FERNANDO LUIS LOBO BARBOSA CARNEIRO

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Nome: CARNEIRO, Lobo
Nome Completo: FERNANDO LUIS LOBO BARBOSA CARNEIRO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CARNEIRO, Lobo

*dep. fed. DF 1951-1952 e 1953-1954.

 

Fernando Luís Lobo Barbosa Carneiro nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 28 de janeiro de 1913, filho de Otávio Barbosa Carneiro e de Aurora Lobo Carneiro.

Diplomou-se pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, atual Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1934, tornando-se engenheiro civil especializado em resistência dos materiais e concreto e interessando-se também pela refinação de petróleo. Ainda em 1934, realizou estágio no escritório técnico de Emílio H. Baumgart, o principal projetista de concreto armado no Brasil, responsável, entre outros trabalhos, pelo edifício A Noite, no Rio de Janeiro (1928), o primeiro arranha-céu com estrutura de concreto armado em todo o mundo.

Iniciou sua carreira no Instituto Nacional de Tecnologia (INT), em janeiro de 1935, como engenheiro tecnologista. Aí trabalharia até 1967, com uma interrupção de dois anos, de 1939 a 1941, em que foi requisitado para o recém-fundado Conselho Nacional do Petróleo (CNP). Como técnico do CNP, teve participação direta na decisão do general Júlio Caetano Horta Barbosa, então presidente da entidade, no sentido de que fossem desmontadas “as instalações daquilo que se apresentava como uma refinaria construída em Santo Amaro [ilha no litoral de São Paulo] pela Standard Oil of Brazil”. Daí em diante, passou a desempenhar papel de destaque nas discussões relacionadas à exploração do petróleo no país.

Em 1943, desenvolveu um novo método para a determinação da resistência à tração dos concretos, por meio da compressão diametral de corpos cilíndricos, teste que foi adotado internacionalmente pela American Society for Testing Materials, a Réunion Internationale des Laboratoires d’Essais et de Recherches sur les Matériaux et les Constructions (Rilem) e ISO (International Organization for Standardization), tornando-se conhecido como Brazilian test.

Em outubro de 1946, um mês após a promulgação da Constituição, publicou artigo no Jornal de Debates em que levantava questões pertinentes à política do petróleo e sugeria um inquérito a ser promovido pelo próprio jornal junto a especialistas no assunto. Comentando os artigos 152 e 153 da Constituição — nos quais se afirmava que a exploração dos recursos minerais dependeria de concessões “conferidas exclusivamente a brasileiros ou a sociedades organizadas no país” —, indagava se deveria ser admitida participação de capital estrangeiro na exploração petrolífera, se deveria ser adotado o monopólio estatal ou ainda se seria preferível uma fórmula mista combinando o capital privado ao do Estado. O debate sobre essas questões se intensificou a partir de 1947, quando os generais Horta Barbosa e Juarez Távora pronunciaram uma série de conferências no Clube Militar defendendo posições opostas: de um lado, o monopólio estatal e, de outro, o capital estrangeiro.

Em fevereiro de 1948, foi enviado ao Congresso o anteprojeto do Estatuto do Petróleo, que permitia a participação do capital estrangeiro no setor. Esse anteprojeto foi combatido por um grupo de deputados entre os quais se incluíam Hermes Lima e Artur Bernardes, e, a partir do mês de abril, pelo Centro de Estudos e Defesa do Petróleo, então criado para lutar em favor da “tese nacionalista de exploração das jazidas pelo monópolio estatal”. Lobo Carneiro participou da primeira comissão executiva do centro e, em 1949, quando este passou a se chamar Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN), tornou-se um de seus vice-presidentes, exercendo o cargo até o ano seguinte.

No pleito de outubro de 1950, candidatou-se a deputado federal pelo Distrito Federal na legenda do Partido Republicano Trabalhista (PRT), obtendo apenas uma suplência. Exerceu o mandato de novembro de 1951 a março de 1952, de junho a outubro desse último ano e de novembro de 1953 a janeiro do ano seguinte, ocupando a cadeira do titular, Roberto Morena, por ocasião das licenças deste. Na Câmara, como porta-voz do CEDPEN, continuou a desenvolver intenso trabalho na questão do petróleo, apoiando o arquivamento do anteprojeto do Estatuto do Petróleo em 1951 e opondo-se ao projeto enviado pelo presidente Getúlio Vargas ao Congresso, em dezembro do mesmo ano, referente à criação de uma sociedade de economia mista para a exploração das jazidas petrolíferas. O CEDPEN considerou que esta seria a oportunidade esperada pelos trustes estrangeiros para penetrarem nos setores de exploração e industrialização do petróleo brasileiro.

Em maio de 1952, o CEDPEN enviou um memorando à Câmara dos Deputados em que eram formuladas diversas sugestões. Várias delas foram aproveitadas pelo substitutivo apresentado pela União Democrática Nacional (UDN) ao projeto do governo em 6 de junho de 1952, propondo a criação de uma autarquia. Entre 5 e 8 de julho seguinte, o CEDPEN realizou a III Convenção Nacional de Defesa do Petróleo, cujas resoluções ratificaram a sua posição favorável ao monopólio estatal, condenando o projeto do governo, e apoiaram o substitutivo apresentado pela UDN. A oposição ao projeto do governo não era coesa na Câmara, tendo a maioria manifestado um ponto de vista favorável à concessão de arranjos políticos. Somente uma minoria, representada pelos deputados Lobo Carneiro e Artur Bernardes, mantinha-se irredutível em sua posição favorável ao monopólio estatal, negando-se a qualquer atitude moderada.

Gustavo Capanema, líder do governo na Câmara, deu início às negociações interpartidárias, evitando um impasse parlamentar em torno do problema. Ainda em julho de 1952, foi estabelecido um acordo no qual os representantes da oposição apresentaram requerimentos pedindo urgência no andamento do projeto, no que foram apoiados pelo governo. O projeto governista foi finalmente alterado na Câmara, consagrando o monopólio estatal, e depois de aprovado no Senado, transformou-se na Lei nº 2.004, de 3 de outubro de 1953, que criou a Petrobras.

Lobo Carneiro foi também membro da Liga da Emancipação Nacional (LEN), sociedade civil fundada pelo CEDPEN em 5 de abril de 1954 com o objetivo de defender as liberdades democráticas e de lutar pelo desenvolvimento econômico independente do Brasil. A entidade foi fechada pelo presidente Juscelino Kubitschek em junho de 1956, acusada de infiltração comunista. Pertenceu também ao Clube de Engenharia e à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Em 1956, participou, como representante do INT, do Comitê ISO-71, em Viena, Áustria. No período de 1957 a 1963, foi membro-relator da Comissão de Normas Estruturais da ABNT, que realizou a revisão de 1960 da Norma Brasileira NB-1, para cálculo e execução de obras de concreto armado. Em 1964, como bolsista do governo francês, realizou o curso Béton Précontraint da ASTEF e fez estágio no Centre d’Études et de Recherches du Batiment et des Travaux Publics, em Paris. A partir desse ano iniciou seus contatos com a Rilem, da qual se tornaria presidente em 1979 e membro de honra em 1983, e com o Comité Euro-International du Béton.

Paralelamente às suas atividades no INT e até o seu ingresso na UFRJ em regime de tempo integral, trabalhou também como projetista de estruturas de concreto armado, destacando-se entre suas realizações o edifício da Faculdade de Arquitetura e Reitoria da UFRJ, o edifício do Hotel Ambassador e algumas dezenas de edifícios de apartamentos no Rio de Janeiro, a ponte rodoviária em Ponte Nova, na variante Pindamonhangaba-Taubaté (RJ), e a galeria do interceptor oceânico de esgotos Glória-Botafogo, também no Rio de Janeiro.

Suas atividades no magistério tiveram início em 1968, como professor titular e organizador do Programa de Engenharia Civil da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da UFRJ, do qual seria coordenador até 1982. A partir de 1970, ministrou cursos na graduação como professor adjunto da Escola de Engenharia da UFRJ. Foi orientador de mais de três dezenas de teses de mestrado e doutorado, tendo participado de várias bancas examinadoras em outras instituições do país e do exterior.

Entre 1981 e 1988 foi um dos responsáveis pela cooperação técnica e coordenador do contrato entre a Coppe e a Petrobras para o desenvolvimento de pesquisas na área de estruturas off-shore, área em que o Brasil passou a se destacar no cenário internacional.

Em 1984, por escolha unânime de um júri internacional e concorrendo com outros 32 candidatos de 12 países, recebeu o Prêmio Interamericano de Ciência Bernardo A. Houssay da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington. Em 1987 recebeu o título de doutor honoris causa da UFRJ, titulação que também receberia, em 1994, da Universidade Federal da Bahia.

Em 1992 participou da conferência internacional RIO-92 na qualidade de representante da União das Associações Técnicas Internacionais (UATI), organização não-governamental com sede em Paris.

Aposentado na UFRJ desde 1990, continuou trabalhando como pesquisador e professor da Coppe, com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Tornou-se também membro do Conselho de Administração da Fundação Universitária José Bonifácio e do Conselho Editorial da Editora da UFRJ. Em dezembro de 1998, foi agraciado pela Prefeitura do Rio de Janeiro com o Prêmio Ciência e Tecnologia da Cidade do Rio de Janeiro.

Atuou em defesa do Programa Brasileiro do Álcool, da conversão da energia térmica do oceano e da utilização de novas fontes de energia. Foi também membro fundador da Academia Nacional de Engenharia e da Sociedade Brasileira de História da Ciência, membro efetivo e delegado brasileiro da International Association for Bridge and Structural Engeneering (IABSE).

Faleceu no Rio de janeiro dia 16 de novembro de 2001.

Do seu primeiro matrimônio teve três filhos. Casou-se pela segunda vez com Zenaide Monteiro Morais Carneiro.

Publicou, entre outros títulos, Dosagem de concretos, Os coeficientes de segurança nas estruturas de concreto armado, Contribuição para o estudo das posolanas, A luta pelo petróleo brasileiro, Um novo tipo de armaduras para concreto armado e Análise dimensional e teoria da semelhança e dos modelos físicos (1993).

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CARVALHO, E. Petróleo; CISNEIROS, A. Parlamentares; COHN, G. Petróleo; CURRIC. BIOG.; Grande encic. Delta; INF. BIOG.; Jornal do Brasil (17/11/01); LIGA DE EMANCIPAÇÃO NAC.; PEREIRA, J.S. Petróleo; RIBEIRO FILHO, J. Dic.

 

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