José Freire Falcão

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Nome: FALCÃO, José Freire
Nome Completo: José Freire Falcão

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

FALCÃO, José Freire

*arceb. Brasília 1984-2004

  

José Freire Falcão nasceu em Ereré, no município de Pereiro (CE), em 23 de outubro de 1925, filho de Otávio Freire de Andrade e de Maria Falcão Freire.

Aos onze anos, concluiu, na cidade de Russas (CE), o quarto ano primário. Em 1938 ingressou no seminário da Prainha, em Fortaleza, ordenando-se padre na cidade de Limoeiro do Norte (CE), em 1949. Neste município, entre 1961 e 1967, foi professor de matemática e física do Ginásio Diocesano Padre Anchieta e do Seminário, vigário cooperador e diretor artístico da Rádio Educadora Jaguaribana. Também em 1967, tornou-se bispo-coadjutor de Limoeiro do Norte, desempenhando as funções de assistente de movimentos de Ação Católica e assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na área litúrgica. Já no ano seguinte, participou da Conferência do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), realizado na cidade colombiana de Medelin. Como bispo de Limoeiro do Norte, dom José Falcão foi ainda membro da Comissão Episcopal de Pastoral, e presidente do Movimento de Educação de Base, o que lhe dava assento no conselho permanente da entidade.

Em 1972 foi nomeado arcebispo de Teresina. A partir de então, dom Falcão integrou também o Departamento de Vocações e Ministérios e o Departamento de Educação do CELAM, tendo sido ainda responsável pela Seção de Ecumenismo. Em 1979 participou da conferência do CELAM realizada em Puebla (México).

Em 1981 dom Falcão participou da congregação plenária da comissão para revisão do Código do Direito Canônico. Também fez parte do grupo de bispos eleitos pelo papa João Paulo II para participar da VI Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos que aconteceu no Vaticano em 1983.

No mês de março de 1984, dom José Falcão foi transferido para Brasília pelo papa João Paulo II, substituindo dom José Newton, que se aposentara. Na ocasião, declarou que esperava que seu relacionamento com o governo federal fosse tão bom como o que tivera com o governo do Piauí. Considerado representante da ala conservadora da Igreja, em maio de 1988 foi nomeado cardeal pelo papa, juntamente com dom Lucas Moreira Neves, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil. A partir de sua nomeação, a capital brasileira foi elevada ao patamar de sé cardinalícia.

Mantendo boas relações com o mundo político e diplomático de Brasília, foi tido na ocasião como um dos prelados brasileiros mais bem informados. Integrava, inclusive, o chamado “grupo do Jornal do Brasil”, expressão utilizada pela CNBB para identificar o conjunto de bispos de orientação conservadora que, como dom Eugênio Sales e dom Lucas Moreira Neves, teriam espaço garantido na página de opinião do jornal. Em entrevista à imprensa, evitando falar de política, definiu a Igreja do Terceiro Mundo como “viva e atuante” e qualificou a participação dos padres brasileiros nas questões de terras de “missão religiosa”. Reconheceu as pastorais da terra, do índio, do operário e dos sem-terra como necessárias, e chamou a atenção para o risco de “eventuais desvios de caráter ideológico” por parte de seus integrantes, por lidarem com uma “realidade social problemática”, esquecendo-se muitas vezes de prestar obediência à CNBB e à própria hierarquia da Igreja. Crítico da Teologia da Libertação, de inspiração marxista, declarou ainda que a política seria tarefa dos partidos, ao passo que padres e bispos deveriam se preocupar em “salvar almas e pregar o Evangelho”.

Formalizada sua posse como cardeal no dia 28 de junho de 1988, quando recebeu o barrete cardinalício, dois meses depois encabeçou um abaixo-assinado das escolas católicas e igrejas de Brasília contra a exibição no Brasil do filme A última tentação de Cristo, de Martin Scorcese, considerado contrário ao Evangelho. Em fevereiro de 1990, às vésperas da posse de Fernando Collor de Melo na presidência da República, manifestou apoio às medidas econômicas propostas pela equipe do presidente eleito. Acrescentou que esse apoio seria condicionado a que as medidas revertessem o processo inflacionário, mesmo que com o sacrifício da população.

Em maio de 1994, proibiu a realização de um ato de apoio ao candidato à presidência da República Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), na igreja de Santo Inácio, em Samambaia, cidade-satélite de Brasília. Em julho do ano seguinte, tentou impedir a apresentação de integrantes do grupo musical Olodum, da Bahia, no santuário Dom Bosco, em Brasília, com o argumento de que a banda tinha ligações com o candomblé. Em agosto de 1998, impediu a celebração da missa campal programada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) para a manifestação em prol do acordo que estabeleceria o perdão de 60% das dívidas dos agricultores com o governo, declarando não querer “misturar reivindicação e protesto com o ritual dos católicos”.

Em fevereiro de 1995, por iniciativa de dom Falcão, foi fundado o Centro de Estudos Filosóficos e Teológicos de Brasília, que iniciou no mesmo ano o curso de filosofia e em 1997, o de teologia.

Em 1996, deixou a diretoria da OASSAB (Obras de Assistência e de Serviço Social da Arquidiocese de Brasília), cargo que ocupava desde 1984.

Em 2004, dom José Freire Falcão atingiu os 75 anos, deixando o comando da Arquidiocese de Brasília, onde foi substituído por dom João Brás de Aviz. Posteriormente, obteve o título de arcebispo emérito da cidade. No ano seguinte, mesmo já estando aposentado, compareceu ao funeral do papa João Paulo II e participou – com outros três cardeais brasileiros – do conclave que elegeu o papa Bento XVI.

Em agosto de 2009, foi homenageado pela CNBB, no contexto de comemoração dos 60 anos de sua ordenação sacerdotal, e em outubro de 2012, foi homenageado pelo Centro de Estudos Filosóficos e Teológicos de Brasília, quando da inauguração da biblioteca que ganhou o seu nome. Em 2013, no entanto, já contando 87 anos, não pode participar – como eleitor – do conclave que escolheu o papa Francisco, após a renúncia de Bento XVI.

Dom José Freire Falcão participou da missa celebrada pelo papa Francisco em ação de graças pela canonização do Padre Anchieta – no dia 24 de abril de 2014 – junto aos cardeais brasileiros Raimundo Damasceno Assis, Odilo Scherer, João Braz de Aviz e Cláudio Hummes.

Exerceu também funções jornalísticas, escrevendo artigos mensais para o Jornal do Brasil e Correio Brasiliense, e artigos semanais para o boletim litúrgico da Arquidiocese de Brasília, “O Povo de Deus”. Publicou o livro A vida e o pontificado de João Paulo II – anotações de um curso (2008).

 

Bruno Marques

  

FONTES: CARDEAL é; CARDEAL lança; Estado de S.Paulo (18/2/90); Folha de S. Paulo (31/5/88, 31/5/94, 29/6 e 1/7/95, 19/1/98, 18/8/99); Globo (30/5/88); Jornal do Brasil (30/5 e 19/8/88); Veja (/3/84, 8/6, 24 e 31/8/88); Portal da Arquidiocese de Brasília. Disponível em: <http://www.arquidiocesedebrasilia.org.br/>. Acesso em 02/09/2014; Portal Catholic Hierarchy. Disponível em Portal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Disponível em: <http://www.catholichierarchy.org/>. Acesso em02/09/2014; Acesso em <http://www.cnbb.com.br/>. Acesso em 02/09/2014; Portal do jornal Zero Hora. Disponível em: <http://www.zh.clicrbs.org.br>. Acesso em 02/09/2014. 

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