FLEIUSS, HENRIQUE

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Nome: FLEIUSS, Henrique
Nome Completo: FLEIUSS, HENRIQUE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FLEIUSS, HENRIQUE

FLEIUSS, Henrique

*militar; min. Aer. 1956-1957; ch. Emaer 1964; comte. ESG 1965-1966.

 

Henrique Fleiuss nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 1º de setembro de 1904, filho do historiador Max Fleiuss e de Maria Luísa Negreiros Fleiuss.

Ingressou na Escola Naval em abril de 1920, saindo guarda-marinha em janeiro de 1924. Em dezembro do mesmo ano foi promovido a segundo-tenente, em janeiro de 1927 a primeiro-tenente e, em agosto de 1930, a capitão-tenente. Em dezembro deste último ano concluiu o curso de aviador naval, passando a integrar o quadro de aviadores da Marinha, organizado no mês de outubro. Posteriormente, foi instrutor de pilotagem da Escola de Aviação Naval.

Promovido a capitão-de-corveta em maio de 1935, exerceu, em seguida, as funções de vice-diretor da Escola de Aviação Naval e de secretário do diretor de Aeronáutica Naval. Ainda nesse posto, fez o curso de comando da Escola de Guerra Naval. Em janeiro de 1941, com a criação do Ministério da Aeronáutica, foi transferido para a Força Aérea Brasileira (FAB), passando a major-aviador, patente que equivalia, na Marinha, à de capitão-de-corveta. Foi promovido a tenente-coronel-aviador em dezembro de 1941 e designado chefe de gabinete do Estado-Maior da Aeronáutica (Emaer), cargo que ocupou até 1943.

Coronel-aviador em setembro de 1944, foi nomeado sucessivamente secretário da Comissão de Promoções da Aeronáutica e chefe de gabinete e agente diretor do Emaer. No decorrer de 1948, foi chefe de gabinete do brigadeiro Armando Trompowsky, titular da pasta da Aeronáutica durante todo o governo do general Eurico Gaspar Dutra (1946-1951). Em setembro de 1950, foi promovido a brigadeiro e designado adido aeronáutico junto às embaixadas do Brasil em Paris e em Londres, e, a partir de janeiro do ano seguinte, também junto à embaixada de Madri. Desempenhou essa função até fevereiro de 1952, quando voltou ao Brasil, sendo nomeado comandante da Escola de Aeronáutica.

Ainda neste cargo, foi empossado na presidência do Clube de Aeronáutica em julho de 1955 para o biênio 1955-1957. Em março de 1956, substituiu o brigadeiro Vasco Alves Seco como titular da pasta da Aeronáutica. Sua posse ocorreu no início do governo do presidente Juscelino Kubitschek, pouco depois da Revolta de Jacareacanga. Essa rebelião militar, liderada por dois oficiais da Aeronáutica — o major Haroldo Veloso e o capitão José Chaves Lameirão —, representou um teste à autoridade de Juscelino, que enfrentava a aberta hostilidade de grande parcela da oficialidade da Aeronáutica e da Marinha. A substituição do brigadeiro Seco, impopular entre os oficiais, aliada à anistia concedida aos revoltosos, foi vista como um gesto de boa vontade de Kubitschek. Ao ser empossado no ministério, Fleiuss prometeu fazer todo o possível para “trazer a harmonia à Aeronáutica”.

Ainda em 1956, o governo norte-americano, alegando o fortalecimento bélico da União Soviética, encarregou seu embaixador no Brasil, Ellis Briggs, de pleitear, junto às autoridades brasileiras, a instalação de uma estação de rastreamento de foguetes em Pernambuco. O presidente Kubitschek submeteu o assunto aos três ministros militares — o brigadeiro Fleiuss, da Aeronáutica, o general Henrique Lott, da Guerra, e o almirante Antônio Alves Câmara Júnior, da Marinha — que vetaram o local estabelecido, sugerindo a ilha de Fernando de Noronha. Exigiram ainda especificações sobre a natureza e o uso dos equipamentos utilizados e um esquema dos trabalhos a serem desenvolvidos. Após uma série de discussões, os militares conseguiram garantir a presença de oficiais brasileiros em todos os setores da base, ainda que afastados da posse de alguns segredos militares. Em dezembro de 1956, os dois países assinaram um tratado — conhecido como Tratado de Fernando de Noronha — baseado nos termos e resoluções do Tratado Internacional de Assistência Recíproca (TIAR), de 1947, e do Acordo de Assistência Militar, de 1952. Em troca da base, o Brasil receberia cem milhões de dólares em material para reaparelhar suas forças armadas.

Em 1956, a Marinha adquiriu o porta-aviões Minas Gerais, o que viria a recrudescer os desentendimentos com a Aeronáutica, e, em dezembro, a Lei nº 3.039 normatizava a subvenção às empresas aéreas comerciais. Data também de sua gestão o contrato com a Sociedade Construtora Aeronáutica Neiva (em Botucatu, SP) para a fabricação de 250 aviões Paulistinha 56. E, já em 1957, dentre outras, a criação de uma linha mensal do Correio Aéreo Nacional para dar apoio ao batalhão do exército brasileiro sediado na região de Suez, a serviço da Organização das Nações Unidas (ONU), bem como da Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (Comara).

Fleiuss deixou o Ministério da Aeronáutica em julho de 1957, sendo substituído pelo brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo. Seu afastamento — segundo John Foster Dulles — deveu-se ao fato de ter permitido a realização de um almoço em homenagem ao coronel Adil de Oliveira, apesar da opinião contrária do próprio presidente Kubitschek. O coronel Adil, que chefiou o inquérito policial-militar que investigou o atentado da Toneleros (5/8/1954), era ativo integrante dos setores militares que se opuseram à posse de Juscelino, e fora por diversas vezes preterido na promoção a brigadeiro.

Em agosto de 1958, Fleiuss foi promovido a major-brigadeiro e em dezembro assumiu a presidência do Conselho Nacional do Petróleo (CNP), função que exerceu até fevereiro de 1961, no início do governo do presidente Jânio Quadros. Entre 1961 e 1963, foi diretor da Diretoria de Ensino da Aeronáutica e da Aeronáutica Civil. Passou a tenente-brigadeiro em março de 1963.

Partidário do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart, no mês de abril assumiu o cargo de chefe do Emaer, substituindo o tenente-brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo. Em dezembro de 1964, transmitiu a chefia do Emaer ao major-brigadeiro Gabriel Grün Moss e em fevereiro de 1965 assumiu o comando da Escola Superior de Guerra (ESG), em substituição ao almirante Luís Teixeira Martini. Permaneceu no cargo até setembro de 1966, sendo substituído pelo general-de-exército Aurélio de Lira Tavares. Neste último mês passou à reserva com a patente de marechal-do-ar.

Dedicou-se a partir de então à iniciativa privada, tendo sido, de 1969 a 1974, presidente da Safran-Teijin, indústria têxtil controlada por capitais japoneses. Em meados de 1976, tornou-se vice-presidente do Banco Safra de Investimentos S.A. e membro da diretoria do grupo Safra. Por ocasião da criação do Conselho Superior do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, em 1987, foi eleito seu conselheiro vitalício.

Durante sua carreira militar, fez ainda os cursos da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica e da ESG.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 15 de abril de 1988.

Era casado com Déa Fleiuss.

 

FONTES: BANDEIRA, L. Presença; CORRESP. CENTRO DOC. HIST. AER.; CORRESP. ESC. SUP. GUERRA; CORTÉS, C. Homens; DULLES, J. Unrest; Encic. Mirador; Globo (16/4/88); Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (27/7/76); KUBITSCHEK, J. Meu (3); MACEDO, R. Efemérides; MIN. AER. Almanaque; QUADROS, J. História; SOUSA, J. Ministros; WANDERLEY, N. História.

 

 

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