Eugênia Álvaro Moreira

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Nome: MOREIRA, Eugênia Álvaro
Nome Completo: Eugênia Álvaro Moreira

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

MOREIRA, Eugênia Álvaro

*jornalista; rev. 1935.

 

Eugênia Álvaro Moreira, em solteira Eugênia Brandão, nasceu em Juiz de Fora (MG) no dia 6 de março de 1899, filha de Armindo Gomes Brandão e de Maria Antonieta Brandão.

Iniciou sua carreira na imprensa ainda muito jovem, durante o governo do marechal Hermes da Fonseca (1910-1914), escrevendo uma reportagem de primeira página no vespertino Última Hora, de Olegário Mariano e Cásper Líbero. Considerada, na época, a primeira mulher repórter, transferiu-se mais tarde para o vespertino A Rua, jornal de oposição ao hermismo, trabalhando ainda em A Notícia e em O País.

A partir de 1926 iniciou um movimento renovador no teatro brasileiro, fundando com seu marido, Álvaro Moreira, o Teatro de Brinquedo, que realizou a montagem de diversas peças de sucesso, entre as quais Deus lhe pague, de Juraci Camargo. Notabilizou-se por seu comportamento considerado excêntrico na época. No dizer de Álvaro Cotrim, usava “indumentária ditada por seu gosto pessoal... [e] numa insolência gestual, levava à boca a cigarrilha em plena rua (na época um escândalo!)”.

Em maio de 1935, juntamente com Maria Werneck de Castro, Ester Xavier, Armanda Álvaro Alberto, Catarina Laudsberg, Mary Mércio e Norma Mormy, foi uma das fundadoras da União Feminina do Brasil, entidade que mantinha estreitos vínculos com a Aliança Nacional Libertadora (ANL), formando a Frente Popular Antifascista. Em dezembro desse mesmo ano foi presa sob a acusação de possuir vínculos com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), então Partido Comunista do Brasil, que havia liderado em novembro daquele ano um levante militar no Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Norte, com o objetivo de instalar no país um governo nacional-revolucionário. Em depoimento prestado à polícia do Distrito Federal afirmou que a União Feminina do Brasil recebera da ANL um ofício circular solicitando seu apoio para a frente única, pedido que foi atendido com a indicação de Maria Werneck de Castro como delegada. Em fevereiro de 1936 foi posta em liberdade, por falta de provas de seu envolvimento com o PCB e com a Revolta Comunista de 1935.

Foi presidente da Casa dos Artistas entre 1936 e 1938, ano em que venceu o concurso público aberto pelo ministro da Educação, Gustavo Capanema (1934-1945), com o objetivo de escolher um projeto que popularizasse o teatro e o levasse para o interior do Brasil. A partir daí, junto com seu marido, levou seu projeto vitorioso, o Teatro de Arte, ao povo dos subúrbios e percorreu o Brasil em excursões, viajando principalmente pelo Sul do país.

Ainda durante o Estado Novo (1937-1945) participou da campanha desencadeada por Leocádia Felizardo Prestes, mãe de Luís Carlos Prestes, para libertar de um campo de concentração na Alemanha sua neta Anita Leocádia Prestes, nascida naquele país em novembro de 1936. Essa campanha teve grande repercussão no Brasil e acabou sendo vitoriosa, com a entrega, pelo governo alemão, de Anita à sua avó.

Em maio de 1945 participou do comício do PCB realizado no estádio do Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no qual, além dela, discursaram Álvaro Ventura, Manuel Venâncio Campos da Paz e Luís Carlos Prestes. Filiou-se ao PCB em novembro desse mesmo ano, depois desse partido ter obtido seu registro legal junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A partir de então desenvolveu intensa atividade partidária, tornando-se dirigente da célula Olga Benário na Zona Sul do Rio.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 16 de junho de 1948.

De seu casamento com Álvaro Moreira teve seis filhos, entre os quais Sandro Moreira, destacado jornalista esportivo.

 

 

FONTES: ENTREV. MOREIRA, S.; Grande encic. Delta; PORTO, E. Insurreição.

 

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