EXPEDITO DE FREITAS RESENDE

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Nome: RESENDE, Expedito
Nome Completo: EXPEDITO DE FREITAS RESENDE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
RESENDE, EXPEDITO

RESENDE, Expedito

*diplomata; emb. Bras. Chile 1975-1977.

 

Expedito de Freitas Resende nasceu em Piripiri (PI) no dia 22 de outubro de 1921, filho de Cassiano Coelho de Resende, chefe político no estado, e de Benedita de Aguiar Freitas Resende.

Bacharelou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal.

Em março de 1950 ingressou na carreira diplomática por concurso, no posto de cônsul de terceira classe. Ainda nesse ano fez o curso de preparação à carreira diplomática do Instituto Rio Branco e em 1952 freqüentou o curso de aperfeiçoamento de diplomatas, na mesma instituição.

Designado para servir em Assunção, no Paraguai, na qualidade de terceiro-secretário, assumiu essa função em outubro de 1952. Dessa data até fevereiro de 1953, foi encarregado do consulado do Brasil em Assunção, onde permaneceu até dezembro deste último ano. Designado provisoriamente para Buenos Aires em janeiro de 1954, em maio seguinte foi efetivado na capital argentina, onde, em setembro, assessorou a delegação do Brasil na III Reunião Regional da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) das Nações Unidas. Promovido a segundo-secretário em julho de 1956, permaneceu na Argentina até novembro de 1957, quando foi removido para o Itamarati.

No Ministério das Relações Exteriores foi auxiliar do chefe do Departamento Político e Cultural de janeiro a julho de 1958 e, a partir deste último mês, passou a auxiliar do chefe do Departamento de Administração. Integrou o grupo de trabalho incumbido da elaboração do anteprojeto da lei de reforma da organização e dos quadros de pessoal do Itamarati em novembro de 1958. No mês seguinte foi membro da comissão de revisão da tabela de gratificações de representação, também do Itamarati. Permaneceu na função de auxiliar do chefe do Departamento de Administração até agosto de 1959 e no mesmo mês atuou como adjunto de ligação com o Congresso Nacional. Oficial-de-gabinete do secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores a partir de setembro de 1959, ainda nesse ano foi assessor da delegação do Brasil à IV Conferência Interamericana de Jurisconsultos, realizada em Santiago do Chile.

Em janeiro de 1961, deixando suas funções no Itamarati, passou a servir na embaixada do Brasil em Roma. Em setembro do mesmo ano foi promovido a primeiro-secretário e de janeiro a fevereiro de 1962 exerceu as funções de encarregado de negócios na capital italiana. Integrou a Comissão de Representação no Exterior do Itamarati entre setembro de 1963 e abril de 1964, quando foi novamente transferido para Buenos Aires. Encarregado de negócios nessa capital entre março e abril de 1965, em novembro desse ano foi delegado do Brasil à Reunião de Coordenação sobre Legislação de Transportes Rodoviários, realizada em Buenos Aires. No mesmo mês foi também delegado-suplente da delegação brasileira à I Conferência Interamericana Extraordinária no Rio de Janeiro. Ainda em 1965 foi representante-suplente da seção brasileira da Comissão Especial Brasileiro-Argentina de Coordenação (CEBAC).

De volta ao Brasil, em 1966 recebeu título de conselheiro e tornou-se chefe da Divisão da América Meridional. No exercício dessas funções foi membro do grupo de trabalho que elaborou as bases da participação do Brasil na III Conferência Interamericana Extraordinária, ainda em 1966, à qual compareceria no ano seguinte em Buenos Aires, qualidade de delegado brasileiro. Promovido a ministro de segunda classe em 1966, tornou-se nesse ano representante-suplente do Itamarati na Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e na Superintendência do Desenvolvimento da Região Sul (Sudesul).

Em 1967 foi delegado à I Reunião de Ministros das Relações Exteriores dos Países da Bacia do Prata e à IX Reunião de Consulta da Organização dos Estados Americanos (OEA) para a preparação do Encontro de Chefes de Estado do Continente, ambas realizadas em Buenos Aires. Foi também membro das delegações do Brasil às III e IV Reuniões da CEBAC, realizadas na mesma cidade respectivamente em 1967 e 1968. Neste último ano deixou a chefia da Divisão da América Meridional e suas funções na Sudam e na Sudesul.

Ainda em 1968 foi removido para Bruxelas, na Bélgica, como ministro-conselheiro. Nesse mesmo ano foi delegado do Brasil à Conferência de Plenipotenciários sobre a Codificação do Direito de Tratados das Nações Unidas, realizada em Viena, na Áustria. Permaneceu em Bruxelas como encarregado de negócios até 1969, quando foi transferido mais uma vez para Buenos Aires, onde desempenhou a função de ministro-conselheiro da embaixada do Brasil até 1970. Nesse ano foi encarregado de negócios na capital argentina e retornou ao Brasil, sendo nomeado secretário-geral adjunto para Organismos Regionais Americanos do Itamarati.

Em 1971 foi delegado do Brasil à Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores dos Países Americanos, em Washington; ao III Período Extraordinário de Sessões da Assembléia Geral da OEA, também em Washington, à IV Reunião de Ministros das Relações Exteriores dos Países da Bacia do Prata, em Assunção, ao IX Período de Sessões Extraordinárias das Partes Contratantes do Tratado de Montevidéu, na capital uruguaia, e à I Assembléia Ordinária da OEA em São José, na Costa Rica. Ainda em 1971 integrou as comissões nacionais da Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC) e da Bacia do Prata e representou o Brasil na III Reunião do Grupo de Peritos do Recurso Água, realizada em Brasília. Foi representante do Itamarati no Conselho da Sudesul, de 1971 a 1972. Neste último ano chefiou a delegação do Brasil à Reunião do Grupo de Peritos do Projeto A-4 (Navegação), em Buenos Aires, e foi delegado-suplente à Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, na Suécia e à XXVII Sessão da Assembléia Geral da ONU, em Nova Iorque. Ainda em 1972 foi delegado no Brasil à V Reunião de Chanceleres dos Países da Bacia do Prata, em Punta del Este, no Uruguai, e deixou a função de secretário-geral adjunto para Organismos Regionais Americanos.

A partir de 1973 chefiou o Departamento das Américas do Ministério das Relações Exteriores. Nesse mesmo ano foi promovido a ministro de primeira classe e chefiou as delegações do Brasil à II Reunião da Comissão Mista Brasileiro-Colombiana e à II Reunião da Comissão Mista Brasileiro-Venezuelana, ambas realizadas em Brasília. Foi também delegado do Brasil à VI Reunião dos Chanceleres dos Países da Bacia do Prata. No ano seguinte participou da VII Reunião dos Chanceleres dos Países da Bacia do Prata, realizada em Buenos Aires, e chefiou a delegação brasileira à II Reunião da Comissão Mista Brasileiro-Peruana de Cooperação Econômica e Técnica, realizada em Brasília.

Tendo mantido relações com todas as correntes políticas do seu estado, seu nome foi diversas vezes cogitado para a eleição indireta ao cargo de governador do Piauí. Em 1974, quando sua indicação era dada como certa, recusou o cargo de secretário-geral do Itamarati, que lhe foi oferecido pelo ministro Antônio Francisco Azeredo da Silveira. Quanto ao governo do estado, contudo, foi preterido em função da indicação de Dirceu Arcoverde. Segundo o Jornal do Brasil, seu nome não foi indicado devido à sua recusa de estabelecer qualquer acordo prévio para a futura administração, o que era exigido pelos partidários do então governador Alberto Silva.

Um dos principais especialistas do Itamarati em questões sobre a Bacia do Prata, durante sua permanência à frente do Departamento das Américas teve importante atuação nas negociações finais do acordo de Itaipu com o Paraguai para a construção da usina no rio Paraná e a constituição da empresa binacional responsável por sua exploração. Foi também encarregado das negociações do acordo da hidrelétrica de Corpus com a Argentina. Deixou o departamento em 1975 e em novembro desse ano tornou-se embaixador do Brasil em Santiago, sucedendo a Antônio Cândido da Câmara Canto. No exercício de sua função foi responsável pelo aumento das relações econômicas entre o Brasil e o Chile. inclusive com a venda a esse país de armamento brasileiro, dando início à participação brasileira nesse mercado. Foi substituído em maio de 1977 por Raul de Vincenzi.

Em seguida tornou-se embaixador do Brasil junto a Santa Sé em Roma, ocasião em que as relações entre o Estado e a Igreja Católica no Brasil atravessavam momentos difíceis devido ao posicionamento da Igreja em favor dos direitos humanos. Assumiu a embaixada em julho de 1977, substituindo Antônio Borges Leal Castelo Branco. Na ocasião da apresentação de suas credenciais ao papa Paulo VI, respondeu a seu discurso de saudação referindo-se à situação dos direitos humanos no Brasil, à necessidade de o desenvolvimento econômico levar em conta os pobres e à “preocupação privilegiada” da Igreja pelos “pobres e desvalidos”.

Em janeiro de 1979 era um dos favoritos para ocupar a função de ministro das Relações Exteriores do governo de João Batista Figueiredo, mas o cargo acabou sendo atribuído a Ramiro Elísio Saraiva Guerreiro. Como embaixador no Vaticano, articulou a visita do papa João Paulo II ao Brasil em 1981. Permaneceu no posto até 21 de fevereiro desse ano, faleceu em pleno exercício de suas funções, tendo sido substituído interinamente pelo ministro-conselheiro Mauro Azevedo.

Foi membro da Associação Piauiense de Letras.

Foi casado com Maria Madalena Tudo Resende, com quem teve uma filha.

 

 

FONTES: Estado de S. Paulo (22 e 24/2/81); Folha de S. Paulo (22/2/81); Globo (8/4/77, 6/1/79, 22, 24, 25 e 26/2/81); Jornal do Brasil (15 e 23/8, 11 e 14/9 e 11/12/75, 7/3, 5 e 6/7/77, 22, 24 e 25/2/81); MIN. REL. EXT. Anuário (1965, 1975 e 1977); Perfil (1975).

 

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