FERES JORGE ROCHA E SILVA UEQUED

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Nome: UEQUED, Jorge
Nome Completo: FERES JORGE ROCHA E SILVA UEQUED

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
Uequed, Jorge

UEQUED, Jorge

* dep. fed. RS 1975-1993; const. 1987-1988.

 

Feres Jorge Rocha e Silva Uequed nasceu em Rio Grande (RS) no dia 29 de maio de 1942, filho de Jorge Uequed e de Daltiva Rocha e Silva Uequed.

Bacharel em ciências jurídicas e sociais pela Universidade do Rio dos Sinos, em 1971, advogado, jornalista e publicitário, nas eleições de novembro de 1974 foi eleito depu­tado federal pelo na legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Assumiu o mandato em fevereiro de 1975, integrando-se à Comissão de Ciência e Tecnologia e como suplente às comissões de Economia, Indústria e Comércio e de Constituição e Justiça.  Reeleito em novembro de 1978, participou outra vez da Comissão de Ciência e Tecnologia e integrou o chamado grupo “autêntico” do MDB, caracterizado por uma atuação mais agressivamente oposicionista.

Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sucessor do MDB. Ainda em 1979, encaminhou um documento à Presidência da República, assinado por mais de sessenta parlamentares, solicitando autorização para que a Organização de Libertação Palestina (OLP) instalasse seu escritório no Brasil.

Membro da comissão parlamentar de inquérito que entre 1979 e 1980 investigou denúncias de irregularidades na Petrobrás, integrou também a Comissão de Trabalho e Legislação Social da Câmara (1981-1983) e a CPI sobre a reforma do ensino (1981-1982). Em 1982, participou do Encontro de Países do Terceiro Mundo, na Líbia. Nas eleições de novembro reelegeu-se, desta vez pela legenda do PMDB. Iniciou o novo mandato em fevereiro de 1983, integrando a Comissão de Ciência e Tecnologia, que presidiu de 1984 a 1985.

Em 25 de abril de 1984, votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que previa eleições diretas para presidente da República. Derrotada a proposição – faltaram 22 votos para que fosse elevada à apreciação do Senado – no Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito pela Aliança Democrática, uma união do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Doente, Tancredo Neves não chegou a ser empossado, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo o cargo interinamente, desde 15 de março deste ano.

 Vice-líder do PMDB na Câmara desde 1985, membro da Comissão de Previdência e Assistência Social, Uequed destacou-se pela apresentação da proposta de ampliação da anistia aos funcionários públicos civis e militares punidos pelo regime militar. Inserido na emenda de convocação da Assembléia Nacional Constituinte seu requerimento obteve amplo apoio na Câmara e no Senado Federal. Ainda em 1985 participou do Encontro de Solidariedade ao Povo Palestino, no Líbano; do Encontro Internacional do Povo Palestino, em Marrocos; e da Conferência Interparlamentar, no Canadá.

No pleito de novembro de 1986 concorreu a uma vaga na Constituinte pela legenda do PMDB. Reeleito com apoio de empresários e da colônia árabe, e tendo como principal base eleitoral a cidade de Canoas, assumiu em fevereiro do ano seguinte, tornando-se titular da subcomissão de Saúde, Seguridade e do Meio Ambiente, da Comissão da Ordem Social, e na condição de suplente, da subcomissão da Nacionalidade, da Soberania e das Relações Internacionais, da Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher.

Votou a favor do rompimento de relações diplomáticas com países que praticassem políticas racistas; da limitação do direito de propriedade; da soberania popular; do mandado de segurança coletivo; da estabilidade no emprego; da remuneração 50% superior para o trabalho extra; da jornada semanal de 40 horas; do turno ininterrupto de seis horas; do aviso prévio proporcional; da unicidade sindical; do voto facultativo aos 16 anos; da nacionalização do subsolo; da limitação dos encargos da dívida externa; da estatização do sistema financeiro; do limite de 12% ao ano para os juros reais; da proibição do comércio de sangue; da criação de um fundo de apoio à reforma agrária; da desapropriação da propriedade produtiva; da anistia aos micro e pequenos empresários; da legalização do aborto. E contra a pena de morte; a legalização do jogo do bicho; o presidencialismo; o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney.

Com a promulgação da nova Constituição, em outubro de 1988, deixou a vice-liderança do PMDB, do qual se afastou em junho do ano seguinte, por discordar da convivência de tendências antagônicas dentro do partido. Pouco antes, participou da Conferência Interparlamentar realizada na Guatemala. Filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) foi um dos responsáveis pela organização da legenda em Canoas, obtendo a filiação de cerca  de mil ex-correligionários.

Concorrendo novamente à reeleição no pleito de outubro de 1990 obteve uma suplência. Deixou a Câmara ao término da legislatura, em janeiro de 1991. Em março, com a posse de Aldo Pinto na Secretaria de Agricultura do governo de Alceu Colares (1991-1994), no Rio Grande do Sul, Uequed voltou ao legislativo federal, estando novamente na suplência, por alguns dias, em dezembro de 1991, quando o titular reassumiu temporariamente suas funções parlamentares. Ainda em dezembro, com o retorno de Pinto à Secretaria de Agricultura, Uequed foi novamente reconduzido a Câmara.

Na sessão da Câmara dos Deputados de 29 de setembro de 1992, votou a favor do impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial Paulo César Farias. Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal, sendo efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde o dia 2 de outubro.

Afastou-se em definitivo da Câmara no mês de novembro de 1993, quando o titular Carlos Cardinal, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), reassumiu o mandato. O retorno de Cardinal, sucessor de Aldo Pinto na Secretaria de Agricultura, ocorreu no contexto de uma grave crise da administração Colares. Com vários de seus auxiliares diretos envolvidos em denúncias de corrupção, o governador gaúcho determinara as exonerações de Cardinal e do secretário Carrion Júnior (PDT), a fim de forçar uma nova suplência de Uequed e do deputado Edson Silva, do Partido Comunista do Brasil (PC do B), substituto de Carrion na Câmara. Tal iniciativa foi uma represália ao apoio que PSDB e PC do B haviam manifestado à CPI criada na Assembléia Legislativa para investigar os fatos que pesavam contra o governo.

Em outubro de 1998 Uequed candidatou-se sem sucesso à Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, desta feita pela legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Casou-se com Rosemari Beatriz Gomes Uequed, com quem teve três filhos.

Publicou Sem ódio e sem medo (1978), O fracasso dos iluminados (1980), Quando um deputado flagrou um ministro mexendo no bolso dos aposentados (1982), Luta contra o arrocho salarial (1984) e Em defesa do Rio Grande (1986).

 

/Gisela Moura

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1975-1979, 1979-1983, 1983-1987 e 1991-1995); CÂM. DEP. Listas de suplentes (1991-1995); COELHO, J. & OLIVEIRA, A. Nova; Folha de São Paulo (28/10/79 e 21/3/87); Globo (16/2/83, 26/4/84, 16/1 e 23/10/85); Jornal do Brasil (30/11/81, 6/10/85, 19/6/89 e 12/11/93); NÉRI, S., 16; Perfil (1980).

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