FLAVIO DA COSTA BRITO

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Nome: BRITO, Flávio
Nome Completo: FLAVIO DA COSTA BRITO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BRITO, FLÁVIO

BRITO, Flávio

*pres. CNA 1967-1987; sen. AM 1967-1968, 1969-1975.

 

Flávio da Costa Brito nasceu em Manaus no dia 1º de outubro de 1914, filho de José Ramalho de Brito e de Helena da Costa Brito.

Empresário agrícola, Flávio Brito passou a fazer parte, em 1955, da Comissão Federal de Abastecimento e Preços (Cofap). Em 1957, foi nomeado integrante da Comissão Nacional de Agricultura e incumbido de representar a União Nacional das Cooperativas (Unasco) na Comissão Nacional de Política Agrária, ambas vinculadas ao Ministério da Agricultura. No ano seguinte, ingressou na Comissão Permanente de Cooperativismo e assumiu a presidência da União das Cooperativas do então Distrito Federal, no Rio de Janeiro.

Em 1961, foi nomeado representante da lavoura no conselho consultivo do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC) e eleito presidente do conselho nacional do Serviço Social Rural. Tornou-se, em 1962, diretor da Confederação Rural Brasileira e, um ano depois, diretor-técnico da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), cargos que ocuparia até 1967. Em 1964, representou a SNA junto ao Conselho Nacional Consultivo da Agricultura. Membro do conselho consultivo da Aliança Brasileira de Cooperativas a partir de 1965, foi nomeado pelo presidente Humberto Castelo Branco (1964-1967), ainda nesse ano, para integrar o conselho técnico do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), no qual permaneceria até 1969.

No pleito de 15 de novembro de 1966, compôs como suplente a chapa encabeçada por Álvaro Maia, candidato da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de suporte institucional ao regime militar instaurado no país em abril de 1964, que conquistou uma vaga no Senado pelo Amazonas. Durante a legislatura, iniciada em fevereiro de 1967, Flávio Brito cumpriu interinamente o mandato entre junho desse ano e janeiro do ano seguinte, voltando ao Senado de maio a dezembro de 1968.

Eleito para a presidência da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) ainda em 1967, iniciou longa permanência à frente da entidade, à qual seria reconduzido sucessivas vezes para mandatos de três anos. Em 1969, assumiu também a presidência da Fundação Coopercotia, situada na cidade de Cotia (SP).

Com a morte de Álvaro Maia em novembro de 1969, Flávio Brito passou a ocupar, em caráter efetivo, uma das cadeiras arenistas no Senado, assumindo, no ano seguinte, a presidência da Comissão de Agricultura da Casa. Designado pelo presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), representou o Brasil na 54ª sessão da Conferência Internacional do Trabalho realizada em Genebra, na Suíça.

Vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional do Senado entre 1971 e 1972, membro da mesa diretora da III Conferência Nacional das Classes Produtoras (Conclap), realizada em 1972 no Rio de Janeiro, vice-líder da Arena no Senado em 1973 e 1974, Flávio Brito não conseguiu renovar seu mandato no pleito de 15 de novembro de 1974, sendo derrotado por Evandro Carreira, candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar.

Em setembro de 1976, na condição de presidente da CNA, teve uma audiência com o presidente Ernesto Geisel (1974-1979) na qual acusou bispos da Igreja Católica e missionários indigenistas, ligados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de estarem “levando verdadeiro tumulto ao campo, jogando empregados contra empregadores e incentivando posseiros profissionais a invadirem propriedades, principalmente nos estados do Acre, Pará e Mato Grosso”. Disse ainda ao presidente da República que “no clero também [havia] comunistas, assim como entre os apóstolos existia um judas”, e sugeriu que os órgãos de informação do governo apurassem as denúncias que trazia, capazes, segundo ele, de caracterizar “verdadeira agitação no meio rural”.

Flávio Brito declarou, em novembro de 1977, que “a retenção e o corte nas linhas de crédito rural fizeram com que todo o setor registrasse uma aguda descapitalização, principalmente nas áreas pioneiras, como a Amazônia, que exigiu grandes investimentos particulares. O corte no crédito veio também agravar os problemas sociais do homem do campo, havendo choques constantes entre patrões e empregados”, ressaltou.

Tendo conquistado novos mandatos trienais de presidente da CNA em agosto de 1979 e em agosto de 1982, candidatou-se novamente à reeleição em julho de 1985, ocasião em que foi derrotado, por apenas um voto de diferença, por Alysson Paulinelli, que fora ministro da Agricultura do presidente Ernesto Geisel (1974-1979). Insatisfeito com o resultado, Brito recorreu à Justiça do Trabalho contra a impugnação dos votos dos delegados do Rio de Janeiro e Espírito Santo que lhe garantiriam a vitória. Apesar de o recurso não ter sido acatado, acabou permanecendo à frente da entidade patronal.

Durante o seminário de Reforma e Justiça Agrárias, em agosto seguinte, declarou que o Plano Nacional de Reforma Agrária era “um monstrengo de lei” que o governo pretendia impingir. Elaborado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) sem ouvir os representantes das sociedades agrícolas, o documento, protestou, resultaria na regulamentação da profissão de “invasores de terras”. Todavia, em setembro, ao ser empossado em seu novo mandato, em cerimônia que contou com a presença do presidente da República José Sarney (1985-1990), Flávio Brito assumiu outra postura e declarou que apoiaria o governo na implantação da reforma agrária.

Tendo deixado a presidência da CNA em dezembro de 1987, quando foi substituído por Alysson Paulinelli, em janeiro do ano seguinte foi acusado, juntamente com o ex-secretário de Agricultura da Paraíba, Elzir Nogueira Matos, e o presidente da Federação da Agricultura do Amazonas, Eurípedes Ferreira Lins, de desviar verba da CNA. As acusações foram baseadas em auditoria realizada pelo Ministério do Trabalho, que constatou várias irregularidades.

Flávio Brito faleceu em Brasília em abril de 1999.

 

FONTES: Estado de S. Paulo (14/3 e 11/9/85 e 15/1/86); Folha de S. Paulo (17/7 e 1/8/85); Globo (11/1/86); INF. BIOG.; Jornal do Brasil (16 e 17/7/85 e 28/7/88).

 

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