ERNESTO PEREIRA CARNEIRO

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Nome: CARNEIRO, Pereira
Nome Completo: ERNESTO PEREIRA CARNEIRO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CARNEIRO, PEREIRA

CARNEIRO, Pereira

*jornalista; pres. ACRJ 1930; const. 1934; dep. fed. DF 1935-1937.

 

Ernesto Pereira Carneiro nasceu no município de Jaboatão (PE) em 14 de abril de 1877, filho de Adolfo Pereira Carneiro, de nacionalidade argentina, e de Cândida Machado Carneiro, descendente de tradicional família nordestina.

Depois de fazer seus primeiros estudos, em Recife, viajou para a Europa, onde freqüentou os colégios Arriaga, em Lisboa, e dos Jesuítas, em Paris. Já adolescente, retornou ao Brasil e realizou os estudos secundários no Colégio Anchieta, também jesuíta, situado em Nova Friburgo (RJ). Ingressou em seguida no Saint George College, em Londres, onde se especializou em economia.

Iniciou suas atividades profissionais em Recife no ano de 1895 na firma comercial Pereira Carneiro e Cia., de propriedade de sua família. Após a morte de seu pai e de seu tio Antônio Machado, passou a dividir a direção da empresa com seu irmão. Considerado bom comerciante, foi eleito vice-presidente da Associação Comercial de Pernambuco em 1897 e, pouco depois, começou a diversificar suas atividades, adquirindo uma fábrica de malhas em Várzea (PE) e várias salinas no Rio Grande do Norte e no Ceará.

Em 1909, casou-se com Beatriz Correia de Araújo, pertencente a uma destacada família pernambucana. Pretendendo ampliar seus negócios, transferiu-se em 1912 para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde adquiriu a Companhia Comércio e Navegação, especializada em transportes marítimos, e a massa falida da indústria de navios Faria e Companhia, procurando vincular essas operações ao fortalecimento de suas empresas nordestinas.

As atividades empresariais de Pereira Carneiro receberam grande impulso durante a Primeira Guerra Mundial, deflagrada em 1914. Apesar do afundamento de alguns dos seus navios que faziam transporte, para a Europa, sua frota aumentou consideravelmente e operou com grande lucratividade, ao mesmo tempo que a queda das importações brasileiras e o maior acesso das indústrias nacionais ao crédito permitiam uma diversificação de suas atividades. Além de modernizar a produção salineira e o estaleiro naval, Pereira Carneiro fundou em Niterói (RJ) uma fábrica de juta para produzir sacos e realizou sua antiga aspiração de ligar-se à imprensa, concedendo um empréstimo à firma Mendes e Companhia, proprietária do Jornal do Brasil, que atravessava grave crise econômica. Começou então a assinar uma coluna nesse matutino carioca, intitulada “Notícias de Pernambuco”.

Em 1918 os irmãos Mendes de Almeida não conseguiram resgatar a hipoteca do jornal, que passou para a propriedade de Pereira Carneiro. A partir daí, o Jornal do Brasil sofreu várias reformas e entrou numa fase de recuperação financeira. Nessa época, marcada pelo acirramento dos conflitos trabalhistas nas regiões mais industrializadas do país, Pereira Carneiro foi um dos primeiros empresários a adotar novos métodos de higiene e proteção dos seus operários, chegando a construir uma vila que levou seu nome, situada em Niterói, dotada de escolas e de um serviço de assistência médico-odontológica. Sua colaboração com as obras sociais da Igreja e a doação de cem contos de réis para auxiliar no combate à epidemia da “gripe espanhola” que assolou o Rio de Janeiro em 1918 fizeram com que o papa Bento XV lhe outorgasse no ano seguinte o título de conde do Vaticano. Foi um dos fundadores da maternidade e do hospital dos tuberculosos da Santa Casa de Misericórdia de Recife, inaugurados sob os auspícios da Cruz Vermelha Brasileira.

Em 1920, o conde Pereira Carneiro, como passou a ser conhecido, lançou o vespertino A Hora, de duração efêmera, ao mesmo tempo que prosseguia na reformulação do Jornal do Brasil. Nos anos seguintes, atuou intensamente na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), participando em várias ocasiões de sua diretoria. Promoveu campanhas pelo desenvolvimento da aviação civil, tornando-se em 1927 acionista do Sindicato Condor, empresa alemã pioneira no transporte aéreo de passageiros no Brasil. Em 1929, chefiou a comissão designada pela ACRJ para expor ao presidente Washington Luís as preocupações do setor com a crise econômica em curso. No encontro com o chefe da nação, criticou a reforma financeira implantada pelo governo e sugeriu medidas urgentes para a solução de problemas que atingiam os empresários do comércio e da indústria.

Pereira Carneiro foi eleito presidente da ACRJ em maio de 1930 e, pouco depois da sua posse, enviou um telegrama a Washington Luís saudando a vitória do seu correligionário Júlio Prestes nas eleições presidenciais realizadas dois meses antes. Entretanto, importantes setores da oposição, aglutinada em torno da Aliança Liberal, contestavam a lisura do pleito e começavam a preparar, junto com militares ligados ao movimento tenentista, um levante armado de âmbito nacional contra o governo. A revolução foi deflagrada em outubro e, vitoriosa depois de 21 dias de luta, levou à formação do Governo Provisório chefiado por Getúlio Vargas. Nessa ocasião, o Jornal do Brasil foi empastelado e teve sua circulação suspensa por quatro meses, enquanto as atividades da ACRJ passaram a ser controladas pelas autoridades revolucionárias. As limitações impostas à autonomia da entidade provocaram, pouco depois, a renúncia de Pereira Carneiro.

Depois de passados os momentos críticos da instalação da nova ordem, o Jornal do Brasil foi reaberto, adotando uma atitude de cautela diante das questões políticas nacionais, o que não impediu que expressasse sua simpatia pela Revolução Constitucionalista, movimento que entre julho e outubro de 1932 opôs as forças paulistas ao governo federal. Depois da vitória sobre os revoltosos, Vargas convocou eleições para a Assembléia Nacional Constituinte, realizadas em 3 de maio de 1933. Pereira Carneiro foi então eleito deputado na legenda do Partido Autonomista do Distrito Federal, fundado pouco antes sob a liderança de Pedro Ernesto Batista, interventor na capital. Na Assembléia, Pereira Carneiro defendeu a adoção do ensino religioso obrigatório, aprovada e inscrita na Constituição promulgada em 16 de julho de 1934. Em outubro seguinte, foi eleito deputado federal na mesma legenda, participando da legislatura iniciada em maio de 1935.

Nesse ano, os negócios de Pereira Carneiro sofreram sérios reveses, que o levaram a se desfazer de suas principais empresas e concentrar seus recursos na implantação da Rádio Jornal do Brasil e na recuperação do jornal que, apesar da reorganização interna e das relações estáveis com o governo, não havia superado totalmente os problemas surgidos no início da década. Sob a direção financeira de José Pires do Rio, o jornal conseguiu vencer a crise, graças à nova orientação adotada, que concebia o periódico como um boletim de anúncios.

Em novembro de 1937, com o golpe militar que implantou o Estado Novo, os órgãos legislativos do país foram fechados e os mandatos parlamentares, interrompidos. Pereira Carneiro recolheu-se então às atividades privadas. Sua primeira esposa faleceu em 1940, e dois anos depois ele contraiu segundas núpcias com a viúva Maurina Dunshee de Abranches Marchesine, filha do escritor, jornalista e político João Dunshee de Abranches Moura, deputado federal de 1906 a 1917.

Pereira Carneiro contraiu grave enfermidade em 1952, sendo forçado a se afastar da direção dos seus negócios. Faleceu no Rio de Janeiro em 21 de fevereiro de 1954, sem deixar filhos.

Foi fundador e presidente de honra do Clube Náutico Capibaribe, sediado em Recife, membro da Cruz Vermelha Brasileira, sócio benemérito da Associação Brasileira de Imprensa, fundador e presidente da Sociedade Brasileira de Puericultura. Durante 33 anos, exerceu a função de correspondente do Banco do Brasil para o Nordeste.

Deixou publicados seus Discursos sobre assuntos comerciais, industriais e financeiros, proferidos entre 1919 e 1942.

Marieta de Morais Ferreira

 

 

FONTES: Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; Câm. Dep. seus componentes, CONSULT. MAGALHÃES, B.; Encic. Mirador; GODINHO, V. Constituintes; Grande encic. Delta; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos (1949); Jornal do Brasil (23 e 24/2/54; 14/4/76; 14 e 20/4/77 e 18/9/80); Tribuna da Imprensa (19/2/54).

 

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