. 1978-1979; ch. EME 1979-1981.

 

Ernâni Airosa da Silva nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 21 de setembro de 1915, filho de Homero de Morais Silva e de Violeta Airosa da Silva.

Cursou o Colégio Militar do Rio de Janeiro (1928-1933) e sentou praça em março de 1934, ao ingressar na Escola Militar do Realengo. Saindo aspirante-a-oficial da arma de infantaria em novembro de 1937, foi promovido a segundo-tenente em dezembro de 1938 e a primeiro-tenente em dezembro de 1940.

Comissionado no posto de capitão em janeiro de 1944 para se integrar à Força Expedicionária Brasileira (FEB), então em fase de organização, integrou-se ao 6º Regimento de Infantaria (RI) de Caçapava (SP), na época acantonado na Vila Militar do Rio e comandado pelo coronel João de Segadas Viana. Designado para o comando da 2ª Companhia, seguiu com o 6º RI para a Europa a bordo do navio General Mann, integrando o 1º Escalão da FEB, sob o comando do general Zenóbio da Costa.

Desembarcou na Itália, em 16 de julho de 1944. Dois meses depois, assumiu o comando de um destacamento especial encarregado de tomar Camaiore. Cumprida a missão, que foi seguida da conquista de Monte Prano, Casoli e Casoli Alto, deslocou-se, em outubro, com a 2ª Companhia para o vale do Serchio, onde conquistou Corellia Antalminele e recebeu ordens para tomar Lama di Soto e Pradocelli, com o objetivo de consolidar a conquista de Barga. Nessa operação, foi ferido durante o contra-ataque alemão, mas manteve-se em seu posto, o que lhe valeu a primeira condecoração concedida a um oficial brasileiro na Europa pelo general Mark Clark, comandante do V Corpo de Exército norte-americano.

Em novembro de 1944, ocupou com sua companhia as alturas de Riola Vechia, no vale do Reno, e participou da tomada de Boscacio, Montecavalloro e Lissano, na preparação do ataque a Castelnuovo di Vergato. Efetivado no posto de capitão no mês seguinte, em janeiro de 1945 assumiu o comando da 3ª Seção do 1º Batalhão do 6º RI. Em março, participou da conquista de Soprassasso e Castelnuovo, e, em seguida, do avanço rumo a Montese. Nessa operação, ocorrida durante o mês de abril, a companhia comandada por Airosa sofreu pesadas baixas. Mesmo assim, foram conquistadas as cidades de Zocca, Collechio e Fornovo. Diante da necessidade de reajustar seus efetivos, Airosa ofereceu-se para avançar pela estrada a fim de atrair o fogo inimigo e aliviar a pressão sobre a tropa. No entanto, o jipe que o conduzia explodiu, e, gravemente ferido, foi socorrido pelos alemães. Com a rendição alemã, foi transportado para o posto de socorro do 1º Batalhão e em seguida para hospitais em Modena, Bolonha e Livorno. Temendo não receber alta e ser enviado aos Estados Unidos para tratamento, fugiu de Livorno e juntou-se a seu batalhão. Terminada a guerra, foi condecorado comandante da FEB, na cidade de Alessandria, pelo general João Batista Mascarenhas de Morais. Recebeu então a Cruz de Combate de Primeira Classe, medalha de guerra de maior valor hierárquico concedida pelo Brasil.

Depois de retornar ao país em 1945, serviu na Escola Militar, agora instalada em Resende (RJ), e na 4ª Região Militar, em Belo Horizonte. Posteriormente, foi professor de francês do Colégio Militar, no Rio de Janeiro, até se matricular no curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), o qual concluiu em 1950. Obtendo a patente de major em janeiro de 1952, três anos depois completou o curso da Escola do Estado-Maior do Exército.

Foi promovido a tenente-coronel em dezembro de 1958 e, em abril de 1960, convidado pelo chefe do Gabinete Militar do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961), general Nélson de Melo, passou a ocupar uma vaga na secretaria do Conselho de Segurança Nacional (CSN). Foi classificado na Seção do Exterior do Serviço Federal de Informações e Contra-Informações, mais tarde transformado em Serviço Nacional de Informações. Com a posse de Jânio Quadros na presidência da República em janeiro de 1961, deixou o CSN e matriculou-se na Escola Superior de Guerra (ESG).

Durante a crise instalada pela renúncia de Jânio Quadros (25/8/1961) e a oposição dos ministros militares à posse do vice-presidente João Goulart, Airosa foi designado pelo ministro da Guerra, general Odílio Denis, para comandar a tropa que se deslocaria de São Paulo para o Rio Grande do Sul com a missão de conter as manifestações de apoio a Goulart lideradas pelo governador gaúcho Leonel Brizola. O deslocamento, entretanto, não chegaria a se concretizar devido à adoção do parlamentarismo, o qual garantiu a posse de Goulart na presidência, em setembro de 1961.

Findo o curso na ESG, Airosa foi convidado a integrar o corpo permanente da escola, na qual permaneceu até a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964 que destituiu Goulart. Com a posse na presidência do general Humberto Castelo Branco (1964-1967), foi designado para a 2ª Seção (Informações) do Estado-Maior do I Exército, no Rio de Janeiro. Em agosto de 1964, foi promovido a coronel e, em novembro, transferido para Washington, como assessor do Departamento de Estudos do Colégio Interamericano de Defesa. De volta ao Brasil em janeiro de 1967, assumiu, em março, o comando do 2º Batalhão de Infantaria Blindada (BIB) — atual 24º BIB —, também no Rio de Janeiro.

Em março de 1969, foi promovido a general-de-brigada e, no mês seguinte, assumiu a chefia do Estado-Maior do II Exército, em São Paulo. Nesse posto, foi, segundo a revista Veja, “o idealizador e arquiteto da primeira operação militar integrada de combate à subversão”, destinada a acabar com os assaltos a bancos e quartéis e com os seqüestros de embaixadores estrangeiros. Esse plano posteriormente daria origem à Operação Bandeirante (Oban), que se notabilizaria pelo rigor na repressão aos adversários do regime e que seria várias vezes acusada de torturas e assassinatos. A Oban, por sua vez, seria mais tarde substituída pelo Departamento de Operações Internas do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) do II Exército.

Em janeiro de 1971, deixou o II Exército e passou a chefiar a Diretoria de Armamento e Munição, integrada ao recém-criado Departamento de Material Bélico do Exército. Deixou esse posto um ano depois para assumir o comando da EsAO. Em julho de 1974, foi promovido a general-de-divisão e, em setembro seguinte, passou a responder pela Diretoria de Formação e Aperfeiçoamento, que tinha como unidades subordinadas a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, antiga Escola do Estado-Maior, a EsAO, a Academia Militar de Agulhas Negras e os centros e núcleos de preparação de oficiais da reserva espalhados por todo o país.

Em maio de 1976, assumiu o Comando Militar da Amazônia, em substituição ao general Fernando Belfort Bethlem. Permaneceu à frente desse comando até dezembro de 1977, quando o transferiu ao general Rosalvo Eduardo Jansen, assumindo, em janeiro do ano seguinte, a vice-chefia do Departamento de Ensino e Pesquisa do Exército, chefiado pelo general José Maria de Andrada Serpa. Nessa oportunidade manifestou confiança na distensão política defendida pelo presidente Ernesto Geisel (1974-1979) e na redemocratização preconizada pelo presidente recém-eleito João Batista Figueiredo (1979-1985).

Em junho de 1979 passou o comando do Departamento de Ensino e Pesquisa ao general Geraldo Alvarenga Navarro e assumiu a chefia do Estado-Maior do Exército (EME), substituindo o general Samuel Augusto Alves Correia. No mês seguinte, durante solenidade de mudança do comando do II Exército, rebateu as críticas ao projeto de anistia do governo, manifestando-se contrariamente à extensão do benefício aos punidos por atos “terroristas”.

Em seus pronunciamentos como chefe do EME, defendeu as realizações do regime militar e a união e disciplina das forças armadas, combatendo, com a mesma intensidade, o comunismo. Em dezembro de 1979, declarou que a finalidade da chamada Revolução de 1964 só seria completada com o estabelecimento de um “Estado democrático pleno”. Apesar das manifestações em apoio ao processo de abertura, em abril de 1980, foi instruído pelo governo para desmantelar à força a greve deflagrada pelos metalúrgicos da região do ABC, em São Paulo. A operação resultou na prisão de Luís Inácio Lula da Silva, principal líder do movimento, e de mais 15 grevistas, por comandos da polícia federal, da polícia política e do DOI-CODI.          

Ainda como chefe do EME, e de acordo com o regulamento da época, substituiu o ministro do Exército em quatro oportunidades, uma delas entre novembro de 1980 e fevereiro do ano seguinte, quando o general Válter Pires foi operado. Na condição de ministro interino, puniu com prisão domiciliar de dois dias o chefe do Departamento Geral de Pessoal do Exército, general Antônio Carlos de Andrada Serpa, e com pena de repreensão o general da reserva Euler Bentes Monteiro por terem assinado o documento publicado na imprensa “Em defesa da nação ameaçada”, contendo críticas ao modelo econômico adotado pelo governo. A punição do general Andrada Serpa deveu-se também a uma conferência que este pronunciara no Instituto de Engenharia de São Paulo sobre a situação institucional e a política econômica do país, considerada, conforme nota do general Airosa, manifestação pública “a respeito de assuntos políticos sem que estivesse devidamente autorizado”.

Ernâni Airosa desligou-se oficialmente do Exército em maio de 1981, depois de ter completado 12 anos de generalato e de ter atingido a idade-limite para a permanência na ativa. Passou então a chefia do EME ao general Antônio Ferreira Marques.

Ao longo de sua carreira militar fez ainda cursos na Infantary School e na Army School, nos EUA, e na Escola das Américas, no Panamá.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 5 de dezembro de 1987.

Solteiro, adotou um filho.

Além de diversos trabalhos sobre temas militares, escreveu Memórias de um soldado (1985).

Alan Carneiro

 

 

FONTES: CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (27/11 e 31/12/80, 25/3/81); Folha de S. Paulo (28/3/81); Globo (19/12/79, 19/8, 27/11, 14 e 27/12/80); Jornal do Brasil (26/5/76, 22, 26/1, 26/11 e 19/12/78, 26/6 e 24/7/79, 28/3 e 16/5/81); MIN. EXÉRC. Almanaque (1976); SILVA, E. Memórias; Veja (29/11 e 6/12/78, 7/5/80, 16/12/87).

 

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