ESTEVES, EMILIO LUCIO

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: ESTEVES, Emílio Lúcio
Nome Completo: ESTEVES, EMILIO LUCIO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
ESTEVES, EMÍLIO LÚCIO

ESTEVES, Emílio Lúcio

*militar; comte. 3ª RM 1936-1937; comte. 4ª RM 1937-1938; comte. 5ª RM 1939-1940; insp.-ger. 2º Gr. RM 1940-1943.

 

Emílio Lúcio Esteves nasceu em Taquara (RS) no dia 23 de dezembro de 1883, filho de José Luís Esteves e de Emília Monteiro Esteves.

Sentou praça em abril de 1903, ingressando na Escola Preparatória de Tática e de Tiro de Rio Pardo (RS), cujo curso concluiu em janeiro de 1906. Em seguida matriculou-se na Escola de Guerra de Porto Alegre, onde fez o curso de aplicação de infantaria e cavalaria, saindo aspirante em janeiro de 1909. Nesse mesmo mês passou a servir na Comissão da Carta Geral do Brasil, da qual foi desligado em abril para ingressar na Escola de Artilharia e Engenharia, cujo curso interrompeu em outubro seguinte. Promovido a segundo-tenente em fevereiro de 1911, foi colocado à disposição do governo do Rio Grande do Sul em junho do ano seguinte. Em julho de 1912 foi comissionado na patente de capitão, tornando-se instrutor de Brigada Militar gaúcha.

Primeiro-tenente em fevereiro de 1918, matriculou-se em janeiro de 1921 na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. No ano seguinte, concluído o curso, assumiu a chefia dos instrutores da Brigada Militar gaúcha, recebendo a patente de capitão em abril de 1922. Comissionado no posto de tenente-coronel, assumiu o comando do batalhão da Brigada Militar gaúcha posto à disposição do governo federal para combater em São Paulo a revolta de 5 de julho de 1924, irrompida também em Sergipe e Amazonas, onde foi dominada com mais rapidez. Em São Paulo, os rebeldes, comandados por Isidoro Dias Lopes, ocuparam a capital por três semanas, abandonando então a cidade e deslocando-se para o interior.

De volta ao Rio Grande do Sul em setembro de 1924, foi promovido a major em outubro seguinte. Em novembro desse mesmo ano assumiu o comando de um destacamento da Brigada Militar cuja missão era dar combate às forças rebeldes que, lideradas pelo capitão Luís Carlos Prestes, haviam-se sublevado em outubro anterior na região de Santo Ângelo, no oeste do estado. Permaneceu nesse comando até março de 1925. Em agosto voltou a comandar um destacamento da brigada, dessa vez para combater em Goiás efetivos da Coluna Miguel Costa-Prestes, movimento rebelde formado em abril daquele ano a partir da junção dos grupamentos que se haviam sublevado em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Liderada por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa, a coluna percorreu o interior do país, através de 13 estados, dando combate às tropas legais, até internar-se em 1927 na Bolívia (fevereiro) e no Paraguai (março).

Diretor do curso de preparação militar da Brigada Militar gaúcha em março de 1927, função que passou a acumular com a de chefe dos instrutores da corporação, em fevereiro de 1929 ascendeu ao posto de tenente-coronel, matriculando-se no mês seguinte no curso da Escola de Estado-Maior do Exército, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Servia no Departamento de Guerra em outubro de 1930, quando foi designado pela junta governativa provisória — que destituiu o presidente Washington Luís em 24 outubro, após o início da Revolução de 1930 — para seguir para Ponta Grossa (PR) com o objetivo de encontrar-se com Getúlio Vargas, líder máximo do movimento revolucionário, e acompanhá-lo até o Rio de Janeiro. Em novembro seguinte, depois da posse de Getúlio na chefia do Governo Provisório, foi colocado à disposição do Ministério da Justiça, atuando como chefe de gabinete do titular daquela pasta, Osvaldo Aranha. Promovido a coronel em abril de 1931, em novembro seguinte concluiu o curso da Escola de Estado-Maior e, por essa época, assumiu o comando da Polícia Militar do Distrito Federal. Em dezembro de 1932, recebeu a patente de general-de-brigada.

Presidente do Clube Militar entre 1934 e 1935, em fevereiro desse último ano foi acusado pelo interventor no Rio Grande do Sul, José Antônio Flores da Cunha, em carta dirigida ao presidente Vargas, de conspirar contra o governo — juntamente com o almirante Protógenes Guimarães, ministro da Marinha, e os generais João Guedes da Fontoura, Valdomiro Lima e Manuel de Cerqueira Daltro Filho —, visando implantar uma ditadura militar no país. Em dezembro de 1935 participou de uma reunião de generais, realizada no Rio, com o objetivo central de discutir sobre a suficiência das leis repressivas existentes para punir os participantes da revolta comunista ocorrida no mês anterior. Além de Lúcio Esteves, estiveram presentes na reunião, entre outros, os generais-de-divisão João Gomes Ribeiro, ministro da Guerra, Valdomiro Lima, Pedro Aurélio de Góis Monteiro e Eurico Gaspar Dutra, e os generais-de-brigada Guedes da Fontoura, José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, José Meira de Vasconcelos e Júlio Caetano Horta Barbosa. Nessa reunião ficou decidido que o ministro da Guerra encaminharia a Getúlio o esboço de um projeto de lei, no qual se decretava que os oficiais envolvidos no levante estariam não apenas sujeitos às penalidades da lei, como também seriam expulsos do Exército.

Em abril de 1936 concluiu o curso de informação para generais e coronéis e em outubro seguinte foi desligado do estado-maior da Polícia Militar do Distrito Federal, passando a exercer cumulativamente os comandos da 3ª Região Militar (3ª RM) e da 3ª Divisão de Infantaria (3ª DI), ambas sediadas em Porto Alegre. Nesse momento, a situação no Rio Grande do Sul era de grande tensão política, devido às crescentes divergências entre o governo federal e o governador gaúcho Flores da Cunha. Por um lado, Flores procurava influir na escolha do sucessor de Vargas e, por outro, o presidente atuava de modo a dificultar a ação do governador, estimulando as dissidências políticas internas no estado. Paralelamente, no campo militar, o governo central encaminhava uma política de desarmamento das forças estaduais gaúchas, temeroso de que Flores as mobilizasse. A principal arma de Getúlio era a Assembléia Legislativa, onde a oposição controlava 20 cadeiras contra 19 dos partidários de Flores. Instados pelo presidente da República, os deputados oposicionistas votaram pelo impedimento de Flores da Cunha para executar o estado de guerra — em vigor no país desde março de 1936, dentro da onda de repressão desencadeada após a Revolta Comunista de 1935 —, transferindo tais poderes para o general Lúcio Esteves, maior autoridade militar no estado. Tal posição seria confirmada em abril de 1937, quando Vargas nomeou-o executor do estado de guerra no Rio Grande do Sul. A iniciativa federal, contudo, não só desagradou a Flores da Cunha, como também ao próprio Lúcio Esteves, que se mostrou contrário ao desarmamento completo das forças estaduais. A oposição gaúcha da época chegou a acusar o general e seus auxiliares de estarem negociando com Flores da Cunha, sugerindo inclusive uma possível aliança entre ambos. Entretanto, em 18 de junho de 1937, o estado de guerra foi suspenso em todo o país.

A campanha contra o governador gaúcho, porém, continuou. Os oficiais considerados pró-Flores da Cunha foram removidos do Rio Grande do Sul, e navios de guerra foram enviados para aquele estado. Nessa ocasião, Lúcio Esteves recebeu ordens do general Eurico Dutra, ministro da Guerra, para ocupar a cidade gaúcha de Marcelino Ramos, iniciando uma ofensiva militar contra Flores da Cunha, acusado de mobilizar clandestinamente as forças estaduais. No entanto, juntamente com o general Guedes da Fontoura — comandante da 5ª RM, sediada em Curitiba —, Lúcio Esteves não acatou essas ordens, atitude apoiada por outros chefes militares. Quinze generais enviaram um telegrama de solidariedade a Guedes da Fontoura e um manifesto a Dutra, pedindo o retorno das tropas e, em decorrência dessa dissidência interna, a invasão do Rio Grande do Sul por forças federais foi cancelada. Em agosto de 1937, Lúcio Esteves foi substituído no comando da 3ª RM pelo general Daltro Filho.

Nomeado nesse mesmo mês comandante da 4ª RM, sediada em Juiz de Fora (MG), permaneceu no cargo até julho de 1938, quando passou a exercer o cargo de diretor de Engenharia do Exército. Em maio de 1939 foi promovido a general-de-divisão e em julho seguinte deixou a direção de Engenharia do Exército, assumindo em seguida o comando cumulativo da 5ª RM e da 5ª DI, ambas sediadas em Curitiba. Em novembro de 1940 tornou-se inspetor-geral do 2º Grupo de Regiões Militares, com sede em Porto Alegre, em substituição ao general Almério de Moura, e em maio do ano seguinte assumiu a direção do curso de alto comando do Exército.

Faleceu no dia 10 de dezembro de 1943, num desastre de automóvel. Promovido postumamente a general-de-exército, foi substituído na inspetoria geral do 2º Grupo de Regiões Militares pelo general Pedro de Alcântara Cavalcanti de Albuquerque.

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; BIJOS, G. Clube; CARONE, E. República nova; CORTÉS, C. Gaúcho; JARDIM, R. Aventura; MIN. GUERRA Almanaque (1934); SILVA, H. 1937.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados