FRAGOMENI, JOSE

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Nome: FRAGOMENI, José
Nome Completo: FRAGOMENI, JOSE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
FRAGOMENI, JOSÉ

FRAGOMENI, José

*militar; comte. ESG 1978; comte. II Ex. 1979; min. STM 1979-1984.

 

José Fragomeni nasceu em São Gabriel (RS) no dia 16 de março de 1914, filho de Jerônimo Fragomeni, pequeno comerciante, e de Helena Fragomeni. De seus 11 irmãos, três também ingressaram no Exército.

Em março de 1933 sentou praça na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, e ao concluir o curso em janeiro de 1936 como aspirante-a-oficial da arma de cavalaria, foi imediatamente promovido a segundo-tenente. Primeiro-tenente em maio de 1937 e capitão em dezembro de 1944, foi comandante de pelotão e de esquadrão em corpo de tropa no seu estado de origem, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, e ainda instrutor na Escola Militar do Realengo e ajudante-de-ordens do general Eurico Gaspar Dutra, ministro da Guerra de 1936 a 1945.

Promovido a major em julho de 1951, alcançou a patente de tenente-coronel seis anos mais tarde e a de coronel em dezembro de 1963. Destacou-se então como instrutor-chefe do curso de cavalaria da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), exercendo ainda as funções de instrutor na Missão Militar de Instrução no Paraguai, comandante do 12º Regimento de Cavalaria, sediado em Bajé (RS), oficial-de-gabinete do Ministério do Exército e oficial da 3ª Seção do Estado-Maior do Exército. Em abril de 1964, por seu engajamento no movimento político-militar que depôs o presidente João Goulart, recebeu o comando de uma unidade considerada de elite, o 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, os “Dragões da Independência”, no Rio de Janeiro. Foi também chefe do Estado-Maior da Divisão Blindada, chefe da 4ª Seção do Estado-Maior das Forças Armadas e subchefe de gabinete do ministro do Exército.

Após ser promovido a general-de-brigada em março de 1968, foi comandante da Artilharia Divisionária da 6ª Divisão de Infantaria (DI), em Porto Alegre, comandante da 1ª Divisão de Cavalaria, em Santiago (RS), e diretor de Administração Financeira do Exército. Em fevereiro de 1971 assumiu o comando da AMAN, substituindo o general Carlos Meira Matos, e em novembro de 1973 alcançou a patente de general-de divisão. Em seguida deslocou-se para a subchefia do Estado-Maior do Exército (EME) e depois para a Diretoria-Geral de Economia e Finanças do Exército. Em outubro de 1975, assumiu o comando da 2ª Divisão de Exército, em São Paulo, em substituição ao general Mário de Sousa Pinto, e neste posto, como homem de confiança do presidente Ernesto Geisel, teve importante participação no episódio em que o general Ednaldo D’Ávila Melo foi afastado do comando do II Exército. Tal afastamento decorreu da morte do operário Manuel Fiel Filho nas dependências do DOI-CODI paulista, em situação que repetia a ocorrida meses antes com o jornalista Vladimir Herzog.

Em novembro de 1977 foi promovido a general-de-exército e em janeiro de 1978 assumiu o comando da Escola Superior de Guerra (ESG), substituindo o general Aírton Tourinho. À frente daquela unidade de ensino, durante aproximadamente um ano, negou que a ESG estivesse passando por um processo de reformulação e declarou que a escola continuava aberta para todos, sem partido e sem qualquer interferência na vida normativa do país. Admitiu porém que na reforma da Lei de Segurança Nacional o conceito de segurança nacional poderia ser ampliado, transformando-se no binômio segurança e desenvolvimento, que no seu entender continuaria o melhor meio de se alcançar o bem-estar do povo.

A política de “distensão lenta, gradual e segura” desenvolvida por Geisel desde o início de seu governo defrontou-se em 1978 com o crescimento da luta pela anistia e com o ressurgimento do movimento operário, ao mesmo tempo em que se encaminhava a sucessão presidencial em favor da chapa João Figueiredo-Aureliano Chaves e o Ato Institucional nº 5 (AI-5) era extinto. Exonerado da ESG em dezembro, Fragomeni retornou a São Paulo, assumindo o comando do II Exército em janeiro de 1979 em substituição ao general Dilermando Gomes Monteiro. Na ocasião declarou-se favorável à anistia, “mas uma anistia regulada, não anistiar os criminosos comuns. Quem assassinou, por exemplo, não merece ser anistiado”.

Em junho, por ser o primeiro em antigüidade no Exército, foi nomeado ministro do Superior Tribunal Militar (STM) na vaga aberta com a aposentadoria do ministro-general Rodrigo Otávio Jordão Ramos. No final de julho passou interinamente o comando do II Exército ao general Túlio Chagas Nogueira, e em no início de agosto assumiu seu novo cargo. Permanecendo no II Exército seria obrigado a ir para a reserva em março de 1980, ao completar 66 anos, mas como ministro do STM pôde ficar na ativa por mais quatro anos.

Ao longo de sua carreira militar cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e a ESG e o curso superior da Escola de Cavalaria dos Estados Unidos.

Faleceu em Brasília no dia 14 de fevereiro de 1984.

Era casado com Eunice Pizarro Fragomeni, com quem teve seis filhos.

 

 

FONTES: CURRIC. BIOG; Folha de S. Paulo (26/11/77); Globo (11/8/79 e 15/2/84); Jornal do Brasil (5/2/71, 29/10/75, 26 e 30/11/77, 11/1, 12/8 e 13/12/78, 11/1, 6, 7, 8 e 22/6, 18 e 24/7 e 11/8/79 e 15/2/84); Veja (14/3 e 28/11/73, 23 e 30/11/77, 17/1 e 15 e 22/2/84).

 

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